“Ideias loucas” do ministério deixaram educação “insustentável”
A educação em Portugal está «insustentável» e, na opinião de Nuno Crato, o grande responsável é o ministério e as «ideias loucas» e «mirabolantes» de algumas pessoas que «não percebem nada de educação», mas controlam as escolas e o ensino. Esquecem-se que, afinal, bastam «meia dúzia de coisas simples». O problema é que «ninguém as quer fazer», lamentou anteontem o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), no jantar-debate “Quintas na Quinta”, o último antes de férias.
À partida, pede-se «respeito pelo saber», no entanto, hoje em dia, «o que tem valor é um dia apertar a mão ao Ronaldo», ironizou o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, defendendo uma maior liberdade das escolas, desde logo com uma das rotinas mais básicas: a elaboração dos horários. «O Ministério está preocupado em controlar a Educação, não está preocupado com a Educação. Não dá liberdade, quer controlar as pessoas e não faz avaliação de resultados. Assim não vamos longe», lamentou Nuno Crato, na Quinta das Lágrimas, perante uma assistência com muitos professores e vários nomes reconhecidos do ensino em Portugal, como Montezuma de Carvalho ou Carlos Fiolhais.
Avaliar os alunos. Esta é uma das «ideias simples» defendida pelo também presidente do TagusPark. Mas o que o país precisa é de uma avaliação externa. «São mais de 30 as disciplinas do ensino básico, ao longo de nove anos. E os nossos alunos são avaliados externamente a duas», ao fim desse tempo», criticou, acrescentando que mesmo essa avaliação «não é suficientemente séria».
O ideal é que fosse realizada por um instituto que não estivesse sob a tutela do Ministério da Educação, porque, continuou, os resultados dos exercícios «valem também para avaliação do próprio ministério».
Depois, pedem-se «metas de aprendizagem», que vão além de «currículos com várias páginas vagas», onde se lê, por exemplo, que é necessário «uma atitude positiva forte perante a aprendizagem». «Duvido que isto vá resultar de alguma coisa», lamentou, antes de mais, porque, frisou Nuno Crato, as metas divulgadas pelo ministério foram criadas por alguém que é contra as metas e que «não percebe o que são metas de aprendizagem».
Junho 26, 2010
Junho 26, 2010 at 11:27 am
Bom post, Paulo.
-«O Ministério está preocupado em controlar a Educação, não está preocupado com a Educação. Não dá liberdade, quer controlar as pessoas e não faz avaliação de resultados. Assim não vamos longe»…
Subscrevo tudo e com especial ênfase “…não faz avaliação de resultados.” (Também válido para a avaliação de professores)
-”…as metas divulgadas pelo ministério foram criadas por alguém que é contra as metas e que «não percebe o que são metas de aprendizagem».
Quanto às metas de aprendizagem, subscrevo com reservas:
1. se não forem factor de exclusão para os alunos com mais dificuldades;
2. se não forem redutoras para os alunos com mais facilidades.
Junho 26, 2010 at 11:53 am
vá lá que o cargo não lhe “subiu à cabeça”…
fico contente e gostei do que li!
Junho 26, 2010 at 11:55 am
Concordo em absoluto com o Nuno Crato, até na parte da prova de admissão à profissão, em 2000, na FCUP realizou-se um abaixo-assinado para que essa prova se realizasse, o motivo é simples, há universidades privadas (e agora até algumas públicas) onde o ensino é de pouca qualidade e as notas inflacionadas…e depois, na hora de concorrer, não se faz a distinção…sublinho que tive colegas que não conseguiram fazer uma cadeira na FCUP, em vários anos, e que se transferiram para privadas e terminaram os cursos com médias astronómicas.
Junho 26, 2010 at 12:08 pm
Eu também concordo com o Nuno Crato, as provas de admissão são importantes para credibilizar a profissão e mais, os que estão já na profissão também deveriam ser avaliados por provas externas.
Junho 26, 2010 at 12:36 pm
Para candidato a futuro Ministro da Educação mantém um lucidez importante.
Junho 26, 2010 at 12:48 pm
#5
oxalá sim…
Junho 26, 2010 at 1:01 pm
Quando é que aprendem que a verdadeira questão não está nos exames mas na cultura de estar portuguesa…?
Os exames são apenas um remendo…se assim fosse expliquem a razão de mais de 40 por cento de insucesso no superior onde eles existem?
A cultura do rigor, do ver a escola como algo de importante de útil, a ligação dos pais à escola e mais importante de tudo o acompanhamento por parte dos ditos ao longo da escolaridade dos seus filhos…
O CRATO FALA..FALA..MAS NÃO REFERE QUE NO TEMPO DELE SE CALHAR A SUA MÃEZINHA ESTAVA EM CASA E ACOMPANHAVA-O, A SUA FAMÍLIA ERA BURGUESA E TINHA MEIOS…
Ora hoje em dia o tempo escasseia, vive-se
rápido…o trabalho é cada ocupa cada vez mais horas à família…a distância casa trabalho é cada vez maior…o horário dos miúdos idem…acresce a isto o facto de muitos verem(e aqui corroboro o Kafak8incrível não é?)que o facto de terem estudos não lhe dás nenhum acréscimo de estatuto social ou empregabilidade na maior parte dos casos…
Sem por em causa o Crato ..aceitaria ele um tipo de avaliação no Técnico que estivesse relacionado com o aproveitamento dos alunos…é que o técnico é conhecido por ter um nível de reprovações acima da média nacional..sim eu sei é exigente…muito..daí as imensas depressões que gera em muitos alunos…Enfim …cada um com a sua ideia..a realidade , essa, é muito diferente e tem muitas variáveis…que muitos reduzem a uma só-caso dos exames…Fui…
aopido
Junho 26, 2010 at 1:03 pm
Sorry os erros mas não tenho tempo para os corrigir…os critérios dos exames também são assim..desde que as ideias lá estejam …
Junho 26, 2010 at 1:07 pm
#4/5
Subscrevo.
Sem reservas, mas com um suplemento:
- a genuína formação de professores será sempre EM EXERCÍO, EM EQUIPA E CONTÍNUA (antítese de fragmentada, empacotada e servida a la carte por fornecedores tipo multinacionais).
Junho 26, 2010 at 2:47 pm
Se a actual formação inicial de professores é assim tão desigual,que venha a avaliação para a entrada na carreira. O que não percebo é a que tipo de exames o Nuno Crato se refere : conteúdos académicos? conhecimentos psicopedagógicos?Um mistura dos dois? E quem iria elaborar os exames? os “especialistas” do ME? seriam exames escritos? orais? entrevistas?
Atenção aos riscos! Ainda podia era ser tudo desvirtuado e abrir-se mais uma porta para os amigos…
E por que não estágios devidamente programados, orientados, acompanhados e avaliados?
Junho 26, 2010 at 2:55 pm
Estará o Nuno Crato a sugerir, com a imagem dos combóios, que se façam turmas desdobradas,conforme o grau de conhecimentos dos alunos? Gostaria que ele começasse a concretizar um pouco as suas ideias,que eu já ouvi várias vezes. Em geral eu até me sinto inclinada a concordar com ele,mas receio que se comece a tornar repetitivo e pouco operacional.
Ideias gerais todos temos,até podem ser consensuais, mas a prática depois é que nos pode (ou não) diferenciar.Nuno Crato está à espera do momento certo para as concretizar?
Junho 26, 2010 at 3:10 pm
Agora não vou ser muito consensual.
E ideias práticas? Que afinal acha ele que se deve fazer?
Junho 26, 2010 at 3:31 pm
# Desvio Padrão
Pois…é mesmo isso que me preocupa. Já o ouvi várias vezes a dizer as mesmas coisas e ainda não concretizou uma ideia (que eu saiba). Estará à espera de ser ministro?
Junho 26, 2010 at 3:34 pm
Ess pessoal que falka for geralmnet faz o contra´riom ou nada quando está dentro..caso do Medina
Junho 26, 2010 at 3:35 pm
Não quero mais ministros que falam falam e depois é o que se vê.
Doravante, quem aspirar ao cargo terá que concretizar, sob pena de passar por mais do mesmo. Depois, veremos se há qualidade nas acções.
Junho 26, 2010 at 3:40 pm
Esse pessoal que fala for geralmente faz o contrário – ou nada – quando está dentro..caso do Medina que já foi ministro…
Tenho para mim que o nosso ADN dificilmente será mudado..somos um povo de desenrasca e assim seremos até ao fim…é contra a nossa natureza sermos como os finlandeses, coreanos ou americanos..ou mesmo ingleses…
Somos poetas e escritores..devíamos explorar isso…mas não embicamos que devemos ser quase todos Einsteins da matemática..a matemática é em grande parte responsável pelo muito progresso mas também de muita destruição…
Existe uma paranóia pela matemática…talvez porque hoje os números são muito mais importantes do que as pessoas e os seus nomes…
Conheces o 679? Não mas olha o 890 é porreiro, ele e o 90 são fixes.
Vou a casa do meu pai O 675..A MINHA MÃE A 567 MORREU O ANO PASSADO..não altar+a muito para um diálogo destes acontecer…
Junho 26, 2010 at 3:40 pm
Digo: que fala por fora…
Junho 26, 2010 at 3:42 pm
Digo…não faltará muito….Vou abraçar o sol..Carpe le soleil…
Junho 26, 2010 at 3:44 pm
Eu fazia, se lá estivesse. Tenhos ideias concretas.
Mas o mais certo era mandarem-me embora porque estava a fazer demais.
Junho 26, 2010 at 3:47 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2010/06/26/a-literatura-fala-de-pessoas-a-matematica-de-numeros-indeferenciados-lene-lovich-lucky-number/
Junho 26, 2010 at 3:52 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2010/06/26/lelitisme-republicain-a-lecole-en-france/
Junho 26, 2010 at 5:07 pm
#9 Outro dia recebi um mail de uma professora de português que dizia “Quando poder, mande-me… Pode ter sido aluna de uma coordenadora de departamento que tive, suponho que licenciada pela fac. de letras de Lx, segundo a própria dizia com mestrado,”titular” que se candidatou à avaliacão e acho que teve MB, que não conseguia escrever uma frase com sintaxe escorreita (para não falar das falhas ortográficas que eram permanentes). Compreendia também mal o que lia e ouvia mas há de estar como coordenadora e avaliadora numa qualquer escola da zona. E não era uma jovem acabada de chegar. Estava nos 50, numa onda semelhante à do PM por fax. Ainda por cima berrava como uma possessa com os alunos, modo que encontrou para impor a sua ignorância. Que fazer? A estes é esperar que se reformem, desejando que os vossos filhos e os meus netos nunca a encontrem no caminho. Os jovens, se admitirem as suas dificuldades, estão a tempo de aprender, como diz O Chato no #9.
Junho 26, 2010 at 5:17 pm
#19 Desvio Padrão, conte as suas ideias.
Eu tenho, sobretudo, uma – reforçar os dois primeiros anos do 1º ciclo. Não deixar que fiquem para trás na leitura, na escrita e no cálculo tantos alunos.
Acho que isto resolvia boa parte dos problemas que temos. Até na tranquilidade e adesão às aprendizagens. Uma criança que mal sabe ler dificilmente aguenta aulas e aulas que implicam esta aquisição básica.
Junho 26, 2010 at 5:23 pm
#23
Apresento já uma que vai contra a sua.
Não se tem que reforçar os dois primeiros anos do 1º ciclo.
Um dos problemas do 1º ciclo é a entrada de crianças com 5 anos. Crianças sem maturidade, vontade e capacidade para iniciar a escolaridade. Crianças cujos educadores aconselham os EE a não matricularem as crianças porque de facto não estão preparadas (mas como muitos EE não ligam à opinião da educadora matriculam na mesma).
Tem-se apenas que impedir que os EE matriculem no 1º ano crianças com 5 anos. Proibir. Tão simples quanto isto.
Isto resolveria grande parte do problema.
Nota: Para salvaguardar casos de crianças que estivessem preparadas, bastaria abrir uma excepção – aceitam-se crianças com essa idade desde que com parecer favorável do educador e de um psicólogo.
Junho 26, 2010 at 5:27 pm
#23
Não esquecer que muitas das retenções no 2º ano de escolaridade referem-se a crianças que não fizeram as aprendizagens do 1.º pelos motivos que apresentei.
E acabam por ficar retidas, porque só no segundo ano de frequência da escola fizeram as aprendigens do 1º ano.
Junho 26, 2010 at 5:31 pm
#23 e #24
Sabem que não é permitido “chumbar ” alunos no 1º ano , não sabem ?
Os alunos sem maturidade e sem aquisição da leitura e escrita têm que continuar na mesma turma que vai para o 2º ano .
É aí que tudo começa …
Junho 26, 2010 at 5:34 pm
#26
Quem falou em “chumbar” alunos no 1º ano?
Não leu o que escrevi?
Sei bem o que a lei diz – “no primeiro ano não há lugar a retenção, excepto se tiver sido ultrapassado o limite de faltas…”
Não é aí que tudo começa.
Como professora de 1.º ciclo não identifica a raiz desse problema?
Tudo começa com a matrícula de crianças que não devem ainda entrar para a escola.
Junho 26, 2010 at 5:35 pm
Há outros problemas no 1º ciclo, mas este é sem dúvida um deles.
Esta é a minha solução.
Junho 26, 2010 at 5:38 pm
#26
Li o que escreveu depois de ter enviado o meu comentário .
Claro que matricular alunos sem maturidade também devia ser repensado .
Não se zangue !
Junho 26, 2010 at 5:39 pm
#29
Não me zanguei. Mas admito que assim tenha parecido.
Junho 26, 2010 at 5:42 pm
Simplesmente este é um assunto que, para mim, é claro como água.
E cuja solução é, também, clara como água.
O que me chateia é os sindicatos fazerem alarido por muita coisa, mas não por aquilo que muitas vezes é de facto um problema.
Isto é só um exemplo, há tantos…
Junho 26, 2010 at 5:53 pm
Paulo, uma ideia.
Que tal apresentarmos aqui medidas práticas para solucionar certos problemas da escola pública, compilar tudo e enviar às estruturas sindicais para que as apresentem e negoceiem com o Ministério?
Junho 26, 2010 at 6:15 pm
Desvio Padrão,
Não me parece que esse seja o problema. É diferente uma criança que fez 6 anos em agosto de uma outra que os fará em Outubro, ou novembro, ou dezembro? Se andarem em Jardins de Infância com boa organização estão “prontos” (desejosos de) para aprender.Eu entrei com 5 anos, fazia 6 em dezembro, até à 4ª classe fui a melhor aluna da escola e não me deixaram fazer exame porque não tinha idade! No ano a seguir mudou a lei porque o ministro de então tinha uma sobrinha…
Os meus filhos mais velhos entraram com cinco anos (são de outubro e de novembro)e fizeram boas escolaridades. A rapariga foi mesmo muito boa aluna. E não foi por que eu ou o pai os ajudássemos. No que toca à escola estavam por conta deles e dos respetivos professores.
Junho 26, 2010 at 6:18 pm
#33
“Não me parece que esse seja o problema. É diferente uma criança que fez 6 anos em agosto de uma outra que os fará em Outubro, ou novembro, ou dezembro?”
É.
Só quem nunca deu o 1º ano pode achar que não.
Mas leia a nota que deixei. Claramente não conhece a realidade de hoje em dia.
Não compare as crianças de agora com as de há 30 anos atrás.
Junho 26, 2010 at 6:18 pm
Ando a treinar a aplicação do acordo e falho – outubro.
Junho 26, 2010 at 6:23 pm
Comece a perguntar sobre isto a professores do 1º ciclo.
Verá o que quero dizer.
Junho 26, 2010 at 6:29 pm
Tive este ano um aluno no 6º ano que aprendeu a ler sozinho aos três e filho de pais de nula literacia.
Pois, as crianças de agora deviam estar muito mais aptas mas são muito mais maltratadas. Já reparou que, quase desde que nascem, toda a gente lhes fala de modo agreste com se fossem um pesadelo? Como podem crescer seguras e tranquilas? Depois os profes, logo no Infantário dizem aos pais que os pequenos são hiperativos. Uns pais ficam contentes que isso será sinal de vivacidade e continuam a berrar com elas; outros levam-nos ao pedopsiquiatra que lhes dará pastilhame, continuando eles a berrar com os filhos queridos. Vá a um jardim ou a uma praia e ouça/veja.
Junho 26, 2010 at 6:35 pm
E que conclui disso?
Os seus filhos com certeza não são exemplo disso, logo não foi difícil serem bem sucedidos na escola.
Então onde está o problema?
Sem ovos não se fazem omoletas. Apenas defendo que aquelas crianças que não preparadas para ir para a escola, não vão!
Ficar mais um ano no jardim não é perder um ano, até porque muitas delas se seguirem vão ficar no 2.º Por isso…
Nenhuma é obrigada a ir para a escola com 5 anos. Para mim, só vai quem tem estrutura mental. Os outros ficam mais um aninho a crescer.
Junho 26, 2010 at 6:36 pm
E como os professores e os funcionários são pessoas comuns (até têm filhos), nas escolas a prática da berraria repete-se.
Baixar os tons e aumentar os sorrisos seriam possivelmente as primeiras medidas.
Junho 26, 2010 at 6:40 pm
#39
Não me faça rir. Não concordo com berrarias, mas acha que sorrir mais põe uma criança a trabalhar?
Junho 26, 2010 at 6:40 pm
Se as escolas/jardins de infância conseguissem adotar estas medidas, quanto mais cedo as crianças lá chegassem, melhor, mais depressa se “estruturariam”.
Junho 26, 2010 at 6:45 pm
Aqui está um dos problemas da Educação.
Opinar sobre o funcionamento das aulas de um professor de qualquer ciclo sem ter estado no seu lugar.
Por isso é que isto não vai a lado nenhum. Opina-se, opina-se e não se sabe o que é estar na pele nem o que são as aulas em causa.
Junho 26, 2010 at 6:45 pm
A setora não sabe que na Finlândia o estado não deixa nenhum aluno ser matriculado na primária antes de fazer 7 anos..?.È uma questão de maturidade, como muito bem disse o desvio..cá é tipo chouriços..atar e pôr ao fumeiro…
Junho 26, 2010 at 6:46 pm
#43
bulimundo
Por cá querem-se doutores aos 10 anos…
Junho 26, 2010 at 7:21 pm
http://yfrog.com/jtfitaris1j
Junho 26, 2010 at 10:47 pm
“Tive este ano um aluno no 6º ano que aprendeu a ler sozinho aos três e filho de pais de nula literacia.” – 37
Nada de especial. Um papagaio também “fala”.
O “desvio padrão” está a colocar a questão correctamente. A entrada de alunos no 1º ano com 5 anos de idade é um dos problemas muito graves. A lei fala em situações de carácter totalmente excepcional, mas tornou-se regra.
As crianças não têm maturidade a diversos níveis, podendo até algumas papaguear letras e palavras o que nada diz sobre se os processos desenvolvimentistas, designdadamente o cognitivo.
Ao contrário do que a “setora” afirma, um ou dois meses nestas faixas etárias faz toda a diferença.
Junho 26, 2010 at 10:50 pm
“Tive este ano um aluno no 6º ano que aprendeu a ler sozinho aos três e filho de pais de nula literacia.” – 37
A menos que se trate dum super dotado, seria impossível.
É o mesmo que um pai ou mãe dizer que o filho começou a andar aos cinco meses (!)
Junho 26, 2010 at 10:53 pm
Se existe algum problema detectado num aluno (algo de diferente) deverá ser IMEDIATAMENTE e LOGO no 1º ano apoiado o aluno por outros professores e técnicos especialistas, além da segurança social.
O mais básico do básico do Ensino NÃO FUNCIONA VAI PARA TRINTA E TAL ANOS de SNE.
Livra.
Junho 26, 2010 at 10:57 pm
O aluno deve ou não ser seguido SEMPRE a partir deste ou de outro ponto do seu trajecto em que sejam detectadas falhas/dificuldades pelos professores disciplinares, quer para tentar recuperar o aluno (por outros professores, claro), quer para se começarem a desenhar formas alternativas de respostas educativas no futuro (mais ou menos próximo)que não comportam o sistema regular de Ensino.
Junho 26, 2010 at 11:00 pm
Está na altura de se optar por clarificar isto …
O insucesso escolar
Poucas estatísticas são mais falíveis que as do sucesso escolar, antes de mais porque é um conceito impossível de quantificar. O primeiro impulso é para se associar a noção de sucesso escolar às classificações dos alunos. Contudo, estas assentam num equívoco que até agora não foi resolvido por nenhum governo e que o actual veio agravar. Até há 20 anos, as classificações estavam directamente relacionadas com as aprendizagens. Contudo, com o advento da escola inclusiva, o paradigma tem vindo a alterar-se progressivamente. Actualmente, as classificações, sobretudo, até ao 3º ciclo e nos cursos profissionalizantes, não reflectem apenas as aprendizagens dos alunos, centrando-se também na sua progressão, de acordo com as suas possibilidades e capacidades.
Ora, entre estas duas realidades vai um abismo e não pode haver estatísticas sérias se não sabemos o que estamos a medir. O conceito de escola inclusiva é incompatível com a existência de exames, sobretudo, nacionais. Por sua vez, os exames nacionais constituem um instrumento independente de avaliação dos alunos e é hoje consensual que devem existir. Há aqui uma contradição que não pode deixar de ser urgentemente resolvida.
O mundo empresarial exige uma escola onde haja aprendizagens efectivas e padronizadas, de forma a que os futuros trabalhadores ou empresários possam competir num mercado cada vez mais globalizado. Neste paradigma, os exames são a cereja em cima do bolo, permitindo aferir de forma padronizada essas aprendizagens.
Contudo, o País também exige que não haja exclusão e abandono escolar, o que só é possível numa escola onde cada um possa aprender ao seu ritmo, tendo em atenção o contexto, social, cultural e familiar do aluno. Ora, se cada um aprende ao seu ritmo, as aprendizagens não podem ser padronizadas e, portanto, também não pode haver exames, que, por definição, avaliam conhecimentos-padrão.
O actual sistema de ensino vive nesta ambiguidade, o que lhe vale a acusação, merecida, de facilitista. A culpa não é dos alunos nem dos professores, mas da indefinição do modelo de sistema de ensino. Se um professor privilegia os alunos com mais dificuldades, terá necessariamente de diminuir o grau de exigência das matérias a leccionar. Consegue assim combater o abandono escolar e obter sucesso estatístico, mas as aprendizagens, com o nível e profundidade desejadas, não são realizadas. O nívelamento por baixo prejudica os alunos com maiores capacidades, que se queixam e com razão.
Ao invés, se um professor tenta nivelar o nível de ensino por cima, de forma a garantir um ensino de qualidade, privilegia os melhores alunos e conduz os piores alunos a maus resultados estatísticos (embora o ensino ministrado possa ser de qualidade). Consegue assim dar uma boa preparação a uma parte dos alunos que conseguem acompanhar o ritmo da formação, mas obtém insucesso estatístico, porque alguns alunos não corresponderam à exigência das aprendizagens. Queixam-se os alunos com mais dificuldades e com razão.
Como se vê, a coexistência do ensino inclusivo, centrado no aluno, com o ensino padronizado, centrado nos conteúdos programáticos, na mesma turma, não produz resultados optimizados e a sua manutenção pressupõe um preço a pagar pela sociedade, que terá sempre de ser tolerante com os resultados estatísticos. Contudo, o que vimos nestes últimos três anos é que o País está sujeito ao primado das estatísticas, numa obcesão, nem sempre salutar, de ficar a par dos valores médios da União Europeia.
Sendo assim, há que tirar ilacções: se o País quer resultados maximizados, terá de separar os dois tipos de ensino, seja a nível de escola ou de turma. A indefinição do actual sistema não satisfaz nem governos, nem alunos, nem professores, acabando estes por ser injustamente responsabilizados por resultados que são uma consequência do próprio sistema. Criar escolas de nível não me parece possível em termos de aceitação social, restando assim a hipótese de formação de turmas de nível dentro da mesma escola.
A ideia igualitarista de que todos os alunos têm capacidade para aprender as mesmas matérias durante um ano lectivo é uma ficção. Não há estratégias, professores ou políticas educativas que consigam contornar esta impossibilidade. E quando, por vezes, nalgumas escolas ditas modelo se fala em grande sucesso, estamos a falar de sucesso estatístico conseguido com medidas paleativas. Em Educação, não há milagres.
(…)
Naturalmente, os níveis de desenvolvimento são sempre condicionados pelo contexto e pela herança do passado. Os pais dos nossos alunos têm habilitações médias iguais aos do resto da União Europeia? Portugal continua com 9% de analfabetismo, flagelo que nos países do Norte da Europa foi erradicado há 100 anos! As condições de vida dos alunos portugueses são iguais às dos alunos da União Europeia? A verdade é que muitos alunos portugueses continuam a vir para a escola mal alimentados, mal vestidos e a viver em casas abarracadas, sem qualquer dignidade e conforto. A assistência na saúde dos alunos portugueses é igual à da média da União Europeia? Ora, Portugal não tem sequer uma rede de saúde mental a nível nacional. As crianças e jovens portugueses com problemas comportamentais e de saúde mental, e muitos são, ou não fossem também os mais maltratados da Europa, esperam meses por uma consulta que, geralmente, nem sequer tem continuidade. Ou, pura e simplesmente, nem sequer têm assistência.
Quem conhece a realidade educativa em Portugal sabe que estas são as reais causas do insucesso escolar. É raríssimo um aluno de classe média, com uma família equilibrada e pais que lhe dêem a devida atenção, ter maus resultados escolares. Se dúvidas houvesse de que o problema do ensino não passa pela qualidade do corpo docente, esta simples constatação desmontaria tal tese.
Mário Lopes
Junho 26, 2010 at 11:12 pm
sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
Resultados do PISA
Os alunos portugueses com 15 anos, considerados na globalidade, têm resultados abaixo da média da OCDE. Má notícia, é claro.
Decompondo-se este universo entre os que estão e os que não estão no nível correspondente à sua idade, vê-se que os do primeiro grupo até obtêm resultados superiores à média: logo, a média é puxada para baixo pelos do segundo grupo.
(…)
Acho bem que se reduzam as retenções, mas não enquanto estiver vigente a escola de modelo único que temos em Portugal. Se um aluno não aprendeu o suficiente no sétimo ano de escolaridade, deve passar para o oitavo – mas não para o mesmo oitavo, na mesma escola, para que transitaram os seus colegas.
Por mais que a lei queira obrigar os professores a estabelecer «estratégias de diferenciação» que obviem a necessidade de reter alunos, eles nunca o farão, e não o farão porque é materialmente impossível. Não se pode fazer de cada aluno uma turma, fazendo para cada um uma planificação diferente, uma leccionação diferente e uma avaliação diferente. Nenhum professor poderia ter a seu cargo 120 turmas unipessoais. Se se exigir diferenciação aos professores, eles vão fazê-la, sim – mas só no papel. Vão inventar um paleio qualquer para pôr nas actas e nos relatórios, e vão continuar a trabalhar como podem – isto é, e ressalvando uma ou outra diferença cosmética, como sempre fizeram.
A diferenciação não pode ser feita aluno a aluno, tem que ser feita escola a escola. Só assim será possível reduzir as retenções sem agravar ainda mais um problema que já é grave.
http://www.legoergosum.blogspot.com/2007/12/resultados-do-pisa.html
Junho 26, 2010 at 11:39 pm
Ramiro Marques prevê no prof blog que Nuno Crato será o próximo ministro da educação. Ficaria satisfeita se tal acontecessem mas ficaria ainda mais se fosse o anfitrião desta casa.
Junho 26, 2010 at 11:39 pm
Digo, acontecesse.
Junho 26, 2010 at 11:55 pm
A diferenciação pedagógica
A Ana Henriques falou e bem deste mito que tem prevalecido ao longo dos últimos anos, que pesa no trabalho dos professores e os mantém numa certa culpabilidade mais ou menos constante. Creio que é devido a esta ideia que se mandam fazer os Planos de Acompanhamento e de Recuperação,cuja estrutura vai sendo completada e aprimorada pelas próprias escolas,com requintes que se calhar nem o ME imaginaria. Uma sopa de frases que na maior parte dos casos são indicações para o professor e não para o aluno. Porque se parte do princípio de que se o aluno não aprendeu é porque o professor ainda não aplicou a estratégia certa.
Junho 27, 2010 at 12:07 am
A ideia da diferenciação pedagógica baseia-se no pressuposto errado de que o professor tem à sua frente uma turma em que as coisas andam sobre rodas e em que portanto há tempo e oportunidade para se dar mais atenção a um ou dois meninos que, por diversos motivos, deixaram de acompanhar as lições. Ora isso é completamente falso. Em nenhuma turma as coisas se passam assim. Tanto os bons alunos solicitam o professor, como os menos bons. Os indisciplinados fazem-no da pior maneira, fazendo-nos injustamente esquecer os mais tímidos, aqueles que se deixam ficar nos cantos. Isto passa-se ao nível do comportamento e dos conhecimentos.
Se não se responsabilizarem desde cedo os alunos e os Pais pelo estudo e pelo trabalho, não há diferenciação pedagógica que nos valha.
Junho 27, 2010 at 12:13 am
Aprendam algo com os nórdicos….e deixemos-nos de tretas de blá blá..
Junho 27, 2010 at 12:13 am
Junho 27, 2010 at 12:14 am
Junho 27, 2010 at 12:15 am
Fui..somos apenas uma sargeta comparada com isto..tenho pena mas +é a verdade..
Junho 27, 2010 at 12:31 am
Está enganado, Desvio Padrão. Conheço razoavelmente o 1º ciclo. Digo razoavelmente porque conheço realidades variadas mas não as conheço todas.
# 43 Bulimunda Na Finlândia os meninos entram aos sete anos no equivalente ao 1º ciclo mas frequentam todos Jardins de Infância, o que por aqui não acontece.
#46 e 47 Falei desse meu aluno mas conheço muitos outros que aprenderam a ler sozinhos aos 3/4 anos. E ler é ler. É dizer “aqui está escrito café, carro, praia, prego no pão…”
Que eu saiba os papagaios não fazem esta habilidade.
Processos desenvolvimentistas, designadamente o cognitivo??? Bah, não andará a ler maus livros?
Junho 27, 2010 at 12:46 am
#60
Se estou enganado então a setora está cega. Deve ser desses óculos escuros que não a deixam ver nada.
Dizer que conhece razoavelmente o 1º ciclo sem nunca lá ter dado aulas é o mesmo que dizer que conhece a Laurissilva da Madeira sem nunca lá ter posto os pés.
Ter uma ideia de não é o mesmo que conhecer.
Sugestão: Vá dar aulas ao 1º ciclo que bem precisa. Depois opine e venha comentar sobre um ciclo que, nitidamente, desconhece.
Já disse, opinar sobre ciclos onde nunca se trabalhou dá asneira.
Junho 27, 2010 at 12:47 am
#59 Há uns anos andei uns dias por esses países do norte. As famílias ocupam-se das crianças, brincam com elas e não lhes gritam.Ocupam os jardins das cidades nos finais de tarde e aos fins de semana. Passeiam. Não vi meninos a fazer birras ou a gritar.
Ia começar daí a alguns dias o ano letivo e vi com os meus olhos professores a andarem de casa em casa a apresentar e entregar os livros escolares às famílias. Isto foi na Noruega.
Na Suécia convivi com um português que era já há alguns anos diretor de uma escola pública. O orçamento da escola correspondia a X por aluno que a frequentava. Contratava ele os professores.
Ta
Junho 27, 2010 at 12:54 am
# 61 Bem gostava que me deixassem ir para o 1º ciclo. Se me conseguir esse desvio, fico-lhe grata.
Continuo a dizer-lhe que conheço o 1º ciclo e raramente uso óculos escuros. De cega, por agora, tenho pouco. Só não vejo o que não quero.
Junho 27, 2010 at 1:00 am
#63
Então não quer ver o problema que lhe descrevi.
Que posso fazer então?!
Bom, posso-lhe dizer que é um problema que a cada ano que passa assume maior dimensão e que está presente em muito agrupamento espalhado por esse país fora. Não há professor do 1º ciclo que não o conheça.
Portanto, se conhece o 1º ciclo mas não sabe isto, é deveras de estranhar.
Junho 27, 2010 at 1:04 am
setora
Sou licenciada em Psicologia (licenciada mesmo), de carreira professora do 1CEB toda a vida (trintas e tais anos) e professora de Educação Especial especializada.
Chega?
Junho 27, 2010 at 1:05 am
Quando me é sinalizado um aluno com difuculdades, o primeiro item a que recorro SEMPRE é a data de entrada no 1º ano.
Junho 27, 2010 at 1:06 am
dificuldades
Junho 27, 2010 at 1:17 am
# 64
Tens toda a razão. Não existe maturidade numa criança com 5 anos para a entrada na escola. Mais. Há uns anos a esta parte surgiu uma forte pressão por parte dos pais das crianças para que as actividades de preparação que eram realizadas no início do 1º ano deixassem de o ser. Mal se inicia o ano lectivo e os professores do 1º ano começam com a aprendizagem da leitura e escrita. Este facto deve-se em parte a uma má preparação no pré escolar que a maioria das crianças já frequenta. Em vez de trabalharem as pré aquisições, começaram a introduzir aprendizgem de grafismos, letras e palavras. Alías o número de distúrbios estão esponencialmente a agravar-se e de modo nenhum coloco fora de hipótese um mau a medíocre trabalho no pré escolar.
A competição entre os pais não tem limites.
As estruturas educativas e muitos colegas mais fracos/menos preparados cedem e muitos professores ficam totalmente isolados e acabam por ceder. Os alunos são os prejudicados. Mas quem quer saber disso?
Junho 27, 2010 at 1:20 am
A idade de entrada na escola é universal na espécie humana. Tal como é inerente à espécie humana o início da aprendizagem da marcha ou da fala, por exemplo.
Na maioria dos sistemas escolares (creio), a idade da entrada na escola faz-se com 7 anos de idade.
Junho 27, 2010 at 1:31 am
#68
Compreendo, mas não pretendo culpabilizar o pré-escolar, até porque muitos casos são de crianças que os próprios educadores aconselham a não serem matriculados porque sabem que as crianças simplesmente não estão preparadas.
E esta preparação tem basicamente a ver com maturidade e estrutura mental para efectuar aprendizagens.
Sendo psicóloga, certamente sabe melhor do que eu que é só por volta dos 7/8 anos que as crianças entram num estado de desenvolvimento que lhes permite fazer aprendizagens de cariz mais abastracto.
Isto não é psicologia da treta, são factos.
As crianças passam por diversos estádios de desenvolvimento mental e para iniciar as aprendizagens do 1º ciclo, é necessária uma determinada estrutura mental.
Goste-se ou não, por muito que um professor queira não consegue pôr uma criança a ler e a escrever convenientemente se esta não tiver maturidade para isso, assim como não se consegue pôr um bebé de um mês a andar porque, simplesmente, esse bebé ainda não está preparado fisicamente para o fazer.
Infelizmente, nem toda a gente entende isto e muitos pensam que é só matricular no 1º ano e o professor depois que se amanhe.
É preciso também dizer, que dos EE destas crianças, muitos são os que reconhecem que fizeram asneira ao tentarem forçar uma iniciação para a qual os seus filhos não estavam preparados.
E desses há até aqueles que, tal é o arrependimento, querem por tudo mandá-los de volta para o jarfim de infância.
Mas, claro, depois também há os que viram que fizeram mal mas não o braço a torcer.
Junho 27, 2010 at 1:32 am
mas não dão…
Junho 27, 2010 at 1:34 am
#69
Até há não muito tempo era com 6 e 7 anos que se entrava para a escola.
Alguém morreu por iniciar a escolaridade com essa idade?
Que eu saiba não.
Mas hoje em dia toda a gente tem a mania que quanto mais cedo melhor.
Gostava era de saber para quê.
Junho 27, 2010 at 1:44 am
#69 Dos humanos do planeta, dos que há e dos que houve, só uma minoria frequenta/ou a escola.
Bem se queixou o meu filho mais velho quando entrou para o 1º ano de nunca mais começar a aprender a ler e a escrever! A professora entretinha-os com os tais grafismos e outras coisas semelhantes. Era muito fraquita mas depois sugeria aos pais que os meninos fossem a sua casa ter explicações. Pelo contrário a do mais novo pôs rapidamente todos os meninos da classe a ler e a escrever e com um espantoso trabalho de cálculo mental – muitos tinham entrado com os tais cinco anos. Não sei como conseguiu mas estes meninos não davam um erro ortográfico. Usava manuais, o que na época era interdito, e avisava os meninos para os enfiarem na caixa sob a mesa caso entrasse algum senhor (o inspetor).
Mais experiência pessoal (não tenho mestrado) – vi um sobrinho a andar escorreitamente com 8 meses e a minha recente neta aos 10 meses corria-me a casa. Fez agora um ano, está bem de saúde e não é sobredotada mas pronuncia adeu (adeus) dá cá (aqui deve ter aprendido com muitos dos nossos políticos)… Não será papagaio porque pronuncia o tal adeu quando sai e o dá cá quando quer alguma coisa.
Ai, ai, a espécie humana é tão surpreendente!
Junho 27, 2010 at 1:50 am
A excepção faz a regra.
E ai ai que não queremos admitir um problema que existe…
Detesto quando se aldraba o que outra pessoa diz.
Nunca disse que não é possível uma criança de 5 anos aprender a ler e a escrever, porque sei que as há e por isso apresentei uma excepção à sugestão do problema que foi colocado.
Mas não vale a pena continuar a falar mais do mesmo, porque é notório que ignora e não aceitar o problema que apresentei e é do que real.
Continue com a sua opinião, eu continuo com a verdade do que acontece por essas escolas fora.
Junho 27, 2010 at 1:51 am
Mas não vale a pena continuar a falar mais do mesmo, porque é notório que ignora e não aceita o problema que apresentei e é mais do que real.
Junho 27, 2010 at 1:55 am
Setora
Mas depois de ter falado em berrarias dos professores nas escolas e mais sorrisos e desse falatório todo de que sabe e conhece e tal, não resisto a fazer-lhe esta pergunta:
O que faria para ensinar uma criança que passa o dia todo a chuchar no dedo, no lápis, na borracha, na mão?
Que não ouve o professor porque passa o tempo deitada na cadeira, de joelhos no chão, a imitar sons de animais, a fazer sons esquisitos?
Junho 27, 2010 at 3:12 am
#76
Não percebi se é a mesma criança que tem esses comportamentos que refere nos dois parágrafos mas acho que faria muitas coisas a ver se alguma resultava. Parece-me que muito se deve ter passado para trás que resultou nesses comportamentos. Conhecer a família e perceber a interação que existe pode ajudar e julgo que no 1º ciclo há geralmente um familiar que vai levar e buscar as crianças o que permite uma observação próxima e discreta, análise que pode abrir caminho à estratégia a adotar.
Muitos desses meninos estão mesmo a chamar-nos e comportamentos desses não querem forçosamente dizer “atraso” ou “doença”.Já tive inúmeros alunos com desajustamentos desse tipo. Lá fui caminhando. A coisa é complicada porque somos vários professores a interagir mas é sempre possível que pelo menos alguns vão ajeitando estratégias comuns. Aos dorminhocos, que não ouvem nem pegam no lápis acabo frequentemente por dar corda. Dar corda como se fazia aos relógios. Um movimento circular que lhes explico no dedo polegar, no pulso ou no lobo da orelha. É um contacto doce que eles entendem. Tem sido preciso apenas nas primeiras aulas. Forço depois êxitos que aplaudo. Em geral ficam ganhos. Deixa de ser precisa a brincadeira da corda mas às vezes são eles ou outros que assistiram e perceberam que, quando se sentem mais molengões, me vêm pedir que lhes dê corda. Há coisas aparentemente pequenas e sem jeito que se traduzem em conquista. Há três anos chegou-me uma aluna de complicados dez anos. Vida complicada e destrambelhamento absoluto. Pesadelos noturnos que a atormentavam e faziam chegar à primeira aula da manhã completamente fora de si. Recusava com estardalhaço iniciar as tarefas. Eu dava-lhe algum tempo de descanso, circulava pelos outros, depois abordava-a, abria-lhe o caderno, enfiava-lhe tranquilamente a caneta na mão e mão na mão começávamos a escrita. Ao fim de três palavras seguia à minha vida e ela à dela. A cerimónia repetiu-se algumas vezes mas rapidamente deixou de ser precisa. Ensinei-lhe a apertar os atacadores dos ténis. Manobras de aproximação e segurança que vão fazendo crescer. Vai para o 8º ano e é uma das alunas com quem se conta na escola para muita coisa. Tem agora bom relacionamento com os colegas e professores. Já não é minha aluna mas aborda-me às vezes no pátio ou ao portão quando fumo para o cumprimento normal. Há dias em conversa referi que estaria perto da reforma. Disse imediatamente “Se sair da escola, eu também saio.” Sorri e lá disse que tentaria esperar que fizesse o nono ano. Quero lá saber do que dirão os mestres destas estratégias pouco canónicas. Resultam.
Junho 27, 2010 at 5:23 am
Pertenço ao restrito grupo de crianças que começou a andar sem gatinhar.
Mas recordo-me de ter lido os resultados duma experiência meio estúpida que marcou o desenvolvimento de pessoas. Arquearam as pernas de tal forma, obrigadas pelas experiências dos tais adultos (“investigadores”), que ficaram com problemas crónicos de coluna e de marcha, nunca mais passíveis de ser sanados.
A hipótese era a de que, perante determinadas condições, as crianças poderiam realizar a marcha autónoma muito antes do que geralmente é aceite na espécie humana. Criaram um programa de treinos diários intensivos. As crianças lá começaram a andar mas as consequências futuras foram dramáticas.
Junho 27, 2010 at 5:23 am
serem
Junho 27, 2010 at 5:30 am
Todos os teorias do desenvolvimento concluiem que a espécie humana, como todas as espécies animais, se desenvolve por etapas ou estadios. Há regras. Etapas. Processos.
Há casos mais (digamos) atípicos como os casos dos sobredotados, mas que acarreta desiquilíbrios graves em outras áreas. Não é por acaso que a sobredotação sempre esteve no âmbito da Educação Especial.
Junho 27, 2010 at 9:42 am
Já o inverso não é verdade, como aqui se prova
Junho 27, 2010 at 11:18 am
A setora parte de um pressuposto: se as minhas andam as outras também são capazes..pois.e o meio social..? E os 24, 25 alunos por turma?
Na Noruega e Suécia-ver vídeos aqui expostos- os pais não são como aqui porque além de trem formação superior têm educação…têm tempo…
Transpor isso para cá isso à pressão é começar a casa pelo telhado…
A minha escola é EBI…eu dou ao 3º ciclo mas contacto com colegas do 1º ciclo..é um horror..mau comportamento, falta de regras..e isso começa logo na PRÉ…Grande
parte da aula e gasta com isto: senta-te, não corras na sala, faz o trabalho….etc…
Junho 27, 2010 at 2:58 pm
Ai, ai, Ana Henriques,esses estudos!
Claro que a minha neta andou quando quis, nunca ninguém lhe deu a mão para que se erguesse ou para lhe “ensinar” a passada.Imitou quando lhe apeteceu e pôde.
Mas posso dizer-lhe que a “ensinei” a gatinhar. Gatinhei na esperança de que me imitasse. E ela gatinhou agilmente. Parece que gatinhar é uma atividade útil – será a tal passagem entre o estar deitado e estar em pé.
Buli, não gasto aulas com sermões. Gasto com trabalhinho logo logo que entro. Se há balbúrdia inicial tem de acabar que há trabalho para fazer e rapidamente vou passar à atividade seguinte.
Não me parece que se possa dizer que um catraio de seis anos é mal comportado. Lá falta de regras terão e há que encontrar as estratégias para que as ganham. É uma das aprendizagens. A ordem “senta-te” (talvez gritada) não resolve coisa nenhuma.
Junho 29, 2010 at 2:05 pm
Mais uma teórica para a colecção!
Resposta à sua pergunta: sim, é a mesma criança que faz tudo aquilo.
Agora, continuo sem saber o que na verdade faria para ensinar esta criança.
Não quero teorias de encaminhar para aqui e para ali, porque isso toda a gente faz.
Quero coisas práticas. Como se desenrascaria em sala de aula para esta criança a trabalhar?
“Não percebi se é a mesma criança que tem esses comportamentos que refere nos dois parágrafos mas acho que faria muitas coisas a ver se alguma resultava.”
Lamento, mas o professor já fez isso. Que solução milagrosa apresenta a setora?
“Parece-me que muito se deve ter passado para trás que resultou nesses comportamentos. Conhecer a família e perceber a interação que existe pode ajudar e julgo que no 1º ciclo há geralmente um familiar que vai levar e buscar as crianças o que permite uma observação próxima e discreta, análise que pode abrir caminho à estratégia a adotar.”
Querem lá ver que a setora descobriu a pólvora?
“Aos dorminhocos, que não ouvem nem pegam no lápis acabo frequentemente por dar corda. Dar corda como se fazia aos relógios. Um movimento circular que lhes explico no dedo polegar, no pulso ou no lobo da orelha. É um contacto doce que eles entendem. Tem sido preciso apenas nas primeiras aulas. Forço depois êxitos que aplaudo. Em geral ficam ganhos. Deixa de ser precisa a brincadeira da corda mas às vezes são eles ou outros que assistiram e perceberam que, quando se sentem mais molengões, me vêm pedir que lhes dê corda.”
Fantástico, mas a criança em causa nem com brincadeira lá vai. Simplesmente “borrifa-se” para o que lhe dizem. E agora, como faz?
“Há coisas aparentemente pequenas e sem jeito que se traduzem em conquista. Há três anos chegou-me uma aluna de complicados dez anos. Vida complicada e destrambelhamento absoluto. Pesadelos noturnos que a atormentavam e faziam chegar à primeira aula da manhã completamente fora de si. Recusava com estardalhaço iniciar as tarefas. Eu dava-lhe algum tempo de descanso, circulava pelos outros, depois abordava-a, abria-lhe o caderno, enfiava-lhe tranquilamente a caneta na mão e mão na mão começávamos a escrita. Ao fim de três palavras seguia à minha vida e ela à dela. A cerimónia repetiu-se algumas vezes mas rapidamente deixou de ser precisa.”
Também é fantástico, mas a criança em causa continua sem fazer nada. E agora?
Em suma, aqui está mais um exemplo de como temos colegas que se acham o supra-sumo da educação, com resposta para todos os problemas de sala de aula dos outros colegas. Tristemente, ainda dão sugestões de coisas básicas, como se os colegas não percebessem nada de nada.
Lamento, mas a setora não é mais brilhante do que outros professores nem revela mais sensibilidade do que outros professores.
Mas gosto sempre de ver os teóricos da educação, ou simplesmente aqueles professores que acham que sabem sempre mais do que os outros, a opinarem sobre o que não têm consciência.
Pois é, falar é fácil, fazer é que é mais difícil.
Portanto, setora, tento na língua quando opinar sobre as questões relacionadas com as tais crianças imaturas de 5 anos que iniciam a escolaridade.