Um comentador (citizen) lança-me um desafio, escudando-se numa ideia do Miguel Pinto: para eu ser coerente deveria abdicar do contrato colectivo de trabalho e deveria optar por um individual.
Passo então a aclarar a minha posição a este respeito:
- Tendo sido contratado mais de uma década e entrado para o ex-quadro de escola aos 40 anos de idade, sei o que é trabalhar no arame e já ia com os 30 bem entrados e não sabia se tinha trabalho no ano seguinte (ao contrário de quem à saída do curso se instalou logo em lugar do quadro). Assim como mantive actividade profissional extra-escolar durante muito tempo em regimes variados de prestação de serviços. Para além disso não tenho problemas em afirmar que, neste momento, sou um profissional da docência que, mesmo chato como tudo, não me nego a trabalhar, não preciso que me obriguem a aceitar turmas difíceis, não faço exigências giras em relação a horários e apresento alguns resultados com os alunos. Logo… não me incomodaria nada em termos pessoais optar por um contrato individual de trabalho, mesmo daqueles com prémios progressivos. Ou seja, se tiver de me tornar um free agent... pode ser.
- Só que… não acho que essa solução que individualmente não me coloca engulhos deva ser a solução generalizada ao sistema de ensino, de colocação, contratação e remuneração da classe docente. Há que saber distinguir entre aquilo que, em termos pessoais, não nos incomodamos de enfrentar e aquilo que achamos ser a melhor solução para o grupo profissional de que fazemos parte. Não generalizo situações particulares, ao contrário do que por vezes me acusam. Sei distinguir o meu quintal do resto do planeta.Portanto, meu caro citizen, não terei qualquer problema em ser coerente caso o ME ou os seus parceiros negociais decidissem contar espingardas em matéria de coerência e adesão ao modelo do contrato colectivo de trabalho.
Junho 24, 2010 at 5:36 pm
Falou o Bloquista de Direita!
Junho 24, 2010 at 5:44 pm
#1,
Ou o Liberal de Esquerda.
Junho 24, 2010 at 5:47 pm
Mas vais ter um individual em breve.
Junho 24, 2010 at 5:48 pm
E o Paulo ainda se pica com provocações destas?
Confesso-me espantado (unless… you know exactly who is behind the nickname).
Junho 24, 2010 at 5:56 pm
#3,
Eu sei… mas parece que há quem ainda não tenha visto que os novos vínculos na Função Pública o contrato colectivo é uma miragem.
Mas há quem esteja satisfeito com a indiferenciação na FP, porque agora “semos todos iguais”.
#4,
Digamos que aproveito a oportunidade para expor posições que, de outro modo, não se perceberia bem porque…
Junho 24, 2010 at 6:05 pm
E um deste dias nem individual; contrato anual e sem férias pagas.
Com jeitinho ainda vamos ter contratos semestrais á condição.
Junho 24, 2010 at 6:13 pm
#5
Há ainda quem não se tenha apercebido de que fomos todos reconvertidos para a Segurança Social, quanto mais o resto…
Junho 24, 2010 at 7:21 pm
«…para eu ser coerente deveria abdicar do contrato colectivo de trabalho e deveria optar por um individual.»
E que tal optar por trazer sempre dois tubos dos grandes de vazelina no bolso?
Junho 24, 2010 at 7:22 pm
Olha, se calhar “vazelina” escreve-se com “s”… Não faz mal, assim escorrega ainda melhor.
Junho 24, 2010 at 7:37 pm
#25sempre25
Hmmm… experiência própria?
Junho 24, 2010 at 8:33 pm
Ó chinês, mantém o nível da conversação, senão entrego-te ao Fafe.
Junho 24, 2010 at 8:36 pm
QUE TAL ABOCANHAREM A PACHACHA DO SÓCRATES…?
Junho 24, 2010 at 9:01 pm
PG
relevo o tom cordato e tenho pouco a acrescentar ao seu post
se entendi bem, não se importaria de de ser um free agent mas concorda com o facto de o modelo de contrato colectivo beneficia a classe.
É aqui que divergimos, porque sou “mais papista que o papa” e tenho a opinião de que quem (como eu e o Paulo) beneficia de um contrato colectivo negociado deveria, obrigatoriamente, ser sindicalizado.
apenas um reparo: não me “escudei” – utilizei uma ideia expressa hoje pelo Miguel porque há muito tempo que a partilho (não devemos ser os únicos).
quanto aos exércitos, tenho a certeza de que se a Fenprof tivesse mais espingardas o confronto não seria tão desequilibrado e, consequentemente, os resultados seriam outros.
Junho 24, 2010 at 9:07 pm
#13,
Eu sou cordato quando não me tratam mal…
Eu não derendo a opinião, partilhada acho que pelo João Proença, da obrigatoriedade de pertencer ou descontar para os sindicatos e estranho que defenda isso quem discorda de uma organização do tipo “Ordem”.
Quanto às espingardas, a Fenporof diz contar com 60.000.
É muita arma.
Junho 24, 2010 at 9:16 pm
Mas não estão todas apontadas para o mesmo alvo…
Junho 24, 2010 at 9:21 pm
#4
->não sou agente provocador
-> há muito tempo que o PG tem o meu endereço de e-mail e até o meu nome
Junho 24, 2010 at 9:40 pm
#11
Isso é que iria ser giro! Chinês é o teu capachinho, pá.
Junho 24, 2010 at 10:22 pm
#13
É aqui que divergimos, porque sou “mais papista que o papa” e tenho a opinião de que quem (como eu e o Paulo) beneficia de um contrato colectivo negociado deveria, obrigatoriamente, ser sindicalizado.
apenas um reparo: não me “escudei” – utilizei uma ideia expressa hoje pelo Miguel porque há muito tempo que a partilho (não devemos ser os únicos).
Por acaso também concordo com essa posição, desde que o objecto da negociação não seja imposto a todos os outros.