Um comentador (citizen) lança-me um desafio, escudando-se numa ideia do Miguel Pinto: para eu ser coerente deveria abdicar do contrato colectivo de trabalho e deveria optar por um individual.

Passo então a aclarar a minha posição a este respeito:

  • Tendo sido contratado mais de uma década e entrado para o ex-quadro de escola aos 40 anos de idade, sei o que é trabalhar no arame e já ia com os 30 bem entrados e não sabia se tinha trabalho no ano seguinte (ao contrário de quem à saída do curso se instalou logo em lugar do quadro). Assim como mantive actividade profissional extra-escolar durante muito tempo em regimes variados de prestação de serviços. Para além disso não tenho problemas em afirmar que, neste momento, sou um profissional da docência que, mesmo chato como tudo, não me nego a trabalhar, não preciso que me obriguem a aceitar turmas difíceis, não faço exigências giras em relação a horários e apresento alguns resultados com os alunos. Logo… não me incomodaria nada em termos pessoais optar por um contrato individual de trabalho, mesmo daqueles com prémios progressivos. Ou seja, se tiver de me tornar um free agent... pode ser.
  • Só que… não acho que essa solução que individualmente não me coloca engulhos deva ser a solução generalizada ao sistema de ensino, de colocação, contratação e remuneração da classe docente. Há que saber distinguir entre aquilo que, em termos pessoais, não nos incomodamos de enfrentar e aquilo que achamos ser a melhor solução para o grupo profissional de que fazemos parte.  Não generalizo situações particulares, ao contrário do que por vezes me acusam. Sei distinguir o meu quintal do resto do planeta.Portanto, meu caro citizen, não terei qualquer problema em ser coerente caso o ME ou os seus parceiros negociais decidissem contar espingardas em matéria de coerência e adesão ao modelo do contrato colectivo de trabalho.