Vamos lá assumir as coisas com clareza: o Ramiro afirma que não quer ter polémicas públicas comigo porque isso não é bom para a luta dos professores.

Mas depois faz mais um daqueles textos enviesados, em que há quem diz, alguém… etc, etc, não nomeando a quem se refere.

Diz o Ramiro, por vezes, outras não, que aprecia o meu trabalho, mas que eu me alimento de guerras blogosféricas para assumir notoriedade, mas que depois o meu blogue representa o pior da classe docente nos seus comentários.

Percebo… eu para comentar lá tenho de me registar obrigatoriamente no blogger e ainda por cima fico sujeito a censura prévia. São opções. A cada um as suas.

E por falar em opções, assumidas de forma clara, eu discordo frontalmente disto:

Bastou a ameaça da criação de mega-agrupamentos para que os críticos do decreto-lei 75/2008 passassem a considerar que o novo modelo de gestão afinal é bom, tem grandes potencialidades e o conselho geral é um órgão democrático, com autonomia e por aí fora.

Este parágrafo é absolutamente mistificador quanto à posição de, estando o 75/2008 em vigor, usar o que ele tem que pode ajudar a combater o desvario dos mega-agrupamentos. Julgo que ou o Ramiro anda a ler mal o que eu escrevo ou então distorce voluntariamente as posições alheias para fazer da sua incoerência, coerência.

E discordo ainda mais frontalmente da atitude subjacente a isto:

Os mega-agrupamentos vão para a frente perante a passividade e alheamento dos professores porque estes não estão dispostos a baterem-se por um modelo de gestão que de democracia não tem nada. E fazem muito bem em ficar quietos. Era o que faltava os professores preocuparem-se com o futuro profissional dos directores!

Porque a mim o que me preocupa não é o futuro profissional dos directores enquanto grupo – sendo que existem excelentes directores no activo – mas sim o destino das escolas em que trabalhamos.

O que o Ramiro – será por falta de presença no terreno? – parece não entender é que os directores e os presidentes dos conselhos gerais podem ser a última linha de defesa contra a completa cilindragem do que resta de bom ambiente de trabalho nas escolas.

Eu percebo que ele não entenda – na prática, no quotidiano diário, sem ser em tese – a diferença entre ter uma liderança de proximidade que, mesmo má, se pode enfrentar nos olhos e uma liderança distante, exercida por interposto comissário.

Percebo que ele ache que, afinal, os professores do ensino não-superior até tinham um estatuto muito favorável… afinal tinham privilégios que os do politécnico e do superior não tinham… eu até entendo isso.

Mas, ao aceitar sacrificar todos os directores sem excepção, esta posição significa a completa rendição dos professores em nome de questiúnculas e invejas pessoais.

Se há directores que merecem ir borda fora?

Há!

Mas será que são eles que vão?

Será que a evolução do modelo para os mega-agrupamentos, mega-departamentos e mega-tudo não é a promoção da indiferenciação, despersonalização e desumanização completa da Educação, prejudicando em primeiro lugar o trabalho com os alunos?

Será que ao Ramiro basta que isto sirva para poupar dinheiro porque a Pátria está em perigo?

E como se conjuga a defesa da apatia com o apelo ao reacender da luta que faz em outro post, paredes-meias com o anterior?

Eu sei que há quem ache que sou demasiado explícito nestas posições e discordâncias, que deveria aceitar pactos de silêncio e uma espécie de tratado de Tordesilhas nestas coisas, mas não está no meu feitio olhar, ver e fingir que não vi ou li.

Dizem-me que não vale a pena… isto está perdido, descansa um bocado, não te exponhas, mostra-te consensual, acomoda-te, faz-te a um convite, a um lugarzinho.

Não consigo, pá!