… à maneira do Teixeira dos Santos.

Este post provocou alguma comoção. Só alguma, nada excessivo.

Sobre a essência do caso fui claro:

Seja como for, os mil euros são capazes de fazer repensar algumas pessoas.

Se isto é uma desculpabilização ou relativização vou ali e já venho.

Quem não percebeu bem, é pena.

Porque agora vou ser curto e grosso em relação a algo que me incomoda muito mais.

Nas nossas escolas, não apenas à porta (e dentro das salas), existe um descontrole verbal enorme. Os palavrões, a agressividade, a expressão vocal, alto e bom som, de impropérios, preconceitos e ofensas das mais variadas são algo comum que TODOS NÓS ouvimos.

E muitos, em especial gente com pruridos, fingem que não ouvem.

Ao menos eu não finjo e, sempre que acho que os limites da civilidade são ultrapassados, interpelo os alunos sobre a sua conduta.

Provavelmente, quando os mando calar, estarei a ser intrusivo para alguns daniéisoliveiras. E, com quase toda a certeza, se fosse filmado a intervir dessa forma, seria condenado em praça pública e cozinhado a fogo lento por alguns comentadores anónimos sobre cujas práticas nada sabemos. Certamente e acusariam de estar a limitar a liberdade de expressão de alguém. Há umas semanas insurgi-me quando um aluno disse na TV que os alunos eram tratados nas escolas como animaizinhos e levei com uma revoada de protestos compreensivos para com a expressão do aluno.

Gostaria de saber se os inflamados comentadores que tanto desculpam uns, mas atacam outros, são dos que ficam surdos naqueles minutos em que vão a caminho a sala de aula pelo pátio ou corredores.

A verdade, minhas caras e meus caros, é que as escolas se tornaram num espaço onde o palavrão e a falta de educação cívica campeiam, onde a agressão verbal é a regra e muitos – para sobreviver – fingem que não ouvem.

Ao longo destes anos a dar aulas, por mais de uma vez, muito mais, assisti a alunos entrarem e saírem de aulas aos gritos e urros, em corrida e aos pontapés.

Em alguns casos nem vale a pena abrir a boca porque não adianta. Em outros, já me aconteceu que as pessoas que davam as aulas em causa aparecerem à porta e quando eu disse (sem fazer qualquer acusação) que assim não era possível dar aulas, dizerem-me que não tinham culpa nenhuma, nem queriam saber do que se passava fora das suas salas.

Portanto, minhas caras e meus caros, quando acharem por bem criticar, façam-no depois de olharem para o que fazem quando poderiam dar o exemplo de impedir o uso do calão mais vernáculo na vossa presença (podem não estar a olhar, mas certamente ouvem).

Pagar mil euros por amesquinhar um aluno pela sua etnia é um castigo cuja justiça não sei avaliar completamente.

Mas olhem que multaria com gosto – mesmo se apenas com 10 euros – todo(a)s aquele(a)s que fingem que não é com ele(a)s aquilo que o(a)s rodeia a cada intervalo.

E deixem-se de tretas.

A verdade é esta, salvo excepções.

Sim, os pátios e corredores sem palavrões frequentes  e ofensas variadas são UMA EXCEPÇÃO.

E deveríamos agir contra isso e não estar sempre, nesses casos sim, a relativizar e a dizer que não vale a pena chatearmo-nos com isso se não nem chegamos ao fim do primeiro mês com sanidade mental.

Ou então mandem um danieloliveira para cada corredor.