.. se esta regra fosse aplicada aos alunos, não tendo eu pejo em declarar desde já que a muitos dos meus alunos de evidente etnia africana (olha para mim a refugiar-me já na novilíngua…) não haveria euromilhões que valesse tantas as vezes que os ouço, em diversos contextos, tratar-se uns aos outros de tal forma.
Professor condenado a multa por chamar “preto” a aluno
(…)
Um professor de Música da escola básica Mem Ramires, em Santarém, foi ontem condenado a pagar uma multa de mil euros pela prática de um crime de injúrias. Em causa está o facto de o docente ter usado a expressão “entra lá, ó preto”, quando um aluno de 12 anos pediu autorização para entrar na sala de aula.
Não estou a defender este tipo de conduta pelo professor (será que se passaria o mesmo se tivesse chamado branquelas a alguém?), apenas a tentar perceber se foi mesmo um acto isolado (o que o Tribunal parece ter dado como provado) ou se resulta de um padrão de comportamento ou de uma atitude recorrente destinada a humilhar o visado.
Seja como for, os mil euros são capazes de fazer repensar algumas pessoas.
No meu caso, tenho em ex-aluno (caucasiano, claro) que, devido ao meu défice capilar, gosta de me perguntar se me esqueci do chapéu ou do boné.
É inteligente, não me chama assim careca logo de chofre.
Acho que vou processá-lo.
Ou não.
Até gosto dele.Podia chamar-me coisa pior, agora que já não é da minha direcção de turma. Incompetente, por exemplo. Ou injusto. Ou preconceituoso.
Mas não. Gosta apenas de ver a minha zona de aterragem para mini-helicópteros e destacar-me o facto em voz alta.
Um destes dias chamo-lhe branco para ver se ele se chateia e se sente humilhado.
Afinal as minhas turmas são maioritariamente multicoloridas e a discriminações e humilhações quando nascem…
Maio 22, 2010 at 6:29 pm
Vai-se a ver e o professor é de raça negra, também. Esta problemática é tratada num grande livro de Philip Roth, A Mancha Humana.
Maio 22, 2010 at 6:34 pm
Então e se fosse «Entra lá, ó negro!», ou «Entra lá, ó jovem de etnia africana»?
Maio 22, 2010 at 6:39 pm
É curioso ver como faz um exercício de contorcionismo intelectual para tentar relativizar aquilo que me parece simples: um adulto, neste caso um professor, o que agrava ainda mais a situação, usou um termo que a esmagadora maioria das pessoas considera racista. Os insultos racistas entre alunos são igualmente condenáveis mas situam-se num patamar completamente diferente.
O aluno que goza com a sua calvície poderá estar a incorrer num acto censurável. Se considera que esses tipos de comentários são insultuosos para sua pessoa deve dizer-lhe claramente e depois agir em conformidade. Agora comparar esta situação com a que é descrita na notícia é uma racionalização do absurdo. Nestes casos a minha política é tolerância zero. A multa foi muito bem aplicada.
Maio 22, 2010 at 6:41 pm
#3,
Não seja tão literal.
É mesmo preciso colocar um sinalzinho de cor no canto do post a explicar que não estou a relativizar nada?
(garanto que estive para fazer uma nota final do post em forma de disclaimer, porque tive quase a certeza que alguém tomaria tudo a sério)
Claro que as coisas não são comparáveis.
Vá lá… leia o post seguinte e tente perceber que este foi feito exactamente na transição para um estado melhor humorado do que a média.
Maio 22, 2010 at 6:43 pm
Agora vejam lá se isto não dá cabo da paciência ao mais santo:
O professor nega ter chamado “colorido” ao rapaz , mas mesmo assim é condenado;
ele próprio, professor, tinha metido a mãe em tribunal por crime de difamação agravada, e o tribunal absolveu-a! Isto é que é justiça!
“O professor, que foi alvo de um processo disciplinar por parte da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo depois de se ter recusado a pedir desculpas ao aluno, negou em tribunal ter proferido a expressão que originou a acusação.”
O processo corria em simultâneo com outro, colocado pelo professor contra a mãe do aluno, que era acusada do crime de difamação agravada, do qual foi absolvida
Maio 22, 2010 at 6:47 pm
A boa educação começa no professor. Para alguma coisa a espécie humana inventou os nomes próprios e apelidos, para serem usados.
Não fica bem nem recomendo a nenhum docente utilizar alcunhas para os alunos. Relembro, de memória, o que disse o premiado como professor do ano: “Os meus alunos não são meus colegas nem os trato por amigos”. Palavras bem sábias…acho muito bem que o tribunal tenha tomado esta decisão.
Maio 22, 2010 at 6:48 pm
Pois, isto parece uma tempestade num copo de água. Embora “bocas” racistas sejam sempre condenáveis.
Mas aqueles que condenam agora o professor por ter maiores responsabilidades do que os alunos que deve educar que não venham depois, noutros contextos, defender a igualdade de todos os elementos da comunidade educativa…
Maio 22, 2010 at 6:50 pm
Isto fez-me lembrar uma história antiga, mas verídica, de um branco casado com uma negra que por vezes o ia esperar ao emprego, levando o filho pequeno de ambos.
Quando ela aparecia, diziam os colegas ao marido, na brincadeira:
- Ó pá, está ali a tua mulher com um prê-tó-colo!
Maio 22, 2010 at 6:53 pm
bem, eu não sou de raça branca e tb não há raça negra, nem pretos nem brancos, andamos todos misturas, uns brancos menos brancos e uns pretos mais brancos, tudo com base no OMO lava mais branco …
Maio 22, 2010 at 6:54 pm
* todos misturados
Maio 22, 2010 at 6:57 pm
“Um destes dias chamo-lhe branco para ver se ele se chateia e se sente humilhado.”
Por causa de pensamentos como o seu a educação em Portugal anda como anda.
O Sr. como professor não se pode por ao nível dos seus alunos de 12 anos, ponha-se no seu lugar.
Maio 22, 2010 at 6:57 pm
Ó Paulo não podes brincar muito porque depois aparecem logo os ofendidos.
Os meus alunos tratam os estrangeiros por camones e ainda não houve nenhum processo
Maio 22, 2010 at 6:58 pm
Mas uma miúda holandesa já me veio perguntar se camone era um nome feio que lhe chamavam
Maio 22, 2010 at 7:00 pm
Como eu sempre procuro explicar aos meus alunos – nos fugazes momentos em que me escutam -, o que é verdadeiramente racista são os eufemismos que criamos para não ofender os pretos, como, por exemplo, «negro».
Se é assim, eu não sou branco, sou claro.
E o que significa a palavra «nigger» nos «states»?
Para concluir, fazer julgamentos «blogueiros» só tendo conhecimento de todo o processo.
Por outro lado, uma turma contou-me há dias que um dos outros profs., desesperado com o seu desempenho escolar, lhes disse mais ou menos isto: «Vocês são burros todos os dias!». Puseram o colega em tribunal? Não, desataram à gargalhada. Vá a gente entendê-los!
Maio 22, 2010 at 7:04 pm
Engraçado.
No 1ª percurso de currículo alternativo, tinha uma aluna de outra cor – para não ofender ninguém- que me disse que a mãe – de outra cor- tinha uma casa de Alterne com escravos brancos a trabalhar para ela…
será que deveria ter movido um processo por difamação?
Maio 22, 2010 at 7:05 pm
No 1º ano de percurso de curriculos alternativos – nem sei se é assim que se chama pois recuso-me a dar aulas a isto….
Maio 22, 2010 at 7:16 pm
Recusas-te?
És filho de algum colorido?
Áh,áh,áh… o kafkazul hoje estava mesmo no espírito da coisa.
Maio 22, 2010 at 7:18 pm
#17 motta
Sim, pois para isso tenho de ser ouvido. e já disse que não. Não contam comigo.
Maio 22, 2010 at 7:19 pm
#17 motta
Sou filho de um colorido branco, se é que existe isso.
Maio 22, 2010 at 7:21 pm
Um abraço Tollwut.
Maio 22, 2010 at 7:22 pm
#20 Motta
Outro para ti.
Maio 22, 2010 at 7:24 pm
Não se conhecendo o contexto, é difícil ajuizar. Nestas coisas, o contexto é tudo. Vamos supor que o aluno se gaba frequentemente da sua condição de “niga”. Nesse caso, a frase seria uma brincadeira cúmplice. Vamos ver como aproveitarão este caso para tramar professores.
Maio 22, 2010 at 7:38 pm
#11.
Obrigado por ter entrado no espírito da pilhéria (na ausência do Fafe, alguém que se chegue à frente…)
Maio 22, 2010 at 7:51 pm
# 23 Paulo Guinote
Não vale a resposta… é um branco, preto, amarelo azul ou amarelo retinto…usa pasta medicinal couto.
Maio 22, 2010 at 7:52 pm
#22 tinha intenção de escrever isso mesmo, que subscrevo inteiramente. É muito fácil tramar alguém quando se cria uma situação de cumplicidade ou de alguma proximidade e depois se se tira o tapete. É necessário conhecer inteiramente a situação em concreto para ajuizar.
Maio 22, 2010 at 7:53 pm
# 23
Um tipo que se auto-nickeia de Ditador e se apresenta à imagem de um Hitler não merece tamanha deferência.
Maio 22, 2010 at 8:00 pm
A mim chamaram-me: professora pula, branquela.
Devia ter processado esses alunos. 1000 euros??!!
Fixolas!
Bom sábado.
Maio 22, 2010 at 8:03 pm
#2,
A mania de se chamarem agora “etnias” !!
Modernices da Esquerda Fracturada.
Maio 22, 2010 at 8:04 pm
#27 gata escondida
Julgo que sim-
Vou estar atento ao que me chamam para processar os pais.
Maio 22, 2010 at 8:08 pm
#28 gata escondida
o problema é que andam todos fracturados , não é 1 problema de esquerda mas da sociedade em si e do mundo.
Maio 22, 2010 at 8:18 pm
Tollwut,
Eu dou sempre as boas vindas a quem aparece de novo e com estrépito.
Maio 22, 2010 at 8:31 pm
Mas o aluno é branco. Só se assim for é que se pode considerar um insulto. Se o aluno é preto não vejo onde está a injúria.
Não há pachorra… E o que é que acontece quando os alunos chamam um chorrilho de palavrões aos professores?
Maio 22, 2010 at 9:07 pm
# 32 naopossodizer
A 1 deles já disse na aula que me poderia a qq hora e dia , fora da escola tentar chamar os nomes que me chamou no corredor da escola.
Maio 22, 2010 at 9:44 pm
Lol…Lol….
Isto está bom hoje.
)
Maio 22, 2010 at 9:50 pm
E nigger podia ser?
Depende da forma como se diz…e se tivesse dito entra lá branco churrascado?
Enfim não desculpando o professor qualquer dia não se pode escrever a preto com caneta preta pois é uma forma indirecta de racismo..e azul pode querer ser uma forma encapotada de trazer à ribalta a nobreza de sangue azul…
Maio 22, 2010 at 10:21 pm
E quando chaman filho da p… aos profesores, já não há multas?
Andam para aí muitos candidatos!
Maio 22, 2010 at 11:02 pm
Moreno tropical. Isto é o que um amigo costumava dizer: “Sou moreno tropical”.
Maio 22, 2010 at 11:03 pm
A mim chamavam-me “branca de 2ª” por ter nascido em Moçambique………
Maio 22, 2010 at 11:12 pm
Nem no tempo de Salazar, quando a preocupação com a correcção dos termos que poderiam ferir a susceptibilidade do estado ou alterar a “ordem pública”, a repressão assumia este nível.
Aos poucos vai-se instalando uma política de suspeição, de controlo do pensamento e da liberdade de expressão com conotação estalinista.
Pior do que o controlo dos media pelo PS é a eliminação do bom senso e o estrangulamento da liberdade levada a cabo pelos cultores colectivistas da Novilíngua
Maio 22, 2010 at 11:22 pm
O rapaz, por acaso, renega a raça a que pertence e tem vergonha da cor que tem? Se é isso, a culpa não é do professor; se assume como é, não percebo por que se ofendeu?
Maio 22, 2010 at 11:30 pm
Perante as atitudes dos filhos menores respondem os pais maiores!!! O dever de educação é dos pais – art. 36º, nº5 da Constituição – e quando estes não transmitem aos seus filhos valores de civilidade e respeito são por tal responsáveis!
As multas serão igualmente “muito bem aplicadas” a pais mal educados de criancinhas mal educadas!!!
Maio 22, 2010 at 11:43 pm
Este tópico é realmente muito interessante…heheheh…principalmente quando aparecem os arautos da “ditadura das palavras” e das injecções ideológicas do “coitadinho”. Como me metem indignação, pois já não tenho pachorra para os ouvir, para os aturar e para ter de viver numa sociedade formada e formatada por esta gente que tudo confunde, tudo deturpa e tudo descontextualiza.
Eu, paternalmente, costumo muitas vezes chamar os meus alunos por “chouriço” e “zézinho” e nunca ninguém se ofendeu, muito pelo contrário. Fico à espera de um dia me colocarem um processo…
Ora vão lá todos “apanhar tomate para o Alentejo” e sejam mais produtivos.
Maio 23, 2010 at 12:07 am
Um tipo finta o outro, “preto do caraças, para a próxima não passas”, ouve-se. “Branquelas, nem que tenhas uma botas maiores” – retorque o artista da bola.
…
O porteiro de uma espelunca qualquer olha para a bicha e diz: “Você, entre. O preto não entra”.
Não sou professor, nem especialista em “eduquês” ou “contra-eduquês”, mas tive quem me ensinasse na escola que há uma coisa que altera o “valor” das palavras, essa coisa chama-se “Contexto”.
Faço um desenho: os primeiros eram amigos e jogavam à bola, tratou-se de uma provocação entre iguais; na outras situação, o porteiro serviu-se do seu poder e ofendeu o preto quando lhe chamou “preto”. Ainda não percebeu? Espero que nunca seja professor de um filho meu.
PS: Sim, “Bicha”,i.e., “Fileira de pessoas, umas atrás das outras”. Sem complexos. Topa?
Maio 23, 2010 at 12:14 am
Curioso ser processado por ser honesto.
Chamasse-lhe gente que logo se veria contente.
Maio 23, 2010 at 12:55 am
“Um destes dias chamo-lhe branco para ver se ele se chateia e se sente humilhado.”
Esta frase é muito grave. Típica de uma pessoa sem cultura, não de um professor!!!
Maio 23, 2010 at 10:42 am
É grave.
Não consigo conceber que um professor se dirija assim a um aluno.
Também não consigo conceber que um aluno se dirija assim a um professor.
Maio 23, 2010 at 10:50 am
Torna-se fácil criticar sem saber o contexto e quando falo de contexto, falo na relação professor-aluno, na situação que se criou ou se originou naquele momento …..
De qualquer maneira, um professor tem uma formação pedagógica que lhe permite não ter respostas dessas, senão desce ao nível do aluno que chega ao pé do professor e lhe chama careca, por exemplo!
Maio 23, 2010 at 11:07 am
Incredibile: i prof non possono parlare male della scuola
http://wp.me/pffwC-45r
Maio 23, 2010 at 11:36 am
#47
E sobretudo nunca se despir. Pode alguém gostar e é uma chatice.
Maio 23, 2010 at 11:46 am
Ao ler este post e os seus comentários fica-se a compreender melhor porque há tantos problemas de disciplina nas salas de aula. Há demasiada gente com cabeça de adolescente a dar aulas. Quem não se dá ao respeito…
Maio 23, 2010 at 1:33 pm
entou suicidar-se
Homem mata mulher e filha à facada em Braga
22.05.2010 – 21:03 Por PÚBLICO
Um homem matou à facada a mulher e a filha de nove anos em Braga e depois tentou suicidar-se, mas não ficou ferido com gravidade. Com vários golpes no corpo, nomeadamente no tórax, estava “consciente e estável”, apesar de ter ficado em observação, adiantou a assessoria de imprensa do Hospital de S. Marcos.
A Polícia Judiciária de Braga já está a investigar o duplo homicídio, que aconteceu durante a madrugada, numa torre de apartamentos no centro da cidade, na freguesia de S. Vítor, após uma violenta discussão entre o casal. De acordo com a versão da polícia, o homem, de 35 anos, esfaqueou-se depois de atacar com violência a mulher, de 32 anos, e a filha. Terão sido os vizinhos a dar o alarme, cerca das 7h00, depois de ouvirem os pedidos de ajuda da mulher. Chamada ao local, a PSP acabou por deter o homem – que se encontrava no interior apartamento, deitado na cama, a sangrar – e confirmou os óbitos, com o apoio do INEM.
O caso foi comunicado pela PSP à Judiciária, que recolheu no apartamento vários indícios e aguardava que o homem ficasse em condições de ser interrogado para esclarecer as motivações do crime.
EMIGRANTES AFRICANOS..ELE NÃO QUERIA A FILHA E MATOU-A PRIMEIRO E DEPOIS MATOU A MULHER…É O CHAMADO RACISMO EM SI PRÓPRIO…
Maio 23, 2010 at 1:48 pm
Quem quer ser respeitado tem que respeitar.
Um professor não se pode pôr ao mesmo nível de um aluno, porque é um adulto e deve saber ser e estar como profissional, senão a sala de aula é uma bandalheira …..
Numa “bandalheira”, não há respeito nem de um lado nem de outro e muito menos:
#47 – na sua sala de aula procede-se assim?
Não sei o que tem a ver a sua resposta com a minha ………
Não falei na prof.ª Bruna Real.
Maio 23, 2010 at 2:29 pm
Meus caros hoje já nem os cães e gatos têm respeito aos professores..melhor dizendo guardiões de algo…nada mais…
Maio 23, 2010 at 2:30 pm
Evidentemente, respondendo ao #49!
Maio 23, 2010 at 3:30 pm
De facto, há uma óbvia diferença na maneira como as pessoas encaram um insulto dirigido a um professor (pois a maioria já parece considerar isso como uma espécie de dever de ofício) e a maneira como as pessoas encaram um insulto dirigido a um aluno ou a um encarregado de educação (crime de lesa majestade).
Não me parece é que a melhor forma de lutar contra esta situação seja descer ao nível dos alunos. Ou será que, por exemplo, a melhor maneira de lutar contra o crime, passará por começarmos todo a cometer crimes, de modo a “relativizar”?
Tudo depende do contexto, como já foi referido em alguns comentários. No entanto, por muito “camaradas” que sejam as relações entre um professor e os seus alunos, não me parece muito normal que os trate por “pretos”, “monhés”, “gordos”, “feios”, “mancos”, “chungas”, “larilas” e coisas do género.
Como se não bastasse, tem que aparecer sempre uma luminária a tecer considerações do género: “EMIGRANTES AFRICANOS..ELE NÃO QUERIA A FILHA E MATOU-A PRIMEIRO E
DEPOIS MATOU A MULHER…É O CHAMADO RACISMO EM SI PRÓPRIO…”.
Apetece perguntar o que tem o cu a ver com as calças, pois ainda há pouco tempo um “autóctone” de Portugal, divorciado, estrangulou, friamente, a filha de pouca idade que tinha ido passar o fim de semana com ele.
Lamento, mas este post e a maioria dos comentários que suscitou, (quase) explicam a razão de a imagem dos professores andar pelas ruas da amargura. Bem sei que os docentes são seres humanos como os outros, mas choca-me ver o nível de estupidez, grosseria, racismo e homofobia que se nota na maioria dos comentários que por aqui se vão colocando.
A terminar, assalta-me uma dúvida pungente: será que este “audaz” professor se atreveria a tratar por “preto” um dos habitantes daqueles “bairros” onde só se entra com data e hora marcada (através de senhas por assobio) e que tão amados são pelos “madres Teresas” do ensino, pelo terror que lhes inspiram?
Por onde andam os “madres Teresas”, que os vejo tão calados, deixando aos “porcos nazis” o trabalho de comentar de forma um pouco mais sensata uma situação destas?
Maio 23, 2010 at 3:35 pm
Estamos outra vez a cair no mesmo erro. Aliás, estamos sempre a ser comidos que nem patos. Ninguém sabe o que se passou, acreditamos na primeira notícia que aparece, depois é só despejar opinião.
Para grande alegria de muitos que acharão imensa piada à “pluralidade” reinante na classe.
Maio 23, 2010 at 3:52 pm
Kt você fala do que não sabe ..dar AULAS EM DETERMINADOS LUGARES E COMO as coisas estão hoje em dia faz muita gente oscilar entre o racismo inconsciente e a loucura e a demência…
Dei aulas no Laranjeiro em 1997…mais de 13 das minhas turmas eram Palops ..nunca tive problemas por aÍ além mas conheci colegas que os tiveram..ali e na baixa da Banheira…a minha intenção com essa adenda no texto era provocar…
SIM NÃO SE DEVE DESCER AO NÍVEL DOA ALUNOS MAS IMAGINA O QUE É DAR AULAS DURANTE 20 ANOS E SOFRER NA PELE ANOS Após ANO TRATAMENTO ABAIXO DE CÃO? não POIS NÃO…LOGO VI..EU NÃO A JULGO PELO Comentário que fez mas deixe que lhe diga que nem todos nós somos iguais … repetindo um texto que eu aqui já pus…
O Homem não é Sempre Igual
Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante. Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido. No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso. Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos.
Leon Tolstoi,
Maio 23, 2010 at 4:25 pm
#56
Eu acredito numa decisão de um tribunal, que ouviu as várias partes e chegou a uma conclusão. Parece-me legítimo. Ou não?
Maio 23, 2010 at 4:29 pm
Eu acredito no pai natal e que as escutas do nosso 1º só falam de robalos de chocolate…
Maio 23, 2010 at 4:30 pm
#56,
Meu amigo, só as decisões do TAF de Beja é que podem ser publicitadas e discutidas?
Ou agora aderimos a alguma Omertá sobre estes temas?
Maio 23, 2010 at 5:09 pm
O 25-vira-o-disco é transparente como o KGB:
quem não fala a uma só voz – a legítima, a do colectivo – não tem valor, não representa a classe e devia ser calado à força!
Maio 23, 2010 at 5:49 pm
Pois eu estou de acordo que ‘negro’ é mais racista que ‘preto’
No infantário dos meus netos ensinam-lhes que os pretos são castanhos
A gargalhada que dei quando me contaram
Já agora pauzinhos de chocolate
Maio 23, 2010 at 6:01 pm
Com este “post” a desrespeitar o politicamente correcto, já está a levar pancada do Daniel Oliveira, no fracturante “Arrastão”.
Maio 23, 2010 at 6:04 pm
#63,
Já lá fui responder, mas aquilo tem filtro como na China.
Ou Comissão de Visionamento prévio como no estado Novo.
Já fiz post a propósito dos pruridos do Daniel oliveira que no post me trata por “senhor”, “doutor” e “o”, numa indefinição terminológica que me perturbou.
Chamo-me Paulo.
De profissão sou “professor”.
Academicamente “professor doutor”.
Prefiro sempre “Paulo”.
Aceito “Paulinho”, mas não com voz de homem.
Fracturante, ma non tropo.
Maio 23, 2010 at 7:01 pm
A Bulimunda é que não sabe do que fala. E, pior ainda, segue o “método frei Tomás”:
1º) afirma não me julgar pelo meu comentário, mas lá vai dizendo “IMAGINA O QUE É DAR AULAS DURANTE 20 ANOS E SOFRER NA PELE ANOS Após ANO TRATAMENTO ABAIXO DE CÃO? não POIS NÃO…LOGO VI.”.
Pois… infelizmente para si (e, principalmente, para mim) sei perfeitamente o que isso é. Inclusivamente, cheguei a levar com um processo disciplinar em cima, por ter tido a triste ideia de me queixar à IGE, da “inoperância” de um Conselho Directivo de uma escola de “zona quente” em que se achava perfeitamente normal que os alunos me insultassem , que gravassem cruzes suásticas nas portas onde eu ia dar aulas e que, ainda por cima me censurava por enfrentar os alunos em vez de os ignorar.
Feita a queixa à IGE, a mesma concluiu que a escola era um paraíso e que “euzinho”, do alto do meu 1,65m, tinha “instalado um clima de mal estar e tensão, beirando o terror” não só entre alunos, como entre o corpo docente, com as constantes participações que fazia. Não contente com isso, a IGE ainda resolveu inventar (e digo isto em sentido literal) que eu me tinha dirigido a um dos membros do Conselho Directivo, em termos extremamente ofensivos, dizendo-lhe: “és um ordinário e tens uma grande lata” e portanto pediu a pena de demissão para mim, por acto tão nefando. Na altura não apareceu nenhum “25 de abril” (a invocar a unicidade de pensamento e a união da classe) e muito menos um “madre Teresa” (a invocar o humanitarismo) para me defender.
No fim, como a única coisa que se provou foi apenas aquilo que assumi ter feito (participações, protestos ao CD e queixa à IGE) e que a maioria das coisas de que me acusavam eram mentiras (ainda por cima da Inspectora), da pena de demissão resolveram passar para a pena de multa de 500 €, que não tive de pagar devido a uma amnistia relacionada com uma visita do ex-Papa (ou coisa que o valha). E eu lá continuei com a minha vida.
Ainda houve uns “ameaços” de novo processo disciplinar, numa escola alentejana onde fui parar, (da qual guardo boas recordações, não só do CD, como da população em geral, que até eram umas jóias de pessoas), mas em que apareceu um grupinho de pais que me acusou, entre outras coisas, de “tomar banho todos os dias” e de “bater nos alunos” (rijos mocetões e mocetonas, com quase o dobro do meu tamanho).
2º) cita Tolstoi (“Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante.”), no entanto, sem o dizer directamente, lá vai tentando generalizar/etiquetar os comportamentos aberrantes aos “pretos” do Laranjeiro e da Baixa da Banheira.
Eu também tenho apanhado com alunos dos palops e se muitos, principalmente os de 2ª e 3ª geração, se portam abaixo de cão e parecem sempre zangados com tudo e com todos, outros há, vindos directamente dos mesmos palops, que pelo seu comportamento EXEMPLAR me fazem pensar que tomara eu que todos fossem assim.
Portanto não me venham com lições de moral e de heroísmo e com vitimizações a justificar o racismo ou supostas unicidades de classe.
Maio 23, 2010 at 8:24 pm
[...] Este post provocou alguma comoção. Só alguma, nada excessivo. [...]
Maio 23, 2010 at 8:41 pm
Kt eu não ponho etiquetas apenas constato factos..se existe alguém a pôr etiquetas é você…
Eu nunca discriminei alunos pela cor…e digo-lhe teve sorte com esses processo conheci colegas que não tiveram a sorte de o papa cá vir…
Eu não pretendo dar lições de moral a ninguém…não me ponho num pedestal a olhar de cima…Mas enfim como disse Tolstoi cada um de nós é uma parte de todos sendo todavia único……
A humildade fica perto da disciplina moral; a simplicidade de carácter fica perto da verdadeira natureza humana; e a lealdade fica perto da sinceridade de coração. Se um homem cultivar cuidadosamente essas coisas na sua conduta, não estará longe do padrão da verdadeira natureza humana. Com a humildade, ou uma atitude piedosa, um homem raramente comete erros; com a sinceridade de coração, um homem é geralmente digno de confiança; e com a simplicidade de carácter é comummente generoso. Cometerá poucos erros.
Confúcio,
Maio 23, 2010 at 8:42 pm
# 3
não sabes o tom com que o professor disse a coisa. às vezes berrar com alguém é bem pior.. afinal ninguém estava lá para ver sem ser os alunos e mesmo quando a coisa é vista por vários há sempre aquele que dizem que foi penalti e os outros… que não foi. subjectivozinho… este mundo.
Maio 23, 2010 at 8:42 pm
Aqui há uns tempos atrás, ao distribuir uma Ficha de Trabalho aos alunos duma turma minha, esqueci-me sem querer, de a entregar a dois alunos, um dos quais era de origem africana. Este, prontamente, virou-se para mim e perguntou-me: “E eu sou preto?”. Pelo que, em conformidade com a situação, entreguei apenas ao colega de carteira que era branco.
O aluno de origem africana ripostou dizendo que eu estava a ser racista. Eu disse-lhe que racista era ele pois admitia ser marginalizado pela cor da sua pele.
Calou-se!…
Maio 23, 2010 at 8:43 pm
A Ira Nunca é Súbita
A ira nunca é súbita. Nasce de um longo roer precedente, que ulcerou o espírito e nele acumulou a força reactiva necessária para a explosão. Daqui resulta que um belo acesso de cólera não é, de forma alguma, sinal de uma índole franca e directa. É, pelo contrário, revelação involuntária de uma tendência para nutrir dentro de si o rancor – isto é, de um temperamento fechado, invejoso, e de um complexo de inferioridade.
O conselho de «estar em guarda contra quem nunca se irrita», significa, portanto, que – todos os homens, acumulando inevitavelmente ódio – convém ter especial cuidado com os que nunca se traem por acessos de ira. Quanto a ti, não fazes mal em ser insicero no teu remoer interior, mas em te traíres na explosão.
Cesare Pavese,
Maio 23, 2010 at 8:53 pm
Eu tive um professor na Universidade que tinha uma opinião muito particular sobre os melanodérmicos. Dizia ele: por muito menos se cria uma espécie!…
Maio 23, 2010 at 9:05 pm
Se um preto me chamar branco, quanto paga de multa?
Se alguém tiver o preçário para as diversas raças faça o favor de o divulgar. Em tempos de crise temos que ser selectivos com os insultos de tipo racista.
Maio 23, 2010 at 9:19 pm
Num país onde ministros fazem “chifres” em pela Assembleia da República e há deputados que furtam gravadores a jornalistas, esperamos o quê da nossa sociedade?
Esperamos respeito? Virtudes? Valores?
Ora vão lá todos tomar uns copos e não se zanguem! É o país que temos resultado de anos e anos de inalteradas ideologias. Porreiro pá!
Basta andar pela nossas ruas, entrar em cafés e outros espaços públicos, para ver a postura educacional desta nova gente.
Maio 23, 2010 at 10:30 pm
Depois de ver alguns comentários de auto-proclamados professores, começo a perceber como anda tão baixo o nível cívico nas nossas escolas. São comentários de nível rasteiro, a roçar o primarismo. Como dizia alguém acima, espero que não sejam professores da minha filha.
Maio 23, 2010 at 11:07 pm
Ok, ok Bulimunda, não se exalte.
E não leve a mal que lhe diga isto, mas “pega leve” aí nas citações. É que só me apetece responder-lhe:
“Apavorais-me, senhora – declarei levantando-me. – Perdoai-me, mas não posso escutar mais tempo os vossos execráveis sofismas e as vossas odiosas blasfémias”
(Marquês de Sade, “Justine ou Os Infortúnios da Virtude”)
Maio 23, 2010 at 11:11 pm
Gosto o Sade sabia tratar das mulheres…era um sedutor..além disso um grande amigo meu que anda opor aqui o Donatiem também é um fã do dito…
Muito transforma-se em pouco se se deseja um pouco mais
Quevedo, Francisco
Maio 24, 2010 at 12:24 am
Afinal quantas raças há? E eu a pensar que só existia a raça humana!…
Maio 24, 2010 at 1:13 am
[...] [...]
Maio 24, 2010 at 1:15 am
É espantoso que os colegas que aqui despejam alarvidades partam do princípio que todos os professores são brancos!
Maio 24, 2010 at 1:17 pm
Sr Guinote,se foi para ter piada,não teve
é que há certas piadólas que saem caro….
Refiro- me a certa “imagem”, que se pretende dar, aos que nos escutam e lêem.Passe bem.
Maio 25, 2010 at 12:14 am
#73, ora nem mais. Concordo plenamente, eu que não sou prof mas já fui monitor na área de informática (a diferença é apenas na área e no ter ou não canudo académico), lidar com miúdos, adolescentes ou graúdos (sou contra o acordo órtógráfico, desculpem lá) não é para toda a gente, mesmo que seja Prof Catedrático. É um “dom” de comunicabilidade que “nasce” com a pessoa, tipo político que nem a antiga 4ª. classe tem, mas desbaratina conteúdo textual que é um primor! É o chamado “falar/comunicar com as massas”. Não são os canudos académicos que fazem do Homem ou da Mulher, seres diferentes dos que os não possuem. Basta sermos seres humanos, com ADN’s completamente diferentes (dizem os entendidos que não existem dois iguais e quem sou eu para o contestar), para termos uma personalidade própria que se vai moldando com o tempo, desde a nascença até à idade da partida definitiva. Por isso, senhores professores, como disse o comentador do post #73, «vão lá todos tomar uns copos e não se zanguem!». A vida é feita de pequenos nadas mas que, todos juntos, completam a nossa existência. No meu tempo da “primária”, tive uma professora (da 1ª. à 4ª. classe) que arriava forte e feio nas nossas mãos (chegavam a ser 10 em cada uma, com uma régua de madeira grossa e fininha para chatear mais); o director da escola, partia ponteiros na cabeça dos seus alunos; o prof da 3ª. classe (era advogado), até tomava balanço ao dar as reguadas (não tinha mais de 1,60m, por isso o ter de tomar balanço para arriar melhor). Ninguém morreu, tudo se respeitava, embora nesses tempos tivéssemos de “aderir” aos usos e costumes da época, sou frontalmente contra qualquer tipo de violência seja em que situação for.