.. se esta regra fosse aplicada aos alunos, não tendo eu pejo em declarar desde já que a muitos dos meus alunos de evidente etnia africana (olha para mim a refugiar-me já na novilíngua…) não haveria euromilhões que valesse tantas as vezes que os ouço, em diversos contextos, tratar-se uns aos outros de tal forma.

Professor condenado a multa por chamar “preto” a aluno

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Um professor de Música da escola básica Mem Ramires, em Santarém, foi ontem condenado a pagar uma multa de mil euros pela prática de um crime de injúrias. Em causa está o facto de o docente ter usado a expressão “entra lá, ó preto”, quando um aluno de 12 anos pediu autorização para entrar na sala de aula.

Não estou a defender este tipo de conduta pelo professor (será que se passaria o mesmo se tivesse chamado branquelas a alguém?), apenas a tentar perceber se foi mesmo um acto isolado (o que o Tribunal parece ter dado como provado) ou se resulta de um padrão de comportamento ou de uma atitude recorrente destinada a humilhar o visado.

Seja como for, os mil euros são capazes de fazer repensar algumas pessoas.

No meu caso, tenho em ex-aluno (caucasiano, claro) que, devido ao meu défice capilar, gosta de me perguntar se me esqueci do chapéu ou do boné.

É inteligente, não me chama assim careca logo de chofre.

Acho que vou processá-lo.

Ou não.

Até gosto dele.Podia chamar-me coisa pior, agora que já não é da minha direcção de turma. Incompetente, por exemplo. Ou injusto. Ou preconceituoso.

Mas não. Gosta apenas de ver a minha zona de aterragem para mini-helicópteros e destacar-me o facto em voz alta.

Um destes dias chamo-lhe branco para ver se ele se chateia e se sente humilhado.

Afinal as minhas turmas são maioritariamente multicoloridas e a discriminações e humilhações quando nascem…