Número de faltas de alunos é uma incógnita
“Um progresso absolutamente extraordinário”, foi assim que José Sócrates classificou, há um ano, a redução do número de faltas dos alunos, agora desmentida pelo Governo.
Ontem, Maria do Rosário Gama, directora da Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, foi logo de manhã atraída para a proposta de alteração ao Estatuto do Aluno, aprovada pelo Governo na quinta-feira, devido a “uma notícia estranhíssima”: “No ano passado, quando alguns de nós contrariámos os dados do ministério e afirmámos que as provas de recuperação tinham provocado o aumento de faltas, as nossas escolas foram alvo da inspecção; e agora é próprio ministério a confirmar o que na altura dissemos?!”
Só que, aparentemente, o Ministério da Educação não dispõe de uma contabilidade sobre as faltas dadas pelos alunos do ensino básico e secundário neste ano lectivo. Esta foi a informação transmitida em Abril passado. Também não dispõe de “dados consolidados” sobre as provas de recuperação, uma medida que não foi decidida pela actual equipa e sobre a qual não será feito um balanço, segundo informação transmitida meses antes.
Talvez não tenhamos chegado à qualidade dos gregos na manipulação dos números do défice, mas não é por falta de treino com as estatísticas da Educação…
Deixem estar: amanhã já aparecem números mil a provar que não sei o quê que interessa provar agora.
Abril 28, 2010 at 9:16 am
Não há dados fiáveis sobre assiduidade nem nunca se pretendeu que houvesse: a legislação prevê que aos alunos que passem nas provas ditas de recuperação sejam “relevadas” as faltas, mas não se esclarece o que é que isto significa.
Como os programas informáticos que usamos nas escolas para registar as faltas não têm a opção “faltas relevadas”, cada escola, nalguns casos cada DT, faz o que entende: deixa estar o que está, justifica as faltas ou apaga-as simplesmente – e aí temos o “abzentismo”, como dizia a outra, a descer em flecha…
Abril 28, 2010 at 9:48 am
Amanhã?
Os tipos são “lentos” mas não tanto… acredito que até ao fim do dia haja já um “esclarecimento público cabal”.
Abril 28, 2010 at 10:29 am
Interrogo-me muitas vezes acerca da utilidade de tal ministério….
Abril 28, 2010 at 10:43 am
Não a utilidade. Será antes uma questão de letras a mais em M(in)istério…
Abril 28, 2010 at 1:04 pm
Porque é que não acabam, de uma vez por todas, com as faltas. O pessoal vai às aulas se quiser. Só terá de fazer os trabalhos, testes e alguma prova e pronto!
Áqueles que fossem sempre ou faltassem pouco às aulas era-lhes atribuída uma bonificação na avaliação.
Acabava-se uma grande parte do martírio dos DTs, melhorava-se o ambiente nas salas.
Abril 28, 2010 at 1:04 pm
“Aqueles”
Abril 28, 2010 at 1:10 pm
#5:
Isso eles não querem porque depois tinham de ter batalhões de polícias, psicólogos, assistentes sociais, cpcjotas e outros que tais atrás dos meninos transviados que andariam por aí a arranjar problemas.
Assim enfiam-se dentro das escolas e quem lá está que os aguente.
Abril 28, 2010 at 2:45 pm
#7, exacto.
Adorei a frase do Socas: “Um progresso extraordinário!”
Para virem dizer o contrário uns meses depois.
Oh, god, o que nos falta mais ouvir/ler desta gente.
Já agora, mantenho uma dúvida: qual a diferenciação, no novo Estatuto, dos procedimentos quanto a faltas justificadas ou injustificadas?
Não encontro, nas medidas preconizadas, nenhuma diferença.
Então, não andaram a apregoar que finalmente cediam aos apelos dos professores e as iam distinguir??
E as consequências são as mesmas??
Abril 28, 2010 at 4:07 pm
Ó faxavor! Tenho aqui uma dúvida muito metódica: o que é que o ME faz àqueles dados super-ultra-hiper completos (que fariam o Big Brother do Orwell corar de vergonha por ser tão púdico) que as escolas enviam saídos direitinhos do programa dos alunos e que incluem as respectivas faltinhas da criançada? Se calhar perderam-se no vácuo do ciberespaço
Abril 28, 2010 at 4:15 pm
#10
Esses dados estão abrangidos pela lei de protecção de dados pessoais. Não são aceitáveis como prova.
Abril 28, 2010 at 5:04 pm
Os dados transmitidos via net são vistos e consultados por tanta gente, tanta gente, que podem demorar uma semana, ou mais, a chegar ao destino. O melhor será utilizar o fax ou, melhor ainda, os CTT. Hoje em dia já não abrem os envelopes.
Abril 28, 2010 at 8:43 pm
#1
As alunos que façam provas de recuperação com sucesso verão as suas faltas relevadas para que estas nunca sejam reveladas.
É a verdade “à la palhice”