Da última vez foi o que se viu. O ME propôs asneira e o grupo parlamentar maioritário do PS, em especial pela pena da deputada Odete João, reforçou o tom e criou aquela coisa que temos por aí.
O que era mau, ficou pior.
Desta vez temos uma proposta do ME que não é grande coisa e uma casa de doidos à espera para fazer o cozinhado.
Resta saber se o PS vai virar à esquerda ou à direita nos acordos para aprovar o novo Estatuto do Aluno.
À esquerda temos o lirismo habitual de se pensar que vamos lá só com palmadinhas e beijinhos nas bochechas rosadas. À direita alguma boa retórica, mas alguma dificuldade em concretizar certas ideias. Leia-se o final da peça do Público:
Para já, os deputados fazem análises opostas: José Manuel Rodrigues, do PP, considera a proposta do Governo promotora do facilitismo, enquanto Ana Drago, do Bloco de Esquerda, e Rita Rato, do PCP, lamentam o sentido punitivo das alterações. Outros deputados, sindicalistas e professores contactados ainda não tinham lido a proposta.
Receio que a opção pelo acordo à esquerda acabe numa aliança eduquesa que deixe tudo na mesma, cheia de paninhos quentes e água de malvas.
A Ana Drago e a Rita Rato podem ter as melhores intenções, mas faz-lhes falta uma abordagem menos ideologizada das coisas. A realidade tem, infelizmente, todas as cores, não apenas tons suaves e primaveris.
Abril 28, 2010 at 10:11 am
Hoje comento demais.
Bom, o que quero dizer é que a Esquerda desconhece a realidade das escolas e tem um optimismo ingénuo e a Direita resvala normalmente para o espírito tenebroso hobbesiano, fundado no seu pessimismo antropológico. Nisto, creio estar próximo da personalidade de peso do Paulo e de muitos, muitíssimos colegas.
O que surpreende é isto ser um truísmo e os “gestores” de Portugal não pararem um pouco a sua autofagia ideológica “descendo” às “coisas mesmas”, a Ana, por exemplo, devia clandestinamente ir dar umas aulitas, Portas experimentar aplicar a sua retórica demoníaca.
Os nossos políticos estão numa Torre de Marfim, e nem sequer discutem bem o sexo dos anjos (tema, aliás, apaixonante).
Abril 28, 2010 at 10:22 am
Se for usada uma linha boa, a coisa ainda se aguenta. Mas com tanto “chinês” à vista vai ser difícil, realmente.
Abril 28, 2010 at 10:47 am
Para a abordagem menos ideologizada que o Paulo propõe, talvez fosse útil aos nossos políticos que ainda se consideram de esquerda olhar para aquilo que realmente fez a esquerda em matéria educativa nos países onde mais tempo esteve no poder.
Nem na social-democracia nórdica, nem nos regimes do “socialismo real” da Europa de Leste, o caminho foi a bandalheira, a irresponsabilidade ou o facilitismo em relação aos alunos.
Pelo contrário, em ambos os casos me parece que construíram sistemas educativos bem melhores do que o que temos actualmente entre nós.
Abril 28, 2010 at 10:53 am
#3
Isso é que chama de romantismo político. A esquerda lusa, de um modo geral, não tem sido eficaz. Não por não ser capaz, mas por estar integrada em sociedades totalmente diferentes. Conheço bem de perto a realidade dinamarquesa, por exemplo, e posso afirmar que não são comparáveis.
Abril 28, 2010 at 11:03 am
Não é por acaso que a Dinamarca é considerado o país mais feliz do mundo!
E mesmo os paises de leste tiveram um ensino a sério, muito embora o mesmo integrasse os améns aos lideres de então e a doutrinação comunista.Vejam os emigrantes desses países que por cá andam e atentem no seu nível cultural.
Abril 28, 2010 at 11:42 am
A esquerda oficial portuguesa é muito fraquinha em temos culturais e ideológicos.
Fruto de uma colagem a um anti-fascismo redutor e de um fraco desenvolvimento social e económico, o intelectuariado do regime vive sempre colado ao Estado e às mesmas passagens dos Evangelhos dos Pobres de Espírito.
Como não precisam de se esforçar para terem audiências e bons empregos, limitam-se a recitar e a aplicar as velhas cábulas que decoraram na sua juventude.
Abril 28, 2010 at 11:58 am
#6:
O intuito era apenas experimentar. E não é que resultou?…
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A direita portuguesa é muito fraquinha em temos culturais e ideológicos.
Fruto de uma colagem a um anti-comunismo redutor e de um fraco desenvolvimento social e económico, o empresariado do regime vive sempre colado ao Estado e às mesmas passagens dos Evangelhos dos Pobres de Espírito.
Como não precisam de se esforçar para terem negócios e bons empregos, limitam-se a recitar e a aplicar as velhas cábulas que decoraram na sua juventude.
Abril 28, 2010 at 12:04 pm
1
Dorme samurai:
a flor de cerejeira
desponta nua.
2
O espírito
alheio ao aviso
antepassado.
3
O arroz cresce?
Esquece a vénia:
o tronco hirto!
4
O saké quente
adoça os lábios
à doce geisha.
Abril 28, 2010 at 12:08 pm
#7
Mas é evidente.
A esquerda e a direita em portugal são siamesas, irmãs gémeas sem brilho nem elevação, produto da inseminação artificial do fascismo pelo anti-fascismo.
Se eu limito-me a bater na esquerda, é apenas pela simples razão de que em portugal a esquerda é uma filha bastarda do salazarismo, e na qualidade de parasitas do regime dominam e infestam os media e os aparelhos do estado deste país, impedindo as pessoas de se libertarem e de evoluírem.
Abril 28, 2010 at 12:21 pm
António Duarte
Só uma questão
Como classifica o desempenho de Rui Pedro Soares, intelectual, política e profissionalmente?
Não será o exemplo paradigmático do novo comissário político do capitalismo de Estado, um neo-bolchevique fiel, amoral e dedicado aos desígnios do Comité Central?
Abril 28, 2010 at 12:38 pm
#10, h5n1:
Em relação a indivíduos como esse RPS, fica-me sempre a dúvida se é maior a fidelidade ao dinheiro se ao “comité central”…
Cheira-me que é mais ao carcanhol, embora seja evidente que uma coisa leva à outra…
Abril 28, 2010 at 12:57 pm
As esquerdas (basta ver a influência nos países de Leste) valorizam o trabalho, disciplina e rigor na educação.
A nossa esquerda é “sui generis” e promove o facilitismo com a política “dos-meninos coitadinhos-que-são-punidos”. Já não há pachorra!
Abril 28, 2010 at 1:08 pm
Os resultados de 36 anos de esquedofilia estão à vista em todos os sectores: política, economia, finanças públicas, ensino, justiça…
Ainda há umas toneladas de ouro deixadas pelo abominável ditador. Podem continuar a brincar aos políticos mais uns meses. Mas não dá para muito mais…
Abril 28, 2010 at 1:15 pm
#13:
Calma lá!
Já se viu que o esquerdismo tem as costas largas e cabe lá de tudo.
Nestas coisas o melhor é chamar aos bois pelos nomes.
PS, PSD, ocasionalmente o CDS. São estes os partidos que se têm servido à mesa do orçamento, mais do que servido o povo que os elegeu.
Quanto ao ouro do Salazar, antes nos tivesse deixado, em vez disso, um povo alfabetizado e uma economia mais desenvolvida…
Abril 28, 2010 at 2:57 pm
Atenção: em matéria de educação, não confundir os regimes totalitários comunistas, da esquerda dos países social-democratas.
Ou seja, enqto houver “diferenças de classes”, os partidos comunistas ( socialistas,a designação difere, é igual) defenderão sempre a protecção das classes mais desfavorecidas.
Em termos de escola, para eles significa “proteger” os mais pobres das regras da “burguesia”, pq receiam que eles abandonem a escola se forem obrigados a ser devidamente escolarizados.
Porque insistem nisto? Não sei, mas não é só em Portugal.
Nos regimes comunistas, a escola era de um enorme rigor ( em muitos casos, semelhante à escola das ditaduras de direita).
Ainda há 4 anos, qdo estive em Cuba, visitei uma escola e vi os meninos todos fardados, impecáveis, bem comportados. Qual cultura eduquesa, qual quê!
O que defendemos nós? Nem uma coisa nem outra. Bom senso, com rigor e regras.
Abril 28, 2010 at 2:59 pm
#15
Mainada!
Abril 28, 2010 at 2:59 pm
Como muito bem tem alertado o Pedro Castro, a esquerda à esquerda do PS arrisca perder parte do seu eleitorado, os professores.
Isto pq sabemos que, mesmo que tivessem mais deputados na Assembleia, relativamente a alguns assuntos da Educação ( sobretudo a cultura eduquesa do passam todos e ninguém tem castigos) eles estaraõ SEMPRE contra nós!!
Abril 28, 2010 at 3:01 pm
#17
É caso para dizer que lhes falta educação! :p
Abril 28, 2010 at 3:02 pm
Não esquecer que o pessoal do Bloco vem ou do PCP ou dos partidos trotskistas.
Não avançaram, em termos ideológicos, depois disso. Estagnaram nos livros que leram na adolescência.
Nem a queda do muro de Berlim nem o fim da União Soviética abalaram as crenças do pessoal do PCP e do Bloco.
Abril 28, 2010 at 3:03 pm
#18, palavra que gostava de saber em que escola têm os filhos.
O Daniel Sampaio já escreveu que os filhos andaram na pública. Mas isso foi há 30 anos.
Gostava de saber se os netos lá andarão tb.
Abril 28, 2010 at 3:04 pm
Fanatismo religioso = ideologia política ?
Abril 28, 2010 at 3:07 pm
#21, talvez se possa chamar fanatismo.
Pelo menos é um afastamento da realidade…
Abril 28, 2010 at 3:14 pm
#20:
Há de tudo, Reb.
Há dirigentes do SPRC e da FENPROF aqui em Coimbra que tiveram ou têm os filhos em escolas públicas, inclusivamente em TEIPs. Conheço eu, pessoalmente.
Mas também há um ou outro que opta, pelos mais variados pretextos, pelo ensino privado…
Abril 28, 2010 at 3:58 pm
comunicar
O estatuto do aluno regressa a um pico informativo e arrasta o enjoativo debate costumeiro à volta dos disparates (sim, disparates) dos nossos legisladores e da maioria dos políticos que se pronunciam sobre o assunto. Sei que o que acabei de escrever pode parecer radical, mas estou convicto que encerra uma elevada dose de sensatez. Há muito que estou aqui e cada vez mais me convenço da justeza dos meus argumentos.
O Público tem hoje uma notícia interessante sobre o assunto; aqui. “Número de faltas dos alunos é uma incógnita” é o título da notícia. E e o jornal continua assim: “”Um progresso absolutamente extraordinário”, foi assim que José Sócrates classificou, há um ano, a redução do número de faltas dos alunos, agora desmentida pelo Governo”.
Que dizer desta despudorada e conhecida manipulação? Só se espera que com os números da crise, e com o programa de combate à mesma, não tenha acontecido o mesmo. É que se aconteceu pode haver falência, ou algo parecido, pela certa.
Já li, com um tremendo esforço, o novo estatuto do aluno. Os legisladores ensandeceram de vez e não se enxergam. A mudança nas provas de recuperação é do mais puro eduquês: se, por exemplo, um aluno obtém um qualquer excesso de faltas, deve fazer uma série de coisas com conhecimento e co-responsabilização da família. É para rir, não é?
Diz o Artigo 20.º (Faltas injustificadas) no nº 3: As faltas injustificadas são comunicadas aos pais ou encarregados de educação ou, quando maior de idade, ao aluno, pelo director de turma ou pelo professor titular de turma, no prazo máximo de três dias úteis, pelo meio mais expedito.
É a era da comunicação na versão do ME português. Doses de comunicação. Então uma pessoa falta injustificadamente e tem de ser avisada do facto? Até um aluno adulto? E no prazo máximo de três dias? Avisado de quê? É para se lembrar que anda na escola? Ou é para o caso de não estar informado que havia uma aula? Não internem esta gente nâo, que vão ver onde é que isto vai parar.
http://www.correntes.blogs.sapo.pt/653993.html
Abril 28, 2010 at 4:21 pm
Dizer apenas que a Direita concordou com as expulsões de escola no último estatuto do aluno. O governo na lei que levou à AR mantinha esta sanção.
Abril 28, 2010 at 4:21 pm
“Concordou com o fim das expulsões de escola”
Abril 28, 2010 at 6:04 pm
O problema da esquerda comunista em defender, em Portugal, regulamentos e práticas disciplinares que se aproximem do que existia nos regimes socialistas da Europa de Leste, é que esses regulamentos e essas práticas não se afastavam muito do que existia em Portugal antes do 25 de Abril. Daí que para os sindicalistas afectos ao PCP o tema dos regulamentos disciplinares escolares “salazaristas” da ex RDA, ex URSS etc seja tabu.
Abril 28, 2010 at 7:49 pm
O velho Althusser marcou o modo como a nossa vetusta esquerda encara a escola.
Enquanto aparelho ideológico do Estado fascista, não há lugar a contemplações em relação aos métodos e aos seus agentes.
Daí a necessidade de destruir todo o edifício, soterrando os professores nos seus escombros.
Das suas cinzas é suposto sair uma nova escola emancipadora, em que os alunos dançam livres e saudáveis, enquanto os professores se afadigam a alimentá-los a ambrósia e a néctar, entre as provas de recuperação e os acordos sindicais.
Abril 28, 2010 at 10:09 pm
#28:
Essa agora, sobretudo na parte final, teve piada!
Sinto-me tentado a concordar.
Também nunca apreciei o Althusser, que me soa demasiado a vulgata marxista…