Discordo disto:

Aprovado um Plano de Acção que orientará a acção dos professores e educadores e a intervenção e organização da FENPROF nos próximos três anos. Neste, ficam três orientações estratégicas centrais: valorizar a escola pública, construir o sucesso educativo e organizar a luta, agindo no quadro da especificidade da profissão, mas integrando, cada vez mais a acção no âmbito mais geral dos trabalhadores, designadamente no quadro da Frente Comum e da CGTP-IN.

Talvez por isso, e por calcular o que aí vinha, tenha escrito um texto há coisa de um mês, do qual vou extrair duas passagens

Nos tempos actuais em que a pressão sobre a classe docente se faz sentir no sentido da sua crescente diluição no contexto de uma indiferenciação dos trabalhadores da Função Pública é, mais do que nunca, essencial que os educadores e professores reforcem os seus laços identitários, tanto para dentro como para fora da própria classe docente.
Vou tentar abordar esta questão de um modo sistemático, começando pelas pressões mais evidentes e procurando sugerir algumas formas de lhes resistir.
Comecemos pelas pressões: a mais forte é exercida pelo poder político do estado que tutela o sector da Educação, em especial por parte de todos aqueles que consideram que todos os corpos do funcionalismo do Estado se devem transformar em peças intermutáveis de uma engrenagem formada por mecanismos similares, independentemente da função que desempenham num dado momento.
Esta visão surge com a validação teórica dos defensores de um Estado mínimo, reduzido na sua orgânica às suas funções mais básicas e o pretexto pragmático da necessidade de reduzir as despesas públicas em virtude da situação económico-financeira de crise.

(…)
Uma segunda origem da pressão para a indiferenciação dos trabalhadores da Função Pública resulta de interesses, nem sempre assumidos, de diversas das suas tradicionais organizações representativas (como é o caso dos sindicatos) por considerarem que a união de todos os trabalhadores, em lutas comuns resultantes de causas comuns, tem maiores possibilidades de sucesso contra o seu empregador, ou seja, o Estado-patrão.
É nesse sentido que se desenvolvem estratégias de diluição das diferenças entre grupos profissionais em nome de uma solidariedade resultante do estatuto comum de funcionários públicos, independentemente da função, carreira ou posição.