…
Outro exemplo divertido que mostra que o verbo ser, usado correntemente, nem sempre designa uma relação simétrica de equivalência lógica, mas uma relação irreversível de inclusão é-nos oferecido pelo velho provérbio ‘knowledge is power’; tal como se apresenta, constitui uma verdade inquestionável, tanto nas relações humanas como na termodinâmica. Um anunciante contratado pela indústria química tergiversou-a com a forma ‘power is knowledge’, uma falsidade absurda e até obscena.
Estes exemplos lembram-nos que o verbo ‘ser’ exige, tal como outros verbos, sujeito e complementos; raramente, porém, se faz menção ao facto que o verbo ‘ser’ poder designar duas coisas totalmente distintas. Uma pessoa cuja língua materna seja o inglês pode ter que esforçar-se para distinguir tais diferenças nas duas frases: ‘The room is noisy’ e ‘There is noise in the room’. Mas em turco, tais significados são expressos por duas palavras totalmente diferentes; o que torna tal distinção tão clara que um visitante que usasse a palavra errada não seria compreendido. A segunda frase é ontológica, estipulando a existência física de qualquer coisa, enquanto que a primeira é epistemológica, exprimindo a percepção de alguém.
As expressões correntes – pelo menos em inglês – têm uma quase universal tendência para disfarçarem formulações epistemológicas em formas gramaticais capazes de sugerir ao interlocutor desavisado que se trata de uma formulação ontológica. Uma das principais fontes de controvérsia que se instalou entre os autores da Teoria das Probabilidades reside na forma acrítica com que se lidou com esta questão. Interpretar uma afirmação da segunda espécie como ontológica significa promover os pensamentos e sensações estritamente pessoais do falante em realidades com direito a existência no mundo que lhe é exterior. Chamamos a isto a falácia da ‘projecção mental’ e, na sequência, iremos deter-nos muitas vezes nas complicações que dela advêm. tais problemas estão longe de se confinar às Teoria da Probabilidade; tão logo seja levantada a questão, tornam-se evidente os seus efeitos na Psicologia da “Gestalt”, assim como em tentativas de fundamentação da Física Quântica.
Para onde nos irá levar o avanço das novas tecnologias?!!!
Esta demonstração – da pesquisadora Pattie Maes do MediaLabs do MIT
(Massachussets Institute of Technology), coordenado por Pranav Mistry
(indiano para variar…) – foi um destaque no TED…. É um dispositivo
que se veste, com um projector que abre caminho para uma profunda
interacção com o meio à sua volta. Imaginem “Minority Report”, e então algo
mais…
Para quem não sabe, esse é um dos maiores, se não o maior dos Institutos de
pesquisa científica do mundo) e apresenta o “Sexto Sentido”, um dispositivo
tecnológico de vestuário que pode (com os condicionantes que referi atrás)
vir a mudar nossa vida no futuro…
As imagens que serão mostradas podem parecer estranhas no começo. Mas
insiste e começarás a entender a nova invenção que está sendo apresentada.
Então, ao veres as suas aplicações diárias, começas a deixar o espanto tomar
conta de ti.
Se desejares, basta escolheres legendas em Português, logo abaixo da tela
de vídeo podes seleccionares.
António Ferrão: esse texto é interessantíssimo. Já anotei o autor. Creio que foi num escrito de Heinz von Foerster (um construrivista radical) que li um exemplo de como a nossa linguagem determina a forma como compreendemos o mundo (creio que na linha de pensamento de Wittgenstein…). Um caso em que um grupo de cientistas (não me lembro de que ciência) que não compreendiam bem qual era o problema que outro grupo, com uma cultura e língua diferente, estava a tentar resolver. A formulação do problema era incompreensível, ou não fazia sentido na outra língua!
(Estes assuntos da epistemologia são fascinantes. Quem me dera poder aprofundá-los e expô-los de forma mais rigorosa, sem parecer a rábula dos Gatos “O gajo a quem aconteceu, não sei bem o quê”)
#7 Suomi
Tive que o mandar vir de Inglaterra, através da FNAC do Carmo (para quem vive em Lisboa)
E.T.Jaynes
Probability Theory
The Logoc of Science
Cambridge University Press, 2003
O traço expressionista de Tardi colocou Nestor Burma, um detective vagamente anarquista criado pelo novelista Malet, no cenário dos bairros de Paris assolados pelo crime. Tudo isto, é claro, antes de os franceses terem pela segunda vez um rei que perdeu a cabeça por causa de uma top model.
A agência de Burma, a Fiat Lux, operava durante a 2ª Guerra Mundial, quando a estratégia alemã de dominação da Europa era menos sofisticada e o colaboracionismo grassava entre os franceses.
Hoje em dia, num momento em que a Alemanha se remeteu a um papel secundário na História e o mundo se libertou de intrigas, custa até imaginar como é que alguém possa em tempos ter-se sentido cativado pelos ideais anarquistas.
A política vive agora de acordos e alianças mais do que de guerras. Restam, é certo, alguns constrangimentos. Mas sabemos como os ultrapassar …
“Os elevados montantes obrigam as organizações de países pequenos, como o nosso, e em que o financiamento dos sindicatos se limita, quase exclusivamente, às quotizações dos sindicalizados, a terem de declarar um número de associados bastante abaixo do real, sob pena de, pagando integralmente as quotas, asfixiarem financeiramente. (M. Nogueira, 22 de Abril de 2010, comunicação apresentada à Conferência Internacional Sindical)
Step by step, aproximamo-nos da biologização dos equipamentos… Isto, associado à teoria de Gestalt e à Sociobiologia poderá vir a engendrar uma bomba relógio!
Há que ter em consideração o facto dos sociobiólogos considerarem ser a violência e a guerra os meios mais eficazes para a selecção natural e, coincidência das coincidências, a Sociobiologia e o neoliberalismo surgiram quase em simultâneo! A ciência é considerada eticamente neutra, mas o desenvolvimento das ciências não é aleatório, depende do contexto sociológico.
The following is a list of ongoing conflicts that are taking place around the world and which continue to result in violent deaths.
A fleuma nas relações internacionais pode ser usada com tanto mais generosidade quanto maior o número de bases militares. Para quê gritar? basta sugerir – com suavidade. Até porque, como toda a gente sabe, um porta-aviões nuclear é um instrumento de Paz, não uma arma de guerra…
Abril 23, 2010 at 7:46 am
Força para todos! um bom dia de trabalho! para os 700.000 que não têm… ânimo! não desistam! não há mal que sempre dure!
Abril 23, 2010 at 9:03 am
Bom dia!
Ambiguidade do verbo ser.
…
Outro exemplo divertido que mostra que o verbo ser, usado correntemente, nem sempre designa uma relação simétrica de equivalência lógica, mas uma relação irreversível de inclusão é-nos oferecido pelo velho provérbio ‘knowledge is power’; tal como se apresenta, constitui uma verdade inquestionável, tanto nas relações humanas como na termodinâmica. Um anunciante contratado pela indústria química tergiversou-a com a forma ‘power is knowledge’, uma falsidade absurda e até obscena.
Estes exemplos lembram-nos que o verbo ‘ser’ exige, tal como outros verbos, sujeito e complementos; raramente, porém, se faz menção ao facto que o verbo ‘ser’ poder designar duas coisas totalmente distintas. Uma pessoa cuja língua materna seja o inglês pode ter que esforçar-se para distinguir tais diferenças nas duas frases: ‘The room is noisy’ e ‘There is noise in the room’. Mas em turco, tais significados são expressos por duas palavras totalmente diferentes; o que torna tal distinção tão clara que um visitante que usasse a palavra errada não seria compreendido. A segunda frase é ontológica, estipulando a existência física de qualquer coisa, enquanto que a primeira é epistemológica, exprimindo a percepção de alguém.
As expressões correntes – pelo menos em inglês – têm uma quase universal tendência para disfarçarem formulações epistemológicas em formas gramaticais capazes de sugerir ao interlocutor desavisado que se trata de uma formulação ontológica. Uma das principais fontes de controvérsia que se instalou entre os autores da Teoria das Probabilidades reside na forma acrítica com que se lidou com esta questão. Interpretar uma afirmação da segunda espécie como ontológica significa promover os pensamentos e sensações estritamente pessoais do falante em realidades com direito a existência no mundo que lhe é exterior. Chamamos a isto a falácia da ‘projecção mental’ e, na sequência, iremos deter-nos muitas vezes nas complicações que dela advêm. tais problemas estão longe de se confinar às Teoria da Probabilidade; tão logo seja levantada a questão, tornam-se evidente os seus efeitos na Psicologia da “Gestalt”, assim como em tentativas de fundamentação da Física Quântica.
Edwin T. Jaynes
Abril 23, 2010 at 9:08 am
Buenos dias!
Abril 23, 2010 at 9:18 am
Bom dia!
Abril 23, 2010 at 9:32 am
Para onde nos irá levar o avanço das novas tecnologias?!!!
Esta demonstração – da pesquisadora Pattie Maes do MediaLabs do MIT
(Massachussets Institute of Technology), coordenado por Pranav Mistry
(indiano para variar…) – foi um destaque no TED…. É um dispositivo
que se veste, com um projector que abre caminho para uma profunda
interacção com o meio à sua volta. Imaginem “Minority Report”, e então algo
mais…
Para quem não sabe, esse é um dos maiores, se não o maior dos Institutos de
pesquisa científica do mundo) e apresenta o “Sexto Sentido”, um dispositivo
tecnológico de vestuário que pode (com os condicionantes que referi atrás)
vir a mudar nossa vida no futuro…
As imagens que serão mostradas podem parecer estranhas no começo. Mas
insiste e começarás a entender a nova invenção que está sendo apresentada.
Então, ao veres as suas aplicações diárias, começas a deixar o espanto tomar
conta de ti.
Se desejares, basta escolheres legendas em Português, logo abaixo da tela
de vídeo podes seleccionares.
Prepara-te para ver o futuro…
Camilo Portela (via email)
Abril 23, 2010 at 9:33 am
#5 Embeb object not working…
http://www.ted.com/talks/pattie_maes_demos_the_sixth_sense.html
Abril 23, 2010 at 9:38 am
António Ferrão: esse texto é interessantíssimo. Já anotei o autor. Creio que foi num escrito de Heinz von Foerster (um construrivista radical) que li um exemplo de como a nossa linguagem determina a forma como compreendemos o mundo (creio que na linha de pensamento de Wittgenstein…). Um caso em que um grupo de cientistas (não me lembro de que ciência) que não compreendiam bem qual era o problema que outro grupo, com uma cultura e língua diferente, estava a tentar resolver. A formulação do problema era incompreensível, ou não fazia sentido na outra língua!
(Estes assuntos da epistemologia são fascinantes. Quem me dera poder aprofundá-los e expô-los de forma mais rigorosa, sem parecer a rábula dos Gatos “O gajo a quem aconteceu, não sei bem o quê”)
Abril 23, 2010 at 10:08 am
#7 Suomi
Tive que o mandar vir de Inglaterra, através da FNAC do Carmo (para quem vive em Lisboa)
E.T.Jaynes
Probability Theory
The Logoc of Science
Cambridge University Press, 2003
Abril 23, 2010 at 10:09 am
#8
…Logic of Science…
Abril 23, 2010 at 10:13 am
António, obrigado pela referência. O excerto em 5 é desse livro?
Abril 23, 2010 at 10:33 am
#10 Suomi
Este (pp 21 e 22) e outros que já tenho incluído em comentários anteriores. Acho uma verdadeira mina.
Abril 23, 2010 at 10:49 am
Bom dia!
Abril 23, 2010 at 11:12 am
bom dia
Abril 23, 2010 at 12:18 pm
O Anarquista Vegan
O traço expressionista de Tardi colocou Nestor Burma, um detective vagamente anarquista criado pelo novelista Malet, no cenário dos bairros de Paris assolados pelo crime. Tudo isto, é claro, antes de os franceses terem pela segunda vez um rei que perdeu a cabeça por causa de uma top model.
A agência de Burma, a Fiat Lux, operava durante a 2ª Guerra Mundial, quando a estratégia alemã de dominação da Europa era menos sofisticada e o colaboracionismo grassava entre os franceses.
Hoje em dia, num momento em que a Alemanha se remeteu a um papel secundário na História e o mundo se libertou de intrigas, custa até imaginar como é que alguém possa em tempos ter-se sentido cativado pelos ideais anarquistas.
A política vive agora de acordos e alianças mais do que de guerras. Restam, é certo, alguns constrangimentos. Mas sabemos como os ultrapassar …
“Os elevados montantes obrigam as organizações de países pequenos, como o nosso, e em que o financiamento dos sindicatos se limita, quase exclusivamente, às quotizações dos sindicalizados, a terem de declarar um número de associados bastante abaixo do real, sob pena de, pagando integralmente as quotas, asfixiarem financeiramente. (M. Nogueira, 22 de Abril de 2010, comunicação apresentada à Conferência Internacional Sindical)
Mais si!
Abril 23, 2010 at 12:28 pm
#2 e #5
Step by step, aproximamo-nos da biologização dos equipamentos… Isto, associado à teoria de Gestalt e à Sociobiologia poderá vir a engendrar uma bomba relógio!
Há que ter em consideração o facto dos sociobiólogos considerarem ser a violência e a guerra os meios mais eficazes para a selecção natural e, coincidência das coincidências, a Sociobiologia e o neoliberalismo surgiram quase em simultâneo! A ciência é considerada eticamente neutra, mas o desenvolvimento das ciências não é aleatório, depende do contexto sociológico.
Abril 23, 2010 at 12:31 pm
Desculpem as gralhas, mas a pressa é inimiga da perfeição…
Abril 23, 2010 at 12:34 pm
#15
Intróito a um assunto merecendo “insights” mais demorados: aguardemos. Estará relacionado com este artigo de Olga CHETVERIKOVA?
Abril 23, 2010 at 12:39 pm
Isto é tudo mais velho que a Sé de Braga. Tem milhares de anos.
Abril 23, 2010 at 12:49 pm
#17
Está, digo eu!
Abril 23, 2010 at 12:55 pm
The following is a list of ongoing conflicts that are taking place around the world and which continue to result in violent deaths.
A fleuma nas relações internacionais pode ser usada com tanto mais generosidade quanto maior o número de bases militares. Para quê gritar? basta sugerir – com suavidade. Até porque, como toda a gente sabe, um porta-aviões nuclear é um instrumento de Paz, não uma arma de guerra…
Abril 23, 2010 at 1:12 pm
Bom dia.
Abril 23, 2010 at 2:29 pm
Abril 23, 2010 at 2:36 pm
Ontem, em Atenas
Abril 23, 2010 at 4:38 pm
Soluções do século passado, como diria Fernando Pinto:
A nine-week cleaning strike left parts of the Netherlands looking like a refuse dump. The cleaning crews returned to work after their demands were met.