Março 2010


ACTO DE CONTRIÇÃO

O crítico não deve dizer apenas mal disto e daquilo, ou de fulano e sicrano. Também deve dizer tudo o que ache positivo ou esteja a ser bem feito, no domínio que escolheu para criticar.

Eu pecador me confesso. Por isso vou hoje tentar redimir-me dos possíveis pecados ou excessos críticos.

Vou esforçar-me por dizer bem das pessoas e das instituições que já critiquei se calhar exageradamente.

Começo pela pessoa que mais tenho visado com as minhas críticas: José Sócrates, o primeiro ministro de Portugal.

Vou procurar dizer tudo aquilo que se poderá considerar positivo na política desenvolvida por Sócrates desde que é Primeiro Ministro deste país.

Ora, em minha opinião…Sócrates fez bem… tudo isto que vou dizer, sem qualquer hesitação. Entre outras coisas, Sócrates fez …, isto é… bom…, … ou seja…, ( desculpem, mas não me lembro agora de nada…).

Lá estou eu a exagerar…

Mas sendo um pouco mais justo com Sócrates, sempre direi que, sem ele no governo, Portugal teria hoje em dia muito menos diplomados com o 12º ano ( embora a saber exactamente o mesmo que sabiam com a quarta classe).

Sem Sócrates no governo, a Mota Engil não teria contratado o mais influente administrador que já teve ( Um senhor que se demitiu do governo Guterres, sem ninguém ter percebido porquê…), e, portanto, seria uma empresa menos cotada na Bolsa…

Sem o Engenheiro Sócrates no governo, a Justiça não seria tão célere a resolver certos processos ( mesmo que seja, pela destruição de provas ou de arquivamentos).

E mais:

Sem este primeiro ministro, que seria de certos políticos de carreira, hoje tão importantes, como A. Santos Silva, José Lello, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão, e outras  sumidades assim?

Concluindo, Sócrates não é como dizem uns ( sendo um deles eu próprio)  um político assim tão mau; ou, como dizem outros, um político assim  tão extraordinário.

Sócrates, em minha opinião, é apenas um político um pouco abaixo do medíocre, e nada mais. E asseguro-vos que, agora, não estou a exagerar.

Cunha Ribeiro

Um assunto que me interessa muito!
Gostava de saber a Vossa Opinião.

Digam-me:

QUAIS AS TAREFAS DE UM PROFESSOR? QUE DEVE FAZER UM PROFESSOR, ENQUANTO PROFISSIONAL?

QUAIS OS DEVERES ( competências e obrigações deve assumir) UM PROFESSOR NA ESCOLA DO SÉCULO XXI?

PEDRO VARGAS

Índice 245 – actuação variada na transição prevista na proposta III de alteração ao ECD

(c) Francisco Goulão

Aquela que foi ganha o ano passado por Lucílio Baptista.

Estou um bocado cansado, está aí a última semana de aulas (testinhos todos feitos e corrigidos, faltam os meneios da avaliação dos cadernos e autoavaliação da praxe) com toda a ganga de papelada por preencher e até tenho muito bom livrinho para ler, incluindo umas bandas desenhadas simpáticas, mas há dois assuntos que algumas incidências dos últimos dias me aconselham a desenvolver  om um pouco mais de atenção.

A saber:

  • Até que ponto a auto-regulação pode ser um mecanismo de autonomia (mesmo que progressiva) da classe docente em relação à indiferenciação que se pretende para todos os funcionários do Estado e como essa autonomia se pode tornar algo permanente e não transitoriamente decorrente de acordos.
  • A exposição factual do que se tem passado neste primeiro trimestre e 2010 em matéria de negociações entre sindicatos e ME, apresentando a leitura que é feita a nível oficial pelo movimento sindical (ou parte dele, com implícita validação da tutela) e aquilo que algumas (bastantes em alguns círculos) pessoas melhor informadas e consideram ser a minha teoria da conspiração.

Como se nota, passa por aqui um desejo de provocar algum aclaramento de posições – quiçá mesmo um debate a rasgar -  nem que seja na base da boa e velha discussão sobre o que andamos aqui a fazer, qual o papel das vanguardas e rectaguardas, para não falar das massas, sejam as humanas sejam as outras, aquelas mesmas que dão um certo jeito às ditas cujas humanas para que possam continuar a comprar melões na praça, daqueles grandes que não cabem em fruteiras sem asas.

Para que conste: mesmo em rascunho, não serão usadas canetas Montblanc exactamente por causa da carência da segunda espécie de massas ou então porque a canalização do magros excedentes se faz para material supérfluo, nomeadamente livralhada.

Agradecendo as referências ao António Duarte e sublinhando que por vezes há acasos engraçados.

Post do Umbigo de dia 2 de Março, nas vésperas de ir a Castelo Branco falar sobre o assunto:

Ainda Aquilo Da Auto-Regulação Da Profissão Docente Com Umas Pitadas De Religião À Mistura

Que alguns associam de forma exclusiva, e erradamente, à existência de uma ordem dos professores. Mas que poderia ser um Conselho Superior das Profissões da Educação. Alargado a outras profissões ligadas à Educação.

Mas não é isso que me interessa agora mais.

Estou mais ocupado com a constatação – óbvia – de ser essa uma função que existe principalmente no mundo anglo-saxónico. Os códigos de ética e deontologia da prática docente são muito mais frequentes nos EUA, na Inglaterra, Austrália, no Canadá.

Declarações do SE Ventura ao DN de ontem:

Secretário Estado favorável a instância de autorregulação profissão de professor e de código deontológico

Braga, 20 mar (Lusa) – O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, mostrou-se hoje em Braga favorável à criação de uma instância de autorregulação da profissão de professor e da elaboração de um código deontológico.

O governante disse que o órgão de autorregulação deve ser objecto de um debate que “importa prosseguir no seio das organizações representativas dos educadores e dos professores”.

Na opinião de Alexandre Ventura, ao órgão, que poderia chamar-se de “conselho superior das profissões de educação”, competiria “garantir a qualidade do serviço educativo no interesse das crianças e dos jovens, das famílias, da sociedade e dos próprios profissionais da educação”.

Que se anote que não assino acordos e sei que há certas ideias que podem ser partilhadas sem que necessariamente decorram do ruído dos blogues.

.

(gamanço óbvio de ideias e conceitos assisti eu há umas duas semanas em sessão pública e consegui calar-me para não estragar a apresentação do powerpoint de uma certa e determinada investigadora que bordeja nas mesmas águas investigativas que me levaram este fim de semana a Lagos)

A ler e a reler de fio a pavio nas suas 12 respostas, no Expresso de ontem, de António Gamboa, Director do Agrupamento de Escolas da Damaia (a imagem foi recolhida no Marquesices).

Algumas passagens:

Este agrupamento era até há pouco um dos mais problemáticos do país. Como conseguiu inverter isso?

Punimos exemplarmente a indisciplina, com a noção de que isso é normalmente um paliativo em relação a uma situação mais abrangente que se passa na sociedade. Por issso, fizemos parcerias que nos ajudam a actuar na comunidade e junto das famílias.

(…)

Os problemas existem apenas entre as famílias mais carenciadas ou são generalizados?

Não tem directamente a ver com o estrato social, ams com a desorganização familiar, seja porque o pai emigrou e a mão está fora o dia inteiro a trabalhar, seja por causa de um divórcio em que os meninos são joguetes nas mãos dos pais ou porque estão horas à frente dos computadores sem que ninguém os controle.Parece que estou com um discurso de uma pessoa com 90 anos, mas a verdade é que isto acontece. Os pais desresponsabilizam-se, o que provoca uma inversão de valores e novas formas de indisciplina e violência.

(…)

Mas nem todos os professores estão preparados para lidar com isso…

Um docente não pode ir com receio para a sala de aula. As direcções têm obrigação de fazer sentir aos professores que têm um apoio por trás, que não estão isolados. Mas também é preciso treinar os professores.

É possível uma escola hoje em dia funcionar só com professores e auxiliares?

Não. Há realidades muito complexas que exigem que outros técnicos nos ajudem. Precisamos de psicólogos, investigadores, mediadores e animadores.

Estão a ver como fala alguém que percebe o que é uma escola problemática, no seu quotidiano diário? Que expõe as coisas de forma directa e sem as complicações meta-coiso que envolvem o discursos dos especialistas? Aqueles que tratam caso a caso as situações, no gabinete em horas escolhidas, e não estão propriamente no terreno?

A crónica de Daniel Sampaio hoje no Público já não é tão aérea como a da semana passada, mas ainda entra por aquele tipo de divagação que até nos pode dar algum prazer intelectual ler mas que, na prática, é assim como que coiso e tal em matéria de o que quer isto dizer para pessoas assim  como que normais?

Se a escola iniciar um trabalho cooperativo, com pronto auxílio e referenciação para ajuda especializada (se for necessário) dos estudantes-vítima e ao mesmo tempo proceder à averiguação diversificada da responsabilidade dos alunos agressores, obterá resultados significativos.

Confesso que o CDS é o único partido com uma posição clara e consistente, ao longo do tempo, nesta matéria. Podemos concordar ou discordar, mas há muito que Paulo Portas fala nisto e notava-se ainda na sexta-feira à noite o ar de gozo com que Nuno Melo opinava na RTPN sobre estes temas acusando a esquerda do descalabro da disciplina na Escola Pública, perante um embaraçado António Filipe.

Só que nas propostas apresentadas hoje, mais do que uma concepção inovadora e alternativa à vigente nos últimos 20 anos no sector da Educação, apenas se nota uma diferença de tom e medidas mais paliativas do que preventivas.

Não é que discorde globalmente do que é proposto, mas há mais que fazer a jusantes. Isto é o equivalente a enviar mais bombeiros para apagar fogos e penalizar mais os incendiários, sem que se aposte na prevenção, na limpeza das florestas e na vigilância antes dos fogos acontecerem.

É importante, mas não chega.

CDS-PP quer fim do «muro de silêncio» sobre violência escolar

O CDS-PP defende que é preciso acabar com o «muro de silêncio» sobre a violência escolar. Para o Estatuto do Aluno o partido quer o chumbo para os alunos com faltas injustificadas e apoio social para os que tiverem melhores notas.

A melhor ideia mesmo é que se debata abertamente este assunto na sociedade, sem aquela atitude defensiva que tem caracterizados o poder político de quase todos os quadrantes nesta matéria.

Ainda este fim de semana ouvi outro relato de um órgão de gestão mais preocupado em preservar a imagem da escola do que em acudir de forma efectiva à solução de problemas no seu interior.

… mas convenhamos que é muito, mas mesmo muito, muito pouco provável e nem sei se valeria de grande coisa.

Tipificação de agressões a professores como crime público “é uma possibilidade”

Já estou cansado de dizer: mudem o discurso global sobre a Educação, deixem-se de tretasdesculpabilizadoras e de promoção do sucesso a qualquer custo.

Deixem de mostrar a Escola como o reino das novas oportunidades, onde se ganham diplomas só por lá passarem uns tempos.

Apresentem a Escola como um local de convívio, mas também de trabalho, agradável para se estar, mas também para se fazer alguma coisa de significativo para o futuro.

Apresentem os professores como profissionais dignos de respeito e não como saco de porrada de políticos dominicais, especialistas de ocasião, valteres, albinos, rangéisemídios e outros tavares.

Está terminada a  investida meridional, agradecendo a simpatia das drªas Tânia Fernandes e Sara Carvalho, assim como o sacrifício do Rui Loureiro, anfitrião de outros tempos com outros temas, há coisa de uma década atrás.

Audiência reduzida, mas selecta, com o brincalhão a fazer a devida entrega do Cabeça de Burro de 2007 e a Olinda a ver extraviada a sua entrega.

Colocámo-nos em fuga à aproximação das claques lampionas e dragonas, que isto não está para este tipo de companhias.

Entretanto, a Primavera surgiu em todo o seu esplendor.

Francq, Largo Winch

Cake, Never There

Vou fazer uma cura com mais de 24 horas de abstinência de net, o que também faz falta. Posts, salvo algum incidente, só os pré-programados, portanto, survam-se deste até á música da noite.

O resto da entrevista ao JN é algo tão confrangedor, que até dói. Só falta aos entrevistadores (entre os quais o director do jornal, o solícito Leite Pereira) servirem chá e bolachinhas ao sofredor engenheiro.

José Sócrates: “Comissão de inquérito só serve para me atacar”

Alegre arrasa PEC, ataca Cavaco e sugere regionalização

Ora vamos lá por partes:

1 – Arrasar o PEC vai bem, em especial quando se prevê aumentar impostos para quem ganha menos de 600 euros, mas se esquecem as mais-valias, numa linha em que os pobres e remediados que paguem a crise, pois os ricos estão deprimidos porque chove e não dá para jogar golfe todos os dias.

X – Atacar Cavaco é normal.

2 – Defender a regionalização é uma asneira, ainda maior no actual contexto de crise. Para quê? Mais nomenklaturas partidários intermédias? Sei que cria emprego, mas só suga dinheiros públicos.

Jovem arrisca-se a ser presa por ter tido relações sexuais pelo telefone com detidos

Lá chateei o senhor e ele foi ao armazém. Afinal não eram caixotes, mas pouco mais de uma centena de Falcões e Condores de há 30 anos, mais uns Fantasmas, Mandrakes, Aventuras do FBI, Tex, Guerra e outros exemplos de um mainstream que agora atinge foros de nostalgia mesmo se já à data, no caso destas aventuras do Major Alvega, já eram reedições.

Trouxe uns 40 para entulhar ainda mais a casa, numa fuga à hora de almoço de 6ª feira. Por vezes, há que ser auto-complacente para combater a chuvinha irritante.

PROGRAMA DE COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA DA CÂMARA MUNICIPAL DE LAGOS

20 – Salão Nobre dos Antigos Paços Concelho, 17h30
- Paulo Guinote “Quotidianos Femininos Alternativos” e Natividade Monteiro “Educação, Feminismo e Cidadania na República”

Ciclo de conferências “As Mulheres na República”, em colaboração com as “Faces de Eva”, da Universidade Nova de Lisboa

Pela parte que me toca irei falar de prostituição, criminalidade, homossexualidade e adultério no feminino (que implicam, pelo menos em duas situações, alguma colaboração masculina) durante a I República.

É uma nova, mesmo se breve, digressão pelos meus temas favoritos de há 20-25 anos, que despertavam entre o horror (Iria Gonçalves, nº 2º ano, para quem fiz um trabalho sobre o pecado na Idade Média) e o sorriso (António Reis, que primeiro permitiu a publicação de algumas das primeiras digressões nestas matérias) aos meus professores de então, não esquecendo os progressistas que viam isto como mau sinal de historiografia fracturante (Fernando Rosas, antes da conversão ao pós-modernismo utilitarista).

Tudo ficou mais ou menos cristalizado em tese com 15 anos, sob orientação do professor A. H. de Oliveira Marques, a quem muitos morderam a mão que lhes deu de comer com argumentos anti-fracturantes. Pois, a vidinha é engraçada e os homens (e mulheres) só a fazem mais divertida.

E pronto, fiz a minha digressão autobiográfica, com uma pitada de bílis à mistura, da manhã.

Deve ser da chuva,

William Vance, XIII (personagens femininas, claro…)

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