Março 2010


Nuno Saraiva

UB40, Bring Me Your Cup

Ipsss…

NOVA DERROTA DA DRELVT, EM TRIBUNAL

Não satisfeita com a derrota na 1ª instância, a DRELVT perdeu também o recurso referente ao processo eleitoral da directora do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes. Na sequência da decisão do tribunal, a DRELVT foi obrigada a destituir a Directora, a nomear uma Comissão Administrativa Provisória (presidida pela directora destituída por ordem judicial) e a dar orientações para abrir um novo processo concursal para eleição de um novo director.
- Será que ninguém pede contas ao sr. DREL sobre a incompetência que tem demonstrado em muitas das suas decisões, e que só o tribunal o tem forçado a alterar?
- Será que ninguém pede/exige ao sr. DREL para divulgar os processos judiciais em que a DRELVT se tem visto envolvida, as decisões finais e os respectivos custos, nos casos de derrota da DREL?
- Será que ninguém avalia os serviços jurídicos da DRELVT que, manifestamente, têm demonstrado ser incompetentes nas interpretações que fazem das leis e que, depois, servem de base para as decisões do Sr. DREL?
- Será que ninguém avalia a importância desta incompetência na descredibilização de órgãos que deveriam ser o “porto seguro” das escolas, no apoio e esclarecimento às suas dúvidas?
- Será que ninguém tira consequências de tudo isto?

Docente devidamente identificado(a)

Chegou o relatório da IGE (ainda não está online) com quatro Bons e um Muito Bom para a Liderança. Merecido que a nossa chege é a Maior. Quem diz que eu não convivo bem com lideranças fortes, meu caro Kafkazul? Aliás, só com uma liderança forte é possível que as bases iluminem para além da sua sala, ou mesmo dentro dela.

Já se percebeu que os reajustamentos do currículo do 3º CEB estão a seguir uma metodologia de preparação que deixa imenso a desejar.

Na peça de hoje do Público a esse respeito, João Formosinho tece considerações verdadeiramente admiráveis para tudo ser delineado no sossego dos gabinetes e sem consultar os chatos dos professores, esses meros executores dos projectos de uma elite iluminada pela leitura.

Isolo dois argumentos que considero dignos de uma antologia de como não fazer as coisas, para além daquele que abordei mais detalhadamente no post abaixo.

Para João Formosinho, ouvir os especialistas é uma maneira mais “isenta” do ME trabalhar. Explica: apesar de a maioria dos professores pensar que os currículos são muito extensos e há demasiadas disciplinas, já não há consenso sobre onde e o que cortar.

E continua dizendo que seria perda de tempo ouvir as associações profissionais de professores. Ora bem, isto é a passagem de um atestado público de menoridade intelectual e facciosismo aos professores, esquecendo-se que TAMBÉM há consenso sobre onde e como cortar: desde logo nas ACND e nas excrescências curriculares – essas sim  – criadas para alimentar algumas clientelas particulares. Para além disso, ficamos a perceber que os especialistas não têm sexo disciplinar e que são muito neutros, isentos e tudo o mais, algo cujos efeitos estamos fartinhos de comnprovar na prática, a cada reforma ou reajustamento feito desta maneira.

Mas há ainda melhor:

    Se em outras alturas, como nas reformas de Roberto Carneiro ou de Marçal Grilo, houve a preocupação de ouvir os professores, desta vez ainda não se sabe como a tutela irá gerir este processo, que deverá entrar nas escolas já no próximo ano lectivo. João Formosinho pensa que “a sociedade não está mobilizada”. E diz que “a situação actual é muito diferente” da das reformas anteriores.

      Numa coisa concordo: a situação é diferente. Mas é diferente exactamente no sentido inverso. Nunca a sociedade esteve tão mobilizada e atenta às questões educacionais.

      Aliás, acho que o receio da tutela e dos especialistas é mesmo esse. Que os professores ou a sociedade façam saber de forma clara e directa o que pensam dos erros cometidos no passado e quais os responsáveis. Assimé mais fácil fazer tudo em circuito fechado e, perante eventual novo falhanço, acusar os executores das belas ideias por as não terem sabido entender e implementar devidamente. De forma isenta, claro.

      Eu ainda não divulguei ainda uma troca de mails que tive com o colega Manuel Henrique Figueira, adepto da corente da Escola Moderna e que muito parece ter-se aborrecido com umas declarações que fiz há um par de semanas paera o Expresso contra as aulas de 90 minutos nos 2º e 3º CEB por considerá-las contraproducentes.

      Escreveu-me ele (e mandou para a jornalista) um conjunto de considerações em que acusava a minha visão de estar parada no tempo do modelo do mestre-expositor na sala de aula, que debita na matéria e não sabe como aproveitar o tempo de uma aula mais longa.

      Nada de mais errado, disse-lhe eu. Aquilo de que tenho consciência é que, com uma aula semanal de 90 minutos de História nenhum método funciona de molde a tornar atractiva a disciplina e eficaz a leccionação de um programa extenso. Respondi-lhe, e reafirmo, que prefiro 2 aulas de 50 minutos do que uma semanal de 90, 100 ou 120, exactamente para ser possível abordar uma tema de forma teórica não muito alongada, com trabalho prático complementar.

      Dito isto, não é que hoje leio, nas páginas do Público, o especialista João Formosinho, afirmar que as aulas de 90 minutos é que são óptimas, porque as de 50 minutos no 3º CEB só dariam «para transmtir matéria, não dando espaço a outras actividades em sala de aula»?

      Mas em que mundo vive João Formosinho? Acaso ele supõe que, no contexto de uma turma de 3º CEB, na generalidade das disciplinas, alguém, em algum momento, faz exposições de 50 minutos, ou 40 ou mesmo 30? Acaso ele pensa que se vive, nos 7º a 9º anos, o ambiente sereno (estou a esconder o sorriso…) e reflexivo de uma aula de um curso universitário, daquelas de 2 ou 3 horas, em que o mestre debita, perante o tédio geral, a sua sapiência, quantas vezes servida em tons mornos?

      Ressalve-se desde já que nunca assisti a nenhuma aula ou conferência de João Formosinho (falha minha), investigador que respeito e admiro por alguns dos seus estudos. Mas duvido que, por muito cativante que seja, consiga lidar de modo satisfatório, por poucas semanas que seja, com uma turma média (nem falo das problemáticas), real, de uma qualquer EB 2/3 ou Secundária.

      E é essa clivagem imensa que divide os teóricos que abordam estas questões do lado da reflexão livresca, com base em números, estudos e experiências-piloto controladas , e quem trabalha no terreno com os alunos reais, com rosto, voz, corpo e olhar, sem que isso implique perda de capacidade de reflectir sobre a sua profissão.

      Há quanto tempo não assiste João Formosinho a aulas no Ensino Básico? Tem João Formosinho, em mãos, algum estudo que, com base na opinião de professores e alunos, demonstre a justeza do modelo único da aula de 90 minutos para o currículo do 3º CEB?

      Ou será mais isento – nas suas palavras – ouvir apenas os especialistas, sem o ruído da vida real?

      Não me venham dizer que os professores básicos só conseguem ver o seu quintal, como há uns anos alguns comentadores e opinadores gostavam de dizer. Mesmo que assim fosse, o seu (meu) quintal é exactamente o quintal onde as coisas se passam.

      Sim, é verdade que os 90 minutos funcionam em algumas disciplinas e em alguns momentos de outras.

      Mas sim, também é verdade que é muito difícil achar adeptos desta modalidade, em especial com currículos fragmentados em fatias disciplinares semanais de 90 minutos ou mesmo com duas fatias dessas.

      Afirmo com toda a clareza que, exactamente para combater a tentação do vício do magister dixit me são muito mais úteis 3 ou 4 aulas semanais de 50 minutos do que duas de 90 e por ceerto duas de 50 minutos distribuídas numa semana são muito mais eficazes, sob quase todos os pontos de vista, do que uma aula isolada de 90 de semana em semana.

      O problema é que os especialistas, pelo menos alguns, do alto da sua cátedra, dizem que não. Que as aulas de 90 minutos servem porque 50 deles são para «transmitir matéria».

      Querem exemplo maior de magister dixit?

      Claro que fico! E depois? Fica mal que alguém sinta que aquilo que faz merece algum destaque? Nem sequer recebi subsídio da FCT ou fui contratado para um qyualquer grupo de trasbalho para fazwer em meses um relatório que se faz num par de semanas.

      Público, 22 de Março de 2010

      Escolas: cinco exemplos de boas práticas

      Só gostaria de acrescentar que uma das escolas em causa é aquela onde um comentador aqui do blogue foi violentamente agredido à porta da escola pela ditosa descendência de um outro colega docente. Pelos vistos melhoraram de práticas com muita rapidez…

      … porque este tipo de notícias costuma ser plantado para justificar…

      Água custa ao Estado 500 milhões por ano

      .. mas infelizmente, entre nós, como se considera(va?) que o bullying e violência nas escolas eram mitos destinados a discriminar os pobrezinhos (é uma das vertentes mais lamentáveis da corrente eduquesa-sebastiânica), é muitas vezes indispensável começar o processo ao contrário, para que as coisas entrem nos eixos.

      Combate ao bullying a nível internacional é centrado na escola

      O plano elaborado pelo norueguês Dan Olwen, que foi o inventor do conceito de bullying, tem tido resultados extraordinários, garante investigadora.
      O combate ao bullying continua a ser, na maior parte dos países, uma missão mais atribuída às escolas do que aos tribunais. A Finlândia é dos poucos que já especificou, na lei, este tipo de violência escolar, que se distingue pelo seu carácter persistente e intencional. Os agressores podem ser punidos com penas que vão desde o pagamento de multas à restrição de movimentos; e as escolas onde os actos ocorrem podem ser processadas por negligência.

      (c) Francisco Goulão

      “Violador de Telheiras” agredido por Mário Machado, líder dos skinheads

      Nomeadamente a não utilização de fundos públicos para a IVG:

      Obama faz história com aprovação da reforma da saúde

      São os tempos. Antes chegava-se ao Governo depois de demonstrar compoetência na vida profissional. Agora vai-se para o Governo e depois é que se arranja uma boa colocação profissional. Se possível em empresa ligada ao sector de actividade tutelado.

      Mário Lino estudado para chairman da Cimpor

      André Juillard

      (depois da música, esta aguarela também é dedicada ao Gundisalbus porque a moçoila se não é de esquerda é, pelo menos, algo rouge…)

      Alexander O’Neal, Criticize

      Pois… é melhor não comentar tudo aquilo que pousou no prato da minha aparelhagem durante os anos 80.

      No início dos anos 80, tinham uma tiragem acima dos 10.000 exemplares. Apesar de muito mainstream, agora ainda apelam à nostalgia. PDI, é o que é…

      Com uma dúzia de mini-biografias…

      Estimado colega,

      Apresento um relato que talvez seja motivador de reflexão do estado a que chegou o satus social de quem é trabalhador da Administração Pública:

      Uma aluna do ensino secundário comentava despudoradamente que “os professores já ganham muito, e por isso, não têm razão em fazer greve. Ganham no mínimo €1500, muito mais que o salário mínimo de muitas outras pessoas, e ainda protestam para ganhar mais. O funcionário público já é bem pago, e com o país nas condições em que está, ainda acha que devia ganhar mais”. Quando retorqui que seria irónico se um dia fosse trabalhadora do Estado, e portanto, se continuaria a possuir esse discurso, respondeu que “efectivamente, com as notas que tenho [que são baixas], o meu destino é ser funcionário público…”.

      Se acrescentar à equação que a sua família é de classe alta, e que era apoiada por mais 4 colegas na sua opinião, e que ao longo do último ano não foi a única vez em que foram expressas opiniões desta índole por outros alunos, fui obrigado a concluir, com alguma náusea ‘sartreriana‘, que existe um conjunto significativo de encarregados de educação que apresentam ódio, desprezo e animosidade em relação à classe docente. Esta inferência é baseada no simples facto de que não acredito que, genericamente e honrando excepções, estes adolescentes tenham um nível cultural suficientemente elevado para produzirem opiniões individuais sobre temas políticos, económicos e sociais; eles reproduzem o que ouvem em casa…

      Deste modo, concluo que considera-se o trabalhador com funções públicas (utilizando o novo jargão jurídico) aquele que:

      - não tem lugar em mais nenhum lugar da sociedade,

      - possui um baixo nível cultural e académico,

      - não possui competências de excelência

      - contribui para o mau estado das finanças públicas,

      - lhe é conferido aquilo que não merece e portanto não tem direito à indignação, contestação e indignação

      Como se pode trabalhar com utentes que psicologicamente possuem uma indisposição em relação aqueles que lhes prestam serviço?

      Como pode um professor trabalhar com alunos que já não respeitam socialmente a sua profissão?

      Como é possível lutar contra o maquiavelismo e a destruição do Estado social quando futuros profissionais da educação afirmam “Regalias, horas, férias, isso não interessa desde que tenha emprego” (Soraia Fernandes, de 18 anos, aluna do primeiro ano de Educação Básica na ESEL)?

      Como é possível impedir a destruição de conquistas civilizacionais se os futuros adultos já estão formatados para aceitarem a escravização como uma normalidade social?

      Esta animosidade é mais uma acha na fogueira ateada por determinados interlocutores interessados unicamente em desviar recursos financeiros para alimentar a matilha de lobos esfaimados das mordomias…

      Mário Silva

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