Março 2010


Tal como no sistema de Saúde, na Educação a sangria continua. Os efeitos perniciosos de uma péssima gestão de recursos humanos irão fazer-se sentir bem mais depressa do que eu próprio pensava.

Reformas já causam falta de professores nas escolas

Só este ano aposentaram-se 1106 docentes. Já há disciplinas com falta de oferta.

“Tivemos de distribuir dez turmas por professores de português que já tinham os horários completos. Não houve alternativa: duas professoras puseram baixas de 30 dias e não encontrámos ninguém para as substituir.” O caso, passado num agrupamento da Grande Lisboa, ilustra as dificuldades que a corrida às reformas pelos professores, associada à escassez de alternativas, começa a criar nas escolas públicas portuguesas.

Segundo dados divulgadas ontem pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), só este ano já foram anunciadas em Diário da República 1106 aposentações, muitas delas a efectivar ainda no mês de Abril. Desde 2007, são já 14 159 as saídas de quadros, com o pico a verificar-se no conturbado ano de 2008 (4976), marcado por muitas lutas entre a classe e o Ministério da Educação.

Por outro lado – ao contrário de outros tempos -a profissão é cada vez menos sedutora para os estudantes do superior, que ano após ano, vão deixando mais lugares por preencher nos cursos de Educação.

Segundo apurou o DN, há neste momento quatro áreas disciplinares – na “bolsa de recrutamento” – em que a oferta de “mão-de-obra” é quase nula: o Inglês, a Informática, a Geografia e a Físico-Química.

Só conhecendo os detalhes desta situação poderia dar uma opinião mais fundamentada, mas quer-me parecer que isto não pode ser assim.

É verdade que pelo próprio sistema de avaliação em vigor para os professores há situações deste tipo que podem acontecer, só que por outras razões.

Mas nos termos em que é apresentado este caso na peça, acho que não é possível este desfecho ser validado em termos jurídicos. Aliás, a ser assim, alguém se lembrou – quando da aprovação da lei citada na peça – de suscitar a evidente inconstitucionalidade desta norma?

E por onde andam as fernandascâncios deste país quando precisamos delas, caso as coisas sejam mesmo assim?

Funcionárias que progridem em licença de maternidade sem retroactivos

Uma professora de Famalicão nem queria acreditar quando recebeu do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação uma notificação para devolver os retroactivos da sua progressão, por ter estado em licença de maternidade. Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) alerta: «Esta situação afecta toda a Função Pública»

Ela está de volta, mesmo que episodicamente, e eu ouvi, com estes tímpanos incrédulos, a voz irritada no noticiário da TSF:

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues afirmou esta quarta-feira que a “cara do computador Magalhães não estava pintada nas especificações técnicas” definidas pelo Governo, rejeitando qualquer favorecimento à empresa JP Sá Couto.

Pedindo desculpa pelo atraso na divulgação que será mais eficaz para a próxima sessão:

Por inerência da minha profissão, lido com adolescentes todos os dias. Sou professora de Filosofia e Psicologia e lecciono no ensino público há mais de vinte anos. Sei que sou suspeita para o afirmar, mas acho que sempre tive facilidade em lidar com esta faixa etária.
Crio facilmente com os meus alunos uma relação de empatia, confiança, autoridade e cumplicidade. Sei ouvi-los, compreendê-los, estou atenta às diferenças individuais e às fragilidades tão usuais nestas idades. Mas o problema da minha filha, reconheço, tornou muito mais difícil a minha relação com os meus alunos. Não tenhamos ilusões: qualquer actividade profissional é afectada pela nossa fragilidade emocional, pela simples razão que não conseguimos dissociar as várias componentes que nos caracterizam.
É impossível entrar na sala de aula e deixar à porta os valores em que acredito, as minhas convicções e as minhas emoções.

Link para o primeiro capítulo.

Eu acho que só enlouquecendo, ou sendo meio-louco, é possível viver neste manicómio à beira mal plantado.

Ler o resto.

Jim Holdaway, Modesty Blaise

David Bowie, Sound and Vision

10 Ways Teachers Can Help Prevent School Violence

(…)
1. Take Responsibility Both Inside Your Classroom and Beyond
While most teachers feel that what happens in their classroom is their responsibility, less take the time to involve themselves in what goes on outside of their classroom. In between classes, you should be at your door monitoring the halls. Keep your eyes and ears open. This is a time for you to learn a lot about your and other students. Make sure that you are enforcing school policy at this time, even though this can sometimes be difficult. If you hear a group of students cursing or teasing another student, say or do something. Do not turn a blind eye or you are tacitly approving of their behavior.

Desgasta, pode provocar chatices, nem sempre dá para prever o que se vai passar, mas sem ser assim…

… mesmo assim estará um pouco à frente – sem ser na conceptualização, claro! – do que se faz por cá, salvo honrosas excepções:

Strategies to Keep Schools Safe

School violence is a serious problem, especially in public schools. Improving the quality of American education is difficult without also addressing school violence, since regardless of how good the teachers or curriculum are, violence makes it difficult for students to learn.

School violence wears many faces. It includes gang activity, locker thefts, bullying and intimidation, gun use, assault—just about anything that produces a victim. Violence is perpetrated against students, teachers, and staff, and ranges from intentional vendettas to accidental killings of bystanders. Often, discussions of school violence are lumped together with discussions of school discipline generally, as both involve questions of how to maintain order in a school.

We divide school violence-prevention methods into three classes—measures related to school management (that is, related to discipline and punishment), measures related to environmental modification (for instance, video cameras, security guards, and uniforms), and educational and curriculum-based measures (for instance, conflict-resolution and gang-prevention programs). All methods have their advantages and disadvantages.

Our research leads us to the following conclusions:

There is no one-size-fits-all solution.

Estudo completo.

Só a denúncia, devidamente fundamentada, de casos concretos pode ajudar a combater um fenomeno que é errado ocultar em nome de interesses que nem sempre se entendem, nem são os mais sinceros.

Medo na escola

Joana já não sai de casa, estuda numa plataforma do ensino móvel. Chegou a pesar 45 quilos. Os pais de Joana só perceberam o que se passava com a filha nove anos depois de perseguições na escola. Joana era das melhores alunas da turma. Foi humilhada, perseguida, afastada dos amigos. Terá sido condenada por professores e contínuos.

Recebi para aí uma dezena ou mais de mails com a proposta do CDS para alterar o Estatuto do Aluno na forma de um powerpoint com 13 slides.

Embora menos atractivo, prefiro ler mesmo o projecto de lei entregue na Assembleia da República para debate na 6ª feira.

É difícil dizer que alguma coisa me provoca desafeição. Mais do que alguns aspectos mais restritivos (como a redução do número de faltas injustificadas permitidas e os seus efeitos) desta proposta, acho importante que o tom com que estes assuntos são abordados na opinião pública mude e deixe de oscilar entre o baixar o pau neles e a desculpabilização permanente.

Em suma, se estas propostas forem aprovadas, o Estatuto do Aluno ficará certamente melhor, mas tanto melhor quanto exista a vontade de o levar à prática, o que nem sempre acontece ao nível dos órgãos de gestão, nem é bem visto em alguns ambientes centrais ou intermédios do ME.

Tinha já recebido esta carta por mail uma svezes, mas sem autoria atribuída, pelo que não quis postar. Para além do testemunho, são também interessantes os links que lhe foram adicionados:

Carta de uma professora desesperada

Numa altura em que o ambiente que se vive dentro das escolas está na ordem do dia, pedi a uma amiga que é professora no ensino público há 14 anos para me descrever como é hoje exercer essa profissão.

Herói de Jacques Martin visita Lisboa em novo livro

‘Portugal’, com texto e desenhos de Luís Diferr, é editado pela ASA em Abril.

Chama-se simplesmente Portugal, e será o quinto volume criado em torno de Loïs, um herói do século XVII que foi das últimas personagens imaginadas pelo recentemente falecido Jacques Martin, autor universalmente conhecido pelas aventuras de Alix (uma das mais populares séries da história da banda desenhada franco-belga). Com desenhos do português Luís Diferr, Portugal terá edição francesa, em meados de Abril, pela Casterman, devendo a edição portuguesa, pela ASA, chegar às livrarias em finais de Abril e inícios de Maio.

A ideia para a criação deste livro remonta a 2002, por ocasião de uma deslocação de Jacques Martin a Portugal, para participar no festival de BD da Amadora. Autor de BD e também professor, o português Luís Diferr estava presente e, enquanto o criador de Alix assinava autógrafos, o director das colecções de livros sob o seu nome, Jimmy Van den Haute, fez-lhe o convite de criar um livro de viagens sobre Portugal… “Tive de fazer testes, mais tarde de apresentar planos da obra”, explicou Luís Diferr ao DN. O plano foi aprovado e começou a trabalhar neste livro em 2003.

Porque já com o Estatuto do ALuno se passa o mesmo: há coisas que já lá estão, há é quem não lhes queira dar uso ou quem o desaconselhe por causa de não sei quê, da imagem e tal…

Agredir professores já é crime público

(…)

O penalista Germano Marques da Silva explica que o Código Penal prevê um factor de agravação para ofensas cometidas contra ” docentes, examinadores ou membros de comunidades escolares”. Já o penalista Pinto de Albuquerque vai mais longe e assegura que a lei é “óbvia” nesta matéria. “No caso de um professor agredido no exercício das suas funções ou por causa delas, mesmo fora da escola ou fora do horário lectivo, não há dúvida que se trata de uma ofensa à integridade qualificada e, como tal, constitui crime público.” E acrescenta: “Há até pelo menos três acórdãos, dos Tribunais da Relação do Porto, Guimarães e Coimbra, nesse âmbito.” Fonte do Ministério Público defende, no entanto, que considerar-se que uma ofensa corporal a um professor é qualificada é uma matéria “subjectiva e tudo depende do critério do aplicador da lei”.

Talvez isto explique ao Gundisalbus porque eu tenho relutância em colocar fanfarras em relação a propostas redundantes para consumo mediático.

Dos mini-happenings. Pois. Talvez. Quiçá.

Já agora… têm mesmo a certeza que haverá concurso em 2011 para entrada nos quadros?

Fenprof convoca manifestação pelos contratados

A Fenprof vai convocar uma manifestação pela vinculação de professores contratados. O próximo concurso nacional de afectação será em 2011 e a Federação pretende que, no mínimo, o Governo cumpra a regra de que por cada dois docentes reformados entre um nos quadros.

Centenas de professores contestam avaliação

Maioria dos recursos dos docentes está relacionada com quotas para notas mais altas. Alguns casos já estão em tribunal.

Na véspera da reunião que junta Governo e sindicatos para discutir o novo modelo de avaliação, ainda há centenas de professores a lutar contra a nota do ano passado. Aos gabinetes jurídicos dos sindicatos já chegaram centenas de reclamações e recursos que aguardam resposta. Alguns docentes estão já a contestar a nota em tribunal. A confusão pode começar já no próximo concurso docente, em Abril.
(…)
Paulo Guinote, autor do blogue Educação do Meu Umbigo, onde foram relatados nos últimos meses muitos casos destes, lembra que há outro problema por resolver: o dos docentes que não entregaram elementos para avaliação. “Uns foram avaliados. Outros, nas mesmas condições, não foram.”

Porque não me esqueço, mesmo, de quem me chamou (ou apoiou por omissão, sabendo a verdade) traidor, algo que não esquecerei, por muito que tente.

É espantoso como os dados do corpo da notícia são completamente contraditórios com o título (os custos aumentaram 2,9%, mas só 1,2% resulta do aumento das remunerações), ignorando-se o facto de não terem existido quase nenhumas progressões nos últimos cinco anos e não se apresentando dados específicos demonstrativos do que é afirmado na parangona.

Vou ser claro e bruto: o director do DE tinha razão no Parlamento quando afirmou que nunca se sentiu pressionado pelo Governo. Não é necessário. Ele faz parte da pressão.

Gastos com pessoal sobem com promoções dos professores

Quem diz que só os opostos é que se atraem?

Alberto João Jardim fala de uma aliança com José Sócrates

Alguém acredita que não há mesmo violência nos 90% de escolas que oficialmente não reportaram casos desse tipo?

60 alunos castigados por violência

Indisciplina na Escola Secundária de Monserrate, em Viana do Castelo, já levou a três ou quatro suspensões.

Mais de 60 alunos foram castigados este ano lectivo na Escola Secundária de Monserrate, a maior do distrito de Viana do Castelo. Números que confirmam as preocupações lançadas pela direcção da escola em Novembro de 2009, quando alertou que as obras po-deriam pôr em causa a segurança das mais de 900 pessoas – 800 alunos e 100 funcionários – que circulam na escola.

« Página anteriorPágina Seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 293 other followers