Março 2010


PEDRO PASSOS COELHO: MITO OU REALIDADE?

A vitória de Passos Coelho o que é que traz ao país que o possa animar?

Em minha opinião:

Traz ao país mais crédulo e mais optimista, a esperança.

Esperança que, enfim, Sócrates venha ter de enfrentar um líder da oposição, com fato de Primeiro Ministro, capaz de lhe fazer frente, sem ambiguidades, nem pedras no sapato.

E traz ao país mais experiente e mais lúcido, bastante desconfiança.

Traz-lhe desconfiança, porque há ainda uma imensa névoa a pairar à volta de Passos Coelho e da sua, porque não dizê-lo, facção partidária.

É bom de ver que Passos Coelho tem a grande vantagem de poder sacudir muito do pó acumulado há décadas na sede do PSD nacional. As “teias de aranha” estão por lá, pelos cantos, a “decorar” casa, há tempo de mais. Ora, Passos Coelho tem a vassoura na mão, é só agitá-la como e quando quiser.

Mas será que o novo líder laranja logrará fazer a limpeza da sede, sem arranhar alguma “mobília”, sem machucar ninguém no caminho?

Uma coisa parece certa: Se Passos Coelho não for capaz de limpar o partido, tirando de lá o que só serve de entulho, iremos ter mais uma experiência falhada.

Mas mesmo que o consiga fazer, não pensem que tudo estará resolvido. É que, se existe entulho que sai, também existe entulho (e muito) que quer entrar, na “enxurrada” (das eleições).

Ora, também aí o novo líder PSD terá de estar muito atento. Talvez nem fosse má ideia socorrer-se de uma grelha bem apertada, e colocá-la à porta da entrada, para “coar” tudo o que fosse lixeira.

E qual seria a grelha, ou o crivo, que Passos Coelho deveria utilizar?

Essa já é uma questão ideológica, com muito pano pra manga, por isso não cabe no curto espaço do texto que aqui vai acabar.

Cunha Ribeiro

Na 6ª feira fui contactado para participar no programa de hoje, com o pedido adicional de encontrar mais alguns colegas de diferentes pontos do país.

Avisei que andamos em reuniões de avaliação, que a deslocação acarreta algum esforço para quem é de longe de Lisboa, e coloquei como pré-condição para ir que existisse alguma garantia de participação efectiva das pessoas.

Essa garantia não me foi dada, pelo que há um par de horas declinei ir, preferindo comentar o programa aqui no blogue em vez de ir fazer parte do cenário. Não estou a armar-me em importante, apenas há alturas em que se deve traçar uma linha contra a gestão política destas coisas.

Entretanto, reencaminharam-me este mail, que não me custa nada divulgar:

Bom dia,

O programa Prós e Contras da próxima segunda-feira terá como tema de debate a Educação, em particular o Estatuto do Aluno. Estarão presentes pais, professores e alunos de diferentes pontos do país.
Caso tenham interesse em assistir ao programa, pedimos que entrem em contacto através do email pros.contras@rtp.pt ou do telefone 96 64 77 502, confirmando presença e indicando o número de pessoas.
O programa terá lugar no Teatro Camões (Parque das Nações) e a hora de presença será 21h30.

Melhores cumprimentos,

Reuniões de avaliação. Não tenho muitas, fruto de ser professor multifunções a 2 e 3 disciplinas ou ACND por turma. Mais de 50% de negativas em duas turmas de PCA, apesar dos abraços e beijos do último dia de aulas, o que dá direito a justificações longas para as actas, uma das quais sou eu a escrever.

Mas relembremos que numa das minhas há uma alma que respondeu num teste de Musical que o violoncelo é da família dos instrumentos com rabo de cavalo. E garanto que não foi propriamente a gozar.

Quanto a uma já minha velha aluna, parece ter finalmente acreditado que os porcos não nascem da terra.Garanto, de igual modo, que não foi a gozar.

Julio Ribera, Axle Munshine
(e Musky, uma das personagens mais problemática em termos sexuais da banda desenhada, algo que acabou por contaminar os mais de 30 álbuns da série)

The Soft Pack, Answer to Yourself

Para onde vai a escola pública?

A escola pública é, talvez, a maior conquista educacional da sociedade portuguesa das últimas três décadas. Uma escola democrática, inclusiva, de todos e para todos, que valorize a cidadania, a aprendizagem, a formação e a educação de crianças e jovens, não pode ser mais um dos mitos elaborados no seio das ciências da educação.

Antes é uma realidade que se tem vindo a construir dia a dia, com muito esforço e sacrifício de toda a comunidade escolar, porque é um princípio por que vale a pena lutar, já que fortalece a democracia e a construção de um mundo com mais harmonia e mais respeito pela natureza e pela pessoa humana.

Os professores estão de parabéns. Com a defesa da escola pública têm dado, mais do que ninguém, um contributo inigualável para o atenuar das desigualdades sociais e para a futura construção de um Portugal, também ele menos desigual.

Não estranha, pois, que nesta infeliz conjuntura de desalento e de fortes emoções, os profissionais do ensino com mais consciência social e cultural vejam os perigos que espreitam a esta escola democrática, erguida sobre a estrutura de um ensino elitista que o Portugal do após 25 de Abril herdou da ditadura.

Porém, o então ainda sonho de pensar uma escola que promovesse a igualdade de oportunidades e atenuasse as desigualdades sociais viria a revelar-se como uma das grandes motivações para a acção das últimas décadas do século XX.

Conseguiu-se ainda pouco? Estamos a trabalhar para resultados que apenas serão visíveis daqui a duas ou três gerações? As políticas educativas encheram o caminho de obstáculos difíceis de ultrapassar?

É verdade: nas respostas a estas questões temos que dar o nosso acordo. Todavia, isso não invalida que, mesmo os mais cépticos, não reconheçam que as democracias europeias estão longe de poder inventar uma outra instituição pública capaz corresponder, com tanta eficácia, às demandas sociais, quanto o faz ainda hoje a escola pública de massas. Mesmo sabendo-se que há fenómenos, mais ou menos recentes, que colocam em causa os pressupostos dessa mesma escola pública, como o são o aumento da violência nas escolas e generalização do bullying (sobretudo o mais sagaz e traiçoeiro, que é o que utiliza a internet e as SMS), o abandono e o insucesso escolar, a reprodução das desigualdades dentro da comunidade educativa, a incapacidade de manter currículos que valorizem para a vida, a erosão das competências profissionais dos docentes, acompanhada pela perda de estatuto remuneratório e social.

Infelizmente, hoje a vida nas escolas é muito menos atraente para quem nelas estuda e trabalha e a desmotivação dos professores e dos educadores acentuou-se com as medidas de política educativa que desvalorizaram a educação, que menorizaram a profissionalidade docente, e que, invariavelmente, conduziram à degradação das condições de trabalho de quem ensinava e de quem aprendia.

Todos sabemos, ou julgamos saber, como deve ser e o que deve ter uma escola pública que promova a aprendizagem efectiva dos seus aprendentes e o bem-estar e a profissionalidade dos seus formadores.

Todavia, há um grave problema que introduz toda a entropia nas escolas: é quando os governos se deitam a fazer contas sobre quanto custa garantir esses direitos. Sobretudo, quando a classe política sabe que o investimento em educação só produz efeitos a longo prazo, o que não se compagina com a gestão do calendário dos seus curtos ciclos eleitorais.

Não queremos uma escola que seja de baixa qualidade. Por isso, estamos com todos quantos defendem  ser urgente relançar a defesa dos princípios fundadores da escola pública. Uma escola que seja exigente na valorização do conhecimento e promotora da autonomia pessoal. Uma escola pública, laica e gratuita, que não desista de uma forte cultura de motivação e de realização de todos os seus membros. Uma escola pública que, enfim, se assuma como um dos pilares da democracia e como um dos motores da construção de um país onde seja orgulhoso viver e conviver.

Formar a geração de amanhã não é tarefa fácil. Mas será certamente inconclusiva se avaliarmos a escola e o trabalho dos professores apenas segundo critérios meramente economicistas, baseados numa filosofia de desenvolvimento empresarial.

A escola é muito mais que isso: é filha de um outro espaço social e de um outro tempo matricial. Defender a escola pública, nesta conjuntura de compreensível desilusão, é muito urgente. Por tudo isso, é importante que se continuem a exigir políticas públicas fortes, capazes de criar as condições para que essa escola democrática seja, de facto, universal, gratuita e gratificante, e que se assuma, sem tibiezas, que o direito ao sucesso de todos é um direito fundador da Democracia e do Estado de Direito.

João Ruivo

ruivo@ipcb.pt

Afinal o Armando teve de lutar contra a desvantagem da interioridade transmontana. E o ruipedro está em início de carreira e é imensamente promissor, até já recebeu um prémio do pintodacosta.

Vara ganha o dobro de Obama

E o ex-administrador da PT, Rui Pedro Soares, «oito vezes mais», diz Francisco Louçã.

Esta é a parte em que se aceitaria uma série de palavrões, não tivesse eu um pacto com implícito com uns pruridos que se calhar nem se justificam.

… mas muito mais prudência, cinco doses de caldos de galinha, imensos punhos de renda, e a esperança que a postura de 3ª (5ª?)  via permita uma ponte que não caia pouco depois do engenheiro ir deste para outro destino.

António José Seguro deixa recados ao PS

O final do 2º período chegou e algumas perturbações começam a fazer-se sentir, por aqui, por ali, por acolá. As famosas pressões.

Não são coisas novas. Novidade é ser possível falá-las abertamente e discuti-las para além dos corredores e mesas de café.

Ontem ao início da noite um amigo telefonava-me a contar como fora contactado a meio da tarde pelo seu delegado para que subisse as suas notas, caso contrário poderiam existir problemas. Fora outras insinuações sobre o futuro profissional.

Dias antes recebera um mail de outra colega que me enviou o cabeçalho abaixo que tem provocado algum desconforto pela forma como prevê que os alunos, para além da evidência do seu desempenho e da classificação do professor, se manifestem sobre o grau de dificuldade dos instrumentos de avaliação.

Repito: nada disto é muito novo. Só que assume por vezes formas que deveriam estar em retrocesso, mas que pelo contrário recrudescem.

Não quero ver o que se vai passar no 3º período, quando vamos para o 3º ano de um processo de avaliação do desempenho dos docentes completamente desconexo e que parece uma manta de retalhos em permanente reconstrução, simplificação, remodelação, reajustamento, requalquercoisa.

As coisas não estão bem. Mas o mais grave é que a paralisia e falta de autonomia ministerial para mudar o estado de coisas está a agravar vícios que se instalam com mais força na ausência de uma linha de rumo clara.

Quanto a outros actores neste cenário, quer-me parecer que estão demasiado preocupados com a sua visibilidade como parceiros. Uma espécie de Confap do anterior mandato. Não chega coreografar o protesto.

Aquietai-vos que a má moeda continuará em circulação ainda por bastante tempo. Há valores mais altos em jogo. A mítica estabilidade. Os calendários eleitorais. Tudo razões de Estado.

Cavaco já tem ‘bomba atómica’ da dissolução

J. C. Mezières, Valérian

Nuyorican Soul, Runaway

Assim como é difícil contextualizar o exibicionismo da violência, por parte dos agressores, para consumo público.

YouTube mostra agressão sofrida por André na escola

Em Albarraque alunos filmaram cenas de murros e pontapés e colocaram-nas na Net. André tinha escondido o caso dos pais

André é vítima de bullying na Escola EB 2,3 de Albarraque, concelho de Sintra. A criança de dez anos tentou esconder dos pais a violência de que era alvo, mas os vídeos colocados no YouTube revelaram a situação e a direcção da escola está agora a identificar os agressores e quem filmou.

Mas ontem um rapaz deu os links dos vídeos a uma professora do ATL que André frequenta e o segredo terminou. De imediato, os pais da criança dirigiram-se à escola para exigir explicações. “A professora Edite (vice-presiden- te do Conselho Executivo) disse que estava preocupada em saber quem foi o autor dos filmes e quer que o André identifique os agressores na segunda-feira”, explicou o pai, Alfredo Borges, ao DN.

Indignado, diz não entender porque é que o filho tem de se submeter a apontar o dedo a quem o agrediu: “Os vídeos podem não ter grande qualidade, mas consegue–se ver bem as caras.” E o que também é notório é a forma como alguns alunos batem – ao murro e pontapé – em colegas, estando outros por fora a incentivar e a tentar garantir que o filme fique o melhor possível com o objectivo expresso de ser colocado no YouTube.

PSD propõe expulsão de alunos mas medida pode ser inconstitucional

Resultados provisórios da eleição para líder do PSD:

  • Passos Coelho: 61,1%
  • Paulo Rangel: 34,6

Previsão umbilical de ontem, ao fim da noite, com base na sondagem aqui feita, excluindo os canhotos que se quiseram manifestar:

Isto, em termos práticos, excluindo os esquerdistas umbilicais, significa que Passos Coelho vencerá com algo na acima dos 60% contra cerca de 35% de Paulo Rangel.

E depois há quem diga que aqui não se pratica o rigor.

Se pagarem razoavelmente posso dar uma ajuda às empresas do ramo.

Tem-se vivido nas últimas semanas uma erupção alvoroçada em torno da violência e indisciplina nas escolas. É algo recorrente, que periodicamente surge na comunicação social, apresentando permanências em alguns aspectos e novidades em outros (caso do uso de telemóveis há uns tempos ou diferentes formas de violência).

Não é nada novo, mas ao mesmo tempo isso significa que é um problema que permanece como se fosse impossível reduzi-lo ou mantê-lo dentro de limites relativamente aceitáveis.

Sempre que isto acontece as posições extremam-se. De um lado a visão sociológica, prima de um certo nacional-porreirismo e aliada objectiva de algumas franjas do chamado eduquês, de tudo isto ser normal, de ser um resultado da sociedade e da massificação escolar, que não há propriamente violência, mas percursos de violência, que todos os envolvidos são vítimas e que há que contextualizar os actos, percebê-los e se possível desculpá-los ou não os penalizar de um modo que reproduza a violência. Do outro lado, há uma visão mais legalista e punitiva que considera que deve ser instaurado um enquadramento legal mais severo que permita punir de modo dissuasor os actos de agressão, independentemente das razões que os motivam.

Pelo meio ficarão – para além da virtude – as melhores soluções para cada situação concreta (a nível individual ou de escola).

Mas há uma coisa que me parece inegável: a combinação de um clima envolvente de desresponsabilização dos actos de indisciplina e violência com uma situação de erosão económica da vida das famílias, conduz quase sempre ao acréscimo de situações problemáticas visíveis, sendo quase inútil buscar nas estatísticas oficiais qualquer base para analisar a evolução destes fenómenos, porque os critérios para a sua recolha são misteriosos e oscilam a cada estação do ano.

Se ficarmos apenas pela superfície, daquilo que cria uma vaga de fundo mais ou menos fundamentada que empurra as situações para as primeiras páginas dos jornais, é tentador concluir que à aprovação de diplomas com regimes disciplinares com uma mensagem laxista (mesmo contendo mecanismos não completamente destituídos de sentido) corresponde a médio prazo uma derrapagem nos comportamentos.

Veja-se o caso dos anos que se seguiram à implementação do decreto-lei 270/98, que vinha substituir a velha portaria 679/77, diploma por muita gente considerado o catalisador de uma imagem de laxismo disciplinar nas escolas ao envolver os procedimentos disciplinares numa teia burocrática incapacitante.

Passado o primeiro ano lectivo da sua aplicação, os que se lhe seguiram, no estertor do guterrismo, cada final de ano lectivo foi marcado por sinais de consternação na opinião pública, o que levou á sua revisão através da lei 30/2002 que eliminou muitos dos formalismos supérfluos que existiam e desincentivavam claramente os procedimentos disciplinares.

(revistas de Julho de 2000 e Junho de 2001)

Chegamos a 2010 e o que temos: uma situação similar à anterior, após dois anos de vigência da infeliz lei 3/2008, logo muito denunciada como uma espécie de regresso ao passado no pior sentido.

Verdade se diga que a inspiração foi comum a estes dois lamentáveis diplomas e as suas consequência ficaram à vista.

Será que desta vez, mais do que remendos de passagem para calar a agitação pública, se aprende algo a sério?

Outros passam por outras parcerias…

Custo com parcerias na saúde triplica até 2013

Morris, Rantanplan

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