Acho que já usei por aqui este estudo (por vezes, fico sem perceber se alguns estudos diferentes não são o mesmo), já de 2008, mas é sempre interessante revisitar o húmus de onde brota a atitude bem pensante que confunde a compreensão do fenómeno para o solucionar, com a desculpabilização, usando os argumentos de uma forma que oscila conforme o interesse do momento.

(…) a existência de um grupo restrito de alunos fortemente desenquadrados, pode colocar em causa os ambientes de trabalho de toda a escola, revelando alguma fragilidade da organização escolar. A análise dos dados deste conjunto de escola serviu ainda para evidenciar que as explicações das situações de violência centradas em eventuais características patológicas dos agressores ocultam o facto de estas situações possuírem uma elevada diversidade e
radicarem em factores bastante variados. Deste ponto de vista não faz sentido falar de escolas violentas mas sim de situações e percursos que levam à violência ou produzem violência, sendo que a atenção dada pelos os contextos escolares aos diversos tipos de ocorrências e a forma como estes se encontram organizados para lidar com estes acontecimentos é decisiva. (p. 17)