Num momento em que se percebe que certas teorias desculpabilizadoras fracassaram – como já tinham fracassado algures – é bom que recordemos que entre nós o seu período áureo é muito recente e teve o beneplácito implícito do poder político que chamou a si a promoção de investigações e estudos que de forma quase explícita arrancavam com o preconceito de ser o «sistema educativo» o responsável pela violência que nele se verifica.

Ou seja, a violência não seria causada por factores a montante da escola, ou em seu redor, mas em virtude do seu próprio funcionamento enquanto instituição de massas. No fundo, esta afirmação, significa que os seus defensores padecem, sem o notar, de um preconceito maior do que aqueles que pretendem denunciar, pois ao atribuírem a violência à massificação estão a dar a entender que aquela resulta da incorporação no sistema educativo dos que antes eram excluídos.

Parece ser esta a tese de estudos de João Sebastião, nomeado director do Observatório da Segurança Escolar no anterior mandato, como este de 2004, com o título «Escola e Violência: conceitos, políticas, quotidianos» que pode ser encontrado a partir daqui.

A perspectiva sociológica sublinha a importância da complexidade do fenómeno e a necessidade de nas pesquisas desenvolvidas sobre o fenómeno da violência escolar serem consideradas dimensões tão diferenciadas como institucional, organizacional, simbólica, relacional e pedagógica.
Apesar da chamada de atenção para as condições sociais, económicas e culturais das famílias e área de residência dos alunos, procurando assim contextualizar o fenómeno da violência escolar, os diferentes autores rejeitam que a análise se possa centrar exclusivamente numa leitura marcada pela anterioridade e exterioridade do fenómeno da violência relativamente à realidade escolar. Sublinham a necessidade de questionar o funcionamento do sistema educativo, entendendo a violência como uma das consequências do processo de massificação do sistema de ensino.