Num momento em que se percebe que certas teorias desculpabilizadoras fracassaram – como já tinham fracassado algures – é bom que recordemos que entre nós o seu período áureo é muito recente e teve o beneplácito implícito do poder político que chamou a si a promoção de investigações e estudos que de forma quase explícita arrancavam com o preconceito de ser o «sistema educativo» o responsável pela violência que nele se verifica.
Ou seja, a violência não seria causada por factores a montante da escola, ou em seu redor, mas em virtude do seu próprio funcionamento enquanto instituição de massas. No fundo, esta afirmação, significa que os seus defensores padecem, sem o notar, de um preconceito maior do que aqueles que pretendem denunciar, pois ao atribuírem a violência à massificação estão a dar a entender que aquela resulta da incorporação no sistema educativo dos que antes eram excluídos.
Parece ser esta a tese de estudos de João Sebastião, nomeado director do Observatório da Segurança Escolar no anterior mandato, como este de 2004, com o título «Escola e Violência: conceitos, políticas, quotidianos» que pode ser encontrado a partir daqui.
A perspectiva sociológica sublinha a importância da complexidade do fenómeno e a necessidade de nas pesquisas desenvolvidas sobre o fenómeno da violência escolar serem consideradas dimensões tão diferenciadas como institucional, organizacional, simbólica, relacional e pedagógica.
Apesar da chamada de atenção para as condições sociais, económicas e culturais das famílias e área de residência dos alunos, procurando assim contextualizar o fenómeno da violência escolar, os diferentes autores rejeitam que a análise se possa centrar exclusivamente numa leitura marcada pela anterioridade e exterioridade do fenómeno da violência relativamente à realidade escolar. Sublinham a necessidade de questionar o funcionamento do sistema educativo, entendendo a violência como uma das consequências do processo de massificação do sistema de ensino.
Março 26, 2010 at 7:40 pm
“Sublinham a necessidade de questionar o funcionamento do sistema educativo (…).”
E, portanto, é o professor tradicional (por oposição ao professor moderno) que tem que mudar as suas práticas, adaptando-as às novas realidades e necessidades, deixando de ser um mero transmissor de conhecimentos, fechado sobre si próprio, para passar a ser um facilitador de aprendizagens, tendo como referência fundamental o direito ao sucesso de cada aluno…, blá, blá, blá, blá… E assim perdemos 20 anos e gastámos quilos de fotocópias.
Março 26, 2010 at 7:43 pm
Sempre a mesma treta…Enfim..Vou jantar…Deixo esta para abrir o apetite..
Março 26, 2010 at 8:23 pm
Permitam-me um comentário ao estilo que agora está em voga:
Se não houvesse escolas, não existiam este tipo de problemas…
Dah!
Março 26, 2010 at 8:27 pm
Não vem a propósito, mas não resisto. Com que então o Rui teve um bébé…não admira que lhe pagassem tantos milhões. Ainda por cima sem ter realizado as consultas médicas…foi mesmo um parto de risco, digo eu.
Março 26, 2010 at 8:27 pm
Big Brother Real (Criadouros de Cachorros).
Uma garota na faixa dos vinte anos de idade morre estupidamente sem que se saiba bulhufas de como isso se sucedeu.
Então, todo condoído, o católico da paróquia diz assim pra mãe da garota, em estado íntimo que é só pedaços: “Ela era tão devota, e tão boazinha, imagine que nunca esquecia de suas obrigações com a paróquia (lençinho nas lagriminhas) … sem a caridade dela nem sei como vamos dar de comer àqueles rapazes que precisam tanto levar uma cruz dura pela Palavra”.
A mãe tocada diante do tamanho do amor da filha, e incerta de quanto ela suportava esse amor, diz encharcada por tanta inclinação divina: “Nem pensar pároco, agora que ela está com Jesus não só o dízimo pequenino e tanto que ela dava de si vai faltar, eu mesma vou levar tudinho lá; não é por isso que o amor de Jesus vai esfriar; mas o meu menino, pede pra Jesuis deixar ele um pouquinho”.
O pastor batista sentindo também a perda de tão prestimosa ovelha, em confraternização com os pastores do macedo, desabafa choroso: “Isso é que era ovelha valiosa pro reimno, um exemplo no rebanho. Que família! Temos que converter essa mãe pro verdadeiro caminho”.
Nas proximidades, com ouvido bem aberto aos acontecimentos o pastor assembleiano pula da cadeira da outra casa tão pobremente conseguida de frente pro mar, e aconselha com incrível bondade: “Isso tem que ser feito cum sabedoria. Quem tem mais lá?”.
Um novato abelhudo se mete alopradamente: “Dizem que o irmão dela tá regado na grana. O muleque faz estrípitíse, canta, é chefe de torcida do time da cidade …”
Mas o conselho de outras denominações mais cheio do espíritu toma o assunto com autoridade: “ Não tão vendo que não se pode deixar uma garota assim chegá tão desamparada no céu, sozinha sem o pai?”.
Um outro abençoadíssimo “preletor” tomado pelo espíritu, lembra que um irmão que chegou da África precisa de cuidados, e que ele é a chave pra fechar e abrir a sorte daquela casa; porque o garoto “perdido” e sem irmã também vai precisar de pai.
Nesse instante até o Crack sentado no trono se comove e derrama seu podrer Tremendo, de tanto espíritu de revelação e bondade santa. E eles todos, a irmandade toda ecumenicamente dá graças, e se esbanjam de felizes de tanta graça.
Na esquina da venda, uma irmã discretíssima depois de espreitar pela fresta da cortina o ir-e-vir dos outros, corre pra “falá” com uma “mirnistra” da Palavra, e com a mãozinha no peito tão sentida, confessa: “Ai que era uma moça tão obediente” …” Dela se aproveitava tudo”.
E a “mirnistra” logo insta à ingênua: “”Ih! Minha filha … Disso aí digo Chiii … Aquela lá não era lá essas coisas não; não vê?! Ficou toda emburradinha só por que o namorado da minha filha tinha uma tarazinha por ela. E quê adianto! Tá lá agora estendidinha”.
Uma assídua seguidora de procissão chega rápido na prosa e recatada põe o dedinho com dois toquinhos no biquinho e diz: “Cala-te boca.”
O molecão-arrasta-cachorro-pra-fazer-cocô-no-parquinho muito puto e vingado, espraia pros amigos na balada: “Pô! Aquela vagaba dava pra todo mundo, só por que eu quis agarrá ela na escada, ficou toda putinha comigo. Quase me fudí maluco!”
Os papa-biscoito-venu-bíguibródi, da ganguinha de fode-mal, se alopram em côro: “Pôrra, qualé a tua Mané?! Por que não falô cum a renti! Sê tu falassi, nós tudo pegávamu ela. Armavamu um bóti e ela tinha qui dá pá todo mundo!”
Um nada, um estranho, que notava esses estrumes ganindo, passa no roseiral, apanha uma flor, vai e coloca na mesa da sala de aula onde a garota estudava. Talvez soubesse que algumas balas não eram tão perdidas assim, e soubesse que alguns acontecimentos eram mesmo da “vontade soberana do deus”, que tanto faz “bem” aos seus “amados” à sua imagem, educados à sua semelhança.
Março 26, 2010 at 10:28 pm
o puto da moita…vai para a escola de baixo…ehehhehe
Março 26, 2010 at 10:29 pm
Uma escola é uma instituição. Tem regras. Rígidas? Talvez. Não há outra maneira de uma escola ser escola, sem regras? Sem disciplina?
Uma turma tem vários alunos. Não tem só um.
É preciso ter interiorizado algum conceito de sociabilidade para estar numa escola, numa turma…
Alguns alunos nunca experimentaram regras sociais antes de frequentar a escola? Sim, é verdade.
Para alguns, não houve aprendizagem de “respeitar o outro” no seio da família.
Já sabemos que o problema está a montante.
A escola não pode deixar de ser escola, de ser insituição, só pq muitos não sabem que existem regras sociais.
Paradoxalmente, muitos jogam em clubes desportivos onde as regras são muito mais rígidas e os castigos tb. E lá não reclamam.
Março 27, 2010 at 12:06 am
Hoje nas intervenções feitas na Assembleia da República pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda percebi que existe uma questão que separa os professores e os partidos de esquerda: a autoridade do docente.
Ao não perceberem que o reforço das autoridade do professor é uma necessidade premente, a esquerda, ingenuamente, não percebeu ainda que a instituição prejudicada é naturalmente a Escola Pública.
Foi confrangedor ouvir Paulo Portas dizer à esquerda que esta não protegia os seus principais eleitores.
Março 27, 2010 at 9:38 am
A violência nas escolas sempre existiu com maior ou menor preponderância. É um fenómeno absolutamente natural. Mesmo para com os professores. Apenas atinge níveis intoleráveis quando, por variadíssimas razões, as regras, a disciplina, a lei, não são aplicadas ou têm contornos difusos e inconsequentes.
E vem-me à memória uma frase batida: Os exemplos vêm de cima. Pois… Sendo assim, é natural estarmos a assistir a uma nova vaga de violência, ultimamente. Talvez tenha a haver com uma certa e determinada sensação geral de impunidade… para não falar de mais nada.
Março 27, 2010 at 9:59 am
E, já agora, acrescento que, de todas as escolas por onde passei como professora, com contextos sócio-culturais e económicos variadíssimos, aquela que se destacou pela violência entre alunos e, sobretudo para com professores, foi um antigo “liceu” ali para as bandas de Alvalade, cheio de meninos de classes sociais, enfim, mais abonadas e, supostamente, culturalmente mais “elevadas”. Se foi uma surpresa? Foi!!! Até porque, para além dos comportamentos “desviantes”, trabalhar, estudar, também não fazia parte dos seus interesses. Foi a única vez que dei mais de 50% de negativas a quase todas as turmas no primeiro periodo(EV). Depois arrepiaram caminho, mas não foi nada fácil…
Março 27, 2010 at 11:33 am
#8, Pedro, toda a razão! É confrangedor ver o Paulo Portas dar lições à esquerda…