Já se percebeu que os reajustamentos do currículo do 3º CEB estão a seguir uma metodologia de preparação que deixa imenso a desejar.
Na peça de hoje do Público a esse respeito, João Formosinho tece considerações verdadeiramente admiráveis para tudo ser delineado no sossego dos gabinetes e sem consultar os chatos dos professores, esses meros executores dos projectos de uma elite iluminada pela leitura.
Isolo dois argumentos que considero dignos de uma antologia de como não fazer as coisas, para além daquele que abordei mais detalhadamente no post abaixo.
Para João Formosinho, ouvir os especialistas é uma maneira mais “isenta” do ME trabalhar. Explica: apesar de a maioria dos professores pensar que os currículos são muito extensos e há demasiadas disciplinas, já não há consenso sobre onde e o que cortar.
E continua dizendo que seria perda de tempo ouvir as associações profissionais de professores. Ora bem, isto é a passagem de um atestado público de menoridade intelectual e facciosismo aos professores, esquecendo-se que TAMBÉM há consenso sobre onde e como cortar: desde logo nas ACND e nas excrescências curriculares – essas sim – criadas para alimentar algumas clientelas particulares. Para além disso, ficamos a perceber que os especialistas não têm sexo disciplinar e que são muito neutros, isentos e tudo o mais, algo cujos efeitos estamos fartinhos de comnprovar na prática, a cada reforma ou reajustamento feito desta maneira.
Mas há ainda melhor:
Se em outras alturas, como nas reformas de Roberto Carneiro ou de Marçal Grilo, houve a preocupação de ouvir os professores, desta vez ainda não se sabe como a tutela irá gerir este processo, que deverá entrar nas escolas já no próximo ano lectivo. João Formosinho pensa que “a sociedade não está mobilizada”. E diz que “a situação actual é muito diferente” da das reformas anteriores.
Numa coisa concordo: a situação é diferente. Mas é diferente exactamente no sentido inverso. Nunca a sociedade esteve tão mobilizada e atenta às questões educacionais.
Aliás, acho que o receio da tutela e dos especialistas é mesmo esse. Que os professores ou a sociedade façam saber de forma clara e directa o que pensam dos erros cometidos no passado e quais os responsáveis. Assimé mais fácil fazer tudo em circuito fechado e, perante eventual novo falhanço, acusar os executores das belas ideias por as não terem sabido entender e implementar devidamente. De forma isenta, claro.
Março 22, 2010 at 10:30 pm
Pode ser que o tiro lhes saia pela culatra!
Março 22, 2010 at 10:32 pm
Gostava de perguntar a JF em que estudo se baseou para chegar a esta brilhante conclusão: “a sociedade não está mobilizada”.
Alguém lhe comunique que as pessoas gostam de ser ouvidas e que, mesmo que fosse verdade, haveria forma de as mobilizar.
Março 22, 2010 at 10:33 pm
É espantoso o conceito de “isenção” do Formosinho.
Para ele, uma reforma “isenta” é aquela que é feita por “especialistas” sem consultar as pessoas que a terão de aplicar.
Pois eu gostava que as escolas fossem “isentas” dos que teorizam sobre elas sem as conhecerem.
Março 22, 2010 at 10:33 pm
não se deslumbre, Dr. ou Mestre ou Professor Paulo…
é tão fácil ficar perto do que são hoje os tristes sindicalistas…
… e longe da realidade, por malabarismos interpretativos da Lei.
cumprimentos e força, “umbiguistas”, toca a malhar. mas não percam de vista o mote do post, ok?
Março 22, 2010 at 10:34 pm
Essa questão de ter de ser a tutela a decidir tudo pq a “sociedade” ( depreendo que fala dos professores) não está mobilizada é uma visão tão democrática que até comove!
Março 22, 2010 at 10:37 pm
Grande Currículo para não ter de ouvir a sociedade:
João Formosinho é professor catedrático da Universidade do Minho, é autor de inúmeros trabalhos e pareceres sobre política educativa, administração e gestão escolar, organização pedagógica e curricular e formação de professores. É membro do Conselho Nacional de Educação. Tem participado em vários grupos de trabalho no âmbito da Comissão da Reforma do Sistema Educativo, da preparação da Lei-Quadro da Educação Pré-escolar e da reorganização do 1º Ciclo do Ensino Básico. É coordenador do Mestrado em Educação de Infância no Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho e participa noutros programas de mestrado e doutoramento no país e no estrangeiro. É sócio-fundador e Presidente da Direcção da “Associação Criança”. asa.pt
Março 22, 2010 at 10:37 pm
Muito isentas estas estas alimárias peganhentas…eu dava-lhe a mobilização com umas bandarilhas naquele lombo, o fdp!
Março 22, 2010 at 10:39 pm
também premiado pelo PR
http://www.tvbraga.pt/article.php?cod=716&sec=8
Março 22, 2010 at 10:40 pm
Qual é o país do mundo em que os alunos do 7º ano têm 16 disciplinas, com aulas de manhã e de tarde?
Março 22, 2010 at 10:40 pm
Para desanuviar do Formosinho deixo aqui arte africana:
http://www.liviodemorais.com/
Março 22, 2010 at 10:46 pm
#6
Teóricos da treta , pelo sim ou pelo não antes a doutora dos orgasmus….
Março 22, 2010 at 10:51 pm
Perfeito Paulo. A conclusão é mesmo essa. Eles têm medo do debate. Eles têm medo que, muito mais cedo do que previam,se crie espaço para que se possa demonstrar os erros que têm sido cometidos nos últimos anos e as suas consequências. Era muito chato terem que dar razão à luta dos professores contra a incompetência de quem tem tutelado o ME.
Mas não deixa de ser impressionate como existe, sempre, quem se preste ao papel de lhes dar cobertura.
Março 22, 2010 at 10:54 pm
É igual à reforma dos programas de Português. Uma treta que temos que engolir sem nos pedirem a opinião.
Março 22, 2010 at 10:57 pm
Como intervenientes directos no processo, os professores não podem ser deixados para trás.
Não podemos permitir que isso aconteça, especialmente quando teremos de trabalhar até aos 65 anos. É preciso manter a saúde mental e física.
Março 22, 2010 at 11:11 pm
Só nos faltava esta “santa aliança”…
Alberto João Jardim está a viver um «novo clima» no relacionamento com o primeiro-ministro e admite mesmo vir a ser um «aliado» de José Sócrates.
«Naquilo que eu vir que é justo, serei aliado de Sócrates, nem que seja contra o PSD. Naquilo que for justo», disse à Rádio Renascença
Março 22, 2010 at 11:14 pm
Quem será que envenenou o Socas contra o Jardim?
«Eu fiquei surpreendido, pela positiva, na medida em que isto demonstra que o problema não era entre José Sócrates e a Região Autónoma da Madeira, o problema era de quem envenenou o primeiro-ministro para tomar determinadas atitudes, que hoje se vê que não estavam certas», acrescentou.
Pronto, já não lhe chama mais Pinto de Sousa…
Março 22, 2010 at 11:16 pm
As declarações deste perito de gabinete (treinador de sofá) oscilam entre a grande parvoíce e a pequena enormidade.
Março 22, 2010 at 11:18 pm
Enquanto houver dinheirinho do contenente, o socratino é o maior!
Abriu-se a torneirinha que ameaçavam fechar, e o PM passou de besta a bestial…
Não traz nada de novo em relação à forma como o jardinismo tem prosperado estes anos todos na Madeira…
Março 22, 2010 at 11:18 pm
Suomi vai ver o site que aconselhei, vais gostar.
Março 22, 2010 at 11:23 pm
A propósito do tema da noite, quero sublinhar a forma brilhante e certeira como o Paulo Guinote desmonta as teorias da treta do formosinho.
Esta gente faz tudo mais um par de botas apenas para não ter que reconhecer a sua incompetência: as reformas e contra-reformas educativas, revisões, reorganizações e outras gestões curriculares que andam há anos a gizar e a aplicar umas por cima das outras pura e simplesmente NÃO PRESTAM!
Março 22, 2010 at 11:24 pm
Discordo frontalmente de Formosinho: noutros tempos era óbvio que a sociedade não estava mobilizada. Hoje está mais. No entanto, ouvindo a sociedade ou ignorando-a olimpicamente, o resultado vai ser o mesmo. Sabe-se que a “mobilização” não é o factor essencial nestas coisas. É essencial para coisas como limpar as matas ou salvar um náufrago.
No tempo de Guterres papavam outro mito: a existência de “vontade política”. Antes disso achavam que havia uma teoria salvífica, um ministro de alto coturno ou uma nova tecnologia educativa.
O que não há, pura e simplesmente, é acordo sobre a função que se atribui à escola e competência para organizá-la a uma escala razoável. Nem pode haver porque ela está enredada nas contradições de um sistema social que descarrega nos elos mais fracos em tempos de crise de crescimento.
Há quem se queixe do papel de MLR na pioria da imagem dos professores. Eu acho que ela, ao invés, deu um precioso contributo: pôs a nú o problema que existia e acelerou a tomada de consciência das contradições existentes na sociedade em relação à Educação.
Desiludam-se os que pensam que alguma mudança vai melhorar o ambiente nas escols enquanto outras coisas não mudarem. Claro que há oásis e muita carolice. Mas isso está longe de ser suficiente para estruturar de forma diferente as coisas.
Março 22, 2010 at 11:29 pm
Já vou, Olinda.
Março 22, 2010 at 11:31 pm
As “boas práticas” de que agora tanto se fala, em matéria de revisões curriculares, precisam, mais do que a inspiração de falsos iluminados, de um período de experimentação e ajustamento, num pequeno número de escolas, antes da sua generalização.
Nas reformas do Roberto Carneiro, ainda se fez isto. Com diálogo e algum envolvimento dos professores.
De então para cá, é tudo decidido entre políticos e eduqueses: as escolas que apliquem e que se desenrasquem. Se não resultar é porque os professores não se empenharam, pois estão agarrados a velhas práticas, não entenderam e mais não sei quê.
Uns malandros que só querem dar aulas expositivas e só conhecem, como dizia há tempos a luminária da Ponte, a “pedagogia do perdigoto”!…
Março 22, 2010 at 11:33 pm
#10-Não me digas que conheces o Lívio…
Março 22, 2010 at 11:36 pm
Donatien, eu conheço todos os pintores africanos de vista, é claro, gostava de os conhecer ao vivo mas ainda não consegui.
Março 22, 2010 at 11:42 pm
23
Tem bastante razão. Tirando a linha sobre RC.
Considero no entanto que o facto de
“as “boas práticas” de que agora tanto se fala, em matéria de revisões curriculares,”
precisarem de
“um período de experimentação e ajustamento, num pequeno número de escolas, antes da sua generalização”
deve levar-nos a desenvolver um método de as realizar na semi-clandestinidade até que estejam sólidas e capazes de serem transplantadas. Sem isso nada feito.
Março 22, 2010 at 11:47 pm
O homemvá bater uma get lost..chiça qué pior q
Março 22, 2010 at 11:47 pm
Até amanhã…
Março 22, 2010 at 11:49 pm
..que uma carraça…o sono…leva a estas coisas…Inté..sonhos vermelhos…deixo esta..
Março 22, 2010 at 11:50 pm
Olinda,Pois,conheço o Lívio há séculos…Mas eu sou de cá.
Março 22, 2010 at 11:55 pm
Donatien, estou a ver que tens de mo apresentar, sou uma fã
Março 22, 2010 at 11:59 pm
Olinda:E é um tipo catita,além de artista…
Março 23, 2010 at 12:11 am
Eles bem que enchem a boca com transparência e accountability, mas lá no fundo sedimenta o mesmo mofo salazarento de sempre.
Março 23, 2010 at 12:12 am
A sociedade não está mobilizada? Olhem ,quero enviar um mail para a direcção da escola da minha filha e consultei o site da escola .Tudo muito bonito,até as notas de todos os alunos posso consultar mas o mail não está lá indicado .Reclamação relativamente a um caso gravíssimo de indisciplina….Os pais já falaram com a D.T .mas ninguém faz nada.Depois as coisas acontecem mas ninguém sabia de nada.Da última vez que falei com a D.T exigi que que registasse o que eu tinha dito .
A sociedade está mobilizada,fazem de nós parvos !
Como E.E sei que as crianças passam demasiado tempo na escola,em turmas muito barulhentas e precisam de ter tempo para brincar e estudar em casa no sossego .
Março 23, 2010 at 12:21 am
Era bom que a maioria dos EE pensasse assim mas infelizmente, pela minha experiência, estão apostados no contrário.
Março 23, 2010 at 12:41 am
Não é bem assim .Já começo a ouvir muitos E.E que dizem que pagam os seus impostos e que têm direito a ter uma escola onde os seus filhos possam aprender sem serem prejudicados por “selvagens”.
Março 23, 2010 at 1:06 am
Eu referia-me mais concretamente ao número de horas que passam na escola e não tanto à questão da indisciplina. E relação a esta há muito mais sensibilização é certo.
Março 23, 2010 at 1:26 am
Bem, consenso não há de certeza, sobre onde cortar. A não ser que se considere que as pessoas que leccionam as tais “excrescências curriculares” não contam como professores. Às vezes a boca foge para a verdade.
Março 23, 2010 at 1:59 am
Bem, espero que os ilustres iluminados que trabalham nos gabinetes do Ministério da Educação saibam que estamos no Século XXI e que não vale a pena continuar a mitigar a mentalidade do Século passado.
Vamos lá reduzir o número de anos do ensino básico e secundário para 10 anos (6 no básico e 4 no secundário). Já alguém perguntou alguma vez para que serve o actual 3 º Ciclo? Rigorosamente para nada, ou seja, entreter gaiatos durante 3 anos.
Março 23, 2010 at 2:01 am
Já estou preparado para receber pedradas pela minha opinião …
Aliás, sempre foi assim, cada vez que alguém pretenda empurrar as coisas para a frente !!!
Março 23, 2010 at 12:15 pm
Temos de desmistificar o Ensino Universitário que na sua maioria é feita por professores que a nível pedagógico deixam muito a desejar. Quando me leccionavam aulas das ” Pedagógicas” , debitavam as suas teorias ( havia que comprar e marrar os seus livros sob pena de reprovar. Qunado fui para o mundo do trabalho percebi que parte da sua imbecilidade tinha uma relação muito forte com a sua debilidade psicológica, com o seu egocentrismo e com a sua arrogância! Ai dos estudantes ou formandos que questionem as suas teorias, são logo ostracizados e muitos deles penam para fazer as cadeiras. País de lambe-botas!!!!!!
Março 23, 2010 at 12:23 pm
39# Pela minha experiência pessoal, um 3º Ciclo bem feito é caminho andado para um secundário sem sobressaltos. Considero que o problema se encontra no Plano curricular, do 2º e do 3º Ciclo, muito mal feito, disperso e sem continuidade racional. Como mãe de alunos nos dois ciclos tenho também essa experiência. Chegandos ao 3º Ciclo,nenhum professor pode fazer milagres a FQ, CN, História, Geografia, etc, com 1 bloco de 90 por semana. Na prática não funciona! Ou se corta nos Curriculos e o que se faz é bem feito, ou continuamos a fazer de conta…..
Março 23, 2010 at 12:57 pm
” (…) perante eventual novo falhanço, acusar os executores das belas ideias por as não terem sabido entender e implementar devidamente.”
Desta vez, vai-lhes sair o «tiro pela culatra». Vamos-nos antecipar, esclarecer e PUBLICITAR “á sociedade” para ficar esclarecida quanto ás “iluminárias” que têm espatifado o Ensino em Portugal…
Março 23, 2010 at 2:34 pm
Tem razão. Mas como o serviço militar deixou de ser obrigatório tinham de ir buscar mais um ano de sossego a algum lado. De qualquer forma o objectivo deles é escolaridade obrigatória até aos 30 anos, idade em que talvez já seja possível arranjar o primeiro emprego.
Março 23, 2010 at 2:35 pm
em 44 referia-me a 39.
Março 24, 2010 at 12:42 am
É triste mas é verdade; com os pseudo-currículos actuais e a obrigatoriedade de estudar tantos anos, talvez estamos a criar uma larga percentagem de analfabetos funcionais no futuro. Não sei realmente no que vai nas cabeças mandantes que promulgam currículos cá para fora…
Por mim, chegavam 10 anos de escolaridade (básico mais secundário); a partir daí é simplesmente torturar os jovens. Parece-me que se pretende atrasar forçosamente a entrada dos jovens na vida activa e responsabilidades adultas.