Fevereiro 2010


What is the real secret of a good school?

How do you turn a sink school into one of the country’s best state academies? We meet the head who made it happen.

Por cá nem é bom recordar as férias secretas e os amores secretos e tudo o que é secreto e surge, quase em tempo real, na primeira página, com a cumplicidade dos que afirmam que tudo era secreto.

Depois a berraria em locais públicos é que se apresenta como privada.

Private lives should never belong to the public

Politicians have to pander to the relentless appetite for disclosure. But knowing too much can lead to bad mistakes.

A friend of mine who works in psychotherapy has seen politicians as patients. He tells me that they are in a constant muddled internal debate about what to show to the world; in which of the three boxes to place the parts of their lives, the public, the private and — above all — the public/private.

You have to be “human” or “easy in your skin” so you display to the voters your family in gobbets, you share your humanity a little, express a doubt or two (but not three).

Keep something back. Just enough, and no more.

News futures: digital dreams and harsh realities

The proliferation of voices on the internet does not constitute a perfect democratic model for our times, argues Natalie Fenton. To truly harness the transformational potential of new media, we must protect and expand reputable news sources – and liberate them from the stifling constraints of the free market.

Agradecendo a sugestão ao Álvaro Teixeira:

The rise and fall of Gordon’s PR guru

A propósito de certas e determinadas promiscuidades…

PERGUNTA SIMPLES À ESPERA DE RESPOSTA

A ADD intercalar para os professores reposicionados não está prevista na proposta do ME

… continuação

Ao lado da sala de profs. – Reprografia sem funcionário. São os professores que preparam o seu material.

Existe também .ma Upper Secondary School – alunos dos 16 aos 18/19 anos – correspondente ao nosso ensino secundário- 90 alunos e 10 professores; 2 funcionárias ( de limpeza) e a Directora. Esta última é a escola do intercâmbio.

(Nota: As dimensões não são comparáveis com a nossa realidade. No entanto, o poder central não fecha escolas, pois considera importante a manutenção dos jovens nas suas terras.)

A educação é da responsabilidade da “ municipalidade” ( se me é permitida esta tradução), embora o sistema educativo seja regulado por um “Gabinete da Educação” central, logo comum a todo o país.

Recepção musical pelos alunos finlandeses.

Os sapatos à porta da sala!!!!

Não há toques de campainha. Alunos e professores entram e saem à hora certa.

Aula de Inglês

Aula de Ioga

Alunas do intercâmbio interagindo em actividade criativa sobre o tema “Common Europe”

Visita Cultural à cidade de Turku

Horários

– Professores- 36 horas semanais – aulas + actividades ( incluindo preparação de aulas)

-   Alunos -  começam às 8.00h terminam às 14.00h – depois das 14 horas, os alunos calendarizam actividades – música, teatro ou desporto. Podem pedir sessões de apoio aos professores.

Os professores entre as 14horas e as 16horas marcam com os alunos as várias actividades de acordo com as necessidades. Nada está definido à partida. Os professores estão disponíveis para o que forem solicitados.

- Turmas – de 16 a 20 alunos, contudo como se trata de uma Upper School, pode haver grupos maiores já que neste nível de ensino a progressão dos alunos faz-se por acumulação de créditos. Para poderem realizar os Exames Finais  ( Nacionais) os alunos têm de ter um mínimo de 75 créditos. Há disciplinas obrigatórias consoante a vertente dominante da sua formação. Este sistema permite que um aluno que queira seguir uma área de Ciências possa escolher disciplinas da área de Humanidades desde que cumpra as disciplinas consideradas obrigatórias na sua área. Os alunos vão-se inscrevendo nas disciplinas para fazerem créditos e tendo em conta os horários em que as disciplinas funcionam logo, pode acontecer haver grupos maiores.

Nota: Este sistema de créditos é o sistema de todo o país.

- Disciplina/ Comportamento – os alunos cumprem as regras de disciplina da escola. Quando há problemas os pais são chamados à escola ou contactados por telefone. Quando os alunos não querem estudar ( já estão fora da escolaridade obrigatória) abandonam, mas são uma minoria. Os pais vão pouco à escola!! Só quando são chamados.

- Faltas – quando faltam os alunos apresentam justificação dos pais ou do médico. Não há limites. Cada situação é avaliada pelo professor da disciplina que terá a assiduidade do aluno em conta na avaliação. Se é um aluno com muitas faltas e nos testes não tem resultados positivos, é automaticamente assumido que isso significa reprovar, isto é, não acumula créditos. Não há recuperações, nada! O que conta é o número de créditos que cada um tem de conseguir para poder fazer os exames finais! Os alunos muito interessados em alargar as suas áreas de conhecimento fazem créditos a mais e enriquecem o seu currículo escolar.

- Avaliação dos Professores – são avaliados anualmente pela Directora da escola que se limita a observar o trabalho dos docentes durante o ano nas várias vertentes. Só têm aulas assistidas pela Directora quando surge algum problema relativo ao seu trabalho. Esse problema pode vir de queixa apresentada pelos alunos, pelos pais ou até mesmo por outros professores ( mais experientes) que podem detectar irregularidades ou dificuldades.

Algo que é bastante diferente do nosso sistema é o sistema de habilitações para leccionar as várias disciplinas. Nesta escola conhecemos professores que podem leccionar: Ed. Física e Matemática / Literatura e Geografia / Ciências e Física e Química , por exemplo.

A Informática é transversal. Todos os professores nas suas salas têm recursos informáticos que utilizam diariamente.

Cada professor tem a sua sala com todo o seu material. Até parte do trabalho administrativo, registo de progressões , é feito pelos próprios professores, tanto que a escola não tem Secretaria. Tem o gabinete da Directora que realiza o trabalho necessário.

Nota: A burocracia não deve ter nada a ver com a montanha horrível de papel que nós temos nas nossas escolas portuguesas.

É tudo simples e eficaz: as salas estão abertas, não há funcionários a tomar conta dos meninos porque vandalizam e roubam os equipamentos ou porque roubam os telemóveis uns aos outros, os pais não andam a correr para a escola a queixar-se da má relação que o prof. X tem com o filho, ou que a filha é vítima de bullying, ou que a comida no refeitório não presta, ou que o professor pôs o filho na rua, etc… A escola é respeitada. Enquanto os filhos estão na escola, têm de cumprir as regras da escola e “ponto final”. Só como exemplo, sempre que nós entrávamos numa sala de aula, os alunos levantavam-se e cumprimentavam-nos “ good morning”.

Bem, não quero ser cansativa, portanto vou ficar por aqui.

Espero satisfazer alguma curiosidade, pois sei que outras questões ficaram por abordar e nem todas tivemos oportunidade de aprofundar nos quatro dias e meio que lá passámos.

Fátima F.

Professora de Inglês

Escola Secundária Augusto Cabrita – Barreiro

Deixo ainda uma foto da paisagem linda da Finlândia coberta de neve

Será porque a descendência já está no privado e em rota de saída para a Universidade, enquanto o papá ainda tem esperanças em conseguir uma migalha à moda, mas longe da escala, dos ruispedros?

Já era tempo. Faz-me lembrar uma certa conhecida da Faculdade que tanto edulcorou os seus mentores que, ao fim de uma década ou mais, lá ganhou um lugarinho de suplente no corpo docente. A certa altura até já eu queria que tanta lambuzice fosse recompensada.

Transferência de escolas públicas “abre as portas à privatização do ensino secundário”

São muitas as reservas à decisão do Ministério da Educação (ME) de transferir a maior parte das escolas secundárias para a empresa pública Parque Escolar. À excepção da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), praticamente todos os organismos contactados ontem pelo PÚBLICO encaram esta decisão como “uma péssima medida que abre caminho à privatização do ensino secundário”.

(…)

Quem sai em defesa da transferência das 332 escolas públicas que estão a ser modernizadas para a alçada da Parque Escolar é a Confap. O seu presidente, Albino Almeida, compara esta transferência à que ocorreu há 25 anos, quando a tutela dos edifícios das escolas do primeiro ciclo passou “para as câmaras municipais, mas sem a componente “mochila financeira”". Para o presidente da Confap, “tal como com as autarquias, nada das competências sobre o edificado escolar interfere na autonomia e gestão pedagógica e educativa das escolas. Tudo o que se disser em contrário é, no mínimo, especulativo”.

Curiosa também a ausência de opinião de Álvaro de Almeida Santos sobre o assunto, como se agora não tivesse opinião pessoal, de tal modo está imbuído da função institucional.

Quanto ao edificado pai da nação, só mesmo como brincadeira de Carnaval se podem considerar as suas declarações.

Enquanto o Grande Fénix não ensaia o renascimento no próximo fim de semana, vai ficando peloo caminho uma fraca cortina de fumo em defesa do que não é defensável ou admissívelo anão ser por indefectíveis e/ou destituídos do mais óbvio bom senso.

A tentativa de deslocação da essência do problema – uma espécie de conspiração mais ou menos alargada para colocar alguns órgãos de comunicação social na dependência directa de uma facção partidária (e não falo em partido, note-se…) – para questões formais é apenas a extensão da estratégia valentiniana, isaltinesca, felgueirense ou avelinense de atacar a forma e não a substância do problema. É o que ensaia, de forma verborreica, Vital Moreira hoje no Público, numa prosa que poderia sair directamente de uma intervenção sua há 35 anos a justificar algo parecido, mas feito por uma facção mais avermelhada pois, no fundo, nós muito dificilmente deixamos de ser quem somos.

Que isso seja feito em nome de uma das mais altas figuras do Estado é trágico para a Democracia. Que os factos não sejam desmentidos de modo claro (a formulação habilidosa do nosso primeiro ao afirmar que “o Governo não mandou…”) ou que sejam diminuídos como se de uma idiotice se tratasse (Proença de Carvalho) é apenas uma forma de comprovar de modo indirecto que o cerne do problema não é falso.

Por tudo isso há duas estratégias profundamente erradas, porque mistificadoras, de abordar o caso da tentativa de condicionar a acção dos media menos cordatos para com o Governo e a facção política no poder:

  • Uma delas é, como já acima escrevi, atacar a forma da divulgação dos factos. Nem vale a pena recuar para dizer que estes fizeram o mesmo que agora acusam aos outros. Não vamos ficar por essa de pecado por pecado, violação do segredo de Justiça por segredo de Justiça. Basta irmos ao que mais interessa: quando o arguido procura que o caso seja arquivado ou ser ilibado por questões formais, não negando os factos em si, ficamos com uma versdão light do O. J. Simpson.
  • A outra é atacar as intenções do mensageiro, acusando-o de ter interesses ocultos ou escancarados em tudo isto. Ou seja, volta a não se contestar os factos, mas o interesse de quem os divulga. Um pouco como nas séries televisivas em que se acusa quem faz um acordo com a acusação para testemunhar contra quem cometeu crimes mais graves. Claro que o mensageiro ou arrependido tem interesse em divulogar os factos. Mas também o interesse público. Um pouco como foi desmantelada parte da cosa nostra novaioquina com base no testemunho de Joseph Massino, o Último Don, para evitar a pena de morte.

Que estas sejam as estratégias que restam, pelo menos por agora, aos spin-doctors de serviço é algo sintomático.

Que isto ainda funcione em diversos sectores da opinião pública é apenas mais uma razão para eu me lembrar de um certo presidente do Benfica, outrora tido como grande justiceiro e purificador do futebol português.

… que lá fora até sabem dirigir jogos enquanto cá se transformam em brunospaixões conforme a brisa do dia, Constâncio vai para a Europa fazer aquilo em que demonstrou uma assinalável falta de jeito por cá.

Constâncio vai ficar com a área da supervisão dos mercados financeiros

Olhem para a Itália, para a Inglaterra blairista, para a América do Bush Jr., para tantos outros exemplos que por aí andam.

“É muito difícil manter um mentiroso como primeiro-ministro”

Marcelo Rebelo de Sousa considera que falar na substituição do chefe de governo neste momento é uma atitude “irresponsável” porque o Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) – um instrumento “fundamental para o futuro do país” – ainda não está aprovado pela União Europeia.

No seu espaço de comentário na RTP, afirmou que “é muito difícil manter um mentiroso como primeiro-ministro, mas a situação do país impõe-no”, referindo-se à compra da TVI pela Portugal Telecom (PT) para, alegadamente, controlar a comunicação social, que José Sócrates afirmou desconhecer oficialmente.

Em relação a Rui Pedro Soares e Paulo Penedos – respectivamente administrador e assessor da PT -, Marcelo diz que “assim como os indicou, [Sócrates] pode mostrar o seu desagrado” conduzindo ao seu afastamento da empresa pública.

É observar com bonomia enquanto o Novo Rumo não é traçado no fim de semana próximo:

Bava defendeu negócio enquanto Granadeiro anunciava fracasso

Administradores da PT com discursos contrários sobre compra da posição na TVI

Enquanto permanece em aberto o futuro de Rui Pedro Soares e Fernando Soares Carneiro na Portugal Telecom (PT), os dois administradores executivos envolvidos na polémica das escutas, torna-se evidente que a existência de fragilidades e divergências no interior da administração já não é nova e vem, pelo menos, desde Junho do ano passado, quando esteve em cima da mesa o negócio da TVI.

Juan Miró, O Carnaval do Arlequim (1924)

E agora outra obra de arte do Carnaval

Repararam como até fui púdico, não vá a contecer as crianças já estarem levantadas?

Pixie Lott, Cry Me Out (para vender, o vídeo oficial é este)

Por cá tende-se a sublinhar, em revistas como a Nova Cidadania e em alguns ambientes de debate que se têm a si mesmo como liberais ilustrados, as vantagens imensas das experiências anglo-saxónicas. Claro que se puxam para a frente os bons exemplos, esquecendo que desses há em todos os modelos. O balanço global é que deixa um pouco a desejar ou então é absolutamente paradoxal em relação ao espírito do capitalismo.

Esta passagem é retirada da página 137 da obra ao lado, sobre as lideranças necessárias no novo milénio, editada em 2007 pela Harvard Business School Press que não é bem um reduto dos defensores do filantropismo:

Hundreds of millions have also beeen invested, mostly by idealistic business leaders, in educational management organizations (EMOs). These are charter schools, started in the 1990s, wicha have been licensed by public school systems. Some, like Adventure and Edison Schools, promised to venture capitalists a big return, but didn’t. The most successful charter schools in terms of results have been the not-for-profit.

Olá Paulo!

Há algum tempo comuniquei a visita que ia fazer a uma escola da Finlândia. Penso que alguns “umbiguistas” ficaram curiosos e interessados em receber algum “feedback” dessa visita. Pois bem, cheguei apenas ontem. Gostaria de enviar um trabalho melhor organizado, mas pensei que seria simpático da minha parte dar já algumas notícias.

Em primeiro lugar quero esclarecer que esta visita correspondeu a mais uma mobilidade do Projecto – Eco-Sport, Eco-Culture and IT – integrado no Programa Comenius a que a minha escola (Sec. Augusto Cabrita – Barreiro) se candidatou e que neste momento já está próximo da sua conclusão, tendo sido iniciado no ano lectivo 2008/09. A iniciativa foi de professores de Informática que envolveram algumas das suas turmas de Cursos Profissionais. Eu integrei o projecto enquanto professora de Inglês de algumas dessas turmas. Neste Projecto estão envolvidas escolas de sete países: Portugal, Itália, República Checa, Polónia, Roménia, Suécia e Finlândia. Faremos 6 mobilidades e já recebemos na nossa escola as delegações dos outros 6 países em Outubro passado.

Basicamente o projecto obriga a trabalho nas áreas das novas tecnologias, desporto e ambiente. Para cada mobilidade são definidos temas de trabalho, modos de apresentação dos trabalhos de cada país com recurso a aplicações/programas informáticos. Há um número mínimo obrigatório de “mobilidades”, isto é, alunos e professores que constituem as respectivas delegações. No entanto, em cada deslocação, viajam um máximo de 6 pessoas, entre alunos e professores. Os alunos são sempre acolhidos pelas famílias dos alunos envolvidos no projecto. Durante a semana em que permanecemos no país visitado cumprimos um programa de actividades previamente definido que passam por: contacto directo com a escola que visitamos, implicando assistência ( por vezes com participação mais ou menos activa) a aulas e actividades da escola, visita às instalações da escola, visitas de carácter cultural, participação em actividades desportivas, apresentação dos trabalhos que foram feitos entre mobilidades, também as respectivas reuniões de avaliação do cumprimento dos objectivos e definição do trabalho a desenvolver até ao encontro seguinte. No nosso caso este projecto envolve cerca de seis professores que foram rodando entre si as deslocações. No meu caso, tive oportunidade de em Maio passado ter ido à Suécia e agora à Finlândia.

Relativamente à Finlândia a escola com quem temos este intercâmbio situa-se na pequena localidade de Perniö, na região de Salo, a 2 horas de camioneta da capital Helsínquia. Perniö tem:

Uma Secondary School – frequentada por alunos dos 12/13 aos 15/16 anos – correspondente ao nosso 3º Ciclo – 234 alunos e 23 professores ; 3 ou 4 funcionárias (de limpeza) e a Directora.

Entrada da Escola com os trenós.

Hall de entrada. Casacos e calçado são tirados. Os alunos andam em meias por toda a escola. Conforto e limpeza!!!

Alunos em aula. Cadê os 28/30 alunos? Entre os 16 e os 20 alunos!

O refeitório: a comida vem de um serviço de catering. Há 1 funcionária que coloca a comida nas cubas, os alunos servem o seu próprio prato, limpam o prato e os talheres que arrumam num balcão, as mesas ficam sem uma migalha e suspendem as cadeiras nas mesas para que tudo fique arrumado e reduza o trabalho da funcionária. Os alunos não pagam a refeição.

Sala de Informática

Laboratório de Línguas

Sala de Professores – pode ver-se um balcão onde os próprios professores preparam os seus lanches, fazem café ou chá ou aquecem alguns alimentos. Não há bares, nem de alunos nem de professores. Poupam-se assim funcionários!

Continua…

Índice 299 ultrapassa índice 340 com a Proposta do ME para novo ECD

Depois de uma ultrapassagem, uma desigualdade no índice 245 na Proposta do ME para o novo ECD

A Gamela e o Poleiro

Desprovido de um escol competente e vertical, formado nos valores do trabalho, do rigor e da honradez – valores que a escola pública habilmente já deixou de transmitir aos alunos –, Portugal parece estar condenado a ver alternar os seus destinos nas mãos de dois partidos: o da Gamela e o do Poleiro.

À volta da Gamela posta-se todo o tipo de gentinha. Não importa que o Chefe Máximo seja incompetente e desonesto. Basta que tenha pingues proventos e rendíveis cargos para distribuir pelos seus sequazes. Aos que sofregamente chafurdam na suculenta Gamela não interessa o passado nem o futuro de Portugal. Interessam só os bolsos, o estômago e as adjacências circundantes mais ou menos confessáveis. Não se estranha pois que, estando o Chefe Máximo em sérios apuros, todos, ou quase todos, se arregimentem atrás de si, alinhavando posts no submundo da blogosfera encomendada, escrevinhando crónicas avençadas em jornais de um famigerado amigo, fazendo comentário político comprometido onde lhe dêem um minuto de fama e proveito numa rádio ou numa televisão.

Do lado oposto, embora não se atinja um nível de tão baixa indignidade, junto do Poleiro degladiam-se facções, combatem secções, confrontam-se tendências. O interesse nacional está também arredio das suas mentes. Movem-se por uns instante de vanglória, por fugazes ambições de mando, talvez pela expectativa de uns proventos ulteriores que assim não virão cedo.

À falta de um D. Sebastião que nunca chega nem quando se abate uma tenebrosa névoa sobre o futuro da Pátria; na ausência de um homem providencial que só de séculos em séculos tenta resgatar o País à mediocridade; entre a Gamela e o Poleiro talvez só reste aos Portugueses a remota esperança de que alguém de carne e osso, que eles elegeram como Chefe de Estado, assuma as suas responsabilidades e cumpra os seus deveres constitucionais.

Depois de quatro anos de inacção e de estratégica cumplicidade do Chefe de Estado com o Chefe Máximo, essa esperança estiolou e está quase irremediavelmente desvanecida.

Se Portugal se divide entre uma Gamela e um Poleiro, legitimamente começa a formar-se na mente dos Portugueses a dilacerante dúvida se esse Supremo Magistrado da Nação, eleito por sufrágio universal em expressiva manifestação da vontade popular, está verdadeiramente acima do lamaçal pantanoso em que o País se transformou.

Pior ainda: começam a desconfiar se a personagem que elegeram e que tomaram por honesta, traindo as suas expectativas e combinando os defeitos de todos os outros, não se moverá na sua carreira política simultaneamente por uma gamela e por um poleiro?

Os Portugueses vão esperar mais uns dias, mais umas semanas… Depois de aprovado o Orçamento de Estado e o Plano de Estabilidade e Crescimento farão o seu juízo!…

Aguardemos…, mas não muito tempo…, que a paciência esgotou-se!

Mário Rui Simões Rodrigues

Uma reportagem exclusiva alargada de uma colega que foi à Finlândia recentemente num programa de intercâmbio. São sete páginas bem documentadas com fotografias, para que se percebam algumas diferenças básicas no funcionamento das escolas de lá e cá.

Também uma análise interessante da liderança em contextos educativos nos EUA e mais um balanço, inesperado, da experiência das charter-schools.

Agora vou ali acabar outras escritas.

Como dizia no outro dia o kafkazul, agora temos uma espécie de trailer ou teasing dos posts seguintes.

Alunos que falham aos 15 anos raramente recuperam

Estudantes mais fracos que participam no estudo PISA, da OCDE, deixam escola cedo e têm taxa de desemprego superior

Quem tem dificuldades escolares aos 15 anos dificilmente recupera a tempo de conseguir disputar os melhores cursos e os empregos mais bem pagos. A conclusão parecerá óbvia. Mas a verdade é que ainda não tinha sido demonstrada tão claramente como aconteceu agora, através de um estudo longitudinal realizado no Canadá com dezenas de milhares de estudantes.

O Youth In Transition Survey (YITS) – ou Inquérito à Juventude em Transição – consistiu no acompanhamento, ao longo de uma década, de 30 mil jovens que tinham participado no Programme for International Student Assessment (PISA), em 2000.

O PISA consiste num conjunto de testes internacionais destinados a jovens de 15 anos dos países da OCDE, onde são avaliadas competências ao nível do domínio da leitura na língua materna, matemática e ciências.

Isto são conclusões mais do que óbvias, já conhecidas entre nós por estudos internos desde os anos 90. A transição para o mercado de trabalho – e não só – não se constrói, à pressa, no 3º período do 9º ano.

O que está  em causa é a necessidade de um trabalho sistemático e rigoroso a partir do pré-escolar que não se compadece com calendários eleitoralistas, estatísticas de fachada ou facilitismos a nenhum nível.

Superar um défice que é construído logo nos primeiros anos de escolaridade não é tarefa para tiradas demagógicas ou conferências de imprensa anuais para anunciar saltos quânticos nos resultados internos dos exames nesta ou naquela disciplina.

O que está em causa é a necessidade – urgente há 20 anos ou mais – de proceder a uma reavaliação profunda da nossa maneira de encarar a Educação. Não é tarefa para um mandato, nem sequer para dois. Não é tarefa para ser entregue a girls ou boys da simpatia de um(a) ministro(a) ou secretário(a) de Estado como tem acontecido de forma sistemática entre nós.

Relembremos muita produção do IIE ou por ele apoiada.

Chega de fazer conferências e debates que de nada servem, como o que foi promovido pelo Parlamento há poucos anos, apenas produzindo papelada para ir para a gaveta quando as conclusões são menos agradáveis e não prometem resultados a curto prazo.

Não adianta copiarmos fórmulas que funcionam em países que nesta matéria estão em velocidade de cruzeiro em termos educacionais. É essencial olhar para a realidade que temos, dentro e fora da escola, e intervir de uma forma clara, rigorosa, cirúrgica mas articulada, mesmo se for sem resultados óbvios nos primeiros anos de implementação.

Isto só dá resultados firmes ao fim de uma década ou mais. Ninguém consegue acelerar a História neste campo. É inútil criar uma escolaridade obrigatória de 12 anos se é apenas para diminuir as estatísticas do desemprego jovem ou para criar mais desempregados teoricamente qualificados.

Para o bem e o mal, os escandinavos que tanto querem admirar, desenvolveram a sua literacia de forma exigente com métodos bem tradicionais, antes de enveredarem por aquilo que agora querem importar para cá.

Para o bem e para o mal, o sistema liberal e de livre iniciativa dos EUA, colocou o país em perda nos testes comparativos internacionais nas últimas décadas, mesmo se há soluções – mais ou menos pontuais – de excelência e grande qualidade.

Entre nós há uma visão curta em Educação, utilitarista e de curto prazo, ou então uma visão utópica, livresca e muito marcada ideologicamente.

Raramente se olha para aquilo que pode fazer uma criança de seis, oito, dez anos, construir uma aprendizagem substantiva e significativa. Apenas se procura achar a solução para, em 2-3 anos, se conseguirem ganhos estatísticos nas avaliações internas.

Raramente se pensa que é necessário monitorizar o sistema à entrada, a meio e à saída de cada ciclo de escolaridade, com base em instrumentos padronizados de aferição/avaliação.

Entre nós gasta-se muito tempo e recursos a estudar case-studies que depois se querem elevar a soluções globais.

Há uma produção gigantesca, em termos comparativos, nos últimos 20 anos na área das Ciências da Educação, sem que isso pareça ter efeitos práticos, positivos, ao nível das decisões políticas. Talvez porque muitas vezes as encomendas apenas tentam satisfazer os encomendadores.

Ainda há pouco relia o estudo feito, em 1997 para o ME, por João Barroso sobre a autonomia escolar e pensava o quanto não foi feito em 13 anos. O quanto foi papagueado para consumo mediático e o pouquíssimo que temos de verdadeira autonomia escolar, para além daquelas manigâncias da contratação directa de docentes pelas escolas TEIP.

Os alunos que falham aos 15 anos já não vão a tempo, em regra, de recuperar? Claro que não. E não é com cascatas de diplomas das Novas Oportunidades que lá vamos.

Só lá vamos se, de forma exógena e endógena ao sistema educativo, nos convencermos que a Educação não pode ser uma campo para a batalha política e ideológica, em que a distribuição dos Magalhães se faz no ano pré-eleitoral sem respeitar regras de transparência e no ano pós-eleitoral é deixada para quando calhar.

Mas então o bichinho é uma ferramenta pedagógica fabulosa apenas no final de um mandato?

Aos 15 anos já a maior parte do mal está feita. Já os alunos foram sujeitos a 9 anos de escolaridade em que o sistema não lhes incute  uma ética de trabalho e rigor, apenas procurando pressionar os professores para fabricarem sucesso a curto prazo.

O resto é tudo uma enorme mistificação.

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