Fevereiro 2010


O que devo ser quando for grande?

No futuro, serão necessários mais técnicos especializados e legisladores do que agricultores e artesãos. E a maioria dos novos empregos deverá ser criada em áreas que exijam um conhecimento altamente qualificado.

Afinal as alterações curriculares no 3º ciclo vão ser meramente cosméticas. Não percebo se é falta de ideias claras, se é falta de coragem política, mas é certamente falta de alguma coisa.

Vai-se de novo investir em alterações casuísticas, subjectivas, para consumo mediático e vantagens pouco evidentes para o funcionamento das escolas.

Que o problema maior está exactamente na transição dos 2º para o 3º ciclo e todas as estatísticas e estudos o demonstram – excepto para os teorizadores do trauma da passagem do 4º para o 5º ano – pelo que algo deve ser feito.

A minha opinião, nada nova, é que deveríamos fundir estes dois ciclos de escolaridade, até porque já funcionam nas mesmas escolas e, apesar de isso talvez provocar um certo franzir de sobrolho a certas doutoras e doutores, a maioria dos docentes ter uma habilitação académica equivalente, só ganhando em trabalhar mais em conjunto, sem a sobranceria típica de algumas aulas iluminadas pelo facto de darem 7ºs e não 6ºs anos.

Mudanças prometidas para o 3.º ciclo vão ser um “mero ajuste”

(…)

Contudo, o que a equipa de João Formosinho vai fazer é um “mero ajuste”, revela o professor e investigador da Universidade do Minho.

Para variar são inquiridos especialistas sobre os assuntos, mas nenhum professor em exercício nas escolas. Ou seja, teremos novamente um enxerto imposto de cima para baixo, delineado por especialistas e comentado por especialistas, sendo que por especialistas se entende quem fala sobre o assunto e o ofício, mas não o pratica.

Concordo, por isso, com o que afirma José Augusto Pacheco, que parece ser o único com uma ideia clara sobre o que está verdadeiramente em causa.

“O mais coerente seria uma reforma dos programas de todas as disciplinas e a criação de novos planos curriculares”, defende José Augusto Pacheco, director do Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho, para quem é “urgente uma nova reforma, pensada de forma integrada e não por passos”.
(…)
Para José Augusto Pacheco, o actual modelo curricular devia ser avaliado antes de se introduzir alterações.

Quanto a outras opiniões, há as que fazem sentido e as que nem por isso. É o caso de quem defende o conceito de mini-reforma, mas depois afirma que devem ser as escolas e os professores a configurarem o currículo.

Ou o caso do Ramiro Marques que acha que as escolas já têm suficiente autonomia para gerir o currículo, o que é uma ideia bastante peregrina e desconhecedora dos requisitos necessários para deslocar um bloco de 90 minutos na organização curricular, ao nível de escola.

Em relação à ideia dos exames em todas as disciplinas no final do ciclo é interessante, mas não chega. O sistema  necessita de uma maior monitorização do que exames à saída, a menos que os sistema de exames seja de tipo integrado, sem os vários ciclos a funcionarem cada um por si, uns com provas de aferição, outros com exames, com objectivos e finalidades diferentes.

Inês Sim-Sim e Carlinda Leite, presidente do conselho directivo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, concordam com a ministra e defendem que deve ser dada mais autonomia às escolas para gerirem o currículo, adequando-o ao perfil dos alunos, o que é impossível com um currículo nacional “tão recheado”, aponta Carlinda Leite. “Os professores deviam ser configuradores de currículo”, explica.

Ramiro Marques discorda. Actualmente, as escolas já têm margem para gerir o currículo e a tutela não deve prescindir desse poder. Por isso, o melhor é manter as disciplinas que existem e introduzir exames em todas, no final do ciclo. É bom para conhecer o sistema, o modo como as escolas trabalham, mas também para os alunos ganharem resiliência, recomenda.

Este homem está no bom caminho para se tornar um razoável escritor de ficção. Ou então alguém por ele aprendeu muito com os blairistas a contornar osn conceitos e as palavras problemáticas:

Sócrates apela a união do PS pela “decência” do discurso político

Franquin, Gaston Lagaffe

Martin Scorsese, Shutter Island

O livro é bom, do mesmo autor do Mystic River que deu origem a outro belo filme, nesse caso do Clint Eastwood.

A world of connections

Online social networks are changing the way people communicate, work and play, and mostly for the better, says Martin Giles (interviewed here)

São 13 páginas, façam favor de se servir: ParecerFenprof.

Tenho estado a ler, de forma moderada, acerca das experiências pedagógicas em escolas públicas americanas, aquelas que propõem estadias mais longas dos alunos, do género 8-17.30.

São quase sempre localizadas em bairros e zonas socialmente desfavorecidas e economicamente muito vulneráveis, em que os pais (ou outros familiares com quem elas vivam) das crianças são obrigados a trabalhar em horários exigentes ou mesmo duplo emprego, muitas vezes mães solteiras, agregados desestruturados para os quais a escola é um apoio indispensável para manter as crianças seguras, debaixo de um tecto,

Em zonas mais desafogadas – e isso eu sei por testemunho directo – as escolas públicas fecham portas pelas 15 horas.Porque os pais têm horários de trabalho compatíveis e/ou outros meios para acompanhar as suas crianças.

Entre nós a aposta para o futuro – feita com um sorriso – parece ser no primeiro modelo. Não sei porquê, mas não me agrada sobremaneira.

Isabel Alçada: “Esta é a escola do futuro”

A ministra da Educação mostrou-se impressionada com o projecto do futuro Centro Escolar de São Frutuoso, que vai ser construído na zona de Montélios, em Real. Isabel Alçada considerou mesmo que esta é “uma escola virada para o futuro, a escola que queremos para o nosso país”.

“O projecto deste centro escolar manifesta interesse por contribuir para que a escola portuguesa seja uma escola virada para o futuro, uma escola onde as crianças possam estar o dia inteiro, onde possam aprender num ambiente favorável, com as condições que a nossa época exige”, afirmou Isabel Alçada, que ontem presidiu ao lançamento da primeira pedra do Centro Escolar de Montélios, uma obra que a Câmara Municipal de Braga adjudicou por 1.895.421 euros e que é comparticipada pelo QREN.

Madeira: Sócrates chega ao Funchal esta noite

Primeiro-ministro vai visitar as áreas mais afectadas

Para quem, como nós, ficamos tão afectados sempre que há um tsunami ou terramoto algures seria bom que – respeitando a proporção das catástrofes – nos não esquecessemos que a Madeira não é apenas feita de bonzos e jaimesramos.

Sei que me dirão que é função do PM aparecer nestas alturas. Pois é. Mas à tarde estava numa reunião partidária e a discursar para têvê ver.

Acho que neste caso talvez se impusesse uma visita presidencial, até pelas elevadas perdas humanas envolvidas.

Não, não é quanto tempo o sempre-em-pé continua sem cair.

É algo mais importante para o futuro, que o outro vai ser passado a mais curto ou médio prazo.

Atenção que estou a referir-me aos 2º e 2º ciclos e penso principalmente nas chamadas disciplinas teóricas, porque assumo que nas que têm uma vertente mais prática – EVT, EV, Educ. Física, Ed. Musical – a preferência seja pelas aulas mais longas.

Nota: No campo “other” a ideia é escreverem a duração que acham correcta e não apenas votar.

Isabel Alçada em entrevista à revista Única do Expresso:

Também quer reorganizar os currículos do ensino básico. Os alunos chegam a ter 13 cadeiras. VAi acabar com algumas disciplinas?

NAs áreas não curriculares, como Educação para a Cidadania, Estudo Acompanhado e Área de Projecto, pode haver uma absorção. Há uma equipa a trabalhar numa proposta. Mas, para além da grelha curricular, podemos mexer na gestão do tempo. Estamos a analisar as vantagens e inconvenientes de ter aulas de 90 minutos. É uma matéria que, no quadro da maior autonomia de decisão das escolas, pode ser reequacionada.

Vai reduzir o tempo das aulas?

Tenho colocado esta questão nas reuniões com directores. Alguns acham óprimo haver blocos de 90 minutos, outros preferiam de outra forma. Temos de ponderar em função da sensibilidade das pessoas que estão nas escolas.

Ora muito bem, finalmente alguma luz nas trevas.

Esqueçamos que a disciplina é Formação Cívica e que em vez de absorção se deveria falar em fusão quanto às ACND. Só a possibilidade de estas áreas-coiso verem o seu espaço um pouco reduzido é razão para foguetório. O mesmo em relação à possibilidade de fazer as aulas de 90 minutos regressarem ao sítio de onde vieram – a cabeça dos teorizadores – pelo menos no caso de algumas disciplinas.

Quanto à opinião dos directores é sempre interessante mas, em boa verdade, são ele(a)s exactamente quem não dá aulas numa escola. Até pode dar-lhes jeito para reduzir os intervalos e organizar os horários, mas em termos pedagógicos, em algumas disciplinas, em particular quando a carga horária é apenas de 90 minutos semanais, mais vale distribuí-la por duas aulas semanais mais curtas.

Penso eu de que… mas já vou colocar uma sondagem.

Rui Pedro Soares surge na imprensa de hoje em, pelo menos, duas entrevistas. A do Expresso durou, ao que contam, várias horas, mas a transcrição não dá a entender isso, pelo que muito deve ter sido em off. O que está publicado acho que nem para uma hora daria.

Quando à do I, que repete com respostas um pouco mais longas, os argumento da do Expresso, deixo aqui uma passagem interessante em que não se desmentem factos, apenas denunciando os meios da sua divulgação. Seria engenhoso, se já não tivéssemos ouvido isto numa versão mais trauliteira, por parte do major valentão e outros que tais.

Nas escutas parece ficar claro que havia mesmo a intenção de a PT funcionar como braço do governo para controlar a TVI e outros grupos de media. Como comenta?
É sabido que considero que a publicação das escutas viola as regras legais sobre o segredo de justiça, e que por isso é crime. Já li na imprensa que o procurador-geral da República e o Ministério Público de Aveiro abriram processos-crime por causa da publicação dessas escutas, processos esses que acompanharei com muita atenção. Aliás, disse aos meus advogados que me quero constituir como assistente nesses processos. Também já li que o juiz da comarca do processo Face Oculta disse que considera que essas escutas estão em segredo de justiça. Assim, não falo sobre o seu conteúdo, pois, a ser verdade que são crime, o que os meus advogados me dizem que sim, estaria a compactuar com criminosos, e até dos que fogem a serem notificados pelos tribunais. Não me queira fazer cúmplice dessa rapaziada. Dizem-me também que, estando em causa comunicações entre cliente e advogado, as escutas das conversas entre mim e o advogado dr. Paulo Penedos poderão ser ilegais. Não sendo advogado, ouvi dizer um dia que há certas leis que os cidadãos devem defender como se fossem as muralhas da sua cidade.

Lembram-se de eu chatear por causa das classificações arredondadas? E de dizer que não é possível fazer uma ordenação razoável dos candidatos com valores inteiros?

Lembram-se de muita gente dizer que a aplicação não sei o quê, que não dava?

Parece que vai ter de dar, pelo menos é desta forma que o projecto de portaria para as condições de acesso aos 5º e 7º escalões coloca as coisas:

Artigo 3.º
Procedimento
1 – Para o efeito do procedimento do preenchimento das vagas, os docentes posicionados nos 4.º e 6.º escalões a quem tenha sido atribuída a menção qualitativa de Bom na avaliação do desempenho imediatamente anterior à progressão e que já tenham cumprido os requisitos previstos no n.º 2 do artigo 37.º do ECD, integram uma lista de graduação nacional, por cada um daqueles escalões e por ordem decrescente, em que é unicamente relevante para a posição que ocupam na lista a classificação da última avaliação do desempenho apurada até às centésimas e, se necessário, até às milésimas.

Leio na primeira página do I de hoje, Miguel Sousa Tavares a debitar do alto da sua sabedoria e cultura:

Faltam horizontes culturais a Cavaco Silva

Mudo de jornal e leio o relato das declarações de José Sócrates na sua reunião de ontem:

Sócrates aponta Mandela como exemplo

“Eu confio muito em mim e por confiar muito nas minhas capacidadees e nas minhas convicções, dizem que sou autoritário”.

Quem o disse foi José Sócrates, quinta-feira à noite, na reunião com os deputados do PS, a primeira desta legislatura, e na sequência dos encontros agendados esta semana com as estruturas partidárias, e que culmina hoje com a reunião da Comissão Nacional.

Serviu a explicação para aconselhar os socialistas presentes – António José Seguro foi operado esta semana, pelo que não compareceu – a verem o filme de Clint Eastwood “Convictus”, que logo alguém emendou para “Invictus”, sobre a ascensão do líder do Congresso Nacional Africano (ANC), e primeiro presidente da África do Sul, Nelson Mandela.

Aos presentes, o secretário-geral apontou Mandela como “o exemplo de uma verdadeira liderança”, já que, “por vezes, liderar é ir contra a vontade daqueles que nos rodeiam”. E se a Oposição quer que o PS tenha outro líder “Azar! Porque o líder sou eu”.

Vamos lá, deixemos de parte o completo descolamento da realidade que acometeu o engenheiro, enamorado de si mesmo como Narciso não conseguiu.

Concentremo-nos antes em Sousa Tavares, sempre tão bom a apontar o dedo às carências dos outros. Será que na 2ª feira, ao entrevistar o Grande Líder, também lhe irá testar os horizontes culturais?

Ou achará ele que eles não são essenciais para ocupar o cargo de PM mas sim o de PR?

Estou curioso.

É batota perguntar apenas sobre aquilo que já discutiram ao almoço, como a tese do livro de gastronomia O Choco Das Civilizações do Huntington. Ou aquela sinfonia gira do Amadeus chamada Falco.

Quanto ao filme em apreço acho extremamente adequado pela relação estreita que revela entre um político e um desportista.

Consta mesmo que a Fundação Piennar passou, desde essa altura, a publicitar de forma graciosa as actividades do SowetoPark.

Mais de nove mil professores aposentados em dois anos

A questão maior e magna da credibilidade do sistema político português tem, com toda a naturalidade, precedência sobre problemáticas particulares ou de grupo.

Mas a verdade é que o país continua a existir para além da arena de circo em que os actuais senhores do(s) poder(es) tornaram a vida pública nacional.

É que estamos a atingir um estado próximo da italianização, mas sem aquela capacidade que eles têm para continuar a funcionar, produzir moçoilas e moçoilos munta gira(o)s para mostrar na RAI, contratar o Mourinho, produzir Ferraris e outros artigos de prestígio.

Vai daí que isto começa a ser complicado.

No final da semana que está a acabar houve nova ronda de negociações ME/sindicatos e quase nada conseguiu ganhar visibilidade.

No fundo, o que se conseguiu ao fim de mês e meio de coiso e tal, foi ficar mais ou menos na mesma – de novo – com o aparecimento de uns projectos de diplomas para traduzir o acordo em coisas publicáveis no Diário da República.

Questões nebulosas continuam algumas, umas mais sérias, outras mais laterais, na minha modesta opinião.

Continuam problemas para fazer transitar a carreira pela terceira vez nos últimos três anos, em especial ali  o meio onde a equipa anterior se especializou em criar situações disparatas que agora é difícil resolver com equidade.

Já quanto à aplicação do simplex à avaliação ou apreciação intercalar este ano há questões pertinentes e outras nem tanto. Porque temos como referencial em vigor o ano civil e a vida escolar organiza-se em anos lectivos. E não se percebe bem como é que as coisas podem ser tratadas de uma maneira para uns e de outra para outros. O mais simples seria mesmo que as pessoas em situação de progressão até Agosto deste ano o pudessem fazer com base na avaliação terminada em 31 de Dezembro. E depois, a partir de 1 de Setembro começaria um novo modelo. Ou uma solução parecida.

Dia 24  há nova reunião negocial, ao que parece com uma reformulação das propostas do ME em alguns detalhes. Mas quer-me parecer que isto continua algo confuso demais, quando o tempo se perde em discussões em vez de serem tomadas decisões políticas corajosas.

De uma coisa eu estou certo: se avançar uma ideia que parece estar em cima da mesa relativamente aos concursos para os contratados, é da mais elementar justiça e equidade que ela seja alargada em outros contextos.

Porque, vamos lá assumir isto com clareza e sem maus fígados, gritaria ou aproveitamentos oportunistas: este ciclo avaliativo de 2007-09 foi uma completa mistificação e ninguém deve ser prejudicado por ter lutado contra ela.

Não me parece nada correcto que alguém fique para trás no futuro, quando se adivinham soluções transitórias uniformizadoras para outros, eliminando benefícios.

E fiquemos por aqui, por agora, porque me parece que isto ainda está muito nevoento.

O pdf está protegido, para transformar as páginas todas em imagem mais vale deixar o ficheiro para consulta e descarga por quem quiser: Portaria vagas 5.º e 7.º escalões.

Jean Claude Servais (litografia, 2008)

Wof Gang, The King and all of his Men

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