Não vale sequer a pena contraditar o que José Sócrates actualmente diz, até porque já ninguém liga muito ao que ele diz. Já assisti à minha conta de ascensões e quedas de falsos homens providenciais (Soares, Cavaco, Guterres), mas nunca em tempo algum assisti ao actual nível de descrédito de um primeiro-ministro.

E olhem que, entretanto, tivemos Santana Lopes.

Mas da sinceridade desse acho que nunca se teve grandes dúvidas. podia ser ingénuo, voluntarista, pouco preparado, mulherengo, vaidoso, temperamental, isso tudo. Mas acho que nunca houve o sentimento generalizado de que era mentiroso, nem assim era chamado de forma repetida por outros actores políticos , jornalistas e opinadores como agora acontece com o actual primeiro-ministro.

Portanto, se ele diz que as reformas do ECD (que está prestes a acabar com a principal medida aprovada em 2007) e da ADD (nunca implementada sem ser em regime simplificado e muito mal) estão «interiorizadas e consesualizadas» é porque elas não estão.

Tão simples quanto isso.

Aliás, e acho que uma larga maioria de portugueses concordaria comigo, se o nosso engenheiro aparecesse hoje a dizer que está um dia chuvoso de Inverno, tenho quase a certeza que sairíamos para a rua de t-shirt e toalha ao ombro a caminho da praia.

Tenho pena, mas foi a este ponto que chegámos.

Nem nos dias mais negros do avô Soares as coisas andaram assim.

Antes Berlusconi, que pelo menos faz as coisas às escancaras.