Situação chegada por mail e que partilho com a devida autorização, omitindo identificações de acordo com o pedido feito. Acrescento que recebi a troca de mails citada, que não incluo proque tudo está correctamente descrito jo que em seguida se pode ler.
Colega Guinote,
Sou leitora assídua do seu blog e dou-lhe desde já os parabéns pelo precioso contributo pela dignificação da classe docente. (…)
Envio-lhe este mail, porque me parece que vai achar graça ao fosso criado entre o ensino superior e não-superior em termos de obrigações dos professores. Estive durante muitos anos no ensino privado e tive a oportunidade de ingressar no público pela primeira vez este ano, ainda que com horário incompleto.
Decidi então inscrever-me noutra licenciatura no Politécnico de (…). Este semestre, as aulas laboratoriais de uma das disciplinas que tenho coincidem com o meu horário lectivo na escola onde lecciono.
De acordo com o Estatuto do Trabalhador-Estudante do próprio Politécnico, que mais não é que a transcrição do decreto que regula o regime do trabalhador-estudante, “os trabalhador estudante não estão sujeitos a quaisquer disposições que façam depender o aproveitamento escolar da frequência de um número mínimo de aulas por disciplina.
O docente deverá criar os mecanismos de substituição para a componente da avaliação e aprendizagem que implique à partida a presença obrigatória do aluno”. Pareceu-me assim pacífico enviar um mail ao professor responsável pela cadeira expondo o meu caso, propondo-me a fazer os trabalhos em casa e disponibilizando-me para uma reunião.
A resposta do professor veio de seguida (sem pontuação) e respondendo-me secamente que as aulas de laboratório são obrigatórias. Voltei a enviar mail questionando-o qual a solução então para o meu caso. O professor respondeu simplesmente que enquanto responsável da unidade curricular não consegue responder à minha pergunta.
Não pude deixar de comparar a postura deste professor, que não tem quaisquer escrúpulos em escrever que “peço desculpa mas não consigo responder à sua questão” e a ginástica a que os professores do não-superior são obrigados para cumprir legislação muitas vezes mal feita e com múltiplas interpretações…acho que para a próxima, quando um Encarregado de Educação me colocar uma questão enviarei na caderneta do aluno “peço desculpa mas não sei como aplicar o Regulamento Interno”. Hei-de experimentar…
Envio-lhe de seguida a troca de mails que refiro na mensagem. Se achar com interesse para publicar, peço-lhe que omita a identidade dos envolvidos e o nome da entidade de ensino.
Mais uma vez, obrigada pelo trabalho que tem desenvolvido,
Com consideração,
C.
Fevereiro 28, 2010 at 7:28 pm
O caso descrito diz respeito a um politécnico. Tenho ouvido, relativamente a este tipo de estabelecimentos de ensino, algumas histórias estranhas… Curiosamente, em muitos deles, leccionam docentes destacados do ensino não superior. Terá isto algum significado? Não sei mas gostaria de saber se nas Universidades se passa o mesmo. Dá-me ideia que não. Alguém me sabe dizer se estou enganado?
Fevereiro 28, 2010 at 7:39 pm
Não sei de onde saem os profs do Superior.
Só sei que tenho dois filhos no ensino superior embora em instituições de natureza diferente, mas com muito em comum:
incompetência pedagógica; arrogância “a potes”; arbitrariedades várias – a tal ponto que´, depois dos trabalhos práticos, dos relatórios, dos testes e do Exame final, ainda os alunos não sabem muito bem com que critérios de avaliação se confrontam; etc, etc…
Imagino qtas. vezes os paizinhos pensarão:” Ai se ainda estivesses na Secundária, isto não ficava assim, não!”
Fevereiro 28, 2010 at 7:46 pm
#2
Tem razão. Senti isso quando fiz o primeiro ano do Mestrado: notas dos exames e dos trabalhos, saíam passado muiiiiiiiiiito tempo…
Fevereiro 28, 2010 at 7:51 pm
Não será em vão que um professor oriundo do ensino superior não pode dar aulas no ensino não superior sem que faça estágio pedagógico. E o contrário já é lícito.
Fevereiro 28, 2010 at 7:59 pm
Pois mas há que ter em conta uma coisa: se é mesmo necessário fazer aulas de laboratório -parte experimental como é que é possível substituir isso?
falo com algum conhecimento de causa pois a minha mulher já teve casos desses permitiu a ausência nos laboratórios através de trabalhos..mas será a mesma coisa?
Então nós não acusamos os das novas oportunidades e dos RVCC de fazerem trabalhos e irem uma vez por semana à escola entregar trabalhos…?
Não digo que não se dê uma oportunidade mas existem cursos com parte experimental em que é difícil suprir essa ausência física das aulas…
Fevereiro 28, 2010 at 8:01 pm
Não tem nada a ver com este post, mas chegou-me agora um texto de Paulo Varela Gomes que arrasa Rui Ramos, o autor da recente História de Portugal que tem sido por aqui alvo dos maiores encómios.
Um ponto de vista também a considerar:
http://resistir.info/portugal/varela_gomes_fev10.html
Fevereiro 28, 2010 at 8:03 pm
Nem por isso..já aqui foi criticado até pelo Paulo…Bem vou à janta..Spooooooorrrrttttiiiinnnggg!..
http://bulimunda.wordpress.com/2010/02/28/parlamento-sueco-da-exemplo-de-transparencia-e-se-por-ca-fosse-assim-com-os-deputadostalvez-os-mesmos-fossem-desta-forma-mais-cfrediveis-perante-a-opiniao-publica/
Fevereiro 28, 2010 at 8:20 pm
Pois é Buli…até tu hoje gritas pelo Sporting…
Fevereiro 28, 2010 at 8:34 pm
#6
Leitura interessante.
Rui Ramos? Connais pas!
Varela Gomes? Oui, je connais!
Fevereiro 28, 2010 at 8:44 pm
#6,
Gundisalbus,
Seria extremo incómodo assinalar o post onde eu elogio este volume da História de Portugal?
Sei da sua memória sempre certeira – selectiva, mas certeira sempre para um dos lados – mas eu lembro-me bem do que escrevi.
Acho o Rui Ramos um bom historiador, com “inclinações”, é certo, como a maioria incluíndo os mais “canhotos”. Ele é mais para o “destro”.
Quanto à História de Portugal em causa, não poderia fazer mais do fiz num qualquer post, onde critiquei a desproporção do espaço ocupado pelas diversas épocas, com limitação excessiva da épocas dos Descobrimentos e Expansão.
Nem por acaso hoje agarrei no volume enquanto bebia um café e reforcei as minhas principais ideias superficiais:
a) É uma História Política de Portugal, sem especiais ganhos – que não a relativa portabilidade – em relação a quem tenha as de Veríssimo Serrão ou Oliveria Marques, para não falar da coordenada por J. Mttoso (anote-se que não tenho mais do que volumes dispersos de cada uma delas).
b) É uma História que, do ponto de vista bibliográfico e para as épocas que conheço melhor, tem um olhar tão selectivo e abrangente quanto o do Gundisalbus quando discute o sindicalismo docente.
Mas, para finalizar, renovo o desafio para que o Gundisalbus destacasse aqui os meus encómios a esta obra que acho boa, útil,feita por um trio de amigos (conheci pessoalmente apenas o Bernardo Vasconcelos e Sousa que é politicamente próximo das esquerdas) em memória de um outro, mas tão só.
Fevereiro 28, 2010 at 8:46 pm
#2
pela descrição, parece-me que a minha filha mais nova é colega de um dos seus…
Fevereiro 28, 2010 at 9:06 pm
#6,
Ia-me esquecendo, o Paulo Varela Gomes é especialista exactamente em…?
Só para contextualizar.
Fevereiro 28, 2010 at 9:15 pm
#12
…em vender pipocas?
Fevereiro 28, 2010 at 9:24 pm
Ando a fazer, mais ou menos na desportiva uma segunda licenciatura, numa universidade pública, aqui fica a última anedota. Chego ao fim do exame e pergunto ao professor:
- Pode dizer-me quanto vale a transcrição fonética?
- Não sei.
- Não sabe? (recolhe o meu exame, vira costas) Então ainda não definiu os critérios de correcção?
- Bem, 4 ou 5 valores, mas quem não fez esta questão está reprovado. (disse o senhor doutor). Dito e feito.
Mas já me aconteceram outras peripécias no mínimo caricatas. Tais como termos a opção entre duas obras à escolha para estudar e depois sermos avaliados apenas numa.
Estarmos alunos de exames com características diferentes numa mesma sala.
Realizar exames ao som das conversas dos professores responsáveis. Sermos interrompidos no decorrer do exame pelo professor que acha aquele momento oportuno para comentar as nossas respostas em voz alta. Etc.
Fevereiro 28, 2010 at 9:25 pm
#10 e #12
Não leia no meu comentário mais do que nele é dito. Falta-lhe uma vírgula a seguir a “Hist Portugal”, para não suscitar dúvidas que o alvo dos encómios tem sido o Rui Ramos e nem tanto a recente obra. Não citei o post, que aliás também comentei concordando com a crítica à falta de relevo dado à Expansão, porque só pretendi chamar a atenção para o ponto de vista de Paulo Varela Gomes.
Que muito considero, quer como fino analista político e social (crónicas no Público), quer como divulgador de temas históricos (Índia, Expansão, etc. na RTP) e historiador de Arte (prof. na Univ. Coimbra).
Não o conheço do meio sindical, nem sei se é sindicalizado. E do meio político-partidário, não o vejo há quase vinte anos.
Aliás, divergimos nesse plano. Mas admiro-o muito pela capacidade de análise, apesar da minha consabida ortodoxia.
Fevereiro 28, 2010 at 9:28 pm
#15
afinal vende, ou não, pipocas?
Fevereiro 28, 2010 at 9:29 pm
Mas já no meu tempo os professores no Superior eram assim .Tive de tudo ,desde um que ia beber cerveja para o bar na hora da aula até outros que davam todos os anos (durante 20 anos ) a matéria da sua tese de doutoramento !Quanto a notas nem se fala…algumas meninas conseguiam que o professor subisse a nota que tinha saído na pauta depois de ter ido falar com ele no gabinete ! Vi de tudo e detestei a faculdade por isso mesmo .Mas atenção que ouço dizer que nada mudou por ali(FLUP )
Fevereiro 28, 2010 at 9:30 pm
“depois de terem ido…”
Fevereiro 28, 2010 at 9:32 pm
#18
Não será a palavra “falar” que deve ser trocada?
Fevereiro 28, 2010 at 9:33 pm
Onde está alar deverá estar oder!
Fevereiro 28, 2010 at 9:40 pm
Brincalhão não sei mesmo se isso acontecia ,só sei que reclamei duma nota junto dum professor que me disse para ir falar com ele ao gabinete .Qdo cheguei lá com uma colega ele disse-nos que poderíamos entrar só uma de cada vez.Eramos miudas ingénuas, tivemos receio, arranjámos uma desculpa esfarrapada,fomos dar uma volta e nunca mais voltamos! Fiquei com o 12 !
Fevereiro 28, 2010 at 9:40 pm
Esse professor está farto de alunos trabalhadores-estudantes que querem tirar cursos sem porem os pés nas suas aulas e eu não o censuro. Censurá-lo-ia, se ele dissesse à colega para fazer um trabalho escrito e “prontos”.
Conheço muitos casos de quem queria fazia a “Prática Coral e Instrumental” I, II e III do Curso do Professores de Educação Musical, sem abrir a boca nem pegar num instrumento.
Ricos professores saem de cursos a cujas aulas não vão!
Fevereiro 28, 2010 at 9:46 pm
Ana Maria
não estará enganada? Dizem-e que quem visita os gabinetes são os meninos …
Fevereiro 28, 2010 at 9:52 pm
#21
Acontecia nas duas versões professor-aluna e professora-aluno, situações confirmadas, por colegas meus e também por professores.
No meu tempo ainda não havia relatos das vertentes fracturantes das conversas de gabinete.
Fevereiro 28, 2010 at 9:53 pm
#17
Confirmo. Esse prof era de Inglês,certo?
Fevereiro 28, 2010 at 9:54 pm
Carmen
Bem a percebo. Fiz a minha segunda licenciatura já tardote e tinha como colega de turma uma colega de profissão 15 anos mais nova. Eu penei até quase ter um esgotamento. Ela meteu baixa durante o primeiro ano e conseguiu fazer todo o segundo ano faltando, ao abrigo do estatuto de Trabalhador Estudante, sempre que lhe apetecia. Desistiu no terceiro ano quando engravidou de um professor.
Fevereiro 28, 2010 at 9:56 pm
#17
Inglês técnico?
Fevereiro 28, 2010 at 9:57 pm
#17 não, #25
Fevereiro 28, 2010 at 9:58 pm
.25
Sim era de Inglês ! O/a colega deve ser do meu tempo !
Fevereiro 28, 2010 at 10:00 pm
Hoje é um dia grande uma vez que me vejo a concordar com o bulimunda (ó que isto chegou…). Uma coisa são os direitos dos trabalhadores-estudantes que devem ser respeitados. Outra coisa é a ignorância do professor que é indesculpável.
Todavia, o bulimunda toca um ponto esssencial. Existem cursos que, quer queiremos quer não, exigem a presença do aluno. E esta presença não pode ser substituída por nenhum trabalho desenvolvido sozinho pelo aluno. Peguemos num caso concreto. Imaginemos o curso de medicina. Alguém aceitaria ser doente de um médico que nunca colocou os pés numa aula prática, que nunca viu um doente no decurso da sua licenciatura e que estudou unicamente por livros, por muito excelentes que estes sejam e por muito boas que tenham sido as classificações deste suposto indivíduo?
Daqui a pouco todo o ensino se transforma numa gigantesta Universidade Aberta. Fecham as escolas, os professores passam a tutores e dar aulas via e-learning, b-learning e outras invenções pedagógicas que, se levadas ao extremo, mais não são do que excelentes pretextos para a contenção de custos e para a desqualificação do papel do professor.
Fevereiro 28, 2010 at 10:01 pm
#29
Se calhar. Mas se estamos a falar do Arnold(se a memória não me falha) ele esteve lá muitos anos. Eu acabei a lic. em 1986.
Fevereiro 28, 2010 at 10:04 pm
Kafkazul
Concordo contigo.
Mas é só hoje!…
Fevereiro 28, 2010 at 10:04 pm
ó colegas olhem que isto dá para rir !Mas na verdade comecei a saber o que era a injustiça quando entrei para a faculdade !Até ali ,no secundário nunca tinha testemunhado tais situações .Pelo contrário,gostei muito dos meus professores do Secundário e acho que me ensinaram muito !
Fevereiro 28, 2010 at 10:07 pm
Sim era o ARNOLD (o das cervejas ),acabei um ano mais tarde .
Fevereiro 28, 2010 at 10:08 pm
#34
Eu fiz queixa dele ao Conselho Científico,mas os “velhotes” não me ligaram muito.
Fevereiro 28, 2010 at 10:09 pm
Arnold Layne
Arnold Layne had a strange hobby
Collecting clothes
Moonshine washing line
They suit him fine
On the wall hung a tall mirror
Distorted view, see through baby blue
He dug it
Oh, Arnold Layne
It’s not the same, takes two to know
Two to know, two to know, two to know
Why can’t you see?
Arnold Layne, Arnold Layne, Arnold Layne, Arnold Layne
Now he’s caught – a nasty sort of person.
They gave him time
Doors bang – chain gang – he hates it
Oh, Arnold Layne
It’s not the same, takes two to know
two to know, two to know, two to know,
Why can’t you see?
Arnold Layne, Arnold Layne, Arnold Layne, Arnold Layne
Don’t do it again.
Fevereiro 28, 2010 at 10:12 pm
#30
Discordo.
A generalidade das aulas que tive no superior (e mesmo no Secundário) eram perfeitamente substituíveis por uma leitura (de um artigo ou de um livro). Claro que em cursos/disciplinas essencialmente práticas não será bem assim…
Fevereiro 28, 2010 at 10:37 pm
#12
É uma pergunta retórica, Paulo…
Mas o artigo “linkado” não é de Paulo Varela Gomes, o historiador de arte, é de João Varela Gomes. Pai ou tio dele, não sei precisar. “Engagée gauchiste”. Aliás, o artigo é tão panfletário como a obra do Rui Ramos que procura rebater.
Continuo a não gostar mesmo nada de Rui Ramos como historiador.
Fevereiro 28, 2010 at 11:01 pm
#38
Ooops!
Assim é. Foi um erro de simpatia.
O artigo é de João Maria Paulo Varela Gomes, coronel reformado, resistente anti-fascista, pai do Paulo Varela Gomes.
Também autor de livros sobre História Contemporânea.
Fevereiro 28, 2010 at 11:07 pm
Kafka como vê estamos todos ligados de uma forma ou de outra…alguma vez havia de ser…
http://bulimunda.wordpress.com/2010/02/28/we-are-all-connected-legendado-em-portugues-estamos-todos-conectados-espectacular-o-ensino-pode-ser-bem-melodico/
Março 1, 2010 at 12:41 am
A escola, no âmbito da sua autonomia, tornou obrigatórias as actividades laboratoriais, a aluna não pode estar presente por razões profissionais, tendo Estatuto de Trabalhador Estudante. A escola tem de encontrar uma solução, sem prejudicar a aluna (que pode passar por exemplo, por marcar as actividades laboratoriais para as manhãs de sábado ou as interrupções lectivas, reduzindo preferencialmente o seu número).
Março 2, 2010 at 1:19 pm
[...] Coisas Estranhas [...]