Para quem se lembra o título é a evocação de um dos primeiros hinos dos Stranglers, banda que apanhei no declinar da adolescência.
No presente, serve para dizer que um erro recorrente, mas desnecessário, em muita gente é o de procurar ídolos a que seguir, faróis que iluminem o caminho, sempre firmes nas convicções e certeiros nas opções.
Isso é coisa que não existe.
Claro que cada um de nós julga ter razão nos juízos que faz e atitudes que toma, caso contrário faria diferente. Não é muito comum ver alguém a fazer algo que ache ser o pior para si ou mesmo algo menos bom.
Por isso mesmo, acho deliciosa esta declaração em que ainda não tinha reparado, na barra lateral do blogue do Octávio:
Não vale a pena o Octávio chatear-se. Apenas percebi que ele fez o mesmo que eu. Dou-lhe os meus parabéns. Ao contrário dele, eu não adjectivo com muita facilidade, nem me auto-designo isto ou aquilo. Eu sei que ele também só declarou, em devido tempo, que não entregava a FAA. E foi o que fez. Só que eu é que de vez em quando ainda levo umas pedradas e remoques em cima da parte de quem acha que é culpa minha não ter sido avaliado(a).
Disclaimer: Pensei muito antes de escrever este post, para não ser acusado disto ou daquilo. Só que ando com a corda solta e com pouca vontade de conter o que me apetece.
Discordo de parte deste artigo, em especial da parte em que afirma que os professores mais ousados foram abandonados na sequência do acordo ME/sindicatos Esta questão, para mim muito sensível por variadíssimas razões, merece um comentário adicional perfeitamente contrário à posição de Santana Castilho: sem o acordo é que esses professores não teriam qualquer hipótese de serem recuperados para o grosso do exército.
Porquê? Muito simples – e espero que percebam o que estou a escrever tal como o escrevo e não como algumas cabeças o queiram ler -: porque a não entrga de qualquer documento de autoavaliação carece de qualquer suporte jurídico para ser defendido (contraria, aliás, o ECD que estava em vigor antes de 2007 e que a generalidade desses colegas sempre cumpriu) e entra na esfera do debate político.
Sendo uma questão política, só algo como o acordo conseguido pode abrir vias negociais para resolver a situação dessas centenas ou milhares de colegas (não sei exactamente quantos, embora conheça vários).
Por isso mesmo é que pessoalmente acho que o acordo – com todas as imperfeições e defeitos – foi a solução mais adequada para conseguir aquela ideia minha do No Teacher Left Behind.
Que eu tenha de explicar isto desta forma, em detalhe, aqui, preto no branco, é algo que sempre achei desnecessário e até contraproducente. Mas, pelos dias que correm, tanto o agudizar de certos receios como o aproveitamernto demagógico desta questão exigem que algo se diga de forma menos críptica.
A ministra da Educação, Isabel Alçada, reconheceu hoje que os professores precisam de tempo para corrigir o trabalho dos alunos, considerando tratar-se de uma tarefa fundamental para a qualidade da aprendizagem.
Já agora não se limitem a fazer a contabilidade por número total de alunos porque eu, por exemplo, tenho poucas turmas (3 PCA) mas lecciono pelo menos duas disciplinas a cada uma, mais uma ou outra ACND e parecendo que não dá uma bela trabalheira até porque temos reuniões regulares para ponto da situação e a avaliação é feita quase numa base quinzenal.
O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, manifestou hoje a convicção de que o Governo irá alterar o regime horário dos docentes, uma medida que está a ser debatida entre os sindicatos e o Ministério da Educação.
Em relação às declarações transcritas hoje na última página do DN eu apenas acrescentaria alguns detalhes para melhor compreensão de alguns aspectos apenas aflorados pela falta de espaço na peça e pela necessidade de especificar detalhes para os mais leigos (já agora, as aulas eram de 50 e não de 60 minutos antes, aquilo é uma gralha, por certo…):
Continua a existir nas escolas, por pressão das exigências da tutela e por prática defensiva dos professores, um culto enorme do papelinho e do relatoriozinho justificativo do mais pequeno acto dos professores que possa ser susceptível de contestação. Não há fora das escolas noção do número enorme de documentos que é necessário preencher e, apesar do actual recurso ao suporte informático, passar a papel e incluir neste ou naquele dossier para, em muitos casos, no final do ano lectivo ir parar ao lixo. Uma das actividades de final de ano é exactamente a limpeza de dossiers em que muita desta papelada, efectivamente irrelevante e meramente justificativa de actos que deveriam ser normais, é deitada fora.Verdade se diga que muitos de nós nos deixamos embalar por este tipo de mentalidade e acabamos por, quase de forma automática, produzir papel para defendermos tudo aquilo que sentimos passível de uma queixazinha.
Cresceu nas últimas décadas, por parte da tutela, uma desconfiança enorme em relação ao trabalho dos professores e um desejo enorme de controlar todo o mais pequeno acto que não constitua uma anuência automática à progressão dos alunos. Querendo construir a bem ou a mal sucesso, passou-se a exigir dos professores a justificação por escrito de todos os seus actos que não estejam de acordo com a doutrina superior. Qualquer classificação negativa dada pode ser motiuvo para uma fundamentação; qualquer proposta de apoio carece de impresso próprio de proposta, outrpo de acompanhamento e outro de ponto da situação; qualquer mau comportamento em sala de aula, para ser vagamente castigado, necessita de anotação. Este clima de desconfiança paira em especial desde o início da década de 90 e adensou-se muito durante o guterrismo benaventista e agora com o recente rodriguismo-valtismo. Há da parte do Ministério como que uma forma de penalização retorcida de todos aqueles a quem ainda resta energia para querer que o ensino tenha padrões mínimos de exigência e qualidade que, a nível central, não passam de mera retórica.
Todo este ambiente acaba por ter efeitos profundamente perversos no trabalho dos professores porque, mesmo que com naturais excepções individuais ou mesmo de grupo, promove atitudes defensivas e de resignação. Não é só a perda de tempo em tarefas sem relevo objectivo para a aprendizagem dos alunos, mas a desmotivação que incute em todos aqueles que têm menos capacidade de choque com o monstro burocrático e preferem render-se por omissão. O que pode significar a adesão à produção de sucesso estatístico para não terem problemas a nível interno (pressão interpares nos conselhos de turma, grupos disciplinares e/ou departamentos, para não falar em alguns órgãos de gestão) ou externo (ameaças de encarregados de educação de denúncia de classificações que consideram inadequadas, receio de inspecções, etc). E isso leva a surgirem pautas de final de período ou ano com situações que quem conhece o ofício percebe serem puras e simples fabricações de sucesso. As disciplinas corridas todas a nível 3, as evoluções ao longo do ano de 2-2-3, os alunos que passam de 7 e 8 negativas no 2º período para 2 e 3 no final do ano, as turmas em que mais de 50% de alunos em risco de repetirem o ano se transformam em 10% de Abril para Junho. Assim como, é claro, as práticas pedagógicas igualmente defensivas, em que os docentes acabam por, no tal ambiente de rotina e receio, se defenderem no que é seguro e pouco dado a polémica. E depois como é que professores obrigados a ser meros transmissores acríticos de políticas mal concebidas a nível central se sentem em condições para formar gerações de alunos com espírito crítico?
O mais importante é que existam e que sirvam para desbloquear questões muito importantes para a vida quotidiana das escolas e não apenas dos docentes.
Ao início da noite, a caminho de casa, respondi de forma nem sempre muito focada às perguntas da Rita Carvalho do DN sobre o problema dos horários e das componentes lectiva e não lectiva.
Este é um assunto já muito repisado por todos os que estão por dentro da vida escolar. Para os leigos parece algo estranho, quem olha de fora, parece questão de somenos e presta-se a aproveitamentos demagógicos.
Não vou estar aqui a percorrer caminhos conhecidos ou a tentas desmistificar acuações infundadas sobre o pouco tempo que os professores passam nas escolas. Seria ridículo depois de ter chegado pelas 10 horas e saído às 18.30, com uma hora de almço pelo meio, como em qualquer emprego normal, só que com o adicional de ter trazido para casa aquele trabalho que poucos trazem. Trabalho que ocupa todos os dias pelo menos uma a duas horas e muitas mais em algumas alturas do ano.
Quanto às horas passadas na escola, para mim o critério definidor deveria ser muito simples: trabalho envolvendo directamente alunos só pode ser considerado lectivo, sejam aulas regulares, apoios, tutorias, etc. Tão simples quanto isso.
Quanto à componente não lectiva muito haveria a dizer. É recorrente aquela exigência das 35 horas serem para cumprir efectivamente na escola, havendo os meios para os educadores e professores poderem fazer, em condições e com os recursos necessários, todo o trabalho relacionado com a sua avtividade profissional, sem vir para casa carregados de papelada. Quem nunca teve de corrigir 150 testes de mês em mês que atire a primeira pedra quanto ao tempo consumido nessa fase, a que se junta a concepção dos materiais de avaliação, matrizes, grelhas de correcção, etc, etc.
Que durante a negociação de amanhã se tenha a noção que a redução da componente lectiva e/ou de permanência obrigatória dos docentes nas escolas, em especial a partid e uma certa idade, não é um privilégio mas uma exigência que visa a sanidade dos profissionais mais experientes mas também mais expostos a um desgaste que só quem não passa pela profissão pode menorizar.
Consta que pela 5 de Outubro existe sensibilidade para estas questões. Espero que mais do que sensibilidade exista bom senso. O bom senso necessário para não ceder à facilidade das acusações demagógicas do mandato anterior. O bom senso necessário para compreender que a função docente é desempenhada com tanto maior empenho e motivação quanto as condições são propícias e o respeito é sentido.
Mas se de sensibilidade quisermos igualmente falar, então que ela exista para perceber que uma sala de aula não é o que foi, em tempos míticos, um espaço estático, de prelecção, de mera transmissão de conhecimentos. Pelo contrário, é neste momento um espaço profundamente dinâmico, de constante interacção, de conflito, onde a gestão de emoções é permanente e onde a dimensão humana é colocada à prova a cada momento.
Eu quero acreditar que estas negociações passarão por aí: por entender que a docência é uma profissão de desgaste imenso, de desgaste emocional e que há muito mais para lá da contabilidade orçamental das horas pagas aos professores.
Com a assinatura do “Acordo de Princípios” entre o ME e as estruturas sindicais, foi dito que nenhum professor seria prejudicado.
Bom, desde logo não contar o “período de congelamento” para a progressão é um prejuízo, mas isso é assunto que ainda vai estar em cima da mesa em próximas reuniões.
Agora, o que me parece de facto prejuízo é o que a seguir vou expor e que se trata de uma realidade na minha Escola.:
Trata-se de um Professor com dezoito anos e trinta e oito dias de serviço prestado, que estava posicionado no antigo 6º escalão.
Deduzido o tal “período de congelamento”, cerca de dois anos e sete meses, o Professor fica com quinze anos e oitenta e um dias;
Estranhamente, ou não, foi posicionado no 3º escalão expresso no DL 270/2009, índice 205.
Agora, de acordo com o “Acordo de Princípios”, pelos vistos vai ficar posicionado, mais uma vez, no índice 205, correspondente o período de tempo entre os nove e os doze anos de serviço prestado.
Trata-se pois de um Professor com 18 anos e 38 dias de serviço prestado, que passaram a ser 15 anos 3 meses e 21 dias devido ao “congelamento”. Pelo acordo deveria ser posicionado no 4º escalão, índice 218 e já com pelo menos dois anos neste escalão.
Pergunto:
O que está errado nesta situação?
O Professor em questão fica ou não fica prejudicado? Direi mais, duplamente prejudicado?
De acordo com o 270/2009 obter mestrado ou doutoramento de nada vale aos zecos rasos sem ser para o acesso à carreira de professor titular. O que está escrito no artigo 54º não contempla explicitamente a progressão entre escalões na carreira de professor e essa leitura em muitas escolas tem impedido que, desde Outubro, quem tenha adquirido novas habilitações em nada tenha beneficiado.
Ridículo.
Artigo 54.º
Aquisição de outras habilitações
1 — A aquisição por docentes profissionalizados, integrados na carreira, do grau académico de mestre em domínio directamente relacionado com a área científica que leccionem ou em Ciências da Educação confere:
a) Para os docentes com a categoria de professor, direito à redução de dois anos no tempo de serviço legalmente exigido para acesso à categoria de professor titular, desde que, em qualquer caso, tenham sido sempre avaliados com menção igual ou superior a Bom;
b) Para os docentes com a categoria de professor titular, direito à redução de um ano no tempo de serviço legalmente exigido para progressão ao escalão seguinte, desde que, em qualquer caso, tenham sido sempre avaliados com menção igual ou superior a Bom.
2 — A aquisição por docentes profissionalizados, integrados na carreira, do grau académico de doutor em domínio directamente relacionado com a área científica que leccionem ou em Ciências da Educação confere:
a) Para os docentes com a categoria de professor, direito à redução de quatro anos no tempo de serviço legalmente exigido para acesso à categoria de professor titular, desde que, em qualquer caso, tenham sido sempre avaliados com menção igual ou superior a Bom;
b) Para os docentes com a categoria de professor titular, direito à redução de dois anos no tempo de serviço legalmente exigido para progressão ao escalão seguinte, desde que, em qualquer caso, tenham sido sempre avaliados com menção igual ou superior a Bom.
Pelos vistos é assim que se promove o mérito e o aperfeiçoamento académico dos docentes.
Há não muito tempo tive aqui uma disputa com o Kafkazul sobre os topos salariais na Função Pública e na carreira docente. Acho que esta notícia é uma interessante achega:
Atingi os píncaros da fama. Fui citado no Jugular por esse nóvel deputado da Nação que é o João Galamba. Claro que do alto da sua sapiência imensa referiu-se a um post meu como isto.
Não argumentou, nem demonstrou nada.
Pensando bem. Demonstrou ignorância profunda, porque leu o tal artigo do New York Times em que se lamenta um sistema de avaliação do desempenho docente em que avaliadores com fraca formação observam um par de aulas por ano dos seus avaliados (a frase é «Where they can be said to exist at all, evaluations are typically short, pro forma and almost universally positive. Poorly trained evaluators visit the classroom once or twice for observations that last for a total of an hour or less») e não reconheceu o modelo legislado pelo Governo que apoia.
Após ter passado anos a ser a muleta indispensável do trio rodrigues-lemos-pereira para tudo o que fosse zurzir nos profes, eis que nova fase se abre na vida do pai da Nação.
A maior associação representativa de pais e encarregados de educação (Confap) defende que os horários dos professores têm de ser reduzidos, tal como pretendem os sindicatos, que amanhã vão negociar o tema com o Ministério da Educação. “Os professores, em especial em início de carreira, têm horários brutais e há ajustamentos a fazer. Têm 22 horas semanais para aulas e 13 para componente não-lectiva, mas muitas vezes trabalham mais do que essas 13 horas e têm de tirar tempo às suas famílias para preparar aulas”, disse ao CM Albino Almeida, presidente da Confap.
É curioso como durante os anos da investida contra os professores e as insinuações de que o seu trabalho nas escolas é escasso, o grande líder do movimento associativo parental se tenha esquecido desta linha de argumentação.
Mas como os ventos da 5 de Outubro mudaram um pouco de quadrante, nada como reconfigurar o rumo.
É assim como que uma nova mudança de paradigma, para usar uma expressão muito cara a tão alva personalidade.
O Governo vai concluir até final do ano lectivo uma nova estratégia para o currículo do ensino básico e secundário, baseada na definição de metas de aprendizagem para cada ciclo e áreas nucleares, segundo as Grandes Opções do Plano.
“Pretende-se fazer ajustamentos no plano de estudos do ensino básico, de forma a reduzir o número de unidades curriculares simultâneas em cada ano de escolaridade” e a “promover uma maior flexibilidade de gestão”, bem como a “efectiva integração curricular de áreas transversais”, como a Educação para a Saúde e a Educação para a Cidadania.
Estas iniciativas serão desenvolvidas “de forma faseada até ao ano lectivo 2012-2013″, de modo a assegurar mecanismos de consulta, acompanhamento e monitorização.
O Governo compromete-se também diversificar a oferta educativa e formativa dirigida aos jovens do ensino secundário, “através da valorização das modalidades de dupla certificação, de uma oferta adequada aos seus interesses e expectativas e da conclusão da reforma do ensino artístico”.
A ideia inicial é boa. É realmente necessário redefinir o currículo do Ensino Básico e Secundário. E também é bem pensado que a reforma a fazer não o seja de uma vez só, sem que sejam testadas no terreno algumas das opções.
O que me começa a preocupar é aquilo que já se adivinhava: uma tentação imensa pelo lateral e periférico – que toma o nome de transversal - e uma tentação ainda maior pela aposta no fast lane no Ensino Secundário.
O que neste momento se adivinha é a ascensão de mais áreas curriculares não disciplinares ou a existência de novas áreas que em pouco acrescentam às já existentes, esvaziando as áreas mais tradicionais do conhecimento.
Se a Educação para a Saúde e a Educação para a Cidadania são áreas importantes, não é menos verdade que tenho alguma dificuldade em concebê-las como áreas autónomas no contexto de um desenho curricular que vise melhorar o desempenho dos nossos alunos em competências essenciais para o seu futuro académico e/ou profissional. São áreas que eu compreendo como subtemas no contexto de outras disciplinas mas que, enquanto disciplinas autónomas, não passam de áreas soft em que a avaliação (a existir com efeitos na progressão nos estudos) passa mais pela atitudes e pela abordagem teórica do que por uma aferição efectiva dos conhecimentos e práticas. Aliás, não vejo bem porque a Educação para a Cidadania não se tornou até agora, por exemplo, o conteúdo efectivo da Formação Cívica. Nem porque a Educação para a Saúde deverá ter uma espaço próprio – obrigatório – fora do âmbito do ensino ds Ciências Naturais.
Mas posso a estar conservador e a recear que o currículo do Ensino Básico se torne um paraíso de áreas disciplinares softcore, enquanto as áreas disciplinares de núcleo mais duro perdem cada vez mais terreno.
Porque há aqui uma opção de fundo em causa: ou apostamos num Ensino Básico que propicie aos alunos bons fundamentos nas áreas básicas do conhecimento e deixamos estas áreas suaves para uma oferta de tipo complementar e opcional, ou se opta pelo caminho de um currículo de tipo generalista, destinado a promover atitudes e comportamentos superficiais, sem conhecimento dos fundamentos científicos que os sustentam.
Ou seja, dizer para comer de forma saudável e recomendar o quê, sem que se percebam os componentes dos alimentos, ou aconselhar comportamentos cívicos altamente recomendáveis, sem que se perceba como foi o processo que levou à conquista do regime democrático. Isto para não falar naquela parte delicada da sexualidade em que não chega descrever como evitar comportamentos de risco, sem se perceberem os fundamentos da fisiologia humana.
Quanto ao Ensino Secundário, imagino já a opção por um imenso alargamento das práticas que agora pululam no Ensino Básico, em particular a promoção do sucesso a todo o custo, se necessário for através da multiplicação de cursos de índole pseudo-profissional que mais não fazem do que ser uma via rápida para a conclusão do nível de estudos. Quero acreditar que não, mas não tenho grandes esperanças. No fundo, quer-se alargar a escolaridade para doze anos transformando-a num trajecto pouco acidentado ou, sempre que necessário, com vias paralelas para se conseguir o que em circunstâncias normais – e por normais já me refiro quase tão só a estudar e ter empenho no desempenho escolar – não seria possível.
A Universidade de Sevilha reconheceu o direito dos alunos a copiar nos exames.
Os alunos da Universidade de Sevilha já podem copiar nos exames. Isto porque a Universidade reconheceu o seu “direito” a fazê-lo, pelo que os professores já não poderão chumbar, expulsar ou suspender os alunos que forem apanhados a copiar.
Mas não se indignem os que não copiam e se sentem insultados pela medida. Sempre que um aluno da Universidade for apanhado a olhar para o teste do lado, o professor não deverá dizer nada. Em vez disso, deverá anexar ao exame uma nota a informar que o aluno parecia estar a copiar durante a execução do exame, para que uma comissão composta por três professores e três alunos decida se houve ou não cópia.
Só dois reparos:
Sempre dei esse direitos aos meus alunos. Se conseguisssem enganar-me poderiam contar-me que eu não os penalizaria. Se não conseguissem, a pena era eu rir-me muito deles.
Para quando verter esta ideia para decreto-lei em Portugal? Sei que Valter Lemos anda por outras paragens, mas pode sempre dar uma ajudinha em conjunto com uma mão-cheia de teorizadores encartados e diplomados em direito ao sucesso.
Na prática, os alunos não podem copiar, simplesmente podem olhar para os testes dos colegas sem sofrerem punições por isso. Ainda assim, professores consultados pelo “El Mundo” classificam a permissividade das novas regras (incluídas nas Normas Reguladoras da Avaliação e Qualificação das Assinaturas, aprovadas em Setembro pelo Conselho da Universidade) como uma “barbaridade“.