Janeiro 2010


Já o escrevi algures neste blogue: acho Rui Ramos um historiador muito bom, sendo que é raro usar este tipo de apreciação para aqueles que exercem de um ofício em que eu sou mero biscateiro.

Enquanto analista político e social acho-o mediano-quase-bom, mais um fruto da moda do momento do que de outra coisa. Atira assim uns laivos de direita inteligente, que é coisa que nem é assim tão rara como dizem.

O problema é quando ele próprio se acha giro, aí é que borra a pintura toda. Qual MST em início de carreira, Rui Ramos elege como pior momento da governação deste mandato (cf. Visão de hoje, p. 38), o acordo entre o ME e os sindicatos de professores. As opiniões são livres, pelo que respeito a de Rui Ramos. Assim como acho que ele compreende que eu ache que tal opinião é uma parvoíce, em especial a da intransigência egoísta.

Chegou-me por mail amigo, esperando que não por mão aborrecida com o meu reparo, a indicação que os 0,8% surgem daqui (p. 311 do OE para 2010):

MOVIMENTO ESCOLA PÚBLICA
IGUALDADE E DEMOCRACIA

Aqui poderão encontrar e descarregar o documento em aberto que servirá de ponto de partida para a reflexão que se pretende ter no decorrer do II encontro do MEP. Dessa discussão sairá o documento final que ajudará  a orientar a conduta do Movimento no próximo ano.

Link para o DOC.

Link para mais informações sobre o encontro

II Encontro Nacional do Movimento Escola Pública

O sucesso não são números.
Cem mil é muita gente.
As turmas também.
O governo fecha os olhos.
Autoridade cheira a mofo.
Falta educação.
Fraca é a literacia.
Os professores dão luta.
Os alunos merecem mais.
Há escola para além do acordo.
O dinheiro não manda nela.
Juntos mostramos como.

O movimento escola pública reúne-se para reflectir sobre tudo aquilo por que luta.

30 de Janeiro, Sábado, 14h30
Biblioteca da Escola Secundária de Camões
(Praça José Fontana, Lisboa, Metro Picoas – Entrada pela porta principal)

A  ACTRIZ-DEPUTADA

Consta que a descendente – júnior de um famoso músico da nossa praça teve de sacrificar a sua vida pessoal e familiar para poder fazer um grande “favor” ao país: Ser deputada.

Questiona-se:

Terá sido por não haver em Portugal gente capaz de desempenhar cargo tão absorvente e difícil, só ao alcance de super-humanos?

O problema é que a jovem senhora reside em Paris. De onde, e para onde, tem de se deslocar  todos os fins de semana, com os inevitáveis e adjacentes transtornos: a despesa diária em Lisboa que , segundo parece, ronda os quinhentos  e vinte e oito euros por dia, mais o que tem de desembolsar semanalmente para o avião.

Alguns não entendem porque é que os socialistas foram tão longe desinquietar alguém para ser deputada. São dois mil quilómetros de distância, não são dois mil metros!…

Mas Descartes ensinou-me a cogitar… e …

Descobri duas razões ( podendo haver mais, mas por estas me fico…):

Primeira: a deputada é muito bonita. E, sabe-se como a beleza feminina pode provocar comichão àquela Assembleia maioritariamente masculina, despertando-a do bocejo e do tédio que sente e nos faz sentir a nós próprios.

Segunda: a deputada é actriz. Ora, todos nós percebemos a dificuldade do “novo” P.S. em ter no parlamento alguém que saiba representar tão bem como certos “actores” que saíram de palco ( como Augusto Santos Silva).. Acresce que uma deputada que saiba representar reaviva, um pouco que seja,  aquele grupo  de ventríloquos abandonados que compõem o cenário burlesco da maior parte daquela bancada.

Cunha Ribeiro

Desde ontem que leio e releio as notícias sobre o OE para 2010 e não consigo acreditar em tamanho disparate. Em todos os jornais e revistas se diz que o sector da Educação vai ter um acréscimo de 0,8% em relação ao ano passado.

Mas depois apresentam os seguintes valores (remeto para notícia do Público mas que é similar a diversas outras) para o sector da Educação nos Orçamentos para 2009 e 2010: 6666,7 e 7275, 7 milhões de euros.

O que significa um acréscimo de 609 milhões de euros.

O que é algo como 8,1% na terra onde aprendi a calcular percentagens.

Porque se há coisa que eu desgosto imenso é de se usarem números tão evidentemente errados para defender posições, mesmo que eventualmente correctas.

E neste caso é toda a comunicação social e comentadores a reagirem preguiçosa e pavlovianamente a um qualquer mail da Lusa (como depreendo daqui) ou notícia posta a circular sem qualquer fact-checking.

Absolutamente…

Adenda: Remeto para novo post meu, onde se esclarece a origem dos 0,8%, algo não explicado na generalidade das notícias que li, mas o que levanta o seguinte reparo: então os acertos salariais com os docentes têm tão pouco impacto no OE?

Vampire Weekend, White Sky,

Ainda não encontrei o vídeo – se o há – mas é impossível resistir a esta espécie de Graceland para o novo milénio, agora que o Paul Simon está retirado das lides rítmicas.

Ainda antes de se conhecerem as opções concretas sobre a reforma curricular, já temos um daqueles grupos de trabalho formados sempre pelos mesmos para estudar, debater e torcicolar em torno de uma área que já se percebe que tem lugar cativo nos currículo reformado, restando saber se é para ter a mesma inutilidade de outras áreas similares, frutos da reflexão eduquesa, bem intencionada, politicamente correcta, mas substancialmente boffffff…..

Para além de fazer imensa falta a muita gente é o tema de diversos livros que o Livresco me enviou esta madrugada em formato pdf , um pouco por causa daquela problemática dos rapazes terem sido ultrapassados pelas raparigas no desempenho escolar.

Para além de ter sido tema parcial do meu doutoramento, o domínio da Educação pelo sexo (a palavra género também a uso, mas einfim, acho que é um bocadinho coiso, de quem elabora um pouco mais)  feminino é uma evidência há muito nos países mais desenvolvidos, sendo uma etapa já quase ultrapassada no caminho para um maior domínio das mulheres em todos os planos da sociedade.

Há meia dúzia de anos despertei uma fúria benevolente num encontro com temática feminista quando disse que as mulheres só não dominam o mundo porque demoram demasiado tempo a discutir o assunto em vez de agirem.

Vamos ser francos, os homens só têm a seu favor o poder físico, que a esperteza e inteligência está globalmente mais do lado das mulheres.

Isto não é resultado de um estudo socio-antropo-sociológico aprofundado, é apenas uma evidência empírica.

Mais logo voltarei, e certamente voltaremos, ao tema, numa perspectiva mais acutilante do que fracturante.

Uma greve muito complicada de gerir em termos de opinião pública pela única classe profissional que, para além dos professores, tem mostrado garra na defesa dos seus direitos e da sua dignidade contra um Governo refém dos caprichos jardinescos e sem lobbies de bastidores

Sindicato dos enfermeiros diz que adesão à greve anda pelos 90 por cento

Num primeiro balanço provisório da greve dos enfermeiros que hoje se iniciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) estima que, no turno da manhã, tenham aderido 90 a 95 por cento dos profissionais, disse o presidente da estrutura, José Carlos Martins. Já o Ministério da Saúde diz que a adesão andou pelos 77 por cento.

O actor consumado:

Finanças regionais. Sócrates ameaçou demitir-se

O primeiro-ministro deu a entender a Ferreira Leite que poderia ir embora se a lei da Madeira fosse aprovada tal como está.

Ainda no outro dia comentava com um amigo até que ponto o nosso primeiro é transparente naquelas encenações, só sendo estranho como ainda há quem acredite que é convicção aquilo que é apenas encenação da indignação.

Matisse, Janela Aberta (1905)

Coisas novas pela FOX, assim entre o médio e um pouco mais. A primeira é séria e tem o Tim Roth, enquanto a segunda é mais divertida pelo pastiche dos anos 70, com FC à mistura, tem o Harvey Keitel e o Michael Imperioli com um cabelo e bigodaça de ir às lágrimas.

Hoje deu alguma celeuma este artigo de Clara Viana no Público:

Vem aí uma geração de rapazes frustrados

Em quase todos os países ocidentais, os rapazes abandonam cada vez mais o ensino no final da escolaridade obrigatória. Têm capacidades para ir mais longe, mas as escolas poderão estar a avaliá-los mal, privilegiando as raparigas. Podemos estar a criar (ou já criámos?) uma geração de excluídos e uma nova classe baixa – a dos homens.

É interessante, mas já agora podemos recuar (pelo menos) dez anos e ler este de Christina Hoff Sommers que eu já linkei no Umbigo e que é seminal no tratamento desta questão:

The War Against Boys

This we think we know: American schools favor boys and grind down girls. The truth is the very opposite. By virtually every measure, girls are thriving in school; it is boys who are the second sex.

.

Entre nós até o atraso chega atrasado.

Os negócios do filho de Duarte Lima com o BPN

O BPN colocou 60 milhões de euros à disposição de um fundo de investimento do filho de Duarte Lima e de um sócio, ex-deputado do PSD. O fundo criado em 2007 comprou 35 terrenos, por cerca de 48 milhões de euros, junto ao então projecto do Instituto Português de Oncologia, que Isaltino Morais queria ver construído em Oeiras.
O Banco Português de Negócios (BPN), através do departamento de Private Banking – vocacionado para créditos especiais aos clientes mais ricos –, aprovou em 2007 uma operação de empréstimo cujo limite máximo chegava aos 60 milhões de euros. O crédito, depositado numa conta-corrente caucionada pelo BPN, visava um negócio específico: a compra de centenas de milhares de metros quadrados de terrenos no concelho de Oeiras, junto ao local onde poderiam ter ficado as novas instalações do Instituto Português de Oncologia (IPO).

Os documentos recolhidos pela SÁBADO revelam que a operação financeira do BPN foi realizada em “parceria” com o cliente Homeland, um fundo especial de investimento imobiliário fechado, anónimo, comum no sector financeiro português e aprovado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Nestes fundos, a identidade dos investidores nunca é revelada publicamente. Esta situação permitiu manter no anonimato um arriscado negócio imobiliário – que causou polémica interna no BPN – e, sobretudo, a identidade dos dois discretos investidores particulares: Pedro Miguel Lima, filho de Domingos Duarte Lima, o histórico social-democrata, e o ex-deputado do PSD, Vítor Igreja Raposo, amigo e actualmente sócio de Duarte Lima.

O truque está oculto no 270/2009 (ver p. 6) e era bom que quando passassem as consequências do acordo a limpo se lembrassem de alterar isto, pois esta disposição transitória pode implicar que um docente que transite de escalão a 1 de Janeiro de 2010, tendo o 1º ciclo de ADD terminado em 31 de Dezembro de 2009, tenha de esperar até ao fim do ano para receber o que lhe é devido e submeter-se a uma apreciação (???) intercalar em moldes não explicitados e de acordo com uma lógica que deriva directamente do mais raquítico tubérculo:

b) Os docentes que preencham o requisito de tempo de serviço no ano civil de 2010 podem progredir ao escalão seguinte da categoria desde que, cumulativamente, tenham obtido na avaliação de desempenho referente ao ciclo de avaliação 2007 -2009 a menção qualitativa mínima de Bom e que, a requerimento dos próprios, seja efectuada, em 2010, uma apreciação intercalar do seu desempenho para efeitos de progressão e que a menção qualitativa obtida seja igual ou superior a Bom;

“Muitas leis produzidas não têm correspondência à realidade”

Na cerimónia da abertura do ano judicial, Cavaco Silva afirmou que o novo regime do divórcio é um daqueles casos em que “as leis produzem o efeito contrário à intenção do legislador”.

“Muitas das leis produzidas entre nós não têm correspondência à realidade portuguesa. Em alguns caso as leis produzem o efeito contrário à intenção do legislador”, disse o Presidente da República.dando como exemplo o novo regime do divórcio.

Embora seja compreensível num militante, desculpem, simpatizante, desculpem outra vez, emigrante do CDS.

Valter Lemos não apoia Alegre

O secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, não apoia a candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República e garante que será «objector de consciência» se o PS o apoiar.

Ainda hoje uma colega em exercício numa escola das cercanias de Braga me contava como alguém, nos serviços administrativos, inventou uma regra estranha em que o ano sabático tem três anos para a fazer permanecer no índice 151 pelo 4º ano que está nos quadros, após ter feito a profissionalização nos dois primeiros. E o artigo 31º do ECD que se lixe.

Escolas geram desigualdade nos salários

Algumas escolas portuguesas não cumpriram as novas regras sobre os estágios. Há docentes que vão receber mais 200 euros que outros com a mesma formação, contratados na mesma altura.

Mas este foi um dos aspectos do grande legado do mandato anterior: o total desnorte sobre o que fazer em circunstâncias semelhantes, tudo ao sabor de secretarias, direcções ou direcções regionais, conforme o sabor e humor do momento.

Tudo à cata do tostão do professor mais distraído ou indefeso.

a esquerda, a direita e o oxigénio

As quotas como treta

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