Janeiro 2010


O título e a ideia, só por si, são polémicos.

E verdade se diga que o objectivo também é algo provocatório, em tempo de muitas queixas.

Vejamos: muitos de nós, eu incluído, nos queixamos da desautorização com que o ME e a sua corte de estudiosos eduqueses têm provocado a erosão dom papel do professor. Assim como há múltiplas queixas relativamente ao peso burocrático existente na Escola Pública, a má orientação pedagógica e metodológica dos programas, da organização curricular, etc, etc.

Em contrapartida, há uma relação de admiração-ódio quanto ao ensino privado, em particular aos bons exemplos, que apresentam resultados e não é raro dizermos que isso se deve à forma como eles gerem de modo autónomo o seu funcionamento. E não falo apenas dos critérios selectivos na admissão, mas em especial dos métodos e hábitos de trabalho, que privilegiam o rigor e bloqueiam os facilitismos que a 5 de Outubro impõe nas escolas públicas.

Perante isso, acho que um dos caminhos – que entre nós quase não é trilhado e quando o é nem sempre é da forma mais correcta – para a demonstração da razão que assiste a muitos professores seria a criação de escolas de tipo cooperativo por parte de grupos de professores que partilhassem um mesmo modelo de ensino, não ditado apenas pelo negócio.

Claro que não é algo fácil de erguer perante a concorrência existente, a burocracia ministerial – pelos vistos só na oferta de pré-escolar é que se deu uma espécie de boom selvagem há uns anos atrás – e os meios financeiros que é necessário mobilizar.

Claro que não estou a falar em projectos que assentem na utilização de mão-de-obra barata ao serviço de quem depois acumule o lugar de professor no ensino público e funções, em acumulação formal ou disfarçada, no sector privado.

Falo mesmo em projectos criados de raíz, com uma identidade própria, um corpo docente coerente na sua visão do ensino e objectivos claros.

É óbvio que já existem projectos deste tipo. Mas a verdade é que a oferta é algo reduzida, em especial a partir dos 2º e 3º CEB, fora dos grandes centros urbanos. E muito menos em zonas problemáticas.

Não me estou a oferecer para algo do género, pois ainda acredito que é possível regenerar a Escola Pública a partir de dentro. Mas quem já disso desacreditou e considera que tem ideias mais válidas, que nunca serão colocadas em prática na directa dependência do ME, esta seria uma boa forma de demonstrarem a sua razão.

É por isso que me agradam, ao contrário da ideia do cheque-ensino, as propostas que pretendem que o sistema público de ensino contemple sempre que a procura o justifique escolas com gestão privada mas com contratos de serviço público com o Estado, um pouco à moda das charter-schools.

  • Como o ensino privado pode provar que os docentes têm razão.
  • O que realmente falta nas escolas para que os professores façam um melhor trabalho.
  • Como o modelo ministerial de ADD pode servir o mau corporativismo docente.

Franklin Spear, Manhã de Domingo (a data queria eu saber…)

Robert Plant & Alison Krauss, Gone, Gone, Gone

At first one shouldn’t talk too much for talk reveals character and unless one is simple and artless anda appealingly boyish, it’s best not to talk at all, to remain silent and smiling, enigmatic, waiting for the proper momento to assume the character of the other’s dream.

Gore Vidal, “Three Stratagems” in Clouds and Eclipses, p. 8.

Só mesmo num acinzentar de tarde para dar atenção ao complemento da referência anterior em que se afirma:

The Ten Best Ways for a Woman to Impress a Man

Neste caso os conselhos ainda são piores do que os anteriores porque, enfim, parecem feitos por uma mulher, o que não é, acreditem, a melhor maneira de entrar na curta psique masculina.

E o que dizer quando se escreve (nº 8 ) que os homens buscam «One with a Non-Pretentious Smile but with Fire in her Eyes», mas depois incluem uma foto como esta…

Antes o sorriso, antes o sorriso…

Como resistir a um artigo que anuncia:

The Ten Best Ways for a Man to Impress a Woman

E tem uma frase como esta:

There is no girl alive who doesn’t want a priapic response to a new dress.

Bom… é possível resistir quando se percebe que os conselhos de tipo romântico são globalmente maus pois, o que é praticamente sinónimo, são ingleses.

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