Desde ontem que leio e releio as notícias sobre o OE para 2010 e não consigo acreditar em tamanho disparate. Em todos os jornais e revistas se diz que o sector da Educação vai ter um acréscimo de 0,8% em relação ao ano passado.
Mas depois apresentam os seguintes valores (remeto para notícia do Público mas que é similar a diversas outras) para o sector da Educação nos Orçamentos para 2009 e 2010: 6666,7 e 7275, 7 milhões de euros.
O que significa um acréscimo de 609 milhões de euros.
O que é algo como 8,1% na terra onde aprendi a calcular percentagens.
Porque se há coisa que eu desgosto imenso é de se usarem números tão evidentemente errados para defender posições, mesmo que eventualmente correctas.
E neste caso é toda a comunicação social e comentadores a reagirem preguiçosa e pavlovianamente a um qualquer mail da Lusa (como depreendo daqui) ou notícia posta a circular sem qualquer fact-checking.
Absolutamente…
Adenda: Remeto para novo post meu, onde se esclarece a origem dos 0,8%, algo não explicado na generalidade das notícias que li, mas o que levanta o seguinte reparo: então os acertos salariais com os docentes têm tão pouco impacto no OE?

Janeiro 28, 2010 at 5:32 pm
De facto!
Enfim, apesar de não ter feito cálculos, tive a sensação de achar estranho.
Janeiro 28, 2010 at 5:35 pm
… mas tem uma certa piada ninguém do go-sócras-verno ter aparecido a corrigir…
Indica que nem conhecem o próprio orçamento.
Janeiro 28, 2010 at 5:48 pm
É contabilidade em duodécimos! Deve ser para esconder o espalhar de milhões nas obras, nos magalhães, em toda a tralha tecnológica enfiada nos caixotes. E para deixar no ar a ideia de que “os malandros dos professores sempre vão ter o aumento de 0,8%”
Janeiro 28, 2010 at 5:51 pm
Desde Guterres que a contaminação da ignorância dos números se deu a muitos dos sempre incisivos representantes da nossa sempre mais medíocre comunicação social.
Janeiro 28, 2010 at 5:52 pm
“O maior investimento do governo está a ser feito sem concursos públicos. A reforma do parque escolar existente e a construção de novas escolas está a ser feita à margem “dos princípios da transparência das contas públicas e dos contratos que envolvem o Estado”, denunciou ontem o PCP no Parlamento. Para tentar evitar que “assim se estabeleçam contratações absolutamente insondáveis, blindadas à fiscalização da Assembleia da República e dos portugueses”, os comunistas querem que o Parlamento peça ao Tribunal de Contas que faça uma auditoria à empresa Parque Escolar EPE.”
Aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/44124-deputados-exigem-auditoria-aos-investimentos-nas-escolas
Janeiro 28, 2010 at 6:37 pm
Pois…
http://bulimunda.wordpress.com/2010/01/28/socrates-sei-como-reduzir-o-defice-ja-o-fiz-pois-nos-ja-sabemos-como-o-faz/
Janeiro 28, 2010 at 6:42 pm
O de 2009 não é o número do anticristo?
Janeiro 28, 2010 at 6:49 pm
#6
Não sei, eu nem adivinhava que ele já tinha telemóvel…
Janeiro 28, 2010 at 6:58 pm
- Está? É da Bloomberg?
– ?
– Ah, bom dia! Fala aqui José Pinto de Sousa!
– Quem?
– José Pinto de Sousa!
– ?
– Sócra…!
– Ah! Bom dia! Como está!
– Eu estou bem. O País é que não…!
– Sim, sim …
– …não, não! Não entendeu! O País está bem, está com saúde económica e financeira. Ah, para aí 700.000 com fome e sem pão, mas… O que não está nada bem é igualarem-nos à Grécia, esse berço de Atenienses milenares cheios de pó. Isto aqui é diferente. demos novos mundos aos mundos. Aqui é só políticas de nova geração! Não ouviu falar do Magalhães?
– Sim, sim! O da circum – navegação!
– Não é nada disso homem. Esse é passado! Então, homem! Suba-me mas é lá esse rating. Olhe que não fica bem visto por cá se não o fizer!
– Ah, ah, ah!
– Quem é que está aqui também na linha …?
– Ah, sou eu sr. Engenheiro. O Teixeira!
– Ah, Teixeira, desligue lá isso, homem! Então que o deficit estava controlado, heim? 5%, heim! Ainda há quem acredite em si, homem?
– Ah, eu também fiquei surpreso! Foi a receita fiscal!
– Ah, Teixeira, tanto apertou, tanto apertou, que estrangulou a galinha! Se não fosse o nunca me engano e raramente tenho dúvidas, não sei, não. Não gosto de ser contrariado! Mas desligue lá, homem. Já não tem idade para aventuras. E aqui o amigo da Bloomberg não se vai esquecer de nós, que nós também não nos esquecemos deles! E olhe lá,Teixeira, o que é que foi aquela de diminuirmos o salário? Está louco, homem, o Constante já me telefonou a pedir explicações! Olhe que lhe lanço os tansos do BPP e do BPN! Saloio!
Janeiro 28, 2010 at 6:58 pm
Boa, toca a ligar-lhe…
Janeiro 28, 2010 at 7:00 pm
0,8% é o valor em percentagem resultante da diferença entre a % do orçamento da Educação 2010 e a % do mesmo orçamento para 2008. Como o de 2010 é maior, abusam da liguagem pseudo-matemática (falta de comunicação matemática, ai ai).
Os jornalistas e afins acólitos é que não sabem mencionar como deve ser, pois na realidade, também não sabem bem o que isso significa…
Lembro-me da questão da redução das faltas em 4,1% e de (quase) toda a imprensa ficar extasiada com a anterior ministra. Só que nenhum jornalista percebeu que se um aluno faltasse 25 vezes numa semana, aquela redução seria apenas de 1 falta por semana…ou seja, praticamente nada. E assim vai o jornalismo em Portugal
Janeiro 28, 2010 at 7:19 pm
lolol
Paulo, então fizeste as contas?
Engraçado.
Ainda nenhum economista apareceu a desmentir os 0,8. Nem o Peres Metello.
Janeiro 28, 2010 at 8:00 pm
Mas vários colegas chamaram aqui à atenção relativamente ao teu optimismo com o acordo. Alguns embarcaram nesse convencimento que viriam aí melhores dias. E ainda a avaliação nem começou…
Janeiro 28, 2010 at 10:05 pm
Janeiro 28, 2010 at 10:06 pm
Não interessa nada à pobre família PENEDOS se o “irmão” e o pai estão ou não constituídos arguidos … o que interessa é que este tenha com urgência um TACHO antes que a mama se acabe! … E até fica facilitado o remédio para as escutas …*
Comprovem no Diário da República online:
http://dre.pt/pdf2sdip/2009/11/230000000/4838848388.pdf
«Despacho n.º 25916/2009
Nos termos e ao abrigo do n.º 1 do artigo 3.º do Decreto -Lei n.º 322/88, de 23 de Setembro, nomeio o licenciado Artur Rodrigues Pereira dos Penedos para exercer funções de assessor do meu Gabinete, em regime de comissão de serviço. Este despacho produz efeitos a 26 de Outubro de 2009.
12 de Novembro de 2009. — O Primeiro -Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.