Tal como com o Magalhães, não é a bondade da ideia e até dos objectivos que está em causa, mas as questões laterais da agilização dos processos…
Decreto-Lei que prorroga até 31 de Dezembro de 2010 a aplicação das medidas excepcionais de contratação pública, permitindo a adopção do procedimento de ajuste directo para a celebração de contratos de empreitada de obras públicas, de locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços, no âmbito da prossecução do objecto da Parque Escolar, E. P. E., alterando o Decreto-Lei n.º 34/2009, de 6 de Fevereiro
Este Decreto-Lei prorroga até 31 de Dezembro de 2010 a aplicação das medidas excepcionais de contratação pública, permitindo a adopção do procedimento de ajuste directo para a celebração de contratos de empreitada de obras públicas, de locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços, no âmbito da prossecução do objecto da Parque Escolar, E. P. E., alterando o Decreto-Lei que estabelece medidas excepcionais de contratação pública, a vigorar em 2009 e 2010.
Com este diploma é, assim, possível assegurar as condições necessárias e indispensáveis à execução do plano de intervenções de reabilitação a desenvolver no ano de 2010 (lançamento da fase 3 do Projecto de Modernização das Escolas Destinadas ao Ensino Secundário) bem como a conclusão de intervenções englobadas nas fases anteriores do Programa que se encontram em curso.
Ler à luz de elementos como os seguintes:
Dez empresas representam 95% do total da dívida das empresas públicas
(…)
A Refer lidera a tabela das empresas com maiores compromissos adicionais, calculados pelos economistas do BPI, dentro do Sector Empresarial do Estado (SEE), com um peso de 26 por cento, correspondente a quase nove mil milhões de euros, com os transportes a dominarem a lista.
Segue-se o Metro de Lisboa (16,8 por cento, perto de 5,5 mil milhões de euros), o Parque Escolar (13,6 por cento, cerca de 4,5 mil milhões de euros), a Comboios de Portugal – CP (11 por cento, sensivelmente 3,8 mil milhões de euros), os Hospitais EPE (8,2 por cento, quase três mil milhões de euros), o Metro do Porto (7,5 por cento, 2,5 mil milhões de euros), a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva – EDIA (3,8 por cento, cerca de 1,2 mil milhões de euros), a Estradas de Portugal (2,8 por cento, quase mil milhões de euros), a RTP (2,7 por cento, perto de mil milhões de euros) e a Carris (1,8 por cento, cerca de 600 milhões de euros).
Relatório da OCDE elogia remodelação de escolas
(…)
O PÚBLICO teve acesso apenas ao sumário do documento, que foi encomendado pelo Ministério da Educação e parcialmente elaborado com o apoio da Parque Escolar, a empresa pública criada em 2007 e responsável pelo programa. A equipa da OCDE esteve em Portugal, entre Março e Junho do ano passado, a recolher dados no terreno.
Uma das questões levantadas pelo relatório reporta-se aos custos a longo prazo de “energia, limpeza e manutenção” de algumas escolas, que poderão ser “desnecessariamente grandes”. Por outro lado, o documento elogia a qualidade de acabamento dos edifícios observados, mas nota que “o design poderá, em alguns casos, não ser tão flexível e encorajador de práticas inovadoras do século XXI como seria de esperar”.O programa de remodelação das escolas secundárias significa um investimento de 2450 milhões de euros, entre 2007 e 2011, com o objectivo de modernizar 205 escolas de um total de 322. Apesar de elogiar a capacidade do Estado português para conseguir verbas europeias para este projecto, o relatório sublinha que “permanecem questões relativamente à provisão de fundos” para as escolas não incluídas na primeira vaga de remodelação e que “é expectável que apresentem, dentro de alguns anos, as mesmas deficiências que algumas das que estão agora a ser remodeladas”.
Medidas anti-crise ficaram a meio caminho
(…)
- EscolasO programa de modernização de escolas é um dos mais bem sucedidos, estando a contribuir para dinamizar o mercado da construção civil. Orientado para a reabilitação de escolas secundárias e lançado pela empresa Parque Escolar, criada para o efeito, o programa tem assentado num modelo de empreitada tradicional, o que fez com que não sofresse com a crise de crédito, porque é o Estado a financiar o programa.
Janeiro 25, 2010 at 9:44 pm
Um milhão de euros orçamentados para serviços de consultoria em 2009. 900 funcionários do Ministério da Agricultura dispensados, em regime de mobilidade especial. Dezenas de processos de candidatura de uma cooperativa de Viseu à espera de parecer no Ministério da Agricultura.
(Honório Novo, na SICN, Jornal das Nove de Mário Crespo, hoje).
Janeiro 25, 2010 at 9:46 pm
não entram os meu comentários
Janeiro 25, 2010 at 9:46 pm
Li com atenção este estudo publicado que linkaste AQUI no umbigo
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/rle/n13/13a04.pdf
Janeiro 25, 2010 at 9:51 pm
A Parque Escolar iniciou actividades em 2007 (foi quando chveu o dinheiro do actual Quadro de Apoio Comunitário). Como se compreende que, depois de dois anos de actividade, continue a vigorar a situação de emergência compatível apenas com contratações directas. Caramba, ao fim destes anos ainda não aprenderam a fazer um caderno de encargos de jeito, escolher um juri de concurso público e dar um ar de transparência administrativa. Como contribuinte, declaro a Parque Escolar incompetente para administrar dinheiros públicos. Acabe-se com ela, quanto mais depressa melhor.
Janeiro 25, 2010 at 9:54 pm
#1, acabei de ouvir isso na entrevista que o Crespo fez ao Honório.
Fiquei estupefacta com os 900 funcionários do Ministério da Agricultura.
Nós quase não temos agricultura. Importamos tudo!
Para que raio precisamos de 900 funcionários???
Janeiro 25, 2010 at 10:01 pm
Retirado do doc indicado pela Ana Henriques (#3)
Podemos, assim, verificar que Portugal continua a investir anualmente, em cada
aluno, significativamente menos do que a média dos países da OCDE. Tanto em
2004 como em 2003 Portugal, quanto a este indicador de despesa por aluno,
ocupava o 23º lugar, em 34 países, com uma despesa por aluno inferior a metade
da realizada pelos EUA (gráfico 4).
Janeiro 25, 2010 at 10:05 pm
#5
Enquanto continuarmos a importar aquilo que comemos, não estou a ver como outros problemas económicos poderão ser resolvidos. Em Espanha o Ministério da Agricultura foi muito mais eficaz no apoio aos agricultores. Prova é que andamos a consumir de Espanha aquilo que podíamos bem estar a produzir aqui.
Janeiro 25, 2010 at 10:10 pm
#5 Conheço alguns que trabalham que se fartam só para tratar das questões dos subsídios da UE aos agricultores. Os “papeis necessários são tantos e tão complexos que sem ajuda dos funcionários o comum dos mortais não os preenche. Depois a UE obriga a fiscalizar tudo. Sei que, neste momento, o MA depois de ter dispensado para o quadro de excedentários muitos, de ter readmitido mais tarde alguns, fez um concurso público e há uma empresa de segurança(!) que disponibiliza trabalhadores durante algum tempo para concluírem uma fiscalização aos agricultores que já devia estar pronta há 2 anos.
O nosso mal é a excessiva intervenção do estado em tudo. É preciso alimentar a burocracia. Sem pessoas ela não funciona.
Janeiro 25, 2010 at 10:13 pm
#7
Curioso é que, os olivais com que os espanhóis estão a substituir o montado alentejano foram comprados e estão a ser explorados com subsídios da UE.
Janeiro 25, 2010 at 10:30 pm
http://blasfemias.net/2010/01/25/ajuste-directo-exemplar/
“A empresa pública Parque Escolar, numa determinada obra, informou que
1) “registaram-se situações (resultantes de contingências associadas à empreitada) que foram prontamente identificadas e solucionadas“.
2) “A intervenção na escola é acompanhada por uma equipa de fiscalização permanente, para garante da boa execução dos trabalhos e de acordo com todas as normas técnicas e de segurança.
3) A comissão de segurança reúne semanalmente, e integra o coordenador de segurança da obra e representantes do empreiteiro, da escola, da associação de pais e da Parque Escolar”;
Apesar de todas essas supostas garantias….
4) A empresa vai propor uma auditoria que “deverá ser realizada por entidade externa, a sugerir pela Direcção e pelo Conselho Geral da Escola“.
É que a escola onde foram feitas obras sobre sua responsabilidade está a CAIR AOS BOCADOS.”
Ainda arranjam Esquitoso para san(e)ar o espiolhar…
Janeiro 25, 2010 at 10:57 pm
#5:
Se calhar havia gente a mais no M. da Agricultura mas faltava por exemplo no do Ambiente. Não seria muito complicado reconverter profissionais de uma área para a outra, se os socratinos olhassem para os funcionários como pessoas e não como números.
O objectivo foi inaugurar o quadro de excedentes e os trabalhadores daquele ministério foram as cobaias da “coragem”, da “determinação” e da luta contra os “interesses instalados” que o governo quis passar como imagem de marca.
E na altura quase toda a gente achava muito bem. Eu ainda não me esqueci…
Janeiro 25, 2010 at 11:10 pm
António Ferrão, estás aí?
Explica-me lá uma coisa!!
Janeiro 25, 2010 at 11:37 pm
Escrevi vários comentários a este post. Nenhum entrou!
Ninguém se escandaliza TOTALMENTE com as informações contidas neste post do Paulo????
E juntando o link do meu comentário 3? (OCDE e tal) Muito importante ler!
E juntando as declarações de hoje da Ferreira Leite a dizer que subscrevia o congelamento de salários caso o governo considerasse necessário?
Bem …
Janeiro 25, 2010 at 11:39 pm
sim?
Janeiro 25, 2010 at 11:41 pm
#13
Li o documento. Escandalizados andamos, mas não chega…
Janeiro 25, 2010 at 11:54 pm
#12 reb
Envia mail p/ antonio@ferrao.org pf
Janeiro 26, 2010 at 12:37 am
A voragem dos negócios
João Rodrigues
Das estradas aos hospitais, não há área da provisão pública que esteja a salvo da voragem dos negócios. O Tribunal de Contas tem feito saber, para quem esteja interessado em ler os seus relatórios, que as parcerias público-privadas, cujo peso no PIB é o maior da Europa, assentam em contratos opacos e em frágeis mecanismos de monitorização.
O interesse público e a transparência orçamental são sacrificados: os privados investem, controlam equipamentos públicos e têm lucros garantidos, talvez rendas seja uma expressão mais adequada, e o Estado paga muito mais a prestações e assume os riscos.
Neste contexto, vale a pena ler a entrevista que Rui Peres Jorge do Negócios fez a Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de Contas e uma das pessoas que acompanhou mais de perto o crescimento das parcerias e de outros mecanismos de captura do Estado por uma burguesia crescentemente parasitária: “O Estado não tem força suficiente para se defender da pressão dos bancos nas parcerias público-privadas.”
Apesar de todas as perversidades, estes esquemas têm uma vantagem: mostrar que o discurso sobre o “monstro” do peso do Estado faz parte de um romance de mercado pouco informativo sobre a real orientação das políticas públicas no medíocre capitalismo nacional.
(sacado de arrastão)
Janeiro 26, 2010 at 1:58 pm
A agência do Goebbels !
RTP (2,7 por cento, perto de mil milhões de euros) e a Carris (1,8 por cento, cerca de 600 milhões de euros).
Carris tem “alguma” utilidade.