Professores portugueses têm dos horários mais carregados
Segundo o relatório ‘Education at a Glance 2009′, da OCDE, professores nacionais passam mais tempo nas escolas do que média da UE e OCDE. Apesar de calendário mais curto.
Os professores do ensino público português dão mais horas de aulas por ano (684 a 855) e passam mais tempo na escola (1261 horas) do que a maioria dos colegas da OCDE e da União Europeia (a 17). Isto, com um calendário escolar mais curto. Ou seja: têm menos dias de trabalho anuais. Mas acabam por fazer mais horas. Os números constam do relatório Education at a Glance 2009, da OCDE, e baseiam-se em dados de 2007.
Janeiro 22, 2010
Janeiro 22, 2010 at 9:50 am
Calendário escolar mais curto?
Nem no Japão é tão comprido…
Janeiro 22, 2010 at 10:03 am
#1
E no Japão o sol nasce mais cedo!…
Janeiro 22, 2010 at 10:49 am
Quando os restantes paises da Europa tiverem um clima como Portugal encurtam logo o calendario!
Antes as aulas comecavam em Outubro e nao era por isso que se deixava de aprender.
Janeiro 22, 2010 at 11:28 am
Sem dúvida. Mais aplavras para quê…? Só os cegos é que não querem ver… E, infelizmente, há muitos cegos em Portugal… Sim, mais cegos do que os cwegos porque embora saibam o quanto trabalham os professores pelo sucesso dos alunos, insistem em dizer que nada fazem… Mais, passam o tempo a servir os caciques do governo, massacrando os profesores, enxovalhando-os em auenticas Praças Públicas (leia-se, comentadores em o Jornal O Público!)… Enfim.triste é o país que não aposta na Educação… Pois por cada ataque que faz aos professores e à Educação terá de se preparar para admitir mais polícias e abrir mais uma prisão! Por isso, sempre dissemos aos portugueses: “Os Ministros passam… os professores ficam. Como tal, cá continuaremos.” Eu farei a minha parte porque “Não Calarei A Minha Voz… Até Que O Teclado Se Rompa !”
Janeiro 22, 2010 at 12:44 pm
O horário do professor
(tanto os dirigentes sindicais como muitos professores nunca souberam fazer estas contas)
O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e cinco, 11 horas (em alguns casos até são apenas dez) são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere como entende. As outras 24 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de turma, de coordenação pedagógica, etc., etc.
Bom, centremo-nos naquelas 11 horas que estão destinadas ao trabalho que é realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes, correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua. Agora, vamos imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem 5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos com menos – ficamos por uma situação média). Para sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as suas horas de trabalho.
Vamos lá, então, contar:
1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente iguais — o que não acontece — e que, por isso, quando prepara para uma turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas, como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um total de 84 horas nesta tarefa.
2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar, escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.
3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas, seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os testes, durante um período.
4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10 minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final de mais de 280 horas.
5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41 trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados), dá um total de 41 horas.
6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).
7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou considerar este tempo.
Vamos, então, somar isto tudo:
84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas.
Multipliquemos, agora, as 11horas semanais que o professor tem para estes trabalhos pelas 14 semanas do período: 11hx14= 154 horas.
Ora 547h-154h=393 horas. Significa isto que o professor trabalhou, no período, 393 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para o efeito.
Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no Natal.
No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia dá 42 horas. Então, vamos subtrair às 393 horas a mais que o professor trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 351 horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 351 horas!! Isto em dias de trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 50 dias!!! O professor Simplício tem um crédito sobre o Estado de 50 dias de trabalho. Por outras palavras, o Estado tem um calote de 50 dias para com o prof. Simplício.
Nota: Este texto foi adaptado e refere-se ao ano lectivo 2008 / 2009. Tem um autor (não sou eu), o qual não consegui identificar neste momento, pelo que peço desculpas. Contudo, parece-me que descreve muito bem as horas de trabalho de muitos professores, só pecando por fazer contas muito por baixo (ninguém consegue fazer um teste numa hora, por exemplo; contabilizar 4 horas não é excessivo, podem crer).
Janeiro 22, 2010 at 1:46 pm
Pois é!
E aumento ou progressão??!!!
Hoje fui ver o meu extracto de conta bancária e nem aumento (por pouco que fosse) nem subida de escalão (esperando até quando); sei que noutras escolas já pagam desde Dezembro; na minha não!!
Há professores e professores: “depende da DRE…, depende do Director…” sei lá mais o quê!
As leis são iguais para todos, isto é, as leis são as mesmas para uns aplicam-se e para outros a sua aplicação ainda depende de uma pessoa qualquer, que ainda ninguém me disse quem é ou qual o seu nome!
Este “mês não pagamos”, “vamos ver para o próximo”,…
O dinheiro que o estado me deve já dava para muito infeliz do Haiti sobreviver! Mesmo!
Nos tempos que correm é muito triste ser-se professor neste nosso Portugal (será ainda nosso?…)
Descansem!
Bom fim-de-semana
Janeiro 22, 2010 at 2:03 pm
Janeiro 22, 2010 at 2:21 pm
Em que ficamos, afinal?
A Benavente (secretária de estado) fez publicar legislação para mais paragens no Ensino (por exemplo a meio do 1º período) porque os professores portugueses tinham o, ou um dos calendário escolares mais longos.
Agora, dizem o contrário justamente quando a legislação do tempo dela foi revogada por estes tipos?
Janeiro 22, 2010 at 2:26 pm
França
Année scolaire 2009-2010
Calendrier annuel
http://www.naturevacances.com/FichiersHtml/pages/calendrierScolaire/calendrierScolaire09-10.htm#3
Janeiro 22, 2010 at 3:04 pm
…é por estas e por outras que o tempo escasseia para “andar de Ferrari”, como deve ser…
Janeiro 22, 2010 at 3:20 pm
Era uma vez um senhor Presidente da República chamado Jorge Sampaio que afirmou que os professores portugueses eram os mais bem pagos da Europa e aqueles que tinham menor carga horária.
Jamais esqueço esse senhor que introduziu em Portugal o estigma aos professores que foi seguido pelo “Inginheiro” José Sócrates.
Agora somos dos mais escravizados da Europa, onde para além da extensa carga horário, temos a agravar o facto de termos dos alunos mais indisciplinados do continente europeu.
Que a memória registe e não esqueçamos este facto.
Janeiro 22, 2010 at 3:27 pm
#10,
Pois, pois, pois…
Mas nada como tentar sempre dar o melhor de nós.
Janeiro 22, 2010 at 3:49 pm
É mentira; os professores portugueses não estão mais do que 12 horas na escola.
Esses estudos são um logro, eu só acredito nos do ISCTE
Janeiro 22, 2010 at 3:51 pm
Raios! Este sócras logo tinha de arranjar um avatar quase igual ao meu!
Janeiro 22, 2010 at 7:39 pm
#11
Sim, aquela viagem à Finlândia…
Janeiro 22, 2010 at 8:34 pm
#5
24 h na escola? São 26 ou 27 conforme o Desp. 13781
22 (comp. lectiva+ redução)+ 3 tempo de escola+ 1 ou 2 do Desp.
Janeiro 22, 2010 at 8:36 pm
Esqueci-me das 2 horas para reuniões que são retiradas do trabalho individual que fica reduzido a 8 ou 9 h por semana.
Na minha escola e noutras é assim.