Um exemplo prático de um professor penalizado
O “azar” de ter mais Tempo de Serviço
Dezembro 2009
Dezembro 20, 2009
Dezembro 20, 2009
Dezembro 20, 2009
Encontrei o seu website e achei que seria muito útil que divulgasse a nossa iniciativa:
O planeta energia: recursos didácticos para a infância sobre energia e alterações climáticas. Uma ferramenta para educadores e crianças recorrendo à arte e à interactividade disponível em www.oplanetaenergia.eu .Se desejar coloque a imagem que envio em anexo. Muito obrigado..Jorge Assis (Sócio gerente de Mundo Gobius Comunicação e e Ciência)
Dezembro 20, 2009
Caro Paulo Guinote,
Este ano, comemoram-se os 125 anos da Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra, onde entre muitas outras actividades estamos a dinamizar um blogue: http://esab125.wordpress.com/. Por conter informação que poderá ser do interesse de ex-professores e ex-alunos, alguns dos quais certamente serão leitores do “Umbigo”, sugiro divulgação, caso lhe pareça adequado inserir um post sobre o assunto.Cumprimentos,
João Sá
Dezembro 20, 2009
OS NOMEADOS
Jesus Cristo, todos o sabem, nomeou, doze apóstolos e incumbiu-lhes a penosa, mas nobre, missão de espalhar a sua doutrina por toda a terra. (Não contava era que Maomet lhe estragasse os planos, e fizesse o mesmo com outra doutrina… que também desejou ver espalhada pela terra inteira, mas teve de se contentar com cerca de um terço dela.).
Entre os apóstolos “nomeados” por Cristo, destacam-se dois: S. João e S. Pedro. ( Até pelas romarias e festas em sua honra…).
Os apóstolos são, pois, os “nomeados” de Cristo.
Como na altura não havia nada que se parecesse com “sistemas educativos”, nem com “universidades”, nem se passavam “diplomas” as “nomeações” eram feitas “a olho”.
Foi o que fez Jesus Cristo: olhou para Pedro, viu aquela respeitável barba branca pendurada no queixo, e…, toca a nomeá-lo logo para o cargo que lhe pareceu o mais adequado: o de “Porteiro do Céu”( com o devido respeito pela dignidade do dito).
Mas, hoje em dia, já existem uns “sistemas” chamados “educativos”, “escolas” chamadas “universidades”, e até certificados a que chamam “diplomas” …
Por isso, já não era necessário nomear ninguém recorrendo ao “olhómetro”.
Porém… Dois mil e nove anos depois de Cristo, ainda há muito boa gente que tem o poder de “nomear” ignorando diplomas, certificados, e outras coisas afins… Está-se mesmo nas tintas se o nomeado não sabe ler, escrever ou contar. Aliás, dizem as más línguas que os nomeadores preferem nomeados, não direi analfabetos, porque parece que já não os há, mas sem diploma nenhum. E, se porventura, o cargo que vão exercer exige diploma, esperam que o seu escolhido o tire depressa (ou compre – que ainda é mais rápido…), e, só depois, abre o “concurso” para o nomear.
Ora, pelos sinais, este processo ( da nomeação) nunca irá, infelizmente, acabar. ( Embora se perceba que é uma forma especialmente propícia à entrega de chefias e cargos de responsabilidade aos não competentes…). A sensação que se tem é que só vai existindo para manter de pé a estrutura feudal do “Senhor do anel” e do “Servo da Gleba”…).
A verdade é que há, de facto, uma espécie de gente que só alcança um lugar de destaque, quando alguém o/a nomeia para determinado lugar.
Os “nomeados” podem sê-lo de diversas maneiras. Umas vezes vivem na mesma rua de quem os nomeia; outras vezes moram no mesmo prédio; ou então, frequentam há anos a mesma pastelaria…
Assim, por exemplo, quando o novo chefe da Direcção Regional de Fardos de Palha, ( o sr Dr. Celestino), quer substituir o sr Belarmino, chefe da respectiva Delegação Distrital, é, justamente, isso que faz: Substitui o sr. Belarmino (que havia sido nomeado pelo sr. Dr. Antonino) e nomeia para esse lugar o sr Diamantino.
E por que razão ele (o sr. Dr. Celestino) nomeou desnecessariamente o sr. Diamantino, para o lugar do sr. Belarmino, mesmo sabendo que este era e é mais competente?
Há duas respostas possíveis:
A verdadeira, é porque C. e D. moram na mesma rua, e os pais, amigos de infância, e colegas na tropa, continuam a aprofundar a amizade, indo juntos à “caça”…
A falsa, é porque D, (avisado por C que precisava de um diploma para aquele efeito, tirou um curso intensivo de “enfardagem de palha” no Instituto Superior de Trás-Os-Palheiros, mais conhecido pelo pomposo nome de Universidade das Novas Oportunidades) tem as habilitações adequadas para ocupar o lugar.
Cunha Ribeiro
Dezembro 20, 2009
Todos, ou quase, conhecemos a prática de pequenas festas nos finais de período, ao atingir-se a centésima lição de alguma disciplina, no final do ano.
São pequenos rituais, regularmente repetidos a que nem sempre damos a devida atenção, mesmo quando participamos e nos envolvemos.
No entanto, nos últimos anos, esta prática começou a alargar-se cada vez mais e a outro tipo de datas. Este período, em especial numa das minhas turmas mais curtas começou a ser hábito a comemoração do aniversário dos alunos – para além da tradicional cantoria no final de uma aula - envolvendo aquilo que é habitual: trazerem-se sumos, pequenos comes e bebes para uma meia hora de convívio numa aula em que o(a) docente prescinda de se preocupar com as formalidades programáticas.
Contrariando aquela ideia de que a escola é aborrecida e de que os alunos, em especial com historial de insucesso, se sentem incompreendidos pelos professores que com eles têm dificuldade de relacionamento num plano mais horizontal, os alunos desta turma fazem questão de querer o máximo de professores presentes, como aconteceu na passada 6ª feira em que vários alunos partiram em busca dos elementos do Conselho de Turma que ainda estavam a leccionar a meio da tarde.
Em outras ocasiões a ocorrência é mais modesta, como que apenas um pequeno momento de pausa e convívio. Há algumas semanas, lá fui convocado e apareci na sala de uma colega minha que tinha tido o cuidado de comprar bolo e velas para o aluno que fazia anos, já sabendo das suas dificuldades. A reacção do miúdo foi de espantado prazer, seguido de evidente emoção e indecisão: nunca tinha comido bolo de bolacha na vida (fazia 13 anos), nem sabia se o haveria de levar para casa para mostrar à família o que a professora lhe dera, tamanha considerava a dádiva surpreendente.
Como que ficou paralisado, após lhe cantarem os parabéns e ele ter soprado as velas. Colocou a fatia de bolo na mesa, para poder levá-la para casa, mas não parava de a olhar. Cedendo à tentação lá pediu para a comer, quando a aula já tinha sido retomada. Eu já lá não estava mas contaram-me que saiu um pouco da sala e comeu toda a fatia, enquanto uns colegas de passagem lhe pediam um pouco. Satisfeito, reenntrou dizendo que lhes tinha deixado uns pequenos restos que estavam na caixa do bolo.
Tanto no momento como agora, este é o tipo de história que nos deixa com um nó na garganta, sem saber se devemos sentir satisfação pela felicidade do aluno, se um incómodo embaraço por tudo o que revela das imensas carências, e não falo apenas das materiais, com que se debatem estas crianças e jovens com que trabalhamos todos os dias.
Dezembro 20, 2009
Congress Considers Cutting D.C. School Voucher Program
With more families choosing charter schools, the voucher option is losing political favor.
Dezembro 20, 2009
Dezembro 20, 2009
Não é uma questão de generalato para todos, é uma questão de equidade. Se é porque falta o dinheiro, demonstrem-nos que as poupanças feitas com os professores fazem parte de uma política de contenção séria da despesa pública e não de agendas eleitoralistas de reformas retóricas que desabam logo que o bloco central dos negócios se aflige.
Mais de 70 mil professores sem garantia de vaga
Governo quer introduzir barreiras no acesso aos escalões salariais que obrigam a maioria dos docentes a disputar as vagas disponíveis. “A proposta piora a actual situação”, avisam os sindicatos.
As limitações de vagas que o Governo quer introduzir no acesso ao 3.º, 5.º e 7.º escalões salariais significam que 70 909 professores – a grande maioria do actual quadro do Ministério da Educação – deixarão de ter garantida a progressão na carreira ao ritmo actual.
É isto que revela um balanço da distribuição dos docentes pelos diferentes escalões – realizado pelo Ministério da Educação a pedido dos sindicatos -, que permite concluir que apenas 44 061 docentes, de um total de 114 970 estão acima dos três “torniquetes”. Que irão consistir na “contingentação” de um número de vagas a definir anualmente pelo Ministério das Finanças. O documento, ao qual o DN teve acesso, mostra que só nos três escalões imediatamente inferiores a estas barreiras estão 42 487 professores: 18 865 no 2.º escalão, 14 317 no 4.º e 9305 no 5.º escalão.
A linha de água a partir da qual os professores deixam de depender de vagas para progredir será marcada pelo 7.º escalão. Um patamar onde não se encontra ninguém, já que foi criado para compensar os professores que não obtivessem lugar nos futuros concursos para a categoria de titular, que o Governo já prometeu extinguir.
Acima dessa linha estão ho- je 44 061 professores, dos quais 30 370 titulares e 13 691 não titulares. Estes últimos, por terem deixado de haver escalões reservados aos titulares, passam a ser os únicos professores claramente beneficiados com a mudança.
“Passa a haver três barreiras, todas anteriores à única que existia [no índice 340]. E acaba por surgir mais um degrau com o índice 272″, disse ao DN Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Por isso, para o dirigente sindical houve um retrocesso: “Olhando para a carreira como está actualmente, esta proposta do Ministério da Educação acaba por piorar a situação.”
Dezembro 20, 2009
Mas Ainda Há Classificações Negativas?
Posted by Paulo Guinote under (In)Sucesso, Conversa da Treta[24] Comments
Por estarmos a entrar em quadra natalícia, e em pleno período de reuniões de avaliação, é melhor não comentar muito este tema que tanta pirueta provoca nos finais de período, tanta ida à escola nos últimos dias da passada semana após três meses de absentismo, tanta lágrima de crocodilo, tanta parentalidade preocupada apenas com o número na pautae muito pouco em sequer olhar para dentro da mochila dos seus educandos.
Chegaram as férias escolares – o problema é se chegam também as notas negativas
O seu filho vai ter uma ou mais negativas? Se já sabe que sim, preocupe-se. Se não sabe responder, preocupe-se ainda mais. E, num caso ou noutro, actue, aconselham os especialistas.
Mas descansai, se neste período existirem muitas classificações negativas, entre a Páscoa e o estio quase todas elas derreterão em virtude do aquecimento sazonal de Junho-Julho.
Pois… o problema destes temas é que quem passa por eles demasiados anos a fio começa a sentir apenas o efeito de eco, sabendo que em termos substanciais pouco ou nada muda em muitas atitudes e quando muda nem sempre é no sentido “certo”.
Mas descansai que o que se anuncia ser, a curto ou médio prazo, um primeiro ciclo de escolaridade em que as famílias poderão estar cinco anos descansadas com a ausência de risco de reprovação.
Esperai, pois, senhoras e senhores, que o milagre do sucesso a 110% se anuncia, prenhe de descanso natalício, pascal e estival.
Dezembro 19, 2009
Duran Duran, Girls on Film
Como dizia há pouco tempo o Simon Le Bon, este foi o primeiro vídeo soft-core dos anos 80.
Quem diria que tão menosprezados pela critica, em seu tempo, se tornariam banda de culto?
Dezembro 19, 2009
A páginas 18 do Expresso de hoje vem uma peça sobre Alexandre Ventura, o ex-presidente do CCAP e actual secretário de Estado da Educação que já foi DJ mas não gosta do ruído dos blogues.
A inversão de estratégia e imagem em relação ao sorumbático Jorge Pedreira é quase total, mesmo se pelas últimas conferências de imprensa Alexandre Ventura revele ainda alguma dificuldade em fazer-se entender.
Ao contrário do que se passou no anterior mandato em que a rispidez, incivilidade e confronto eram as chaves para as negociações e para a conquista a opinião pública, agora vive-se um período em que da 5 de Outubro se pretende transmitir uma imagem de serenidade, simpatia e tolerância.
Talvez por isso se sucedam declarações como aquela que termina o artigo em causa onde se lê que:
Para já, e apesar do muito que ainda os separa [ME e sindicatos], Ventura está mesmo “convencido” de que o acordo com os sindicatos é possível.
Este tipo de atitude pode ser encarado de duas formas:
- Ou como uma sincera vontade de fazer a Educação regressar a um clima de acalmia e não crispação.
- Ou como uma estratégia destinada a transmitir para a opinião pública a ideia que do lado do Ministério tudo é simpatia e que, a haver desacordo, a culpa será dos intransigentes professores e sindicalistas.
Como escreve Isabel Leiria mesmo a finalizar o artigo «As próximas semanas o dirão».
Dezembro 19, 2009
Pela Blogosfera – Blog DeAr Lindo
Posted by Paulo Guinote under Blogosfera, Educação, Natal[4] Comments
Dezembro 19, 2009
A ideia foi do Miguel e o Paulo desafiou-me, pelo que responderei. No entanto, por questões certamente transcendentais, vou eximir-me do dever de desafiar cinco bloggers para darem o seu testemunho. Acho mais interessante que quem o queira fazer, faça de moto próprio. Ou então que o façam os comentadores do Umbigo.
- Eu já… estive muitas vezes errado, mas isso não impede que em todos os momentos defenda aquilo que acho estar certo.
- Eu nunca… consigo perceber os defensores da tolerância que praticam a intolerância militante.
- Eu sei... que a realidade é mutável, muitas verdades transitórias, muitas certezas simples convicções, mas que em cada momento devemos acreditar no que fazemos.
- Eu quero… continuar a acreditar que é sempre possível lutar por aquilo que acreditamos, mesmo quando isso não parece o mais recomendável.
- Eu sonho… com o dia em o mundo não seja a preto e branco para muita gente e que o maniqueísmo dicotómico entre puros e impuros não seja substituído necessariamente pelo pragmatismo acrítico dos cinzentos, mas pela capacidade de reflectir sobre as circunstâncias particulares de cada contexto.
Dezembro 19, 2009
A Ler – US News & World Report
Posted by Paulo Guinote under Educação, EUA, Ponto da Situação, Revistas[2] Comments
Uma edição que tenho em pdf (14 mb) graças ao Livresco, mas que vou tentar encontrar em papel pela sua qualidade e actualidade.
Destaco aqui, por exemplo, as declarações de Arne Duncan, o secretário de estado para a Educação da administração Obama sobre a ligação entre pagamento por mérito e resultados dos alunos:
Dezembro 19, 2009
Um Défice Estrutural
Posted by Paulo Guinote under Educação, História, Literacia, Qualificação[18] Comments
Ainda mais do que de habilitações académicas, a população portuguesa padece de um défice enorme e antigo de literacia funcional. Mesmo quando completa a escolaridade básica, parte importante da população portuguesa tem graves lacunas para entender instruções de preenchimento de impressos, de utilização de medicamentos ou vários tipos de equipamentos ou para fazer cálculos razoavelmente básicos. Há poucos dias, desesperava eu para ser atendido quando cliente e funcionária procuravam entender-se sobre um troco, mesmo com recurso à máquina de calcular, porque a operação não era apenas x-y.
A relação de muita gente com a compreensão do discurso escrito, com operações matemáticas básicas ou com a estruturação de um raciocínio lógico é algo que se aproxima do santo graal.
Por isso é utópico tentar encontrar nos sistemas educativos actuais dos países mais avançados as panaceias para o nosso atraso. Pelo contrário, é preciso saber analisar o trajecto histórico da Educação nesses países, para perceber como se construiu o sucesso. Não para o replicar – há soluções diferentes, consoante os contextos – mas para entender que o sucesso é o resultado de um processo longo, por vezes já enraízado há muitas gerações na sociedade, não o efeito como que mágico e instantâneo de uma qualquer fórmula.
Embora seja aparentemente pessimnista esta minha visão, acho que, ao contrário do que se possa pensar, foram feitos ganhos enormes com a democratização do ensino até perto do final do século XX, mesmo tendo em conta os muitos erros cometidos.
O que me parece é que neste arranque do século XXI se aposta cada vez mais numa ausência de memória e num olhar sincrónico que toma por causa o que é consequência.
Dezembro 19, 2009
Opiniões – António José Ferreira
Posted by Paulo Guinote under Avaliação, Docentes, Opiniões[22] Comments
“Avaliação” de Professores – o Epílogo de uma Farsa
Está agora a produzir efeitos, depois de um processo cheio de peripécias, a chamada “Avaliação do Desempenho Docente” do primeiro módulo, que era para ter sido de 2007 a 2009 mas que, efectivamente, se resumiu ao ano lectivo de 2008-2009.
Depois de várias “simplificações” e aberrações sobre uma aberração, visto que o que “nasce torto, tarde ou nunca se endireita” e após terem sido estabelecidos vários “simplexes”, que pretenderam avaliar o trabalho dos professores mesmo sem observar aulas, (imagine-se!), chegámos ao epílogo do processo com a “saída” das classificações.
Atente-se que estas são condicionadas por quotas nas menções mais elevadas de “Muito Bom” e “Excelente”e é neste exercício que se verifica um conhecido aforismo brasileiro acerca da pragmática da lei, que reza assim:
“A lei serve para beneficiar os amigos, prejudicar os inimigos e aplicar aos otários”- e nada mais acertado para caracterizar este processo.
Temos de tudo: Escolas onde a quota de Excelente não foi utilizada mesmo tendo profissionais sido notados a esse nível, reservando “naturalmente” os Directores para si, em exclusivo, essa menção; Escolas onde faltaram lugares disponíveis nas quotas e Escolas onde sobraram lugares nas quotas, por escassez de concorrentes e se atribuíram menções de “Muito Bom”, a desempenhos próximos da indigência.
Em geral predominou a “martelagem” dos números para atingir os resultados convenientes para a tutela, numa escala que ultrapassou a da indecência face aos desempenhos reais, quer para cima, quer para baixo.
Isto, claro, dentro da maior das “autonomias”, pois à falta de um quadro nacional de referência o Ministério da Educação já nos habituou a mascarar de “autonomia” a maior das bandalheiras, que foi precisamente o que aconteceu.
Nestas coisas, quando “ não há rei, nem roque”, costumam beneficiar os apaniguados, os attachés e os protegés e prejudicar as personas non gratas, através do poder absoluto das Direcções das Escolas, mais concretamente dos/as Directores/as, que num país em que por norma toda a gente abusa do poder que tem, mesmo que mínimo, e a este propósito posso contar a história da senhora do bengaleiro, que tem por incumbência dar as chaves, mas que para certas pessoas nunca lá está.
Ora, as quotas foram aplicadas, não em função do mérito absoluto dos profissionais, mas em função de disponibilidades e conveniências e tudo “ foi como teria que ser”, em conformidade com os desígnios burocráticos dos poderes de turno que fazem por ignorar as pessoas e o seu mérito real, mas configuram uma farsa político-administrativa que tem por base apenas condicionalismos de natureza financeira, sem dúvida respeitáveis, mas que o seriam mais se não vivêssemos num país em que as “caixas de robalos” e os “equipamentos do Sporting Clube de Espinho” (e isto para não irmos mais longe, que o comboio ainda não chegou ao Samouco) pesam demasiado no Orçamento.
Num sistema de quotas corrente, digamos assim, será “normal” que quem tendo sido notado de “Excelente”, por exemplo, ao não ter vaga nessa menção seja desclassificado para a menção imediatamente inferior; mas já não será tão “normal” que seja desclassificado para dois patamares abaixo.
Assim e por essa “lógica”, se a menção de “Bom” tivesse quotas, alguém classificado de “Excelente” poderia por falta de lugares disponíveis em função das quotas, ser classificado de “Não Satisfaz” e como a decisão administrativa é a que prevalece, poderemos ver alguém classificado com 20 valores, acabar por ser notado com 4 valores para efeitos de carreira. Absurdo? Não!, “Socrático”!
Enfim, para que se perceba, suponhamos que alguém tem 20 valores num exame, mas por não haver vagas no patamar dos vintes, passa para catorze; ora, poderíamos dizer que esta situação configura um absurdo, mas com esta gente que nos desgoverna desde 2005, passou a não haver absurdos!
Esta denominada “Avaliação de Professores” daria vontade de rir se se resumisse a ter sido uma comédia, mas como de facto é uma farsa, acaba por ter resultados verdadeiramente trágicos na vida das pessoas que são mais do que números e que deveriam merecer respeito, para não estivessem confinadas a processos kafkianos desta natureza em que o grau de arbitrariedade e o índice atrabiliário é de tal ordem, que os torna praticamente inomináveis mas com esta gente no poder, tudo é de esperar, menos que façam alguma coisa com um mínimo de seriedade e de decência. Como poderia fazê-lo quem se “licenciou” a um domingo e fez cadeiras por fax? E não vale a pena “pôr mais na carta”, porque os actos ficarão com quem os praticou.
Enfim e como dizia o poeta: “ Sigamos o cherne” – porque se o comermos, ainda nos arriscamos a morrer de indigestão.
António José Ferreira – Professor
Dezembro 19, 2009
Fernando Madrinha faz hoje uma espécie de explicação/declaração de interesses acerca da situação profissional da sua conjuge, mas comete um erro factual e outro de atitude.
O erro factual é que ninguém é, neste momento, «ex-titular».
O de atitude é que podia fazer a declaração com elegância e menos acrimónia. Afinal quem o criticou tinha razão. Já agora, para esclarecimento adicional, apesar de ter reagido aqui no blogue logo pela manhã não mandei nenhuma queixinha para a direcção do Expresso.
Dezembro 19, 2009
Terá Sido Um Ataque Meu De Misoginia?
Posted by Paulo Guinote under (In)Disciplina, A Verdade Acima de Tudo[19] Comments
Hoje numa peça do I sobre indiciplina é me atribuída uma frase como «por vezes basta ser mulher para se ter dificuldade em dediar os conflitos entre alunos».
O que efectivamente eu disse à Kátia Catulo foi que por vezes as pessoas com menor presença na sala de aula, mais frágeis fisicamente ou com menor capacidade para se impor num conflito entre adolescentes podem ter maior dificuldade em gerir situações numa sala de aula.
Exemplifiquei com um caso concreto de um colega que, perante uma irrupção de violência entre dois miúdos de 15 anos precisou de recorrer à intervenção de alguém exterior à sala.
Acrescentei que pode ser o caso de uma professora mais frágil, mas em nenhum momento dei a entender que a gestão de situações de indisciplina na sala de aula é uma questão decorrente do sexo/género do(a) docente.
A Kátia certamente se (re)lembrará disso.
É que para quem, como eu, até trabalhou sobre a feminização do ensino com produção escrita sobre o tema, uma afirmação daqueles – naquela formulação – seria um rematado disparate.
Dezembro 19, 2009























