Dezembro 2009


É o método de progressão, que não dá garantias de rigor e equidade de tratamento a quem esteja em condições equivalentes. E há aquela enorme confusão entre o chavão do topo de carreira e o que é o topo salarial de uma profissão.

Duração das carreiras trava acordo na educação

O problema é que as propostas do ME ainda não evoluíram em qualquer sentido positivo.

Acordo entre Ministério da Educação e sindicatos ainda preso por negociações

Se as próximas horas, que se prevêem de negociação intensiva, não resultarem em cedências do Ministério da Educação (ME), o acordo com as maiores organizações sindicais em relação à última proposta para a revisão do estatuto da carreira docente e do modelo de avaliação dos professores será praticamente impossível.

O Ramiro foi mais colorido na imagética, eu terei sido mais duro em algumas passagens que nem foram transcritas.

Bloguista prevê “uma guerra civil de baixa intensidade”

Ramiro Marques, promotor de um dos blogues com mais participação de professores (http://www.profblog.org), reagiu ontem à proposta do Ministério da Educação prevendo que “a guerra civil entre professores e Governo” se vai transformar, agora, “numa guerra civil entre professores”, “de baixa intensidade, mas infinita”.

“Os sindicatos estão centrados na progressão na carreira e os professores demasiado preocupados com a situação ruinosa do país para saírem à rua em número expressivo. As consequências serão terríveis”, analisou Ramiro Marques, em declarações ao PÚBLICO.

Ramiro Marques acredita, em concreto, que, a ser aplicado, o modelo de avaliação proposto pela ministra Isabel Alçada criará “um mal-estar corrosivo da relação entre professores”.

“Com ciclos de avaliação de dois anos, aulas observadas todos os anos, relatores e júris de avaliação em regime de funções permanentes e progressão garantida apenas para os “Muito Bom” e “Excelente” as escolas centrar-se-ão na burocracia da avaliação e na competição”, escreveu Ramiro Marques no seu blogue.

Paulo Guinote, cujas opiniões são seguidas por milhares de professores através do blogue Educação do meu Umbigo (http://educar.wordpress.com), manifestou igualmente a sua “enorme desilusão” e registou o “retrocesso evidente” em relação “às expectativas” criadas em relação a Isabel Alçada.

“Acabou a divisão entre professores e professores titulares, mas docentes na mesma situação progridem na carreira de forma diferente”, lamentou, num comentário às vagas para a subida aos 3.º, 5.º e 7.º escalões.

No seu blogue, Paulo Guinote acrescentou que não lhe parece que “exista negociação adicional que permita ultrapassar o fosso existente entre a tutela e os docentes”. “Em termos práticos, isto apenas agrava a crise de confiança já existente, o sentimento de revolta e a percepção de que a 5 de Outubro é um departamento do Ministério das Finanças”, escreveu.

Bob Seger, Still the Same

Encontrei confirmação no site do JN acerca de algo que me tinham dito ao final da tarde. A proposta de contingentação para 2010 é de 80% de progressão do 2º para o 3º escalão da nova carreira única, de 50% do 4º para o 5º e de 30% (acho que percebi 20% ao telefone) do 6º para 0 7º.

Isto significa que, na prática, para o próximo ano a escalada na carreira começaria a ser cortada de forma ainda mais radical do que na carreira dividida entre professores e titulares.

De acordo com documento oficial do ME, existiam em Novembro 18865 docentes no índice equivalente ao 2º escalão, 14317 no equivalente ao 4º e 15036 no equivalente ao 6º.

Aplicando os valores propostos para a progressão, teriam direito a progredir 15092 docentes para o 3º escalão, 7159 para o 5º e 4511 para o 7º.

Isto significaria que entre 48218 docentes colocados nestes escalões teriam direito a progredir 26762, o que significaria que 44,5% do total não podriam progredir, se as contas fossem assim tão simples e lineares. Mas não são.

Ou seja, na prática,a chamada contingentação significaria que quase metade do conjunto de docentes nos actuais 2º, 4º e 6º escalões não poderiam progredir.

MAis grave, não se sabe que valores poderão existir em outros anos, nada garantindo que não sejam inferiores.

Mas, mesmo que estes fosse definitivos, o efeito acumulado destes estrangulamentos significaria que – na prática - em tempo normal só 12% dos docentes poderiam ascender aos últimos 4 escalões da carreira docente.

Isto é imensamente pior do que aquilo que enfrentamos agora.

Isto é algo profundamente inaceitável e de modo algum superável numa ou duas reuniões ou propostas suplementares.

Tenho pena, tenho mesmo pena, mas o ME não é pessoa (colectiva) de bem e os seus representantes à mesa das negociações meros simulacros falantes de seres autónomos.

5.   A progressão aos 3.º, 5.º e 7.º escalões dependerá da fixação anual de vagas, sem prejuízo da progressão, independentemente de qualquer contingentação, por parte dos docentes que revelem mérito mais elevado, traduzido, em termos a regular, nas classificações de Muito Bom e de Excelente em sede de avaliação de desempenho. Para a progressão aos escalões 3.º e 5.º é também necessário que a avaliação precedente inclua a observação de aulas (nos termos referidos infra).

No fundo isto significa que os primeiros da fila que não foram atendidos vão receber as primeiras senhas para o dia (leia-se ano) seguinte. Se isto não é gozar connosco é exactamente o quê?

Professores avaliados com “Bom” mas sem vaga têm prioridade no ano seguinte

Os professores avaliados com “Bom” mas sem vaga para atingir os 3º, 5º e 7º escalões têm prioridade no acesso àqueles lugares no ano seguinte, a seguir aos classificados com “Muito Bom” e “Excelente”.

Deve ser uma utilização muito irónica da linguagem mas, pelo sim, pelo não, fica aqui o documento para gáudio generalizado: PropostaME.

Adenda: Só agora percebi que o ME divulgou a proposta num ficheiro pdf protegido. Sorte minha que o tenho em Word e, portanto, desprotegido para quem o quiser usar. Aqui no Umbigo é como na drogaria, há um pouco de tudo o que faz falta, pode é estar mal arrumado porque o gerente é um bocado assim como quedesorganizado.

Olá Paulo,

O Ministério da Educação apresentou às organizações sindicais um “DESACORDO DE PRINCÌPIOS”.
Fê-lo porque sabe que a grande maioria dos Professores estão cansados de lutar por um Estatuto digno.
Como previ, chegou o momento da verdade, o momento de se perceber se, de facto, a CLASSE DOCENTE é uma classe UNIDA. A ver vamos.Por isso sugiro:
- Como 1ª decisão, seriam bom que nenhum Sindicato desse qualquer abertura à escandalosa e vergonhosa proposta do ME. Fazê-lo será gozar com a nossa humildade e com o nosso brio profissional.
- Como 2ª decisão, seriam bom que as organizações sindicais se voltassem para a Assembleia da República, com especial incidência para o PSD e para o Sr. Deputado pedro Duarte, que “alimentou” este “DESACORDO DE PRINCÍPIOS”.
Desejo-te a ti e a todos os Colegas um 2010 excepcional, mas pelo andar da carruagem não vai ser diferente de 2009.
Oxalá me engane!…

Abraço

Manuel R.

É a minha apreciação preliminar da proposta de hoje do ME, uma enorme desilusão e um retrocesso evidente em relação a quaisquer expectativas que os professores e educadores tivessem.

Não me parece que exista negociação adicional que permita ultrapassar o fosso existente entre a tutela e os docente. Em termos práticos, isto apenas agrava a crise de confiança já existente, o sentimento de revolta e a percepção que a a 5 de Outubro é um departamento do Min. Finanças.

Abordagem mais analítica quando o jantar tomar o seu lugar no estômago porque, apesar de ter sido peixinho, há que dar um certo tempo para ele assentar e o cérebro funcionar de forma mais leve.

Desde comentários em sites de jornais onde passei a testa de ferro da Fenprof até outras coisas mais esotéricas, resultado de aparecer com a cara estampada em dois jornais por causa das negociações ME/sindicatos, eu que só represento o meu umbigo, por dilatado que esteja.

Mais logo me alongarei sobre tais temas.

Docentes contra namoro entre FNE e Governo

Dirigentes de movimentos rejeitam acordo com vagas e quotas e falam em “suicídio” da Federação se aceitar.

Movimentos de professores consideram que a FNE comete um “erro” se assinar um acordo com o Ministério da Educação, que contemple vagas e quotas. Paulo Guinote diz que sindicato pode “desaparecer”. Todos apontam o dedo ao PSD.

A convergência que uniu em Plataforma os sindicatos do sector e levou às ruas mais de 100 mil pessoas contra a política educativa da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues pode ruir.

“Se a FNE aceitar a proposta desaparecerá como sindicato, acredito que a esmagadora maioria dos associados saia da Federação”, defendeu ao JN Paulo Guinote, autor de um dos blogues mais lidos por professores – “A Educação do meu umbigo”. Octávio Gonçalves, líder do PROmova, fala mesmo “em suicídio” da FNE.

Apenas um reparo, para não ferir as susceptibilidades das organizações em presença: eu só sou um movimento quando me movo e dirigente quando me dirijo a mim mesmo.

Kandinsky, Composição IV (1911)

Ena, nem sei que diga quando sou assunto de notícia por estes motivos. Não estivesse eu obeso e nem o narciso cabia cá dentro.

Blogue de Paulo Guinote atacado por publicidade

Com cerca de dez milhões de visitas registadas, o blogue A Educação do Meu Umbigo, de Paulo Guinote, já deixou há muito de ser a página pessoal do seu autor para se tornar num espaço de divulgação e debate das últimas novidades do ensino nacional. O problema é que os fornecedores desta página também já se aperceberam disso, passando a usá-la para divulgação de publicidade nem sempre adequada à temática.

“Aparecem muitos anúncios a explicações, a colégios, mas também a outras coisas mais inesperadas”, conta ao DN Paulo Guinote. “Entre os últimos de que tive conhecimento inclui-se um oráculo de vidas futuras e medicamentos contra a impotência.”

Na lista de anunciantes incluem-se ainda potenciais concorrentes pelo mesmo público-alvo, como uma página da Internet que promete revelar as últimas novidades sobre a avaliação dos professores. O que, curiosamente, foi uma das artes que o autor dominou ao ponto de fazer chegar algumas notícias aos jornais, em vez de se limitar a transcrever as que estes publicam, como muitos outros blogues.

(…)

Apesar de ter consciência da popularidade atingida pela sua página pessoal, o autor garante que “por uma questão de postura pessoal” não lhe passa pela cabeça receber dinheiro cedendo espaço a anunciantes. Aliás, neste momento não tem nenhum controlo sobre a publicidade que aparece: não é ele que a escolhe, que a gere e não pode sequer bloqueá-la.

Por isso, o mais provável é mesmo que venha a pagar para não a ter: “Se pagar uma determinada mensalidade, passo a ter controlo total sobre a página, além de receber alguns benefícios, por exemplo na divulgação de vídeos. Para dizer a verdade, não me apetecia pagar pelo blogue”, confessa. “Mas estou a ver que se calhar terei de fazê-lo.”

Killers, Spaceman

Kings of Leon, Molly’s Chambers

São bandas muito repetidas por aqui, mas verdade se diga que são das poucas que conseguem recuperar a parte do róquenrole sem grandes dramas metafísicos.

Empire or Humanity? What the Classroom Didn’t Teach Me about the American Empire por Howard Zinn, narrado por Viggo Mortensen e arte por Mike Konopacki.

Muito bom.

People’s Speak, um série documental de grande qualidade em que discursos fundamentais da História dos EUA são recriados em palco por actores e artistas. Por lá deu no canal História, a partir de 13 de Dezembro. Talvez chegue cá, se possível a um canal generalista. Também seria interessante fazer pelas nossas bandas algo semelhante, desde que houvesse material relevante (há poucos discursos verdadeiramente memoráveis na nossa História) e não entregassem o desempenho apenas a moranguitas e grangers.

Por José Carlos Lopes no jornal O Interior (referência gentilmente enviada pelo Ludgero Brioa):

Sociedade Matrix

Nunca estivemos tão ligados e, no entanto, tão isolados. Perguntar a um jovem qual o meio que usaria para transmitir a outrem as suas ansiedades, medos, alegrias, frustrações, e outros estados de alma, teria como resposta mais que provável – o telemóvel ou a Internet.
(…)
Não há escola secundária neste país que não tenha jovens reunidos, nos intervalos, nas zonas de lazer agarrados a computadores e respectivos Messenger ou redes sociais da Internet. Em vez de comunicarem entre si, viram-se para o mundo exterior e estabelecem precárias e virtuais relações com “nicknames” sabe-se lá de onde. Sinal dos tempos. Estamos perante uma situação de patologia social grave que terá consequências funestas, pois criamos indivíduos que perante a fobia do contacto directo privilegiarão sempre um computador que, crêem eles, os liga ao mundo, mas, no entanto, os afasta de quem lhes é próximo. É o paradigma das sociedades futuras – jovens e adultos carregados de “gadgets” que lhes permitem o imediatismo relativamente a acontecimentos e pessoas do outro lado do mundo e, no entanto, profundamente solitários enfiados nas suas casas e/ou escritórios, tele-trabalhando, tele-divertindo-se, “tele-flirtando”, sem os prazeres proporcionados pelo contacto pessoal, com os abraços, os beijos, os risos, os choros e outras formas ancestrais de gregarismo. É o dealbar de uma sociedade Matrix onde tudo, mas mesmo tudo, será virtual.

L’enfant n’est pas qu’un enfant…

François de Singly

Enfant roi, enfant « chef de famille »… L’enfant a-t-il pris une place trop grande dans notre société ? Pour François de Singly, le processus d’autonomisation de l’enfant, que consacre le droit, est indissociable du développement de l’individualisme en Occident.

(…)

Un enfant autonome plutôt que roi

Le droit des individus à devenir eux-mêmes est devenu la croyance centrale de la seconde modernité. Les critiques du nouveau statut de l’enfant oublient totalement ce fait, aussi ne comprennent-ils pas pourquoi le rapport à l’enfant a changé ! L’enfant a changé d’identité non parce que les adultes s’inclineraient devant l’enfant roi, mais parce que tout individu, jeune ou non, est « roi » dans une société individualiste. Ne nous méprenons pas sur le terme « roi ». La loi sur l’autorité parentale du 4 mars 2002 qui n’a pas voulu admettre que les parents et les enfants se doivent un respect mutuel demande, cependant, dans les articles suivants au père et à la mère de l’exercer dans certaines conditions, « dans le respect dû à la personne » de l’enfant : « Les parents associent l’enfant aux décisions qui le concernent, selon son âge et son degré de maturité. » L’enfant n’est donc pas totalement roi puisqu’il n’a pas toute autorité sur son existence, mais il le devient progressivement.

L’enjeu de ce terme « roi » renvoie à l’idée d’autonomie. Cela revient à poser que les parents ne peuvent savoir, par définition, en tant que parents, toujours mieux que leur enfant ce qui constitue son « intérêt », son « bien ». C’est particulièrement vrai vers l’âge de 10-12 ans, quand l’enfant rentre dans un temps décisif de l’individualisation. Cette phase, qui ouvre sur le processus de prise d’autonomie propre à l’adolescence, peut être appelée « adonaissance » (8).

Des personnes à part entière

Les jeunes mettent en avant un « nous » autre que familial, par le choix de leurs vêtements, à travers leurs radios, la mise en scène de leur chambre. Ils veulent être reconnus comme appartenant aussi à leur génération (c’est dire que les classes d’âge ne s’effacent pas autant qu’on le prétend). C’est pour eux une manière de vivre ce dédoublement identitaire, fondement de toute identité individualisée : en l’occurrence, « fils de », « fille de » et jeune.

Pour autant, l’autorité adulte n’est pas contestée, l’enfant la reconnaît comme nécessaire. C’est ce qu’exprime David, 12 ans : « Pour certaines choses, je peux faire ce que je veux, pour d’autres choses, par exemple aller au lit, là j’ai quand même un horaire. Mais je trouve que c’est mieux que les parents fixent des limites, donnent des contraintes, par exemple, répéter au piano, ou bien pour les claquettes, ou pour les devoirs, je trouve quand même que c’est mieux parce que je deviens meilleur (9). » Le changement de statut des parents et des enfants ne supprime pas les spécificités des enfants et des adultes ; mais il complique la relation pédagogique, détruisant une certaine cohérence du fait de la nature double de chacun des individus en présence. Certes les « enfants ne sont pas des grandes personnes », selon le titre d’un ouvrage de Béatrice Copper-Royer (10), mais ils sont quand même des personnes à part entière. nEnfant roi, enfant « chef de famille »… L’enfant a-t-il pris une place trop grande dans notre société ? Pour François de Singly, le processus d’autonomisation de l’enfant, que consacre le droit, est indissociable du développement de l’individualisme en Occident.

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