Dezembro 2009


Ontem interrogava-me quanto ao momento em que o ME teria cedido em matéria de prova de ingresso na carreira porque, só se tendo conhecimento disso à tarde, daria a entender que essa manobra táctica resultaria do facto da FNE não ter assinado o acordo logo pela manhã.

Pelos vistos confirma-se que o ME fez jogo duplo, o que deixa naturalmente – e com razão – o líder da FNE incomodado:

As reuniões de ontem – as primeiras conduzidas por Alçada – caracterizaram-se ainda por uma diferença de tratamento dos sindicatos que poderá causar mossa.

Pela manhã, a Federação Nacional da Educação – que até parecia mais disponível para um entendimento – deixou o Ministério assumindo o falhanço das negociações. E os desenvolvimentos da tarde (ver caixa), com as novidades que foram sendo introduzidas, deixaram um evidente desconforto no líder desta estrutura, Dias da Silva: “Não faço apreciações”, disse ao DN. “Fica o registo de não nos ter sido manifestada uma disponibilidade que foi depois manifestada a outra organização”.

TAlvez fosse mais fácil que as negociações fossem transparentes para todos os intervenientes, interrogando-me eu sobre o significado de uma dúzia de reuniões parcelares, quando sabemos que só duas ou três (no máximo) é que interessam.

Edward Hopper, Rooms by the Sea (1951)

Them Crooked Vultures, Dead End Friends

Cerca de 6000 visitantes individuais para o Sitemeter e cerca de 25000 visualizações para o WordPress, até àqs 23.35 de hoje, hora em que me recolho para outro tipo de lazeres. Acho que algo está a ganhar forma. Deu-se uma duplicação de entradas desde o início da semana. Quer-me parecer que…

Educação: PSD quer novas audições com ministério e sindicatos para “resolver impasse”

Não se pode esperar que todos os professores cheguem ao topo da carreira, diz ministra

Era bom que também ficasse bem claro que ninguém defende que todos os professores cheguem ao topo da escala salarial da carreira. O que está em causa é que parece que a docência é a única profissão que eu conheço em que ser bom não chega para progredir na carreira.
Indirectamente, na posição da ministra, fica implícita a noção de que ela não confia que o modelo de avaliação do desempenho que propõe seja capaz de distinguir, de forma negativa, aqueles profissionais que apenas são regulares ou não fazem o que se considera ser o mínimo suficiente das suas obrigações.

E é este o paradoxo que enfrentamos: um modelo de ADD que se diz ser muito bomk mas que parece não convencer mesmo aqueles que o propõem, caso contrário não andariam em busca de mecanismos para, de modo artificial, condicionarem a progressão de profssionais classificados como bons.

Das intervenções dos telespectadores no programa de hoje à tarde na SICN retive algumas passagens que acho notáveis por diferentes ordens de razões.

Umas por serem desrespeitosas, outras por serem de um falso dramatismo e demagogia, outras ainda por me terem divertido.

  • No primeiro caso, temos o analista financeiro que levou o tempo todo a falar dos professores como «esses senhores», numa atitude de condescendência muito curiosa em alguém que pertence a um grupo profissional que tem, nas suas fronteiras, os principais responsáveis pelo caos financeiro que esteve em grande parte na origem da crise actual. Mas este tipo de atitude ocorre em vários ambientes que consideram sempre os professores como uma espécie de profissionais menores, esquecendo-se do devido respeito ao maior grupo profissional qualificado e que não pode ser qualificado no todo por algumas das suas partes. Nem todos os especialistas em finanças são madoffs ou constâncios.
  • No segundo, tivemos aquela avó que clamou pelas «crianças a sofrer» por causa da situação de luta dos professores. Nada de mais falso e inexacto. Se algo se ganhou nos últimos aqnos foi uma inflexão na estratégia de luta dos professores que só em último caso fizeram reflectir as suas acções de contestação nas actividades lectivas. Dizer que ver os professores a manifestar-se 3 vezes em Lisboa durante um ano e meio provoca efeitos na disciplina nas salas de aula é delírio puro.
  • Por fim, ouvi com sorriso de orelha a orelha a declaração de Filipe de Paulo da Pró-Ordem que a ministra tomou «boa nota das nossas divergências», como se isto se tratasse da primeira ou segunda reunião do processo negocial. Se cinco semanas depois do início das negociações Isabel Alçada aida está na fase de anotar divergências algo correu mal nas reuniões anteriores por manifesta falta de comunicação pois só mesmo ela não saberia ainda o que divide a proposta do ME das posições da generalidade dos professores.

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