O Ramiro foi mais colorido na imagética, eu terei sido mais duro em algumas passagens que nem foram transcritas.

Bloguista prevê “uma guerra civil de baixa intensidade”

Ramiro Marques, promotor de um dos blogues com mais participação de professores (http://www.profblog.org), reagiu ontem à proposta do Ministério da Educação prevendo que “a guerra civil entre professores e Governo” se vai transformar, agora, “numa guerra civil entre professores”, “de baixa intensidade, mas infinita”.

“Os sindicatos estão centrados na progressão na carreira e os professores demasiado preocupados com a situação ruinosa do país para saírem à rua em número expressivo. As consequências serão terríveis”, analisou Ramiro Marques, em declarações ao PÚBLICO.

Ramiro Marques acredita, em concreto, que, a ser aplicado, o modelo de avaliação proposto pela ministra Isabel Alçada criará “um mal-estar corrosivo da relação entre professores”.

“Com ciclos de avaliação de dois anos, aulas observadas todos os anos, relatores e júris de avaliação em regime de funções permanentes e progressão garantida apenas para os “Muito Bom” e “Excelente” as escolas centrar-se-ão na burocracia da avaliação e na competição”, escreveu Ramiro Marques no seu blogue.

Paulo Guinote, cujas opiniões são seguidas por milhares de professores através do blogue Educação do meu Umbigo (http://educar.wordpress.com), manifestou igualmente a sua “enorme desilusão” e registou o “retrocesso evidente” em relação “às expectativas” criadas em relação a Isabel Alçada.

“Acabou a divisão entre professores e professores titulares, mas docentes na mesma situação progridem na carreira de forma diferente”, lamentou, num comentário às vagas para a subida aos 3.º, 5.º e 7.º escalões.

No seu blogue, Paulo Guinote acrescentou que não lhe parece que “exista negociação adicional que permita ultrapassar o fosso existente entre a tutela e os docentes”. “Em termos práticos, isto apenas agrava a crise de confiança já existente, o sentimento de revolta e a percepção de que a 5 de Outubro é um departamento do Ministério das Finanças”, escreveu.