Dezembro 2009


(c) Maurício Brito

Nacional, a uma enorme distância do resto:

Pontos Negros, Conto de Fadas de Sintra a Lisboa

Internacional, num ano muito bom em que qualquer selecção é algo arbitrário. Por isso, digam que sim.

Snow Patrol, Just Say Yes

Outros balanços se farão, assim o tempo seja caridoso.

Terminou mesmo ao findar do ano a epopeia relativa à avaliação da Ana, mais uma das colegas que não entregou OI e entregou um documento alternativo de auto-avaliação.

Resultado final: 9 valores, o que equivaleria a Excelente, não fora…

Onde se demonstra que muita(o) da(o)s mais acérrima(o) contestária(o)s do modelo de ADD nada tinham a temer da avaliação propriamente dita.

Excelente profissional, ela teve – muito tardiamente – a classificação merecida, só que, em coerência, não concorreu a classificação de mérito, pelo que se contentará com a classificação qualitativa de Bom.

A forma como o imbróglio se resolveu a muito poucas horas do gongo final é merecedora de uma lugar na antologia do anedotário deste processo.

Mas pelo menos ela sabe a sua classificação, que há ainda quem a não soubesse hoje pela manhã. Agora começará o desafio de conseguir que ninguém fique sem ser avaliado, com ou sem OI, com ou sem AA.

O Outliers foi o início. O último livro de Malcolm Gladwell já não surpreende tanto, mas ainda refresca e titila o neurónio Teco (porque o Tico está de olho nos doces, pela sua conhecida amizade com o estômago).

Salvo honrosas excepções, a ficção feminina é há muito do melhor que se pode ler.

O problema é que o primeiro está longe e é indispensável contactá-lo nestas matérias – nunca esqueçamos que os professores são oodiozinho de estimação do senhor engenheiro – pelo que depois, quando alguns dos intervenientes são amadores nestas andanças e os que não são amadores são algo incompetentes, a encenação resulta pífia e os cordelinhos das marionetas ficam todas à vista.

“Será falta de experiência negocial?”

Não houve acordo entre o Ministério da Educação e os sindicatos de professores, mas também não ficou formalizado o desacordo. Num dia marcado por uma sucessão de imprevistos, a conversa final foi adiada para quinta-feira.

Não há que enganar; como nos bons velhos tempos em que o António ocupava várias pastas ao mesmo tempo, em particular as mais sensíveis, o José é, mesmo que não formalmente, o verdadeiro Ministro da Educação e Teixeira dos Santos o seu secretário de Estado.

O atraso de ontem deve ter estado na origem da cedência relativa à prova de ingresso na carreira, uma medida sem consequências orçamentais.

Isabel Alçada é, infelizmente, apenas um rosto para as relações públicas e Alexandre Ventura o pretenso negociador que demora trinta palavras para dizer o que se perceberia em dez.

Não é apenas pelos atrasos de ontem, mas até pelo facto de tudo ter sido adiado para dia 7 de Janeiro, para que o verdadeiro decisor possa reunir com os seus conselheiros e congeminar uma nova proposta.

ATRASO PARA OUVIR SÓCRATES?

As reuniões realizadas à tarde com os sindicatos sofreram um atraso considerável, a pedido do Ministério da Educação. Entre os elementos das estruturas sindicais existia ontem a convicção de que o atraso se deveu ao facto de a ministra Isabel Alçada e o secretário de Estado Alexandre Ventura se terem encontrado ao almoço com o primeiro-ministro, José Sócrates. Em causa estaria a autonomia do Ministério da Educação para tomar decisões sem a aprovação de José Sócrates. Contactada pelo CM, a assessoria do Ministério da Educação não esclareceu o motivo do atraso.

Ontem interrogava-me quanto ao momento em que o ME teria cedido em matéria de prova de ingresso na carreira porque, só se tendo conhecimento disso à tarde, daria a entender que essa manobra táctica resultaria do facto da FNE não ter assinado o acordo logo pela manhã.

Pelos vistos confirma-se que o ME fez jogo duplo, o que deixa naturalmente – e com razão – o líder da FNE incomodado:

As reuniões de ontem – as primeiras conduzidas por Alçada – caracterizaram-se ainda por uma diferença de tratamento dos sindicatos que poderá causar mossa.

Pela manhã, a Federação Nacional da Educação – que até parecia mais disponível para um entendimento – deixou o Ministério assumindo o falhanço das negociações. E os desenvolvimentos da tarde (ver caixa), com as novidades que foram sendo introduzidas, deixaram um evidente desconforto no líder desta estrutura, Dias da Silva: “Não faço apreciações”, disse ao DN. “Fica o registo de não nos ter sido manifestada uma disponibilidade que foi depois manifestada a outra organização”.

TAlvez fosse mais fácil que as negociações fossem transparentes para todos os intervenientes, interrogando-me eu sobre o significado de uma dúzia de reuniões parcelares, quando sabemos que só duas ou três (no máximo) é que interessam.

Edward Hopper, Rooms by the Sea (1951)

Them Crooked Vultures, Dead End Friends

Cerca de 6000 visitantes individuais para o Sitemeter e cerca de 25000 visualizações para o WordPress, até àqs 23.35 de hoje, hora em que me recolho para outro tipo de lazeres. Acho que algo está a ganhar forma. Deu-se uma duplicação de entradas desde o início da semana. Quer-me parecer que…

Educação: PSD quer novas audições com ministério e sindicatos para “resolver impasse”

Não se pode esperar que todos os professores cheguem ao topo da carreira, diz ministra

Era bom que também ficasse bem claro que ninguém defende que todos os professores cheguem ao topo da escala salarial da carreira. O que está em causa é que parece que a docência é a única profissão que eu conheço em que ser bom não chega para progredir na carreira.
Indirectamente, na posição da ministra, fica implícita a noção de que ela não confia que o modelo de avaliação do desempenho que propõe seja capaz de distinguir, de forma negativa, aqueles profissionais que apenas são regulares ou não fazem o que se considera ser o mínimo suficiente das suas obrigações.

E é este o paradoxo que enfrentamos: um modelo de ADD que se diz ser muito bomk mas que parece não convencer mesmo aqueles que o propõem, caso contrário não andariam em busca de mecanismos para, de modo artificial, condicionarem a progressão de profssionais classificados como bons.

Das intervenções dos telespectadores no programa de hoje à tarde na SICN retive algumas passagens que acho notáveis por diferentes ordens de razões.

Umas por serem desrespeitosas, outras por serem de um falso dramatismo e demagogia, outras ainda por me terem divertido.

  • No primeiro caso, temos o analista financeiro que levou o tempo todo a falar dos professores como «esses senhores», numa atitude de condescendência muito curiosa em alguém que pertence a um grupo profissional que tem, nas suas fronteiras, os principais responsáveis pelo caos financeiro que esteve em grande parte na origem da crise actual. Mas este tipo de atitude ocorre em vários ambientes que consideram sempre os professores como uma espécie de profissionais menores, esquecendo-se do devido respeito ao maior grupo profissional qualificado e que não pode ser qualificado no todo por algumas das suas partes. Nem todos os especialistas em finanças são madoffs ou constâncios.
  • No segundo, tivemos aquela avó que clamou pelas «crianças a sofrer» por causa da situação de luta dos professores. Nada de mais falso e inexacto. Se algo se ganhou nos últimos aqnos foi uma inflexão na estratégia de luta dos professores que só em último caso fizeram reflectir as suas acções de contestação nas actividades lectivas. Dizer que ver os professores a manifestar-se 3 vezes em Lisboa durante um ano e meio provoca efeitos na disciplina nas salas de aula é delírio puro.
  • Por fim, ouvi com sorriso de orelha a orelha a declaração de Filipe de Paulo da Pró-Ordem que a ministra tomou «boa nota das nossas divergências», como se isto se tratasse da primeira ou segunda reunião do processo negocial. Se cinco semanas depois do início das negociações Isabel Alçada aida está na fase de anotar divergências algo correu mal nas reuniões anteriores por manifesta falta de comunicação pois só mesmo ela não saberia ainda o que divide a proposta do ME das posições da generalidade dos professores.

É em prime-time, com o Mário Crespo, merece um post para comentários específicos. Era bom perceber-se se os recuos do ME em matéria de prova de ingresso foram apresentadas logo de manhã à FNE se são o resultado da não assinatura do acordo por esta organização sindical.

Na conferência de imprensa que se seguiu às reuniões, e de que está a passar um excerto, Isabel Alçada apresentou um tom menos esperançoso do que em outros tempos.

Para a  ministra parece que ser Bom não chega para os professores progredirem na carreira. Quanto a explicações, esquivou-se a admitir que é tudo uma questão de poupanças.

Por esta hora espero já estar nos estúdios da SICN, onde o Mário Nogueira estará em prime-time com o Mário Crespo. Ontem o João Dias da Silva foi convidado para estar na TVI24 pelas 18 horas.

A ver se as coisas se explicam, com clareza e firmeza mas também com a capacidade de desmontar a estratégia comunicacional sorridente do ME.

Fenprof impõe lista de 30 pontos para assinar acordo com o ministério

O acordo seria possível com muito menos que isso, acaso as negociações fossem mais do que conversa para entreter. Repito o que disse ontem: este mês foi um mês perdido ou quase perdido, porque não houve avanços, cedências ou aproximações com qualquer significado, por muito spin que se lhe queira colocar em cima.

O Min. Educação revelou-se irredutível num modelo de carreira estratificado, para o qual a melhor imagem é a de uma pirâmide em degraus à moda dos Maias. Só falta saber quem, no topo, faria o papel de sacerdote e quem faria o de jovem virgem a sacrificar.

Isto tornou-se aborrecido, cansativo e chato.

A ministra sorridente hoje não foi ausente, mas tem sido muito pouco eficiente. O estado de graça que lhe foi garantido termina hoje perante a manifesta incapacidade para transformar a atitude do ME para com os docentes.

O ano de 2010 começa sob maus augúrios, sendo necessário que a opinião pública compreenda algumas coisas muito básicas:

O governo teve praticamente todas as condições para acabar com este conflito.

  • Até ao momento, a generalidade dos professores conseguiu manter a conflitualidade a um nível interno, não transbordando para o trabalho em sala de aula. Quem diga o contrário, mesmo que em nome das famílias que os professores também têm, apenas está a ser intelectualmente desonesto.
  • Muito do que vai sendo produzido em matéria de opinião na opinião pública sobre os alegados privilégios dos professores não passa de uma enorme mistificação, muito fácil de desmontar. Há editoriais, como o de hoje no JN, que só podem ser resultado ou de má-fé militante ou de uma incompreensível ignorância ao fim destes anos de debate sobre o tema
  • Uma sociedade desenvolvida não se pode basear no culto da mediocridade e e da inveja, aposta maior do primeiro-ministro e dos seus consultores políticos neste conflito com os professores. Nem os interesses da Educação podem estar submetidas aos caprichos, humores e birras de alguém que tem da vida escolar uma concepção muito fast-lane.

Que lá chegamos antes do fim da carreira? Que isso ainda acontecerá enquanto temos capacidades mentais para sabermos que isso aconteceu?

Análise da proposta final (I).

Lá vou eu a caminho de nova sessão de maquilhagem para me tornar apresentável, mas é mesmo por uma boa causa. Entre outras coisas, dar os parabéns aos sindicatos de professores – julgo que a todos os 73 – por terem colocado os interesses da classe acima de quaisquer outros particularismos tácticos ou fidelidades extra-docentes.

Era tempo de voltarmos à unidade na diversidade.

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