Para que conste a minha petiza frequenta a escola a pouco mais de 500 metros de casa (em linha recta, sem os malabarismos urbanísticos da praxe), na freguesia onde resido e não no agrupamento de qualquer dos pais ou outra coisa do género.

Matrículas: O que os pais inventam para ter os filhos nas escolas que querem

Alugam casas por semanas, simulam divórcios, pedem à avó que fique como encarregada de educação. São várias as manobras a que os pais recorrem para matricular os filhos numa escola que não a da respectiva área de residência. Este ano, em Inglaterra, uma mãe foi processada por dar uma morada falsa. Em Portugal, a prática vigora impune há anos. A tese de que os pais devem poder escolher livremente as escolas está a ganhar terreno.

A tese da escolha livre é uma falácia. Neste momento, quem quer e pode já o faz. Quem o quer e não pode, também não virá a poder, isso eu garanto com elevado grau de probabilidade.

À guetização socio-geográfica e cultural que acontece em algumas zonas sucederia uma muito mais acentuada guetização socio-económica (e cultural). Ou talvez não mudasse quase nada.

Pensando bem… porque não os deixar experimentar só para ter o gozo de provar que a teoria bem-pensante nada trará de positivo, apenas acentuando clivagens e desigualdades?