Para que conste a minha petiza frequenta a escola a pouco mais de 500 metros de casa (em linha recta, sem os malabarismos urbanísticos da praxe), na freguesia onde resido e não no agrupamento de qualquer dos pais ou outra coisa do género.
Matrículas: O que os pais inventam para ter os filhos nas escolas que querem
Alugam casas por semanas, simulam divórcios, pedem à avó que fique como encarregada de educação. São várias as manobras a que os pais recorrem para matricular os filhos numa escola que não a da respectiva área de residência. Este ano, em Inglaterra, uma mãe foi processada por dar uma morada falsa. Em Portugal, a prática vigora impune há anos. A tese de que os pais devem poder escolher livremente as escolas está a ganhar terreno.
A tese da escolha livre é uma falácia. Neste momento, quem quer e pode já o faz. Quem o quer e não pode, também não virá a poder, isso eu garanto com elevado grau de probabilidade.
À guetização socio-geográfica e cultural que acontece em algumas zonas sucederia uma muito mais acentuada guetização socio-económica (e cultural). Ou talvez não mudasse quase nada.
Pensando bem… porque não os deixar experimentar só para ter o gozo de provar que a teoria bem-pensante nada trará de positivo, apenas acentuando clivagens e desigualdades?
Novembro 24, 2009 at 9:36 pm
A este respeito, é interessante ver a proposta que o Albino levou à ministra.
Tudo se resolveria com a escolaridade de 3 ciclos até ao 12º ano, e cada pai escolheria o projecto da escola que mais lhe agradasse.
Vem na mesma notícia do Público que li por alto, mas ri-me com o Albino.
Novembro 24, 2009 at 9:38 pm
A tese da escolha livre é uma falácia. Neste momento, quem quer e pode já o faz. Quem o quer e não pode, também não virá a poder, isso eu garanto com elevado grau de probabilidade.
De acordo.
Aliás a liberdade de escolha diminuiria, já que algumas escolas passariam a ter mais candidatos para o mesmo n.º de vagas. Logo mais famílias não colocariam os filhos na escola de “eleição”.
Isto é um “não problema” que só levará ao aumento do financiamento público das escolas selectivas e à degradação das escolas mais plebeias.
Novembro 24, 2009 at 9:41 pm
O Albino critica a possibilidade das escolas públicas seleccionarem os alunos. Pergunto: o colégio das filhas, http://www.cic.pt/default.asp ,(financiado, no Secundário, integralmente pelo Estado) aceitará todos?
Novembro 24, 2009 at 9:42 pm
Olha aí está.
O Paulo está a fazer campanha para a tese do CDS. Pensavas que ficavas livre de afinidades com este partido?
O meu também frequenta a escola mais próxima de casa (10km) que por acaso também é a minha.
Novembro 24, 2009 at 9:47 pm
A questão da scolha das escolas realmente é uma falácia, mas esse factor impõe-se pela simples razão de que existem escolas de má qualidade. No entanto ninguém avalia a razão dessa má qualidade. O problema é da indisciplina galopante e das tais pedagogias delirantes que são aplicadas em contextos desapropriados por lei.
Façam um sistema de ensino em que os professores sirvam para ensinar, os alunos estejam para aprender, e os país estejam calados!
Tudo o resto é a trampa de sempre.
Novembro 24, 2009 at 9:50 pm
O insucesso das guerras não é dos soldados, é dos generais.
As guerras fazem-se para ganhar a paz.
Os generais derrotados não são chamados para fazer a paz. Capitulam.
Novembro 24, 2009 at 9:51 pm
Quando o número de vagas não chega, ou não chegar, para o número de candidatos, que critérios se usariam? O que propõem os Albinos?
Novembro 24, 2009 at 9:59 pm
Este post está obviamente relacionado com o anterior. De facto, em muitos casos, os pais apenas querem colocar os filhos numa escola onde haja disciplina ou, pelo menos, onde a balbúrdia seja menor. Por exemplo: daqui a algum tempo, se eu fosse a seguir as “normas”, uma das minhas filhas teria que ser matriculada na escola onde eu lecciono; porém, eu tentarei que tal não aconteça, pois nesta escola a indisciplina quase que é premiada.
Novembro 24, 2009 at 10:03 pm
O ALBINISMO é uma doença de qualquer coisa…
Novembro 24, 2009 at 10:25 pm
A indisciplina na minha escola está a atingir níveis insuportáveis. A psicóloga escolar, as leis em vigor e a actuação do director, contribuem para uma sensação de impunidade e de vale tudo que está a fazer com que muitos professores fiquem de baixa. Qualquer dia a maioria dos professores mete atestados médicos. E não serão atestados médicos da treta.
Eu gostaria de ver a benavente a dar aulas, com um horário completo e aulas de noventa minutos, a invenção dela… Cambada de cretinos que nos têm governado.
Novembro 24, 2009 at 10:28 pm
# 10
Concordo!
Novembro 24, 2009 at 10:29 pm
#9, até as pestanas são hiper-loiras.
Novembro 24, 2009 at 10:31 pm
Eu diria mais: cambada de bostonianos que nos tem governado…já nem com papel renova preto se limpa tanta bosta…Mias daqui a 10 15 anos este país vai parecer a Mitra…tipo zombies a passear na rua a babarem-se e anão saberem sequer para onde se dirigir…
Novembro 24, 2009 at 10:31 pm
Digo mais….
Novembro 24, 2009 at 10:32 pm
#10
Se não te importares desenvolve um pouco:
O nível social dos alunos mudou?
Passou a ser frequentada por alunos até aqui fora do sistema?
E qual a actuação da Gestão?
No teu concelho existem escolas próximas com públicos escolares muito distintos, onde umas são o balde do lixo de outras?
(que grande chato, eu!!!)
Novembro 24, 2009 at 10:36 pm
«Os generais derrotados não são chamados para fazer a paz. Capitulam.»
Esta foi apontada ao albininho, que faz parte dos derrotados, mas está outra vez a querer comandar?
O tipo faz lembrar aquela personagem dos desenhos animados, o Coyote, que está sempre a ser espalmado por objectos pesados, mas levantanta-se logo a seguir.
Novembro 24, 2009 at 10:46 pm
Paulo Guinote disse:
“A tese da escolha livre é uma falácia. Neste momento, quem quer e pode já o faz. Quem o quer e não pode, também não virá a poder, isso eu garanto com elevado grau de probabilidade. À guetização socio-geográfica e cultural que acontece em algumas zonas sucederia uma muito mais acentuada guetização socio-económica (e cultural). Ou talvez não mudasse quase nada.”
Estes argumentos encerram outros tantos pressupostos que considero pouco sustentáveis. O facto é que hoje, como se lê na notícia do Público, quem pertence à elite social tem muitas mais possibilidades de colocar os seus filhos nas escolas públicas que considera melhores para os seus filhos. Desde o poder económico de alugar uma casa para dar uma morada falsa até à “cunha” pura e dura que está mais ao alcance daqueles que têm uma melhor rede de contactos sociais.
Para além da pressão por parte dos pais existe a selecção por parte das escolas que, nalguns casos, rejeitam alunos que são oriundos de determinadas escolas problemáticas ou de determinados bairros argumentando que as suas vagas estão preenchidas e metendo lá os seus protegidos. A guetização socio-geográfica e cultural por parte das escolas depende, naturalmente, da segmentação social das comunidades de origem dos alunos, mas também, em larga medida, dos mecanismos descritos na peça do Público e nos mecanismos de selecção por parte de algumas escolas, que o sistema de rankings veio aprofundar.
Quem quiser manter o status quo defende o actual sistema. Sustentar que um sistema de escolha livre das escolas por parte dos pais agravaria a diferenciação social parte de pelo menos dois equívocos. O primeiro é de que os pobres são estúpidos e não defendem o melhor para os seus filhos. Eu não penso assim. O segundo equívoco é o de não considerar a introdução de sistemas de regulação da procura. Quando um bem público é escasso cabe ao Estado regular essa procura. O actual sistema é permeável a todo o tipo de abusos. Conseguir-se-á criar um sistema com um crivo mais apertado que evite a fraude? Acho muito difícil.
Daí que defenda o sorteio quando existam mais candidatos do que vagas. Se o aluno não entrar na escola pública da sua preferência caberá ao Estado assegurar que uma outra escola pública com vagas o receba. Sublinho que falo apenas de escolas públicas porque é neste contexto que me enquadro. Quem quiser meter os seus filhos em escolas privadas que o faça mas não à custa dos impostos dos contribuintes. A liberdade de aprender e ensinar, constitucionalmente assegurada no Art. 43º da CRP, não permite leituras liberais como as do CDS, como defendem vários constitucionalistas.
Já sei que serei criticado, como já sucedeu no passado, mas penso que o sorteio, não sendo um método perfeito, resolve alguns problemas. Mas aguardo por alternativas. A manutenção do actual sistema é, de longe, o sistema socialmente mais perverso.
Novembro 24, 2009 at 10:52 pm
POIS MAS EM MAIS DE METADE DAS ESCOLAS ISSO NUNCA SERIA POSSÍVEL POIS A QUE EXISTE É A ÚNICA EM KM…
Novembro 24, 2009 at 10:57 pm
O forjar situações para frequentar outra escola já vem de longe. Há uns bons 39 anos( xiiii…como o tempo passa!!!)cá a menina, saída de um colégio misto, teve o azar de ir frequentar o 6ºano( actual 10º) no liceu D.Maria, em Coimbra, que na altura era só feminino. Dei com grupinhos herméticos provenientes de famílias famosas com apelidos não menos famosos e conhecidos na cidade e arredores. Senti me uma ovelha tresmalhada, aguentei lá apenas 3 semanas. Recordo me que com 16 anos, com autorização dos meus pais mas sem que eles me ajudassem, resolvi a situação duma penada. Fui à junta de freguesia de Bencanta, povoação que fica do outro lado do rio Mondego e pedi um atestado de residência, apresentando descaradamente os dados da minha “residência”, isto é, os de uma ainda hoje grande amiga e colega e com o seu conhecimento. Eu tinha de morar nessa zona, do lado sul do Mondego, para poder frequentar o liceu D.Duarte. Assim aconteceu: encontrei um ambiente completamente diferente o que me motivou muito mais.
Logo, ninguém está a descobrir a roda…
Novembro 24, 2009 at 10:58 pm
As manobras existem porque são muitos a querer a mesma escola. Se são muitos como podem escolher? Sim, porque os que residem nessa área têm direito. Então que fazer? Se os pais pudessem escolher a escola dos seus filhos, o problema mantinha-se.
Novembro 24, 2009 at 11:03 pm
DA, 15, tentando responder às questões:
1.sim, creio que refletem a crescente pobreza de muita gente. Ouço falar de casos extremos de jovens rejeitados pelas famílias, que vivem há anos em instituições ou com famílias de acolhimento, na esperança de serem recebidos nas respectivas famílias, que os recusam.
2. sim, alguns já com cadastro.
3. permissiva para todos os tipos de indisciplina. Tende a culpar os professores.
4.sim.
Novembro 24, 2009 at 11:22 pm
Esta questão é mt interessante! Quem não sabe que as chamadas boas escolas sempre escolheram os seus alunos e que já vem de bem longe esta prática? Falo com conhecimento de causa, passou-se com o meu filho cuja matrícula foi rejeitada na Escola Secundária José Gomes Ferreira, com o argumento de que não havia vagas. E não dei uma morada falsa, pois moro quase ao lado da escola há mais de 20 anos. Nessa época, aluno que não tivesse média de 5 não era aceite! É claro que com bons ovos fazem-se sempre boas omeletes. Eu queria mesmo era ver todo o corpo docente destas escolas chamadas excelentes a trabalharem com alunos de uma escola TEIP, por exemplo, a poucos metros de distância. Seria a grande oportunidade de mostrarem aos pobres professores destas escolas as famosas boas práticas tão nomeadas pela nossa saudosa Milú!Ou melhor ainda, podiam trocar os alunos. Seria extraordinário ver os resultados finais!
Novembro 24, 2009 at 11:26 pm
Célia disse:
“O forjar situações para frequentar outra escola já vem de longe.(…)Logo, ninguém está a descobrir a roda…”
Depreendo das suas palavras que pelo facto de a fraude ser pecado antigo teremos que obrigatoriamente conviver com ele. Fraco argumento.
Pense o seguinte: por que raios o Estado deve imiscuir-se na escolha da escola da Célia hoje como há 39 anos? Se desejava frequentar o liceu D. Duarte e não o D. Maria que razões justificam o atestado de residência tão fácil de falsificar na altura como agora? Não bastava a sua vontade? Você teve consciência que o D. Duarte era uma escola melhor para si, como se veio a comprovar. Porquê exigir um papel?
Regina disse:
“As manobras existem porque são muitos a querer a mesma escola. Se são muitos como podem escolher? Sim, porque os que residem nessa área têm direito. Então que fazer?”
O que eu proponho é a realização de sorteios nas escolas onde existem mais candidatos do que vagas. Os alunos residentes a 100 metros das escolas não devem ter mais direitos do que aqueles que vivem a 5 quilómetros. A zona de residência só deve constituir um critério de selecção em casos muito específicos como, por exemplo, alunos portadores de deficiência. Não faz sentido submeter a um sorteio um aluno com paralisia cerebral e que se desloca numa cadeira de rodas excepto se for essa a vontade expressa dos pais.
Bulimunda disse:
“EM MAIS DE METADE DAS ESCOLAS ISSO NUNCA SERIA POSSÍVEL POIS A QUE EXISTE É A ÚNICA EM KM…”
Eu não sei se é metade das escolas ou não. Mas se em metade das escolas os pais puderem optar então por que não aumentar a sua liberdade de escolha?
Novembro 24, 2009 at 11:32 pm
Maria disse:
“Esta questão é mt interessante! Quem não sabe que as chamadas boas escolas sempre escolheram os seus alunos e que já vem de bem longe esta prática? Falo com conhecimento de causa (…)”
Eu acho que você está enganada. As escolas públicas nunca fariam uma coisa dessas! É o superior interesse do serviço público que as norteia. E mesmo se fizessem seguramente era por indicação superior, das direcções regionais, do ministério…
Novembro 24, 2009 at 11:38 pm
Pois eu acho que oa alunos que vivem a 100 m de uma escola devem ter prioridade de escolha em relação a quem vvive a 5 Km. Por que razão a criança/adolescente tem de se deslocar se pode frequentar a escola ali ao lado?
Novembro 24, 2009 at 11:38 pm
Ninguém pára a cacazul,
Azul, azul, azul,
Da cor do tinoni.
Da cor do tinoni,
Azul, azul, azul,
Ninguém pára a cacazul.
Novembro 24, 2009 at 11:41 pm
Caro Kafkazul
Para que quererão os pais escolher a escola dos filhos? Porque acham que há alunos que não serão bons companheiros em determinadas escolas? Porque acham que eles vão mudar o seu mau comportamento se mudarem de escola? Porque acham que vão passar a ser bons alunos noutra escola? E se começassem a fazer o seu trabalhinho de educadores e passassem a exigir responsabilidade aos seus filhinhos? É que toda essa treta de programas educatvos de escola e blá, blá, blá… é mt bonito, mas nada resultará se os meninos não fizerem o seu trabalho, estejam eles em que escola estiverem. O problema é só um, exigir que cada um cumpra com a sua responsabilidade, e tudo correrá sobre rodas, em qq escola do mundo!!!!
As crinacinhas vão à escola para trabalhar, para estudar, aprender, evoluir!!!!! Se todos perceberem isto, nem se coloca essa treta da escolha da escola! E SIM, eu tenho todo o direito de escolher a escola da minha área de residência!
Novembro 24, 2009 at 11:45 pm
#21
Suomi,
Obrigado.
Novembro 24, 2009 at 11:50 pm
Kafka,
Discordo por completo do sorteio.
Os alunos da Foz podiam ir parar às escolas de Paranhos e os daqui às da Foz.
Sortear os alunos desresponsabiliza por completo os alunos e as famílias perante as escolas que frequentam.
Novembro 24, 2009 at 11:53 pm
Ainda sobre a notícia existem 2 erros.
1. Antes do Valter ter legislado sobre o assunto (não escapou nada à pena do homem) já existia regulação.
2. Em 2003/2004 o ministro não era o Marçal Grilo, deixou de o ser em 1999, mas sim o David Justino.
Novembro 24, 2009 at 11:54 pm
#24
Sei mt bem do que falo. E lamento que alguém possa defender a igualdade de direitos e depois venha defender o direiro de escolher a escola, independentemente da residência. E depois como é que fica? A escola faz como no superior? Aceitam os candidatos pelas médias? é que não estou mesmo a ver como será feita essa selecção! Mas com tantas cabeças iluminadas… O Bininho já deve ter a resposta! E que tal um campo de concentração para enfiar todos os que têm dificuldades, os que não querem estudar, todos juntinhos, claro, pois esses devem ficar no final da lista, mas concerteza terão uma escola, algures, à sua espera, ou não estamos a falar de escolaridade obrigatória?
Novembro 25, 2009 at 12:10 am
# 23 “Fraco argumento”
Nem fraco, nem forte, aliás, nem argumento foi. Apenas testemunhei uma prática ( nem argumentei se era falacciosa ou não)que já tem barbas.
Já agora que estou com a mão no assunto, defendo que aos pais seja dada a possibilidade de escolher a escola para os seus filhos. Caso contrário, vemos a replicação de situação que vivenciei, o recurso à cunha,etc,isto é, a corruptela genética que, infelizmente, e por força de políticas vesgas, estraçalha horizontal e verticalmente a sociedade portuguesa.
De qualquer modo, a livre escolha poderá acentuar ainda mais as assimetrias que já existem.
Como harmonizar tudo isto? Não sei…
Novembro 25, 2009 at 12:18 am
31, Maria, eu estaria de acordo se todos fossem transparentes, mas a questão que vem sendo desfiada aqui desde o início, é a manigância a que muitos pais recorrem para colocar os filhos na escola A ou B. Este jeitinho bem português de ser. Analisando melhor,afinal o procedimento actual até é o mais justo.
Novembro 25, 2009 at 12:23 am
Regina disse:
“Por que razão a criança/adolescente tem de se deslocar se pode frequentar a escola ali ao lado?”
Pela simples razão de que a escola é um bem público. E devemos dar a possibilidade aos pais dos alunos de menor estatuto social de frequentar as escolas entendem serem as melhores para os seus filhos. Defender o status quo é ampliar a segregação social.
DA disse:
“Discordo por completo do sorteio.
Os alunos da Foz podiam ir parar às escolas de Paranhos e os daqui às da Foz.”
Teoricamente sim. Mas a pergunta que lhe faço é por que carga de água os alunos da Escola Secundária Garcia de Orta, do Porto, uma das melhores escolas públicas, que vivem numa zona maioritariamente média-alta, devem ter preferência na escolha dessa escola? Eles já pertencem a uma elite social! O sorteio não os vai retirar da escola. Vai dar possibilidades a outros alunos de frequentarem essa escola ou uma outra qualquer do sistema público.
“Sortear os alunos desresponsabiliza por completo os alunos e as famílias perante as escolas que frequentam.”
O actual sistema é que desresponsabiliza por completo a escolha. Os pais com dinheiro e estatuto fazem os possíveis e impossíveis para colocar os seus filhos em determinadas escolas. E estas blindam a entrada a crianças e jovens “indesejáveis”. Quer maior irresponsabilidade e “apartheid” social do isto?
Novembro 25, 2009 at 12:41 am
Talvez ajudasse a uma discussão honesta e esclarecedora que os que defendem a livre escolha da escola, sem falsificação de moradas, compadrios, etc., que hoje existem em certos casos, aceitassem também o corolário lógico dessa opção: as escolas mais escolhidas passariam elas também a escolher os seus alunos, pela simples razão de que numa escola onde só cabem mil não podem inscrever-se dois mil.
De outro modo estamos a fazer o mesmo tipo de demagogia barata que faz o Bininho, que manda uns bitaites com o à-vontade de quem sabe que não terá de tomar decisões nem de aguentar com as más consequências das decisões erradas.
Novembro 25, 2009 at 12:46 am
#34:
Se o critério geográfico não serve, se desistimos da escolha pelo mérito ou pelo percurso escolar e confiamos num sorteio, porque não sorteamos também os deputados, o governo, o presidente?
E porque não se faz um sorteio em vez de um concurso para colocar os professores?
Já em tempos tinha apresentado aqui essa ideia do sorteio. Está à espera que alguém o leve a sério? De quanto tempo precisará para perceber o imenso disparate que isso representa?
Novembro 25, 2009 at 12:52 am
Tché!, esqueceram-se testar os alunos. Chama-se a isso admitir por mor de conhecimentos e formação.
Ao nível a que isto está, só não se apta quem não quer, há que começar por aí, alunos e professores, especialmente estes.
Novembro 25, 2009 at 12:55 am
Eu já pensei no divertido que seria sortear a cacazul. Mas não, eu queria lucro.
Novembro 25, 2009 at 7:15 am
#22, Maria, conheço bem as escolas de que fala.
Eu dei aulas na outra perto da Virgílio.
Em lisboa, sempre foi assim!
A secundária de Benfica escolhe-os a dedo, toda a gente sabe.
Na escola onde estou este ano, os encarregados de educação são quase sempre os avós. Razão: aquilo é um bairro da geração anterior à nossa.
A princípio estranhei que houvesse tantos avós enc. de edu. Depois explicaram-me a razão.
Novembro 25, 2009 at 7:55 am
… e quanto à escolha das escolas, ‘nem tudo o que parece é’. Sem dúvida que uma possibilidade de escolha consentida irá tornar ainda maior a clivagem entre estratos sociais, o que seria inqualificável, mas posso referir que na minha área de residência existem 2 escolas secundárias que destaco – não lecciono em qualquer uma delas: uma muito classe média, alguns apelidos sonantes, desfile de marcas ‘vestíveis e calçáveis’ e dos melhores artefactos técnicos e musicais e outra, muito intercultural (o que é mais do que multicultural)com paz, sossego e resultados escolares (aqui engulo um grande sapo,pois duvido de algumas provas de exame em anos de pior colheita, mas refiro-me aos rankings) muito mais significativos.
Há um estudo fundamentado num questionário dirigido a pais cuja habilitação se estende do 12º ano a doutoramentos sobre os factores que levam à escolha da escola (oficial) numa área populosa onde existem 3 escolas secundárias muito próximas (não nos referimos a Lisboa) e, estranhamente (ou não) a maioria das respostas privilegia a segurança como factor primeiro de eleição e não os resultados dos exames nacionais.
Novembro 25, 2009 at 8:51 am
O sistema actual é mau porque eterniza a corrupçãozinha, a mesma que alimenta o sistema semi-feudal que reina em Portugal.
Se toda a gente admite que existe favorecimento em algumas escolas, é porque o sistema de informações e ligações privilegiadas funciona com a caução dos cidadãos, inclusivé dos professores.
Depois não se queixem da corrupção a outros níveis, porque a lógica é exactamente a mesma, e é de pequenino que se começa a aprender como “subir na vida”.
A livre escolha não resolve o problema só por si, mas faz parte de um pacote de exigência ética de bom comportamento e relacionamento público.
Atirar para cima dos pais a responsabilidade do que se passa nas escolas é assumir uma postura de resignação e colaboração com o sistema injusto e imoral que vigora.
A responsabilização das famílias não isenta os professores da sua própria responsabilidade cívica, social e pedagógica, nomeadamente quando pactuaram com as mafias políticas e acolheram as teorias idiotas e permissivas do eduquês que conduziram ao actual estado de calamidade educativa.
Novembro 25, 2009 at 8:56 am
Já há algum tempo que não passo por aqui (já tenho saudades da minha sabática em Stirling/Escócia), mas não fiquei surpreendido com a repetição dos temas e dos mesmos erros.
Para além da escolha das escolas, o mais importante é a selecção da TURMA. Em muitas escolas há turmas seleccionadas, com os melhores professores, que possuem um nível de exigência mais elevado. Naturalmente, os alunos dessas turmas têm maiores probabilidades de entrar nos cursos das Universidades (com U maiúsculo) mais exigentes e que permitem obter emprego melhor remunerado.
Conheco casos de turmas que foram integralmente transferidas de uma escola de ensino básico para outra secundária.
Por alguma razão há “cunhas” para colocação dos filhos nessas turmas (muitos são filhos de outros professores).
Os eduqueses continuam a viver nas nuvens ao rejeitar a liberdade de escolha com o argumento que tal aumentaria a guetização das escolas. Infelizmente não conseguem ver que a guetização já existe entre as escolas privadas de ponta (ex: S. João Brito) e as públicas situadas a pouca distância (ex: Apelação).
Quando é que o Burgo acaba com o objectivo (real) de promover a igualdade por debaixo, com base no mito da “igualdade”, e reconhece a inevitabilidade da existência de objectivos e enquadramentos distintos entre os alunos e as famílias? O ensino público deve garantir escolas para vários graus de exigência, i.e. é essencial criar escolas de referência (como o antigo Pedro Nunes).
O Estado apenas terá de garantir que a frequência seja baseada na motivação e na capacidade dos alunos. Actualmente, a matrícula em escolas privadas exigentes é limitada às famílias com recursos económicos elevados e conhecedoras do meio.
Novembro 25, 2009 at 9:18 am
#41
Substituindo na última frase o “quando” por “aqueles que”, o h5n1 conseguirá a inédita proeza de produzir um comentário que merece a minha concordância.
Novembro 25, 2009 at 9:39 am
#17.
Aponta-me dois equívocos.
Os dois estão equivocados
No primeiro caso, em nenhum momento acho que há pais que não sabem defender os filhos e por isso teriam problemas. Achoé que ainda ficariam mais desprotegidos, por não serem “atractivos” para as escolas.
O segundo é que mesmo em coisas mais importantes, entre nós o conceito de “regulação” é uma miragem.
Novembro 25, 2009 at 9:49 am
Sou contra a «sectorização», mais vulgarmente designada «carta escolar». Defendo que, no quadro de uma refundação da escola, esta forma de coerção, sem relação com a razão de ser da escola, seja suprimida. Ela mascara a desigualdade de nível cada vez maior que se instaurou entre zonas geográficas. É um dever imperativo do Estado que seja garantido em todos os estabelecimentos a mesma qualidade de ensino e as mesmas condições favoráveis de estudo. Nada pode justificar que, por via da sectorização obrigatória, o Estado descarte sobre algumas crianças, desde logo as mais deserdadas, a sua impotência para cumprir esta sua obrigação. Sectorização vale como condenação e perda definitiva do talento de jovens dotados que tiveram o azar de nascer e crescer em bairros desfavorecidos. Num grande número de estabelecimentos, os alunos estudiosos são tratados pelos seus condiscípulos como «bufos» e «colaboracionistas». A combinação da impotência do estado e a afectação à zona de domicílio conduz os pais – que não podem ser censurados por procurarem as melhores condições de estudo para os seus filhos – a desenvolver várias estratégias: os que estão familiarizados com o nosso sistema de ensino escolhem tendo esta realidade na devida conta. Outros, onde se incluem responsáveis da Educação nacional, que defendem encarniçadamente a sectorização, jogam com a sua influência. Os mais abastados compram casa na vizinhança de estabelecimentosa reputados; a tal ponto que as agências imobiliárias usam isto como argumento de venda.
Mais valeria que cada estabelecimento tivesse a obrigação de acolher as crianças domiciliadas no seu sector, mas também a possibilidade de acolher face a outros critérios de nível, e que os pais fossem livres de procurar a melhor escola para as suas crianças. As crianças fugiriam de escolas degradadas até que estas restaurassem as condições de trabalho e uma qualidade de ensino conforme ao que é legítimo esperar de qualquer lado.
Laurent Lafforgue, pág 11
Novembro 25, 2009 at 9:57 am
#45
Correcção: Laurent Lafforgue, pág 11
Novembro 25, 2009 at 10:04 am
RG Crespo tem razão
A “escolha de turmas” é outra forma de corrupção, plenamente aceite no regime de castas das escolas.
Dessa forma gera-se, efectivamente, uma divisão da carreira, à margem da titularidade, que subverte e distorce ainda mais o sistema de ensino.
Os alunos médios são os que mais sofrem com este sistema viciado, uma vez que são atirados para o fundo do poço, com muito poucas hipóteses de se destacarem e sobreviverem num regime de mediocridade.
Quem criou estes desvios e práticas condenáveis?
Novembro 25, 2009 at 2:29 pm
Reb disse:
“Eu dei aulas na outra perto da Virgílio. Em Lisboa, sempre foi assim! A secundária de Benfica escolhe-os a dedo, toda a gente sabe.”
Ou seja, são escolas públicas que, sem qualquer orientação superior, seleccionam os seus alunos à semelhança de escolas privadas. Por outras palavras, não estão a desempenhar um serviço público. Vamos continuar a pactuar com esta situação que desprestigia a função última da escola pública? Vamos permitir que o sistema de “apartheid” social continue?
Maria A. disse:
“Há um estudo fundamentado num questionário dirigido a pais cuja habilitação se estende do 12º ano a doutoramentos sobre os factores que levam à escolha da escola (oficial) numa área populosa onde existem 3 escolas secundárias muito próximas (não nos referimos a Lisboa) e, estranhamente (ou não) a maioria das respostas privilegia a segurança como factor primeiro de eleição e não os resultados dos exames nacionais.”
Seja a segurança, o rigor do ensino ou outra variável qualquer uma parte substancial dos pais sabe que tipo de escola quer para os seus filhos. E isto não é errado em si mesmo, naturalmente. O que é errado são os subterfúgios de que alguns se servem para atingirem os seus objectivos agravados pelo facto de algumas escolas também se servirem de objectivos menos nobres.
António Duarte disse:
” Talvez ajudasse a uma discussão honesta e esclarecedora que os que defendem a livre escolha da escola, sem falsificação de moradas, compadrios, etc., que hoje existem em certos casos, aceitassem também o corolário lógico dessa opção: as escolas mais escolhidas passariam elas também a escolher os seus alunos, pela simples razão de que numa escola onde só cabem mil não podem inscrever-se dois mil.”
Pelo facto de os recursos serem escassos é que temos que arranjar um ou vários critérios para ordenar os candidatos no caso de existirem mais alunos do que vagas. Os que actualmente estão vigentes não servem porque a experiência demonstrou que são facilmente contornáveis, em particular pelos pais com maiores recursos.
“Se o critério geográfico não serve, se desistimos da escolha pelo mérito ou pelo percurso escolar e confiamos num sorteio, porque não sorteamos também os deputados, o governo, o presidente? E porque não se faz um sorteio em vez de um concurso para colocar os professores?
Já em tempos tinha apresentado aqui essa ideia do sorteio. Está à espera que alguém o leve a sério? De quanto tempo precisará para perceber o imenso disparate que isso representa?”
O disparate tem a sua assinatura porque o seu argumento contra as minhas ideias é ZERO. Compara o incomparável. Eu não defendo o sorteio como forma ideal de organização social e política. Eu defendo o sorteio num caso específico porque o sistema que vigora actualmente é profundamente injusto para os que não nasçam num berço de ouro. O ónus de apresentação de um sistema alternativo ao sorteio e de alternativa ao sistema existente é seu. Fico a aguardar as suas brilhantes ideias e pelo sim, pelo não, já tenho os meus óculos escuros à mão.
Falou que em tempos já apresentei aqui essa ideia. É verdade. Um dia depois no jornal Público Francisco Vieira e Sousa (FVS), do Fórum Liberdade de Educação (http://www.liberdade-educacao.org/), defendeu que as escolas não devem poder seleccionar alunos mas que as famílias devem poder seleccionar as escolas. Cita Um working paper intitulado Anti-Lemons: School Reputation and Education Equality, de MacLeoad e Urquiola, que descreve um estudo realizado nos EUA onde se demonstra os resultados positivos desta prática ao nível do desempenho das escolas e dos alunos. Cito: “Caso o número de candidatos fosse superior às vagas, vigoraria um sistema de sorteio, não podendo ser as escolas a escolher os alunos (salvo por razões vocacionais, tais como de índole artística, musical, etc.). ”
A única diferença entre a proposta que apresentei e a que refiro é que FVS defende que o sistema público de educação deveria ser constituído por escolas públicas e privadas. A defesa da escola pública pela qual pugno não passa por transformar escolas privadas em instituições do sistema público de educação, como têm vindo a defender, por exemplo, Marçal Grilo e outros. De resto concordo com a proposta e verifico que as ideias disparatadas não são um exclusivo meu.
Novembro 25, 2009 at 3:53 pm
#48
Nos países onde há escolas especializadas no Secundário (Liceus, Profissionais, etc.) também se aplica “apartheid” social?
Novembro 25, 2009 at 5:24 pm
DA disse:
“Nos países onde há escolas especializadas no Secundário (Liceus, Profissionais, etc.) também se aplica “apartheid” social?”
Estamos a falar de coisas diferentes. Nos sistemas educativos onde se procede à diferenciação entre tipos de ensino,em muitos casos deste muito cedo (é o caso da Alemanha e de países afins) a colocação dos alunos faz-se em função das classificações escolares. E sabe-se que estas estão fortemente dependentes da origem social. Não existem sistemas educativos perfeitos onde a origem social dos alunos não exerça o seu papel. Mas uma coisa é a escola pública agravar as diferenças sociais, que é o que sucede entre nós com o sistema actual de selecção/escolha das escolas por parte dos pais.