O POLVO, O CHOCO E A LULA

O polvo, o choco e a lula pertencem, como sabem, à mesma família animal – a dos “moluscos”. ( Diz a ciência da natureza).

Mas a “ciência política” também estudou o assunto. E o que é que ela diz?

Diz que o POLVO é, dos três, o mais conhecido. Que a sua fama já ultrapassou o próprio habitat.

Com efeito, cansado de enganar os pobres dos peixes, o POLVO decidiu invadir o domínio dos homens, assentando arraiais em Itália. A partir da sede siciliana começou a abrir filiais mundo além. Hoje em dia é uma vasta federação de empresas cotadas em bolsa. E já atingiu Portugal, onde, desde há cerca de quatro anos, se tem expandido com enorme sucesso. Dizem que o seu crescimento tem muito a ver com o clima… por lhe ser favorável. Aliás, os chocos e as lulas, que são os porta-vozes do POLVO elogiam bastante o sector da justiça, dizendo que não lhes emperra nenhuma iniciativa, deixando-os agir livremente. ( “Em Portugal vale a pena trabalhar!”- Exultam. Melhor que em Portugal, só em Itália e na Rússia – Explicam).

O POLVO, aliás, talvez deva tanto sucesso a uma enorme vantagem que tem sobre muitos seres vivos (mesmo sobre os humanos) – os seus oito  braços! Grande sortudo… Por isso, pode esticar-se para oito sítios ao mesmo tempo. E  fazer o que lhe apetecer. Habitualmente, o que lhe apetece é estar a chupar, ou a sugar… alguém. Tem uma óbvia preferência por parasitar, ou chupar, tudo o que se situe entre os extremos. Nem é muito grande, nem muito pequena, a sua presa. Entre grande, pequena, ou média, prefere esta última. Normalmente a mais sossegada e colaborante. ( Fazendo lembrar a classe média, em Portugal…).

Não sei se é pesadelo, o que tenho andado a sonhar de há uns tempos a esta parte. O que sei  é que, nesse sonho, que se vai repetindo pelos finais de cada mês ( ora a 22, ora a 23), vejo um largo tentáculo entrar na minha conta-ordenado, de ventosa na mão, abrindo-a ( e a outras parecidas com a minha), e toca a chupar uma boa maquia. O que me incomoda imenso. Porque o “cefalópode” nada fez para merecer a massa que me vai sugando. Bem pelo contrário! E até tenho vontade de lhe decepar o tentáculo chupista, mas a certeza de ser condenado por ofensas corporais graves resfria-me o ânimo. ( Embora me espante que ao alarve chupista nada aconteça… Será por ser imune à cadeia? Ou  por não haver cadeia que resista a tanto tentáculo? (acho que as duas razões fazem sentido).

Agora que o Natal se aproxima tenho uma secreta esperança:  que o POLVO vá parar ao fundo do…prato de algum português, daqueles que gostam muito do dito, mas só cozido ou assado.

Pode, contudo, acontecer, que o espertalhão do molusco se escape no meio de uns quantos chocos ou lulas, e desapareça. É “menino” pra isso. Pode alegar que, sem ele, se acabaria a espécie; que ninguém imagina o que lhes pode acontecer sem o seu tacto político multipolar, sem a sua capacidade para o disfarce, ou sem a sua manha octogonal.

E, depois de anestesiar os ouvintes com o sermão, escapulir-se, e continuar a FAZER MISÉRIA,  país além.

O que, em meu entender, seria muito nefasto para as pessoas.

Cunha Ribeiro