NOVAS FORMAS DE FAZER

O Princípio do “Saber mandar Obedecendo”

Quando pensamos no poder, nas formas de o atingir e exercer, coloca-se a questão do tipo de democracia que queremos.

Para além de nos questionarmos sobre as relações entre ética e política.

O objectivo deveria ser o de fazer da política uma actividade nobre que busca o bem estar de todos.

Face ao arrivismo político e à corrupção galopante que têm vindo a desfigurar a democracia, é urgente pôr em prática o princípio de que “quem manda também obedece”, o qual se traduz numa série de atitudes que poderíamos organizar assim:

Quem atinge o poder deve servir em vez de servir-se; representar em vez de abusar da representação; construir em vez de destruir; propor, em vez de impor; convencer em vez de vencer.

Esta atitude parece-me a mais indicada para se construírem organizações políticas abertas, horizontais e acolhedoras.

Como construir então um PODER DIFERENTE daquele que nos vem governando e do qual a grande maioria está descontente?

Um dos caminhos será o de admitir que o poder deve estar presente em toda a sociedade.

O exercício do poder tem-se restringido à esfera do Estado e do governo.

Ora, se o poder for deslocado para a sociedade em geral permitir-se-á que surjam alguns contrapesos que limitam o poder tradicional.

Por exemplo, condicionar a grande maioria das decisões mais importantes a referendos claros e explícitos será uma excelente forma de pôr em prática a ideia de mandar, obedecendo.

Será uma forma de reorientar a política para a transparência de processos, alicerçando-a em princípios claros e insofismáveis.

Será uma forma de construir um espaço de liberdade associativa de pessoas com este mesmo desejo de mudança, sem excluir ninguém. Um espaço em que as pessoas estejam atentas aos problemas dos outros. Um espaço de igualdade entre ricos e pobres, entre cultos e incultos, entre homens e mulheres. Um espaço em que todos possam mostrar e demonstrar aquilo que sabem, porque todos têm conhecimentos que podem partilhar.

Este espaço será uma espécie de laboratório de ideias e de projectos, onde se poderá definir uma nova e melhor relação do homem com a sociedade e com a natureza.

(Cont.)

Cunha Ribeiro