Depoimento completo para esta peça do site Educare sobre as expectativas quanto à nova ministra:

Depois do mandato de Maria de Lurdes Rodrigues e do tom que o caracterizou, tanto na forma como no conteúdo, qualquer mudança é bem-vinda por parte dos professores. É um daqueles casos em que a mudança, só por si, já é um ganho. Por isso, e pelas suas características pessoais, Isabel Alçada foi acolhida com uma expectativa positiva pela generalidade dos docentes.

Dela se esperam mudanças importantes na substância das políticas educativas relacionadas com os professores e a organização das escolas públicas, assim como no estilo de relacionamento com os parceiros (sindicatos, mas não só) e na forma de comunicar com a opinião pública, prescindindo do tom acintoso e habilidades estatísticas em que a sua antecessora se distinguiu.

As suas primeiras intervenções, marcadas por um contexto de campanha eleitoral, não devem servir para anteciparmos a sua acção como ministra da Educação. Vai ser necessário esperar pelos seus primeiros actos concretos para se fazer uma primeira avaliação. Neste contexto, é muito importante saber se é reaberto o processo de revisão do ECD e a atitude perante o modelo de avaliação dos docentes.

Um aspecto complementar à sua nomeação é o da escolha dos seus secretários de Estado. Os nomes que foram conhecidos parecem ser uma escolha alheia, parecem-me que não serão escolhas pessoais da nova Ministra, antes parecendo o resultado de uma remodelação na continuidade do anterior governo. Tudo indica que, mais do que a Ministra que será o rosto sorridente para o exterior, serão os secretários de Estado a assumir a condução de muitos dos dossiês mais polémicos desta área da governação. O que não é um augúrio especialmente bom.