Ouvi há pouco, meio de passagem, na TSF, alguém do PS (Lacão?) dizer acerca da avaliação dos professores, que os eleitores não compreenderiam uma atitude unilateral e de radicalidade da oposição nesta matéria.

Vamos lá a ver se eu percebo:

  • A oposição está unida nesta matéria contra a posição isolada do PS.
  • A oposição teve, em conjunto, uma larga maioria absoluta dos votos e tem a maioria dos deputados do Parlamento.
  • A recusa deste modelo de avaliação do desempenho tem o consenso generalizado da classe docente e a sua suspensão e substituição (juntamente com o retorno a uma carreira sem quotas na progessão) seria uma medida que permitiria pacificar o ambiente nas escolas e eliminar uma carga negativa desnecessária nos docentes).
  • A própria opinião pública – não confundir com baldaias, rangéis e tavares – já não entende qual a motivação do governo nesta matéria, pois melhorar o ensino não é e o orçamento vai de queda em queda até aos dois dígtos.

Perante iso é um absoluto disparate e uma desnecessária perda de energias estarmos a batalhar em algo sem qualquer ganho objectivo para ninguém que não o orgulhozinho pessoal do primeiro-ministro.

Do lado dos docentes e de toda a oposição é que existe uma atitude unilateral e radical?

Ou será do PS e mesmo assim apenas de uma parte do PS?

Infelizmente, a presidência da República sobre esta matéria não dá quaisquer sinais, parecendo que lhe dá jeito que outros arquem com o ónus do conflito com o governo, enquanto se lhe vão descansando as costas.

Quanto à ministra da Educação, percebe-se desde já que vai ser politicamente irrelevante. Não é por acaso que no texto original que eu tinha enviado para o I tinha uma frase adicional que foi vítima da ditadura dos 1000 caracteres, onde dizia que qualquer recomendação que lhe seja feita depende do facto de ela ter efectivamente algo a ver com a definição das políticas nesta área.

Por agora, parece claro que lhe estão a servir os dossiês e a formatar o discurso para a primeira aparição pública, que será certamente positiva e completamente ao lado da questão quente do momento.