Novembro 2009


Norah Jones, Chasing Pirates

Estamos num período crítico das negociações em torno da revisão do ECD e de um modelo de carreira docente que pacifique as escolas. Os pontos de maior discórdia sempre foram a divisão entre professores e titulares e as quotas para a progressão.

Neste momento, a proposta do ME, embora contemple a eliminação da tal divisão hierárquica, introduz um conceito de carreira que faz lembrar uma espécie de pirâmide com patamares.

É certo que é uma proposta para negociar mas o facto de introduzir três pontos de estrangulamento na progressão dá a entender que um deles deve ser mesmo desejado (o que iria dar quase ao mesmo do que temos no ECD ainda em vigor), quiçá dois (impensável).

Isto representa um passo para o lado que, independentemente do novo estilo dos interlocutores e do ambiente mais suave das negociações, vai a breve prazo provocar um acréscimo de insatisfação entre a classe docente.

Ao contrário de algumas reacções mais epidérmicas, quanto mais baixo ficar o estrangulamento, maiores serão as poupanças do ME a médio e longo prazo pois este condicionamento será exercido sobre todos aqueles que de novo entrarem na carreira.

Se a contingentação de vagas se verificar mais acima, isso significará uma redução dos docentes que conseguirão chegar ao topo da carreira a curto prazo, mas tudo isso depende da distribuição do número de docentes por escalão.

Algo que neste momento não se sabe ao certo, depois do êxodo de muitos profissionais.

Há portanto uma importante zona cinzenta sobre aquilo que que o ME pretenderá.

Mas a ser poupança o que se pretende, porque será que foi criado o índice salarial 370 que ainda ninguém ocupa? Não será boa ideia esquecer esse escalão – visto que ninguém será prejudicado pela sua eliminação – e deixar a progressão verificar-se verdadeiramente por mérito até ao índice 340, como até agora?

Já alguém fez as contas?

Eu não tenho dados para isso.

O que sei é que – ao contrário das leituras militaristas – a carreira docente não se caracteriza, salvo raras excepções, por funções de tipo hierárquico, pelo que não faz sentido falar em soldados, sargentos, tenentes, capitães, coronéis e generais.

O que pode existir e existe, apesar de ser a docência a base fundamental da carreira, são diferenciações funcionais sem uma carga hierárquica. Um professor da Educação Especial não se encontra acima ou abaixo de um professor regular.

Se é verdade que existem funções de coordenação e orientação pedagógica, não é menos verdade que essas funções não são marcadas por uma componente de comando.

Se é verdade que existe uma responsabilização maior em alguns cargos, então que se atribuam prémios suplementares  temporários pelo seu desempenho – e não escalões específicos da carreira  – para quem ocupe essas funções, como já acontece com os órgãos de gestão.

Isso permitiria recompensar quem ocupa transitoriamente um cargo ou função, mas não fechar o seu exercício numa casta de acesso restrito.

E serviria a poupança, com a eliminação do prospectivo índice 370, recompensando o mérito ou o exercício de funções, ao mesmo tempo que evitaria a hierarquização da carreira e, de forma indirecta, a necessidade de quotas ou contingentações.

 

o silêncio dos livros

O pai na Nação?
Passou a voar baixinho com as trocas na 5 de Outubro? O 4º mosqueteiro tornou-se redundante?

Tenho saudades…

:mrgreen:

VALE MAIS RECEBER ROBALOS OU ROUBÁ-LOS?

Perante o mistério do crime de corrupção (passiva…) de que está indiciado Armando Vara, avancei uma dúzia de anos no tempo, para “escutar” o mediático julgamento do (por essa altura) já Governador do Banco de Portugal.

Junto do meritíssimo Juiz, o responsável pela acusação, o Sr Procurador Armando Silveira; na bancada dos advogados, o ilustre defensor Silveira Godinho; os dois arguidos, de pé, diante do Sr Juiz.

Depois da intervenção inicial do meritíssimo, seguiu-se o interrogatório, sem qualquer interrupção, ( para não deixar arrefecer o almoço ), do Sr Procurador e do Defensor dos arguidos. No fim, depois das alegações, seguiu-se um delicioso travar de razões entre o digno Procurador e o Ilustre Defensor.

Assim:

PROCURADOR:

“ … Mas existem as escutas que…”

DEFENSOR:

“ Mas as escutas nada podem provar, sr Procurador. Mesmo que sejam válidas, o que aliás nunca se admitiu, pode ter sido combinado, e estar registado, que o arguido   receberia dez mil euros; mas combinar não significa entregar, Sr Procurador!

P.:

“ Mas, está gravado um acordo de entrega do dito dinheiro nas próprias instalações do BCP, portanto, a prova existe mesmo!”

P.:

Mas, sr Procurador, concordará que não pode ter a certeza de o que foi combinado ter sido, efectivamente, cumprido! Alguém viu o Sr Godinho entregar o dinheiro ao Sr. Vara? Alguém filmou o alegado momento do crime? Ninguém, sr procurador! Por conseguinte…não há prova! E não havendo prova, aplica-se, como muito bem sabe, o princípio “ In dubio pro reu”.

PROCURADOR ( virando-se para o Juiz):

Mas, meritíssimo Juiz, permita-me apelar ao justo e acostumado bom senso de V. Ex.ª, para, no cotejo das provas, não deixar de ter em devida conta uma prova que os arguidos não negarão, porquanto foi dito publicamente, por um deles, ( e há imagens que o comprovam) ter recebido ROBALOS do outro. Insisto: está gravado, Sr Juiz!

O DEFENSOR:

- Ó Sr Procurador, com a devida vénia!, e acha esse facto assim tão sério e grave que possa provar um crime?  É caso para lhe dizer digno procurador, a propósito dos ditos robalos, que “ Vale mais recebê-los do que ro(u)bá-los!…”.

Cunha Ribeiro

Professores pedem números para avaliar propostas do Governo

Os sindicatos de professores querem saber qual será a duração da carreira proposta pelo Ministério da Educação, bem como o número de professores em cada escalão e o tempo necessário para a transição, antes de qualquer compromisso.

Começou aqui. Continuará enquanto ou mesmo se…

Para comemorar nada como uma dia de trabalho que começa com uma turma dizimada a mais de 50% pela gripe e outras maleitas

 

Eu continuo a achar que deve existir, a partir de um dado ponto, a opção por uma diferenciação funcional da carreira, mas sem perder nunca a docência como tronco comum da profissão.

Não me choca que nessas carreiras paralelas, com responsabilidades acrescidas, existam prémios de desempenho ou de exercício de funções (já existem para os órgãos de gestão) ou benefícios em termos de horário lectivo (como também já existem para os avaliadores).

Avaliação de funcionários judiciais e médicos parada

Governo também ainda não aplicou os novos modelos para avaliar médicos e funcionários judiciais, apurou o DN junto dos sindicatos. As negociações estão paradas e só  serão retomadas em 2010. Mas serão questões complicadas, avisam os sindicalistas.

Arctic Monkeys, Cornerstone

Lessons in ambition as more teachers aim for the top

Mr Chips says ‘goodbye’ and it’s hello ‘Waterloo Road’ as thousands aspire to the head’s job.

The old image of teachers with leather patches on their elbows, happy to stay in the classroom is, it seems, a thing of the past. Teachers in the 21st century are an altogether more ambitious breed – anxious to get to the top job, according to research to be published tomorrow. It shows a 19 per cent increase in the numbers wanting to become heads in just the past year.

If the findings of the survey are mirrored across the country, that would mean 180,000 teachers seeking one of the 27,500 school headship posts in the country. One in 10 expects to achieve their ambition in three years.

É interessante ler toda a notícia.

What role should teachers have in preventing domestic violence?

Classes about abusive relationships are to become compulsory for children as young as five. Chris Keates says they could break the cycle of misery in homes.

Valha-nos a chuva, porque acabo de passar 3 horas a preparar parte do material para a acção de formação que tenho andado a frequentar e termina na próxima 5ª feira. Duas apresentações multimédia, uma ficha de apoio a visita de campo e um relatório final a caminho da dúzia de páginas com a fundamentação teórica e demonstração do trabalho já feito em sala de aula.

Devia ter-me inscrito numa dessas míticas em que não se faz nada e se traz o crédito para casa.

Ofsted’s hidden cult of failure

A whistleblower tells how her fellow inspectors fret more over pupils’ lunch boxes than their literacy.

Tips for the Admissions Test … to Kindergarten

(…)
Test preparation has long been a big business catering to students taking SATs and admissions exams for law, medical and other graduate schools. But the new clientele is quite a bit younger: 3- and 4-year-olds whose parents hope that a little assistance — costing upward of $1,000 for several sessions — will help them win coveted spots in the city’s gifted and talented public kindergarten classes.

At This School, It’s Marijuana in Every Class

SOUTHFIELD, Mich. — At most colleges, marijuana is very much an extracurricular matter. But at Med Grow Cannabis College, marijuana is the curriculum: the history, the horticulture and the legal how-to’s of Michigan’s new medical marijuana program.

“This state needs jobs, and we think medical marijuana can stimulate the state economy with hundreds of jobs and millions of dollars,” said Nick Tennant, the 24-year-old founder of the college, which is actually a burgeoning business (no baccalaureates here) operating from a few bare-bones rooms in a Detroit suburb.

Freitas do Amaral em entrevista ao DN:

Quer o presidente do Supremo, quer o procurador-geral da República não cumpriram, até hoje, um preceito constitucional que tem muita importância: o artigo 48.º da Constituição. É chamado “Participação na Vida Pública” e, no qual, depois de se dizer no n.º 1 “Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida pública”, o n.º 2 acrescenta: “Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre os actos do Estado e de mais entidades públicas.” Ora, esta situação não foi cumprida pelas duas mais altas instâncias do sistema de justiça. Ainda vão a tempo de dar explicação cabal à opinião pública sobre o que fizeram e porque fizeram sem terem de violar o segredo de justiça. Podem perfeitamente explicar tudo o que não implique violar o segredo de justiça.

Ontem aludi aqui ao caso de Santo Onofre, em que o recém formado Conselho Geral Transitório escolheu – pelos dados que me chegam – por 15 votos em 20 o representante que o Ministério da Educação lá colocou quando decidiu destituir os órgãos de gestão democraticamente eleitos.

Dos restantes 5 votos, 3 foram em branco e 2 na anterior PCE.

Isto significa que, independentemente da correlação de forças entre docentes e não docentes no CGT, o próprio corpo docente validou a escolha do CAP para director do Agrupamento, que agora tem a legitimidade de uma escolha/eleição com 75% dos votos.

Confesso que para mim, que me envolvi um pouco mais do que o normal neste caso, esta é uma derrota simbólica enorme que não oculto e uma desilusão à mesma escala.

Afinal esta escolha acaba por validar a intervenção do ME pois, perante a opção entre o actual CAP, a ex-PCE e uma terceira opção, a comunidade educativa optou pelo CAP, apesar de tudo aquilo que swe sabe sobre o funcionamento do agrupamento na preparação deste ano lectivo e sobre a sua própria tentativa de demissão na mesma altura.

Já não estou em idade para voltar a acreditar na coerência humana, muito menos na sua capacidade para manter uma resistência continuada e firme em situação de extrema adversidade. O que até nem era este caso. Neste caso, houve a hipótese de demonstrar que aqueles protestos que marcaram boa parte deste ano tinham fundamento e consequências.

Mas não.

Perante a opção feita, acho que não haverá muito mais a protestar ou a fazer.

E perante isto não há que ter muitas esperanças sobre muitas outras coisas.

Quando as batalhas à micro-escala se perdem assim, o que pensar do resto?

Não é derrotismo, ou resignação, apenas a necessidade de ter a percepção da capacidade das tropas que clamam por guerra, mas depois…

Primeiro número de uma nova revista dirigida por Alan Moore, aquele da Liga dos Cavalheiros Extraordinários. Grafismo a misturar a nostalgia do final do século XIX e o underground dos anos 70 do século XX.

A seguir com atenção.

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