Recomeçou hoje na RTP2. Já lá vai há 3 épocas o encanto e viço da surpresa inicial. Mas…
Outubro 19, 2009
Recomeçou hoje na RTP2. Já lá vai há 3 épocas o encanto e viço da surpresa inicial. Mas…
Outubro 19, 2009
Enquanto o caos se torna a normalidade quotidiana, o Paulo tenta extrair-lhe um sentido. Ou não:
uma hermenêutica do caso de santo onofre
Outubro 19, 2009
Gostava de saber como está a arrancar – se está a arrancar – o processo de ADD na sua versão simplex3 nas vossas escolas e agrupamentos.
Deixem os vossos testemunhos, ou se preferirem algum recato, usem o guinote2@gmail.com.
Agradecia ainda que – mesmo se mi casa es su casa- que libertassem esta caixa de comentários de ruído, por muito divertido que seja. É que eu gostava que isto fizesse sentido a quem cá viesse espreitar, if you know what I mean…
Outubro 19, 2009
Eleição do “lambe botas” do ano 2009
Os meus nomeados ex-aequo, se isso fosse possível e mais pela intenção do que pelo jeito, seriam:
Outubro 19, 2009
Outubro 19, 2009
Outubro 19, 2009
Os novos programas de Língua Portuguesa do Ensino Básico estão em processo de preparação para a implementação nas escolas, depois da sua homologação.
O processo foi longo e, a seu favor, terá o facto de no próximo ano lectivo se terem concentrado diversas novidades que, assim, poderão surgir de forma articulada, mesmo se ainda há detalhes por afinar (programas, TLEB, acordo ortográfico e novos manuais)
Quanto aos programas, está a decorrer uma formação para um representante de cada ciclo que ficará com a responsabilidade de coordenar a sua aplicação ao nível de escola.
A formação tem 120 horas.
Para aliciar candidatos, a frequência permite uma redução de 3 horas semanais da componente não-lectiva, o que é manifestamente insuficiente para o tempo gasto em deslocações, formação e trabalho nas escolas com os colegas.
Como delegado de LP do 2º CEB da minha escola, sendo do grupo de recrutamento 200 com formação de origem em História e não em Línguas (acontece com 90% do grupo), para além de estar a fazer formação na minha área académica de origem conforme é determinado por lei, passei o encargo a uma colega com formação em Línguas.
A partir desta semana ou da próxima, é necessário reunirmos as 9 pessoas do grupo para fazermos o trabalho requerido pela formação da nossa colega.
Dessas pessoas, 6 estão a frequentar a acção de formação em História Local, em regime pós-laboral, cujo relatório se deve basear em trabalho feito com os alunos nas aulas ou fora delas. Para além de acarretar trabalho de pesquisa bibliográfica, recolha fotográfica e produção de materiais.
Tudo isto é feito – sublinho-o para que se compare com a formação disponibilizada em outros sectores da função pública e no sector privado – em horário extra-lectivo e não-lectivo, com deslocações a cargo dos próprios e nenhum tipo de retorno (excepto os créditos para quem frequenta presencialemnte a formação que no caso de LP é apenas a tal colega).
Por estas semanas, daqui até meados de Dezembro, isto implica uma carga horária adicional semanal de 4 a 6 horas ou mais, para além das reuniões ditas ordinárias de departamento e grupo disciplinar, tudo fora do que está inscrito no horário oficial. Lectivo e não-lectivo, volto a sublinhar.
Isto significa semanas de trabalho – sem estarmos aqui a falar da tradicional preparação de aulas, produção e correcção de fichas de trabalho e avaliação – sempre em cima ou acima das 40 horas.
E nem estamos ainda a falar da avaliação que, sendo simplex, podemos considerar pouco relevante para estes cálculos.
E o mesmo se passa com a Matemática e a formação e outras actividades associadas ao PAM.
Mas ainda há quem – quando alguém chama a atenção para a sobrecarga (esta foi-me contada em segunda mão, pois não assisti) – diga que o tempo das senhoras professoras passarem as tardes na cabeleireira acabou.
Não é meu hábito vir para aqui com pequenas ou grandes digressões sobre o meu quotidiano escolar. Não é nbem para isso que ando em bloguices.
No dia em que me sentir mal, mesmo mal, sem qualquer ânimo ou com a percepção de estar apenas a cumprir rotinas, faço as malas e mudo de ares.
Mas irrita-me ler e ouvir quem pouco sabe, falar da vida dos professores como sendo a de alguém que vai fazer uns biscates às escolas e depois trata dos seus negócios. Provavelmente era isso que se passava quando essas pessoas, ou alguém das suas relações, andava pelas escolas.
É verdade que ainda há quem ainda faça isso. Com maior ou menor conivência de alguns órgãos de gestão. Provavelmente até com quota para classificação dita de mérito.
Mas não é essa a vida da generalidade daqueles que aguentaram 4,5 anos de diatribes de uma equipa ministerial que está de saída, sem que a sua avaliação ainda tenha sido verdadeiramente feita.
E cansativo que, mesmo com as malas feitas, ainda queiram dar lições.
Outubro 19, 2009
Dia de ficha de avaliação, marcada logo no arranque do período, preparada c m duas fichas de trabalho na aula anterior e em Estudo Acompanhado.
À entrada os lamentos costumeiros e o pedido para uma reviusão inicial e um tempo para ler apontamentos.
Tudo bem. 10-15 minutos para relembrar apontamentos e mais 10 minutos para esclarecer dúvidas, que ainda sobre uma hora inteirinha, da qual nunca aproveitam nem metade.
Noto que o C., em vez de estudar se limita a olhar para ontem.
- Então, C., não estudas?
- Não, stôr.
- Porquê?
- Não trouxe o caderno.
- Alguma razão em especial.
- Esqueci-me.
- E o manual?
- Também.
- Também o quê?
- Também me esqueci.
- Mas sabias que tinhas teste?
…
- Sabias ou não?
- Sabia.
- Estudaste no fim de semana?
- Não?
- Porquê?
- Não me lembrei.
- Nem de trazer os materiais para a escola.
…
- Aquela bola é tua?
. É.
- Em casa souberam que a trouxeste?
- Sim.
- Mas não viram que cadernos trazias?
- Não.
- Não te perguntaram que aulas tinhas e se tinhas trabalhos?
- Não.
Porreiro, pá! Acabei a mandar um recado para casa solicitando que a verificação do material à saída de casa, ou no dia anterior, contemplasse uma vaga olhadela ao horário do aluno e solicitando que em vez da bola houvesse o cuidado em assegurar que os cadernos do aluno vinham.
O aluno teve 22% numa ficha da qual metade tinha feito parte da preparação na última aula, tudo corrigido e mandado para casa com a indicação de ser estudada para o teste.
E isto é num aluno integrado numa turma de PCA, cuja DT se espreme e retorce junto dos EE para que acompanhem o desempenho da miudagem, nem que seja ao fim de semana.
Mas quem deve ser avaliado pelos resultados deles sou eu.
Outubro 19, 2009
Após a leitura de um excerto do conto O Rouxinol de Hans Christian Andersen, aquela na qual se lê «O camareiro subiu e desceu todas as escadas, andou por todos os salões e corredores, mas, de todas as pessoas que encontrou, nenhuma tinha ouvido falar do rouxinol. Voltou apressado à presença do imperador e disse-lhe que aquilo devia ser uma história inventada pelos escritores».
- Então, P. o que achas, o camareiro do imperador encontrou o rouxinol no Palácio?
- Sim.
- Tens a certeza?
- Sim, stôr.
- Não me parece. Aí atrás, E. o que achas, o conselheiro achou o rouxinol?
- Sim!
- Sim?
- Sim!
- E tu K.? Sim ou não?
- Sim!
- Não acredito, mas nem assim? D., achas que o conselheiro encontrou o rouxinol?
- Sim, stôr.
E pronto, é esta a angústia do professor antes de considerar a hipótese de cortar os pulsos com um corta-unhas afiado.
Outubro 19, 2009
Outubro 18, 2009
Pearl Jam, The Fixer (ouve-se sem dramas, embora uns belos pontos abaixo do melhor deles…)
Outubro 18, 2009
Outubro 18, 2009
Brains, Books and the Future of Print
Are print books really about to disappear, overtaken like horse-drawn carriages in the age of Detroit and the Ford Model T? Truth is, nobody knows. Nobody ever really knows what the future is going to hold, no matter how sure they sound in their predictions.
(continua…)
Outubro 18, 2009
Outubro 18, 2009
Uma das pátrias do eduquês bem-pensante é cada vez mais confrontada com os erros do modelo de escola desculpabilizadora para todos.
Reparem bem como, entre outras, as críticas se focam em algumas medidas que entre nós são apresentadas como avanços: a concentração do ensino básico apenas em algumas matérias nuclear, o modelo do professor generalista, odos os actos dos professores…role apertado sobre to cont
The Cambridge primary review’s key
‘Let teachers control lessons, scrap Sats and homework, and raise starting age to six’.
Childhood
There is a “pervasive anxiety” about the pressure on pupils at school and from the commercial world, but these concerns are often overstated and mask the fact that poverty is the single biggest threat to children’s lives, the Cambridge review has found.
Concern is fuelled by a media obsession with “toxic childhood”, but children themselves report being happier than their parents and teachers give them credit for.
Curriculum
Primaries have become too focused on the “three Rs” and the curriculum needs to be broadened. Today’s report sets out plans for a new curriculum that includes 12 aims for each pupil: wellbeing, engagement, empowerment, autonomy, respect and reciprocity, interdependence, citizenship, celebrating culture, exploring, fostering skills, exciting imagination and enacting dialogue.
Children’s learning should also cover eight domains, including arts and creativity, language, oracy and literacy, and science and technology, which would replace the current narrower subject areas. Schools would be given back part of the timetable reserved for teachers to design their own lessons locally.
Teaching
Labour’s national strategy for primary schools, which introduced the daily literacy and numeracy hours, has massively centralised the system and de-professionalised teachers. The school secretary Ed Balls’s recent decision to scrap the private contract with Capita, which runs the National Strategies, will not take away that effect, the review argues, because there is now a generation of teachers who only know how to teach under the system. It has made teaching “inflexible and monolithic” and was an ill-informed political intervention, it concludes.
Teachers should be given back control over how they teach. Many parents surveyed argued that homework should be scrapped and researchers said it gave an unfair advantage to children from more supportive, settled homes.
The model of the generalist teacher in primary schools has been in place since the 19th century when it was introduced to cut costs. This system should now be revised with the introduction of more specialist teachers, some of whom could be shared between schools. It acknowledges that this would be expensive.
The government’s rules around teaching, designed to raise standards, could in fact depress them by robbing teachers of their independence. The review disputes Ofsted’s finding that schools now have the best ever cohort of new teachers in history, saying there is no proof to back up that claim.
Outubro 18, 2009
Outubro 18, 2009
As atitudes dos políticos que vão desfilando na “passerelle” dos vários poderes são um manancial de ensinamentos para quem goste de separar o trigo do joio.
Rui Rio, por exemplo, é um político que, ou é muito hábil, ou é muito sério. Ou será mesmo uma coisa e outra, em doses criteriosamente medidas. Embora a mim me pareça que a sua seriedade termina onde começa a habilidade.
Mas, para ser mais claro no retrato político do vencedor da Câmara do Porto, vou-me servir de um paralelismo com a sua recente opositora socialista à Câmara do Porto, Elisa Ferreira.
Elisa Ferreira pode ser uma excelente pessoa. Mas, ou por culpa própria, ou por se deixar manipular pela estratégia de Sócrates, cometeu erros de palmatória.
De que erros estou a falar?
O de candidatar-se a dois cargos ao mesmo tempo ( ao Parlamento Europeu, com garantia de ser eleita; à Câmara do Porto, como quem aposta no totoloto).
Ora, o povo, que não é estúpido, terá perguntado aos seus botões:
“ Então esta mulher o que quer? Sol na eira e chuva no nabal? Casar com dois homens ao mesmo tempo, só porque o louro não é moreno? O que é que ela terá de tão especial para se candidatar, em simultâneo, a dois cargos tão importantes? A claridade do seu olhar? A largura do seu sorriso?
E o curioso é que a propaganda de Elisa Ferreira até foi “estupidamente coerente”. Primeiro, confessando aos seus eleitores que só iria para Bruxelas caso não vencesse no Porto. O que dava, obviamente, a entender o desprezo que tinha por outro cargo qualquer, que não fosse o de presidente da Câmara.
Segundo, porque havia uma “Elisa sem rugas” nuns outdoors e uma “Elisa com rugas” noutros. O que poderia sugerir que Elisa Ferreira era capaz de ocupar dois cargos ao mesmo tempo.
Já o candidato , mais uma vez eleito, Rui Rio, revelou conhecer muito bem que terreno pisava.
Ponto número um, soube escolher o outdoor mais inteligente que vi nestas autárquicas ( “ No Porto com os dois pés”, creio eu), acertando em cheio no alvo, ao pôr em contraste a sua atitude de estar de corpo inteiro no Porto, da atitude contrária seguida por Elisa Ferreira.
Ponto número dois,, porque continuou firme a separar as águas da política e do futebol. Pois sabe que se as misturasse, poderiam turvar-se.
Ponto número três, optou, e muito bem, por não se deixar cair no canto de sereia do seu partido, recusando candidatar-se a secretário geral. ( É óbvio que a sua ambição passa por aí, mas ele sabe o que aconteceu ao “malogrado” Fernando Gomes e ao “ patético” Narciso Miranda, quando quiseram levantar voo das Câmaras do Porto e Matosinhos com destino ao governo. Quiseram voltar e não conseguiram…).
Mas há uma diferença fundamental que separou os dois candidatos de forma decisiva e fatal:
Rui Rio era um candidato que valia por si. Totalmente independente das influências do aparelho. Uma espécie de AUTO-CANDIDATO.
Elisa Ferreira era claramente uma candidata forjada pelo aparelho socialista. Uma candidata sem autonomia. A dever favores ao governo. Isto é, uma espécie de HETERO-CANDIDATA.
E o resultado foi o que se viu.
Cunha Ribeiro
Outubro 18, 2009
Lembram-se deste caso, do aluno que teve um AVC e estava com dificuldade em fazer transitar as classificações internas obtidas no ano lectivo anterior?
Pois bem, parece que restou um pinguinho de decência a caminho da saída a alguém e eis aqui o início do mail que me foi enviado acerca do assunto.
Pedi uma reapreciação da decisão do Senhor Secretário de Estado, e este alterou a decisão anterior e validou as classificações do meu filho para este novo ano lectivo.
(…)
Neste momento, o que ocupa o pensamento é ter sido feita justiça e ter poupado o meu filho a todas estas sinuosidades e sujidades da vida.
Outubro 18, 2009
Igreja de S. Lourenço (Alhos Vedros), fotografada ontem por mim pela enésima vez, durante a visita integrada numa acção de formação sobre Património Local.
Outubro 18, 2009
As escolas públicas transformaram-se numa espécie de gigantescos ATLs para adolescentes e os professores em animadores sociais a quem se exige depois, cinicamente, que apresentem resultados nos rankings em que pontificam inevitavelmente as escolas privadas não sujeitas a todo este processo de condicionamento.
O Governo que agora cessa funções caracterizou-se por ter na pasta da Educação uma equipa claramente inadequada às funções e que, em termos políticos, contribuiu fortemente para que o Partido Socialista perdesse as Eleições Europeias e a maioria absoluta nas Legislativas – um quinto dos eleitores e dos deputados (mais de meio milhão de votos e mais de vinte deputados), ao alienar uma parte importante da sua base social de apoio.
Não o afirmo na convicção de que uma força política séria e com responsabilidades governativas deva pautar a sua acção pelo agradável para os seus eleitores tradicionais, nada disso. Mas o que não deve fazer é desbaratar capital político por equívoco e erro estratégico, preferindo uma putativa e, ainda por cima frustre, “alavancagem” táctica a um enunciado transparente de medidas que, por dolorosas que pudessem ser, fossem percebidas pelos seus intervenientes directos como benéficas do ponto de vista sistémico.
Ora nada disso aconteceu – a equipa do Ministério da Educação portou-se como um grupo de aventureiros em constante fuga para a frente, tentando atropelar tudo e todos, revelando uma enorme falta de bom senso, promovendo, com a cobertura evidente do Primeiro-ministro e dos seus Ministros “políticos” com especial destaque para Augusto Santos Silva, bem como um conjunto vasto de opinion makers que fazem obviamente parte do set propagandístico do Governo e organizações dele subsidiárias, mesmo na mais literal das acepções, como a Confap do Sr. Albino, uma política cega de”passa culpas” e perseguição socioprofissional.
A equipa ministerial dando cumprimento a uma tarefa política que lhe foi encomendada pela task force que dirige de facto a política governamental, (cito a propósito, Marcos Perestrello quando em tom crítico e, de algum modo, auto-justificativo na sequência dos resultado das “Europeias”, auto-denunciou o “esquema” dizendo que “era preciso criar pressão sobre certos grupos sociais para que a população aceitasse as reformas”), alegando “boas intenções “ iniciais, fazendo-as acompanhar de diagnósticos tremendistas como o alegado “caos organizacional” das Escolas visto por Lurdes Rodrigues assim que tomou posse, o que, a ser verdade, se pode dizer de certeza vivida, que piorou bastante com o seu consulado.
Claro que os objectivos reais desta política foram diminuir os custos do Ministério da Educação reduzindo a sua massa salarial, mas logo e para o justificar, descambou numa autêntica e inaudita campanha negra de apoucamento e vexame a uma única classe profissional como em toda a história moderna de Portugal, e presumo de qualquer país civilizado, nunca terá sido desencadeada, refiro-me à autêntica guerra social contra os professores, em que estes foram o “bode expiatório” e que serviu de cortina de fumo para o fracasso das políticas sociais prometidas (Onde estão, ou mesmo antes da crise das “costas largas”, alguma vez estiveram, os 150000 empregos? Porque, ao contrário do prometido, subiram os todos impostos, só para quem os já pagava claro e Campos e Cunha foi “despedido” das Finanças? Tal como Sócrates que fez um “brilharete” no debate com Louçã acusando-o de pretender pôr em prática medidas de ataque à classe média assalariada que o próprio governo se está a preparar para tomar – Teixeira dos Santos e o Grupo de Estudos para a Reforma Fiscal – já assumiram o fim ou forte redução, das deduções à colecta em sede de IRS das despesas com Saúde e Educação).
Esta situação e para lá de qualquer questão meramente salarial, foi sentida como uma série de enxovalhos públicos pelo sector que, reagindo aos sucessivos desaforos, viu o seu espírito de corpo potenciado, o que fez com que uma “corporação” realmente mais fraca do que todas as outras, se unisse como nunca fizera antes por obra e graça de um governo que pôs no “ataque às corporações e aos lobbies” (mas não a todas, nem sequer às principais, senão não teríamos sido nós – os que pagamos impostos – a pagar as aventuras financeiras de vigaristas encartados) toda a sanha persecutória e que muito à PS (no poder, pois na oposição costuma ser “revolucionário” e esquerdista) gera sempre e precisamente os efeitos contrários aos alegadamente pretendidos.
Até as medidas positivas e que correspondem sem dúvida a necessidades sociais indiscutíveis – escola a tempo inteiro, aulas de substituição, reparação e conservação física do parque escolar, inglês, informática e educação física generalizados – foram tão mal aplicadas e tão embrulhadas em propaganda e acções de mero “faz de conta” e o seu potencial foi de tal modo desbaratado que corremos o risco de grave retrocesso por alteração da conjuntura política.
O mesmo se diz do nefando modelo de “Avaliação de Professores” que de monstro burocrático incapaz de avaliar fosse o que fosse, passou a mera paródia administrativa destinada a fazer de conta e cumprir cotas para poupar uns trocos. Repare-se que do tão “rigoroso” processo de Avaliação de Desempenho foi dispensada a obrigatoriedade da observação de aulas, centrando-se a dita “avaliação” no inverificável cotejo do realmente feito com a produção em série de mera “papelada” ou seja, lixo a curto prazo.
Do mesmo “lunatismo” procedeu a divisão da Carreira Docente em Titulares e não Titulares com base no mais atrabiliário dos processos de selecção alguma vez registados e que produziu resultados do género “Jogos Santa Casa”, mas sem qualquer prémio pecuniário fosse para quem fosse. Assinale-se que os professores mais graduados foram compelidos a concorrer sob ameaça, nem sequer muito velada, da Ministra Lurdes Rodrigues que, quando inquirida numa estação de TV acerca do que aconteceria aos docentes dos três escalões de topo que não concorressem a titulares, foi peremptória na resposta: “Por enquanto nada!”
Aliás, foi a mesma ministra que chamou “loura” a uma professora profissionalmente prestigiada durante um programa na RTP 1 e foram os Secretários de Estado Lemos e Pedreira que, referindo-se em aos professores em público, os designaram por “professorecos”, o primeiro, tendo-os o segundo comparado a “ratos e bolachas”. Foi também durante este consulado que foram castigados professores em funções em Direcções Regionais por “delito de opinião” – o caso Charrua e forças policiais “visitaram” sedes de Sindicatos em vésperas de manifestações que, apesar de tudo isso, e se calhar, também por isso, foram gigantescas, a maior das quais no dia 8 de Março de 2008 contou com 120000 manifestantes (num total de 150000) e a adesão da totalidade dos sindicatos e organizações representativas existentes.
A alteração por sobrecarga dos horários dos professores também é de “cabo de esquadra” uma vez que as pessoas são concentradas durante horas a fio em espaços exíguos e não equipados, a fazer rigorosamente nada, só para efeitos de demagogia barata, tendo depois que sacrificar o seu tempo privado em casa, à noite e durante os fins-de-semana para fazer aquilo que nas escolas não é possível que seja feito. Para além do óbvio e inusitado subsídio ao Sistema, pois não conheço e duvido que exista grupo profissional que mais desembolse para custear as insuficiências funcionais do Sistema Educativo desde a simples esferográfica, até aos computadores, à ligação à Internet, às folhas, aos tinteiros do líquido mais caro do mundo (a tinta de impressão) e a todos os periféricos – tudo é suportado pelo próprio docente.
Sejamos claros e honestos – as Escolas em Portugal não têm espaço, nem equipamento para albergar toda a sua população docente em simultâneo, não foram sequer concebidas para isso. Numa Repartição ou em qualquer empresa há instalações, secretárias, computadores para todos os funcionários; nas escolas, pura e simplesmente não há, e fazer de conta que o que é, não é, é pura ficção.
Também é pura ficção o mito do sucesso nos resultados desta “política educativa” – as pressões sobre os professores são tão grandes e as “vias de certificação “ são tantas e tão variadas que o enfoque mera e pesadamente estatístico se afasta imenso de toda e qualquer qualificação real das populações e aproxima-se perigosamente de uma
mega-fraude.
As escolas públicas transformaram-se numa espécie de gigantescos ATLs para adolescentes e os professores em animadores sociais a quem se exige depois, cinicamente, que apresentem resultados nos rankings em que pontificam inevitavelmente as escolas privadas não sujeitas a todo este processo de condicionamento.
Por tudo isto e por muito mais que fica por dizer, se exige uma Política Educativa a Sério em que demagogia e a propaganda não sobrelevem do real interesse público e que devolva ao sistema educativo a paz dinâmica necessária ao seu próprio aperfeiçoamento e à melhoria real e objectiva das reais qualificações e necessidades funcionais do país e da sua população.
António José Ferreira (Professor Titular ansioso por devolver o “Título”)