São apenas ideias soltas, na sequência de um pedido de um jornalista, que não foi necessário usar e que aqui deixo, apenas retocadas.
Nota-se o privilégio do critério da quantidade do tempo nos cargos, da acumulação da formação e grau académico (60% do total da classificação) e não do desempenho ou qualidade do desempenho (40%, sendo que parte desse valor resulta da diversificação da oferta educativa e, não – de novo – da qualidade dessa oferta). Valorizar a existência de CEF e EFA por si só é algo abstruso, sem qualquer avaliação da eficácia de tais cursos, nomeadamente na inserção dos seus alunos no mundo do trabalho de forma mais que episódica.
Não deixa de ser curioso que os resultados dos alunos e o posicionamento das escolas e agrupamentos nos rankings não seja um factor a considerar, nem qualquer tipo de avaliação resultante de um inquérito à comunidade educativa ou aos encarregados de educação, o que vai claramente contra o que o ECD determinava em matéria de avaliação do desempenho docente. Também não se contempla qualquer tipo de inquérito aos elementos dos corpos docente e não docente.
Este regime acaba, por outro lado, por agravar a seoaração das direcções das escolas relativamente ao resto do corpo docente, ao reger-se por um sistema de avaliação diferente e que, no fundo, valoriza a formação teórica, a subordinação às orientações da tutela mas quase nada a critérios de qualidade efectiva do desempenho.
Versão integral para a peça que hoje vem no I (acho que não disponível na edição online) com testemunhos meus e do Luís Braga:
Em que medida sente essa necessidade [reforço da autoridade] no seu dia-a-dia?
Essa necessidade sente-se na medida em que, perante situações de conflito (inter-pares, desrespeito das regras de funcionamento, recusa em participar nas actividades)na sala de aula, o professor não tem mais do que a sua autoridade pessoal para tentar solucionar os problemas. A progressiva desresponsabilização dos alunos pelos seus problemas disciplinares e de aprendizagem – que tem passado para a opinião pública e chega a ter validação legislativa – fez com que, na ausência de valores éticos transmitidos pelas famílias, muitos alunos se sintam pequenos reis na escola, sem que nada os possa atingir.
As frases mais comuns são “não me pode fazer nada”, “não é meu pai”, “não me pode tocar”.
Pessoalmente não tenho enfrentado problemas de maior, mas devo-o a muita sorte e algum engenho.
Defende uma maior autoridade do professor para repor a disciplina numa sala de aula?
Sim. Principalmente defendo que as teorias desculpabilizadoras do comportamento dos alunos não atirem o ónus da culpa sempre para cima do professor. Só quem nunca deu aulas a turmas problemáticas de jovens, pré-adolescentes ou adolescentes, com 25-30 alunos é que pode considerar que é possível encontrar 150.000 líderes naturais, capazes de gerir todos os problemas numa sala de aula sem qualquer respaldo extra do que a sua presença.
Que limitações sente quando procura fazer isso?
Pessoalmente, tenho tido alguma sorte, mas conheço casos, em que muitos colegas são directamente desautorizados pelos alunos, exactamente com base na ausência de qualquer protecção da figura do professor.
Para além da sensibilização, formalmente os mecanismos dos professores para dissuadirem comportamentos disruptores – em especial quando os encarregados de educação apoiam qualquer acto dos seus educandos, sem os questionar – são mínimos.
Gostaria igualmente de perceber até onde pode o professor ir em matéria disciplinar – o que pode e o que não pode fazer perante casos de indisciplina – e até que ponto são eficazes.
O professor na sala de aula só pode mandar o aluno sair e fazer uma participação de ocorrência que pode – ou não – dar origem a um procedimento disciplinar. Mais nada. Se marcar falta, o mais certo é considerar-se a punição atribuída. Nos últimos anos aumentou ainda mais a pressão para manter os alunos na sala, alegando que esse é um direito seu. Só que esse direito colide muitas vezes com o direito de outros alunos aprenderem e do professor exercer a função que o leva à sala de aula: ensinar. Tornou-se prática culpabilizar o professor pelas situações de indisciplina na sala de aula mas a verdade é que nenhum está livre de lhe acontecer algo perfeitamente inesperado, para o qual não recebeu qualquer formação inicial ou contínua, para além de alguns considerandos teóricos sobre gestão de conflitos.
Não defendo qualquer regresso a um autoritarismo ultrapassado ou a mecanismos repressivos, mas sim uma revalorização da imagem do professor, de uma ética do trabalho, autodisciplina e rigor na sala de aula e o combate às teses de que toda a aprendizagem pode e deve ser lúdica. Pode acontecer, mas também pode não o ser.
A eficácia das medidas em vigor é escassa, caso contrário, não estaríamos a falar de forma recorrente nestes problemas.
Viana do Castelo, 21 Out (Lusa) – Os alunos da Secundária de Monserrate, em Viana do Castelo, vão dispor, a partir de 26 de Outubro, de explicações “online” facultadas pelos próprios professores, anunciou hoje a directora pedagógica da escola. “Na sua casa, à noite, o aluno poderá usufruir de um apoio tutorial ‘online’, para esclarecer uma dúvida, aprofundar um conteúdo disciplinar ou ver o seu exercício corrigido por um professor da disciplina”, acrescentou Primavera Alves.
Segundo a responsável, esse apoio poderá ser prestado “em directo”, via chat ou Messenger, ou “em diferido”, através de e-mail.
Uma completa anedota. Para quem fala tanto em accountability e em responsabilidade dos professores pelos resultados dos alunos, aqui só se percebe preocupação com a quantidade de formação, com o tempo no exercício de cargos. com a existência de muitos CEF e EFA e quase nada com uma avaliação interna (corpo docente…) ou externa (comunidade educativa, por exemplo) do desempenho.
A revista ops! irá editar em breve um livro que inclui alguns dos textos publicados na revista no último ano e dois textos inéditos de Manuel Alegre e Henrique Neto, bem como um CD com a totalidade dos conteúdos dos 4 primeiros números da revista.
A edição deste livro ocorre depois de múltiplos pedidos da parte de leitores e livrarias para a revista ser editada em papel, visto que tem sido disponibilizada somente em formato electrónico.
Esta edição prevê-se limitada e terá um preço de venda ao público muito acessível, 5 Euro, incluindo o livro+CD+embalagem+portes de correio+iva.
Este preço só é possível devido aos diversos apoios que a edição deste livro obteve. O livro deverá sair em meados de Novembro.
Já é possível encomendar o livro. Quem quiser encomendar o livro deverá enviar um email para a editora Campo da Comunicação, cc-cont@netcabo.pt, com cópia para ops@opiniaosocialista.org, indicando os seguintes dados: nome, nif e morada para onde deverá ser enviado o livro.
Após a recepção desse email serão enviadas instruções para como proceder à encomenda e ao pagamento. O livro estará igualmente disponível nas principais livrarias.
Para qualquer informação adicional, contacte a direccção da revista, com coordenadas aqui.
Agora em maioria no Parlamento, os partidos da oposição ao Governo PS parecem empenhados em garantir que nada falha no momento de cumprirem as promessas feitas aos professores em campanha eleitoral. O PCP e o BE já deram o exemplo, ao avançarem com iniciativas parlamentares em que focam apenas e só os dois únicos pontos consensuais: a suspensão do modelo de avaliação do desempenho dos professores e o fim da divisão da carreira entre titulares e não titulares. A definição de um novo modelo e de novas regras fica para depois.
No ano passado, todos os partidos que hoje continuam na oposição apresentaram propostas de suspensão do modelo de avaliação instituído pelo Governo de José Sócrates. E, apesar de então serem minoria, estiveram a um passo de consegui-la, quando o projecto do CDS obteve votos a favor dos outros partidos e algumas abstenções do PS e só foi chumbado devido a ausências de deputados do PSD.
Consensualizar propostas
Desta vez, a ideia é não arriscar desentendimentos e Miguel Tiago, deputado do PCP, não usa meias-palavras: “Na última legislatura, apresentámos 70 propostas de alteração ao estatuto da carreira docente. Se agora as reduzimos a duas é porque são questões prioritárias e porque esta é a maneira de garantir que elas são aprovadas”. Ana Drago, do BE, também não foge à questão, ao defender que “há condições para avançar com o que é consensual e depois, então, começar a trabalhar em alternativas”.
Pedro Duarte, do PSD, vai na mesma linha. Embora ressalve que o seu partido não tem ainda elaborada a proposta que levará ao Parlamento, diz acreditar que não haverá surpresas: “Defendemos a suspensão do modelo de avaliação e o fim da divisão da carreira e não faria sentido apresentarmos um modelo alternativo, na medida em que dissemos que ele deverá ser negociado”. O CDS, que já apontou estas questões como sendo suas prioridades, é que não adianta se proporá um outro modelo: “Oportunamente o diremos”, diz Pedro Mota Soares.
Para as escolas, no entanto, começa a ficar tarde, já que a calendarização do próximo ciclo avaliativo deverá ser feita até ao fim deste mês. Ainda assim, Mário Nogueira, da Fenprof, não dramatiza o facto de nenhuma das propostas já apresentadas estar, sequer, agendada: “Se os procedimentos iniciais forem calendarizados lá para o fim do ano, pelo sentido de voto dos vários partidos na votação da primeira proposta as escolas logo perceberão se devem ou não avançar”.
Para já, passaram das palavras aos actos o PCP, o BE e, ontem, “Os Verdes”. O PCP apresentou um projecto-lei que, para além de suspender o actual modelo de avaliação e considerar nulos os efeitos das classificações atribuídas, determina que o Governo constitua uma comissão negociadora com vista a um processo extraordinário de revisão do estatuto da carreira. O BE defende basicamente o mesmo, mas para a elaboração de um modelo de avaliação alternativo sugere a criação de uma “unidade de missão, composta por especialistas de reconhecido mérito” e “pela representação plural dos agentes do sistema educativo”.
Iniciativa do MEP. A ordem dos subscritores é a do documento original.
A escola não pode esperar mais
O actual modelo de avaliação de professores e a divisão arbitrária da carreira em duas categorias criaram o caos nas escolas. A burocracia, a desconfiança e o autoritarismo jogam contra a melhoria das aprendizagens e contra a dedicação total dos professores aos seus alunos. Quem perde é a escola pública de qualidade.
Este ambiente crispado e negativo promete agudizar-se nas próximas semanas. Com efeito, até ao dia 31 de Outubro, se até lá nada for feito, as escolas estão obrigadas por lei a fixar o calendário da avaliação docente para o ano lectivo que agora começou. Pior ainda, sucedem-se os Directores que teimam em recusar avaliar os docentes que não entregaram os objectivos individuais, aumentando a instabilidade e a revolta.
Independentemente das alternativas que importa construir de forma ponderada, é urgente que a Assembleia da República decida sem demoras parar já com as principais medidas que desestabilizaram a Educação, sob pena de arrastar o conflito em cada escola e nas ruas.
Porque a escola não pode esperar mais, os subscritores deste manifesto apelam à Assembleia da República que assuma como uma prioridade pública a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de professores, a revogação de todas as penalizações para os que não entregaram os objectivos individuais e o fim da divisão da carreira docente. Sem perder mais tempo.
Não podemos esperar mais. A Educação também não.
Subscrevem:
Os blogues: A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Outròólhar (Miguel Pinto), O Estado da Educação (Mário Carneiro), O Cartel, Octávio V Gonçalves (Octávio Gonçalves)
Os movimentos: APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), Promova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública)
… até que ponto a permeabilidade entre vida política local e vida escolar está a aumentar.
Mesmo em cima das eleições autárquicas recebi um mail com uma longa lista de professores que deram a cara e o apoio a um candidato do PS a uma autarquia alentejana (que por acaso perdeu para um grupo de independentes).
Entretanto outras informações vão chegando, como a longa e reverente lista de apoiantes à candidatura vencedora, pelo PSD, no concelho da Maia, incluindo interessantes transferências.
O que está aqui em causa não é a cor partidária, nem sequer o direito dos cidadãos expressarem as suas simpatias políticas.
O que está em causa é saber de que forma isto influirá na vida das escolas, em especial ao nível das lutas pelo poder nos Conselhos Gerais e nas pressões sobre os directores.
A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16.º para o 30.º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.
O ministro da Justiça vai atribuir, hoje, 239 louvores a inspectores da Judiciária. De fora das homenagens, com uma excepção, ficaram os inspectores dos crimes económicos que investigaram políticos
Seis páginas de louvores publicadas em Diário da República – e que serão entregues hoje pelo Ministro da Justiça, Alberto Costa – estão a provocar um forte mal-estar interno na Polícia Judiciária (PJ), sobretudo nos inspectores que investigam a criminalidade económica-financeira, que, com uma excepção, não foram agraciados. O sindicato remete-se ao silêncio. A direcção nacional admite existirem injustiças, mas sublinha que impulsionou um processo que se encontrava parado há cinco anos.