Outubro 2009


É que eu não dei por nada… e a promessa é de 19 de Maio. Não que sinta falta…

Escolas com videovigilância no prazo de 18 semanas

O coordenador do Plano Tecnológico da Educação (PTE), João Trocado da Mata, anunciou esta terça-feira que no prazo de 18 semanas todas as escolas públicas do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e secundário serão equipadas com sistemas de videovigilância e alarme.

Em comunicado, o Gabinete de Comunicação do PTE garantiu que “todas as escolas receberão no prazo de 18 semanas o sistema electrónico de segurança”, uma medida visa reforçar a segurança nos estabelecimentos de ensino.

Na minha andam uns tipos há não sei que tempos a esticar cabos e a interromper as aulas para darem umas marteladas. Mas é por causa de instalarem as redes de pesca ou lá o que é. Para além de que vão fumar para a casa de banho. O que é chato. Já chegam os eflúvios normais. Misturados com fumo é bem pior.

Agora videovigilância num capisco.

Alarmes há em forma de cão.

Se Isabel Alçada parecia uma opção suave para a Educação, os secretários de Estado não prometem nada de muito bom e representam a continuidade com o passado.

De Alexandre Ventura já conhecemos a colaboração em estudos tipo-OCDE e o seu desempenho como presidente do CCAP.

Quanto a Trocado da Mata, basta um relance sobre a obra publicada para perceber que é uma espécie de homo tecnologicus com amizades pouco inspiradoras…

Mata, João Trocado da, Luísa Oliveira, Tatiana Alves, Vera Henriques e Bruno Gordinho (2007), Manual de Lisboa: guia de produção de indicadores estatísticos sobre o desenvolvimento da sociedade da informação nos países ibero-americanos, Relatório Final, CIES-ISCTE.

Mata, João Trocado da (coord.) (2003), Treading the Path to the Knowledge Society: Patterns of ICT Diffusion in Portugal, Oeiras, Observatório da Inovação e Conhecimento, Unidade de Missão Inovação e Conhecimento.

Rodrigues, Maria de Lurdes e João Trocado da Mata (2003), “A utilização de computadores e da Internet pela população portuguesa”, Sociologia, Problemas e Práticas, n.º 43, Oeiras, Celta Editora.

Mata, João Trocado da (coord.) (2002), Sociedade da Informação: Principais Indicadores Estatísticos, 1995-2001, Lisboa, Observatório das Ciências e das Tecnologias.

Rodrigues, Maria de Lurdes, João Mata e Nuno de Almeida Alves (2000), Os recursos humanos na sociedade da informação, Cadernos de Economia, nº 50, Ano III, Janeiro/Março de 2000, pp. 47-50.

São mais 37 secretários de Estado, sendo que na Educação temos direitro a uma equipa pouco animadora: Alexandre Ventura que transita do CCAP para tentar remendar a questão da avaliação (a Mariazeca pode confirmar que logo no sábado adivinhei que seria esta a escolha) e João Mata que parece talhado para os números e as tecnologias.

À primeira vista tudo a carecer de uma visão de conjunto sobre o sector e sobre os aspectos mais importantes ligados à aprendizagem e à ensinagem.

Fraquinho. E ainda por cima o A. Ventura não gosta nada de blogues, como sabemos…

Vão-se conhecendo alguns. Da Educação nem por isso. Consta que há birras. Parece que há quem tenha andado a nomear CAP’s a esmo, indo mais além que a vice-rainha do norte e se sinta esquecido. É triste e é capaz de ter razão. Mas em política não há muita gratidão. Até eu sei isso.


Goldfrapp, Oh La La, Strict Machine

Pub28Out09a

Público, 28 de Outubro de 2009

Não me apetece discutir se é de direita ou esquerda a solução. Resolvam. Já é tempo. Allez…

É o que acho da disputa em torno da calendarização do simplex3.

Qualquer dramatização em redor disto é uma perda de energias que esquece o essencial e volta a centrar tudo na ADD quando não é essa a prioridade. Que os directores calendarizem um processo que ficará todo ou quase todo na gaveta é lá com eles.

Ontem a Fenprof pediu à nova Ministra que suspenda a implementação do simplex3 como uma espécie de sinal de boa vontade.

Houve o cuidado de dizer que a revisão do ECD é a prioridade. Ainda bem. O simplex3 é um nado-morto e insistir nele como sinal de boa vontade seja do que for é um tiro na água, um disparo perdido.

Hoje, dizem-me que o presidente do Conselho de Escolas – que neste momento deveria coibir-se de comentar seja o que for, por meras questões de estratégia pessoal e institucional – reafirmou que os directores devem calendarizar o processo de avaliação até 6ª feira. Enfim, pois, está bem. Não ouvi, não sei bem em que contexto o disse, respondendo a que pergunta, pelo que não comento mais do que dizer que deveria ter evitado pronunciar-se pois arrisca-se a expor o flanco a breve prazo.

Só que tudo isto passa ao lado do essencial.

Nem falo apenas da revisão do ECD. Falo do próprio processo de ADD que ainda não está concluído para 2007-09 e tem demasiadas pontas soltas por resolver.

Preocupem-se, isso sim, em deslindar o imbróglio e a manta de retalhos do simplex2. Visto de perto – sem ser com o recurso a números globais, retirados não sei de onde por Fátima Campos Ferreira na noite de 2ª feira, que escondem tudo – o processo de ADD que está ainda em decurso é uma coisa tipo-frankenstein, feito de enxertos variados e soluções desenrascadas.

Tratem de limpar a ignóbil porcaria herdada da anterior equipa ministerial. Sem grandes conversas. Vamos relembrar, mas esquecer, se é que me percebem.

Não vai restar ninguém para perder a face, pelo que despachem lá isso. O engenheiro que fale da crise e se afaste desta matéria, porque só pode sair ainda mais queimado do que está. Opor-se a uma mudança, em que há modelos de avaliação alternativos em cima da mesa, seria um erro mais de estratégia do que de táctica. Seria casmurrice pura e dura. Faz o género, mas acho que até ele percebe quando deixar o palco a quem resolve problemas e não os incendeia.

E resolvam o simplex2 ainda com ele em vigor (final do ano) para evitar coisas esquisitas com efeitos retroactivos.

Não percam tempo com o que ainda está para (não) vir.

Há coisas muito mais importantes por resolver.

 

Borb

(c) Vandinha, com ligeiro corte meu.

House M.D., começou ontem a 6ª temporada na Fox, com dois episódios. Mmmmmmm….. Alguém me faça sentir quase normal por estes dias.

Apreciações parlamentares apresentadas em Março de 2009 pelo PCP, CDS e PSD:

Projectos de lei e de resolução do PCP, Bloco e Verdes, entradas na Assembleia da República no dia 15 de Outubro:

E os meus agradecimentos ao Ludgero pelo envio do pacote.

Aceleram as movimentações em torno da resolução das questões que azedaram as relações entre docentes e tutela no anterior mandato: divisão da carreira e modelo de avaliação.

Relembre-se que perto do final do ano lectivo a maioria PS chumbou todas as iniciativas da oposição para suspender o modelo de avaliação e o governo fez uma revisão do ECD, publicada em gosto, que não acedeu aos principais protestos de educadores e professores.

Em função da nova configuração parlamentar, e depois de múltiplas promessas pré-eleitorais, os diversos partidos da oposição têm todos surgido a confirmar iniciativas visando o seu cumprimento.

Perante isso o PS decidiu adoptar uma estratégia dúplice (que já vem do período pré-eleitoral, bastando lembrar o desencontro entre o que dizia Maria de Lurdes Rodrigues e escrevia Marcos Perestrello):

Por um lado – no palco público – afirma-se que a avaliação dos professores é para manter (o que é óbvio, pois o que está em causa é o modelo) e alguns porta-vozes engrossam a voz, como Jorge Lacão:

Vamos ouvir os pontos de vista dos vários grupos parlamentares, mas volto a sublinhar que o Governo terá a preocupação de que o país não ande em lógica de zigue-zague seja em que tema for.

Mas por outro – nos bastidores – negoceia com o CDS uma saída airosa para o imbróglio, preparando-se para aprovar ou não desaprovar uma proposta similar à que inviabilizou há poucos meses. Repare-se como o noticiário sobre esta iniciativa contém expressões muito curiosas como a destacada:

O CDS-PP tem esperança de que o seu projecto seja uma peça essencial para encontrar uma solução para esta polémica, embora ainda não tenha havido qualquer negociação formal com o PS.

Entretanto, todos os restantes partidos da oposição declaram a sua (o)posição relativamente à situação actual, desde Os Verdes, até ao PSD, que hoje se reuniu com os movimentos independentes de profesores (agradecendo eu ao Ricardo Silva a celeridade com que me comunicou o desfecho), passando pelo PCP que afirma ter um projecto que sintetiza as posições de toda a aoposição e pelo Bloco que se reuniu com a Fenprof.

Neste momento uma coisa me preocupa: até que ponto tanta vontade de se chegarem à frente na solução não poderá levar a atropelamentos. E o PS estar a contar com isso.

Com toda a sinceridade, eu preferia que todos se entendessem.

As escolas boas e as escolas más

Há escolas boas e escolas más? Lá haver, há! Como há bons e maus governos, ministérios, hospitais, tribunais, oficinas, e sei lá mais o quê…

Porém a questão não é essa. O problema está no critério da medida. Ou seja, no rigor dos indicadores objectivos que me levam a classificar os comportamentos, as atitudes e os desempenhos. Sem um critério universalmente válido e, por isso mesmo aceite, o resultado da medida não passa de uma apreciação subjectiva e, como tal, sujeita à divergência.

Vem isto a propósito de mais uma publicação de um suposto ranking das escolas portuguesas que, apressada e incorrectamente, uma boa parte da comunicação social tem vindo a designar por “lista das melhores e das piores escolas”.

Concretamente o que se mediu nestas escolas? Respondemos: mediram-se resultados de aproveitamento escolar (académico) e, nunca, resultados de aproveitamento educativo. E mediram-se todos os resultados escolares? Não! Mediram-se os resultados nas provas que os alunos do ensino secundário efectuaram nos exames nacionais no ano lectivo 2008/2009.

O que quer isto dizer? Vejamos um exemplo. A escola A tem alunos de classe média alta. São jovens com todas as condições de estudo, com excelente apoio e ambiente familiar. Os professores sentem que esses alunos aprendem a bom ritmo, e que com muita facilidade correspondem aos objectivos que lhes são solicitados. É uma das escolas que, habitualmente, obtém um bom posto no ranking nacional.

A escola B está situada num bairro muito problemático. As famílias são disfuncionais, há desemprego, muita miséria e o recurso a negócios menos claros. Os alunos não têm qualquer acompanhamento familiar, são nulas as condições de trabalho em casa, alguns têm mesmo carência de alimentos e de vestuário. Mesmo assim, os professores empenharam-se na motivação desses alunos para a frequência da escola, através de múltiplas actividades educativas de carácter interdisciplinar e, muitas delas, desenvolvidas extra curricularmente. Essa escola obteve um resultado educativo notável. Reduziu, significativamente, o abandono escolar, o absentismo às aulas, o insucesso académico e realizaram-se mesmo programas de apoio comunitário. Quanto aos resultados escolares nos exames nacionais… Bem, houve grandes progressos, mas não os suficientes para impedirem que a escola B ficasse no fim da lista do ranking nacional.

A escola A é boa e a escola B é má?

A diferença é que a escola A desenvolveu um esforço no sentido das aprendizagens do currículo formal e, aí, obteve resultados académicos muito satisfatórios. Já quanto à escola B, esta centrou as suas energias no alcance de objectivos educativos por parte dos seus alunos, apostou na transmissão de valores e na educação para a cidadania e, aí, obteve resultados considerados excelentes. Em que ficamos?

Quando olhamos para o ranking das escolas e, sobretudo, quando comparamos os resultados académicos dos alunos das escolas públicas, com os resultados académicos dos alunos das escolas privadas, temos que ter em atenção quais foram os indicadores de medida. Um indicador de medida vale o que vale. O metro padrão não pode medir um litro de leite, assim como se pode morrer afogado num rio que, em média, tenha apenas quarenta centímetros de profundidade…

Os governos perverteram a avaliação das escolas no momento em que privilegiaram apenas indicadores de medida e de progressão inerentes aos actos de aprendizagem do currículo formal. O que tem estado em causa para se alcançar uma valoração das escolas, tem sido o recurso à divulgação de rankings cuja elaboração se baseia apenas nos resultados académicos dos alunos. Para estes responsáveis pouco importam os resultados educativos globais da instituição escolar.

Há e sempre houve boas e más escolas. Há e sempre houve bons e maus exemplos de práticas educativas. Mas temos que saber relativizar os resultados em função dos indicadores de medida.

Temos em todas as nossas instituições escolares excelentes profissionais da educação a quem gostariamos de ver reconhecido o seu esforço. Os professores estão habituados a fazer muito e bem. Mas não podem fazer tudo. Melhor diríamos: face às condições de trabalho em muitas das escolas portuguesas, é injusto e desmotivador que se lhes peça que façam mais.

João Ruivo
ruivo@rvj.pt

Gripe
O Gripenet, projecto desenvolvido desde 2005 pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (www.gripenet.pt), lançou um concurso de vídeos escolares sobre a problemática da gripe, intitulado “Gripe, câmara, accção!”.
O  “Gripe, câmara, acção!”, está aberto até 22 de Dezembro. Destina-se a estudantes do 7º ao 12º anos (inclusive) e o objectivo é produzir um vídeo que informe e motive os cidadãos sobre a gripe e a sua prevenção. Pode ser divertido, mas tem que ser inteligente. Poderá ser uma animação, ter a forma de mini-documentário, spot informativo, vídeo-clip, etc. O vídeo vencedor será exibido na RTP, uma das instituições que colaboram nesta iniciativa. Será ainda distinguida a “escola mais participativa”, isto é, aquela que originar mais vídeos concorrentes.
O regulamento e zona de inscrições estão disponíveis em http://www.gripenet.pt/videos/ .
Pedimos a sua colaboração para a difusão, no “Educação do meu umbigo”, desta iniciativa junto da comunidade educativa. É que a “rede” é a melhor amiga das entidades não-governamentais para projectos de cidadania.
Os melhores cumprimentos,
Vítor Faustino (Gripenet/IGC)

IMG_5526

(c) Vandinha

A lei saiu para a rua em 6 de Agosto, mandando que tudo arrancasse este ano lectivo. Mas quanto à regulamentaçáo prometida, nadica de nada.

Na maior parte das escolas já não há total desconhecimento como há um mês mas, pela delicadeza do assunto, pouca gente se sente à vontade para avançar com projectos concretos, como é o caso dos Projectos de Educação  Sexual de Turma.

E pelas vossas bandas como é que as coisas andam?

Governo tenta aproximar-se dos sindicatos e da oposição

Deverá partir do Ministério da Educação a contrapartida socialista às propostas da oposição sobre a avaliação e a divisão das carreiras. Recuo é assumido como inevitável. CDS prepara documento inspirado no privado

Já há vozes no PS a defenderem que o Governo apresente propostas que “vão ao encontro” das pretensões dos sindicatos e oposição em matéria de avaliação e estrutura das carreiras dos professores. Luiz Fagundes Duarte considera mesmo este passo “inevitável” na actual situação política.

Em declarações ao DN, o deputado – ressalvando estar a opinar “a nível pessoal”, dado não existirem ainda “posições oficiais” do PS na matéria – assumiu não haver “outra saída” para estes temas, que considerou as excepções numa legislatura em que, na sua opinião, “a esmagadora maioria” das reformas educativas foram aceites.

Já depois da música da noite, só para assinalar a forma profundamente tendenciosa como Fátima Campos Ferreira está a abordar a questão da avaliação dos professores no programa (já está avaliada “mais de metade” dos professores, falou mesmo em 55%, e com “classificações boas”), com a relativa inabilidade de um colega de  Beja (Pedro Martinho) demasiado preocupado com o politicamente correcto para articular um contraditório incisivo.

Skunk Anansie, Squander, de volta e em forma.

Avaliação de desempenho dos professores é tema de conferência de imprensa da FENPROF

REUNIÃO COM O GRUPO PARLAMENTAR DO BLOCO DE ESQUERDA

« Página anteriorPágina Seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 297 other followers