Hoje foi o dia dos rankings do Expresso e Público, com suplementos a propósito. O do Expresso focado apenas no Ensino Secundário, com poucas páginas a contextualizar os dados, o Público com um destacável de 56 páginas a tentar explicar um pouco as diversas realidades que envolvem esta realidade.
Apesar das diferentes metodologias e abordagens, há algo que permanece: as escolas públicas cada vez se vão reduzindo mais no topo das classificações e as que lá se mantêm (Aurélia de Sousa, Garcia de Orta, Infanta D. Maria) são aquelas em que o acesso se revela mais difícil, permitindo práticas de selecção à entrada.
Pelo meio surgem algumas opiniões a clamar pela necessidade de o ensino público se adaptar a novas práticas e ser permitida naos pais a liberdade de escolha.
Este é um terreno problemático porque o que se defende é o agravamento de práticas de gestão que, ao serem generalizadas, agravariam ainda mais o fosso entre as escolas com desempenhos globais bem acima da média e aquelas que se vão manetendo e perpetuando no fundo da tabela.
Há que ter consciência que numa seriação haverá sempre primeiros e últimos. O importante é tentar que todos subam e melhorem, com maior ou menor mobilidade na tabela. Que as esclenetes assim se mantenham, que as muito boas se tornem excelentes, que as medianas se tornem boas e que as medíocres deixem de o ser. Mas haverá sempre primeiros e últimos.
Agravar o fosso entre o topo e a base dificilmente é o melhor remédio.
Expresso, 17 de Outubro de 2009
Outubro 17, 2009 at 6:03 pm
Desde o início que os rankings são uma estratégia comercial das privadas. Tornam-se cada vez mais selectivas, expulsando para as públicas o refugo e aliciando os melhores a ficarem a troco de isenções de propinas, porque isso lhes permite subirem no ranking e aliciarem mais clientes. Estranhamente ninguém o diz, nem mesmo os docentes das públicas convidados a tecerem comentários.
Também é notória a diferença entre o número de exames das escolas do topo, quando comparadas com muitas públicas que recebem do filho do patrão à filha da criada.
Outubro 17, 2009 at 6:13 pm
Exacto.
Da mesma maneira que tambem ninguem diz,:
-Pois entao se as privadas funcionam assim tao bem, aplique-se o sistema delas nas publicas!
Anda tudo a assobiar para o lado.
Outubro 17, 2009 at 6:21 pm
Pensamentos politicamente incorrectos:
A acção de estabelecer ranking de escolas no sistema educativo português nos últimos anos, foi um método informal e subrepticio de implementar uma classificação de qualidade das escolas. A mensagem subliminar que se transmite é singela: as escolas que possuem melhores médias de classificações nos exames, devem ser as melhores escolas, o que implicitamente significa que devem possuir os melhores professores. Esta conclusão é truncada devido à multiplicidade de factores que interferem nos resultados obtidos pelos alunos, e que extravasam as competências dos professores.
Todavia, estes rankings estão a colocar sob elevada pressão e sob cobertura mediática, um conjunto de professores, aos quais lhes é imputado indirectamente a imagem que a escola transmite à comunidade; esses professores são os que leccionam em escolas secundárias e áreas disciplinares objecto de exame nacional. Caiu nos ombros destes professores a responsabilidade de produzir uma imagem de qualidade para a escola em que leccionam, o que os coloca em nítida desvantagem em relação aos colegas que não têm essa responsabilidade por inerência das áreas disciplinares que leccionam. Portanto, cabe a esse grupo de professores a tarefa hercúlea de transmitir uma imagem de qualidade da escola através das classificações dos exames. Curiosamente, uma maior responsabilidade não é acompanhada com uma maior compensação…
Seguindo este raciocínio, coloca-se a questão de existir um mesmo ECD e uma mesma carreira remuneratória, independentemente da área do conhecimento e/ou do nível de ensino a que pertence, como se leccionar uma determinada disciplina fosse idêntico a leccionar outra disciplina ou leccionar no 2º ciclo ser idêntico a leccionar no ensino secundário. Obviamente é uma abordagem politicamente incorrecta, mas será necessariamente falsa? Os rankings dão a resposta: a escola X é classificada como a melhor e a escola Y como a pior, por causa das médias dos exames cujas disciplinas são leccionadas por uma minoria de docentes. A reputação destes docentes é anualmente mediatizada, contrariamente aos colegas que não leccionam disciplinas objecto de exame nacional ou aos colegas que não leccionam em escolas secundárias. Qualquer sistema de avaliação ou ECD não deveria equacionar estas peculiaridades da carreira docente?
Outubro 17, 2009 at 6:36 pm
#1 e #2
Está tudo dito!
Outubro 17, 2009 at 6:39 pm
A 1ª causa de diferenciação de resultados dos alunos é a origem sócio-familiar dos mesmos.
Gostava de ver como seria o resultado dos exames nos colégios Manuel Bernardes e S.João de Brito se tivessem, como público frequentador, os alunos da Escola D.José I, que fica ao lado e foi a última do ranking, por Lisboa.
A D.José, que fica ao lado da minha anterior escola, é famosa por se ter tornado uma escola de ciganos e afins, com casos de agressão diária entre alunos e nos bairros.
Outubro 17, 2009 at 6:40 pm
Privado pesa 13,5%
Um dado curioso é que o ensino privado pesa mais em Portugal do que na média da OCDE em
todos os graus de ensino. + No primeiro ciclo do ensino básico, o privado representa 8,5por cento (2,9 por cento na OCDE). No terceiro ciclo, o peso do privado baixa para os 5,5 por cento (3 por cento na OCDE), voltando a subir no secundário para os 13,5 por cento(5,3 por cento na OCDE). Só no México e no Japão, e nalguns graus de ensino nos Estados Unidos, é que o sector privado tem mais peso do que em Portugal.
http://www.ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1399604&idCanal=58
Outubro 17, 2009 at 6:41 pm
9 de Março de 2008
Com conteúdos e qualidade muito diversos, as medidas de política educativa do actual
Governo manifestam, em qualquer caso, um princípio unificador bastante preciso: retirar
direitos (”privilégios”, no entendimento dos responsáveis governamentais), poder e
auto-estima aos professores dos ensinos básico e secundário. Intrigado com esta estranha
coerência, terminava José Gil a sua coluna na Visão de 21 de Fevereiro com a seguinte
interrogação: “Nisto tudo, porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra
a figura do professor?” Procurando contribuir para responder à pergunta, direi que a
atitude governamental em causa, para se poder apresentar com tanta convicção e
coerência, teve de basear-se em alguns equívocos, que passo a tentar enunciar. Um
primeiro equívoco consiste em admitir que a sociedade portuguesa oferece aos jovens
condições homogeneamente favoráveis de acesso e de relacionamento com a escola, tornando
por isso fácil e padronizável a acção pedagógica. Partindo deste equívoco, o corolário
político extraído pela actual equipa ministerial foi o de que os alegados maus
resultados obtidos no sistema educativo português são directamente imputáveis aos seus
protagonistas maissalientes: os professores e os órgãos de gestão dasescolas.A verdade é
que, para sustentar tal posição, é precisoacreditar que: a sociedade portuguêsa não é
marcada por fortes desigualdades económico-sociais; é estatisticamente irrelevante a
proporção de crianças e jovens a viverem em situação de pobreza ou em famílias com
horizontes de emprego precários; não há défices de instrução e de literacia muito
elevados entre a população adulta, portanto entre os pais de muitos alunos que hoje
frequentam a escola; não há falta de tempo nem de preparação de muitos encarregados de
educação para o acompanhamento escolar dos filhos; não há espaços residenciais
estigmatizados nem formas de socialização desviantes a eles associadas; não hádiluição de
factores de motivação para o trabalhoescolar induzidos pelo consumismo e por ilusões
deascensão social difundidas no campo dos media e dasindústrias culturais e de lazer;
não há carências nem falta de coordenação entre instituições de apoio social às
populações e grupos escolares mais desfavorecidos; não há desmotivação dos jovens para o
prosseguimento de estudos por falta de perspectivas profissionais valorizadoras das
aprendizagens escolares; não há pressão para a saída precoce da escola em direcção a
postos de trabalho precários e muito pouco qualificados (em Portugal ou até emEspanha);
etc.O segundo equívoco é, em grande medida, uma projecção do primeiro no modo de
conceber o quotidiano concreto das escolas e desdobra-se, também ele, em múltiplas
crenças: os equipamentos escolares têm sempre grande qualidade; as turmas reais têm a
dimensão que lhes atribuem as “médias” oficiais; é estável, transparente e coerente a
malha de regulamentação das actividades lectivas de iniciativa governamental (raramente
avaliadas, aliás) a que os professores têm de se adaptar; não há alunos com dificuldades
acumuladas nas turmas; há acompanhamento permanente a esses alunos por parte de equipas
pluridisciplinares devidamente preparadas e estáveis; há muito tempo disponível no
horário dos professores para se relacionarem com os colegas, para prepararem
conscienciosamente as aulas e para se encontrarem consigo próprios no quadro de
estratégias de autoformação consistentes e estimulantes; a sala de aula é um espaço de
transmissão da mensagem pedagógica sem resistências nem dissidências por parte dos
receptores, e onde a indisciplina é pontual epassageira; não há sofrimento nem forte
incidência deburnout entre os docentes; etc. Assumidas estas ficções sobre a sociedade
portuguesa e as suas escolas concretas, basta que se assuma também o pressuposto
(individualista/subjectivista) segundo oqual a acção dos professores depende
exclusivamente de qualidades e intenções que lhes são “próprias”, e não sobretudo, como
acontece na prática social em geral, da estrutura de limitações e oportunidades com que
seconfrontam – basta que se assumam aquelas ficções eeste pressuposto para se começar a
acreditar, e depoisa jurar, que os problemas da escola portuguesa começam e acabam na
inabilidade, preguiça, “corporativismo”, desleixo, desinteresse dos professores,
responsabilizando-os publicamente por isso. Foi esta a armadilha intelectual em que se
deixou caira equipa ministerial, quase desde o momento em que iniciou funções. Daí à
hostilização sistemática dos professores, habilmente mediada pelo ataque às suas
estruturas sindicais, não foi senão um passo. (…)Numa altura em que os teóricos da
organização e gestão empresarial defendem cada vez mais a importância do envolvimento e
participação criativa dos trabalhadores (encarados como actores “reflexivos”),
desconfiando dos que teimam em racionalizar e controlar os comportamentos no espaço do
trabalho sem ter em conta a pluralidade e riqueza das suas dimensões humanas, a obsessão
“gestionária”do Governo no modo de conceber a actividade docente (actividade relacional
por excelência) tem o seu quê de anacrónico – e pode vir a ter consequências muito
negativas, se não forem revistas alguns dos seus fundamentos e modos de concretização.”
José Madureira Pinto
Professor de Sociologia (UP)
Publicado no jornal Público
9 de Março de 2008
Outubro 17, 2009 at 6:43 pm
Quando se quer favorecer interesses privados estes rankings servem na perfeição.Pena que as privadas não aceitem qualquer aluno e/ou expulsem os alunos quando estes não lhes interessam ou causam distúrbios…na verdade nem todos os pais têm o direito de escolher a escola dos filhos, nem todas as escolas podem escolher os seus alunos. Mas algumas podem,e são essas as que são postas na crista da onda…na minha zona mesmo as públicas se dão ao luxo de escolher os alunos pelo pedigree, recusar alunos com baixo rendimento económico e/ou académico, alegando falta de vaga…para a seguir abrir excepções se os alunos lhes convêm. Os rankings não me tiram o sono, embora reconheça o peso que têm na opinião pública, valem o que valem e todos sabemos que o mundo é injusto e cada vez menos inclusivo…é a vidinha de uns poucos a regular a existência da maioria.
Outubro 17, 2009 at 6:45 pm
Em Lisboa, ainda há algumas escolas públicas de elite, como aquela onde estou este ano ou a 2.3 de Telheiras ( no básico) e , no secundário, a do Restelo, a Rainha D. Amélia e até o Filipa.
Comparar resultados destas escolas com os das escolas periféricas ou mesmo algumas centrais, onde a população vem dos bairros mais agressivos de Lisboa, é que é uma desonestidade.
A menos que se queira provar algo mais do que a competência dos professores e gestão.
Os professores são os mesmos: eu passei, de um ano para o outro, de uma escola de um tipo para a de outro tipo ( e não distam muito uma da outra).
Outubro 17, 2009 at 6:47 pm
O sector de ensino privado em Portugal é, como todos o sabemos, ALTAMENTE subsidiado por avultadas verbas pelo ME (O.E.), verbas que deviam ser totalmente investidas no sector público.
Tive acesso ao gigantismo dessas verbas mas não arquivei os elementos.
Se alguém os tiver poderá disponibilizá-los …?
Outubro 17, 2009 at 6:48 pm
#3:
Sinceramente, nao sei o que e mais dificil: se a responsabilidade de preparar para exame alunos que escolheram as disciplinas que estao a estudar, se o trabalho de sapa diario que e vender frigorificos aos esquimos do setimo e oitavo anos.
Outubro 17, 2009 at 6:50 pm
“Poucas estatísticas são mais falíveis que as do sucesso escolar, antes de mais porque é um conceito impossível de quantificar. O primeiro impulso é para se associar a noção de sucesso escolar às classificações dos alunos. Contudo, estas assentam num equívoco que até agora não foi resolvido por nenhum governo e que o actual veio agravar. Até há 20 anos, as classificações estavam directamente relacionadas com as aprendizagens. Contudo, com o advento da escola inclusiva, o paradigma tem vindo a alterar-se progressivamente. Actualmente, as classificações, sobretudo, até ao 3º ciclo e nos cursos profissionalizantes, não reflectem apenas as aprendizagens dos alunos, centrando-se também na sua progressão, de acordo com as suas possibilidades e capacidades.
Ora, entre estas duas realidades vai um abismo e não pode haver estatísticas sérias se não sabemos o que estamos a medir. O conceito de escola inclusiva é incompatível com a existência de exames, sobretudo, nacionais. Por sua vez, os exames nacionais constituem um instrumento independente de avaliação dos alunos e é hoje consensual que devem existir. Há aqui uma contradição que não pode deixar de ser urgentemente resolvida.
O mundo empresarial exige uma escola onde haja aprendizagens efectivas e padronizadas, de forma a que os futuros trabalhadores ou empresários possam competir num mercado cada vez mais globalizado. Neste paradigma, os exames são a cereja em cima do bolo, permitindo aferir de forma padronizada essas aprendizagens.
Contudo, o País também exige que não haja exclusão e abandono escolar, o que só é possível numa escola onde cada um possa aprender ao seu ritmo, tendo em atenção o contexto, social, cultural e familiar do aluno. Ora, se cada um aprende ao seu ritmo, as aprendizagens não podem ser padronizadas e, portanto, também não pode haver exames, que, por definição, avaliam conhecimentos-padrão.
O actual sistema de ensino vive nesta ambiguidade, o que lhe vale a acusação, merecida, de facilitista. A culpa não é dos alunos nem dos professores, mas da indefinição do modelo de sistema de ensino. Se um professor privilegia os alunos com mais dificuldades, terá necessariamente de diminuir o grau de exigência das matérias a leccionar. Consegue assim combater o abandono escolar e obter sucesso estatístico, mas as aprendizagens, com o nível e profundidade desejadas, não são realizadas. O nívelamento por baixo prejudica os alunos com maiores capacidades, que se queixam e com razão.
Ao invés, se um professor tenta nivelar o nível de ensino por cima, de forma a garantir um ensino de qualidade, privilegia os melhores alunos e conduz os piores alunos a maus resultados estatísticos (embora o ensino ministrado possa ser de qualidade). Consegue assim dar uma boa preparação a uma parte dos alunos que conseguem acompanhar o ritmo da formação, mas obtém insucesso estatístico, porque alguns alunos não corresponderam à exigência das aprendizagens. Queixam-se os alunos com mais dificuldades e com razão.
Como se vê, a coexistência do ensino inclusivo, centrado no aluno, com o ensino padronizado, centrado nos conteúdos programáticos, na mesma turma, não produz resultados optimizados e a sua manutenção pressupõe um preço a pagar pela sociedade, que terá sempre de ser tolerante com os resultados estatísticos. Contudo, o que vimos nestes últimos três anos é que o País está sujeito ao primado das estatísticas, numa obcesão, nem sempre salutar, de ficar a par dos valores médios da União Europeia.
Sendo assim, há que tirar ilacções: se o País quer resultados maximizados, terá de separar os dois tipos de ensino, seja a nível de escola ou de turma. A indefinição do actual sistema não satisfaz nem governos, nem alunos, nem professores, acabando estes por ser injustamente responsabilizados por resultados que são uma consequência do próprio sistema. Criar escolas de nível não me parece possível em termos de aceitação social, restando assim a hipótese de formação de turmas de nível dentro da mesma escola.
A ideia igualitarista de que todos os alunos têm capacidade para aprender as mesmas matérias durante um ano lectivo é uma ficção. Não há estratégias, professores ou políticas educativas que consigam contornar esta impossibilidade. E quando, por vezes, nalgumas escolas ditas modelo se fala em grande sucesso, estamos a falar de sucesso estatístico conseguido com medidas paleativas. Em Educação, não há milagres.
Queixa-se o Ministério da Educação de que os resultados escolares dos alunos são muito inferiores à média europeia. Em primeiro lugar, porquê tanta estranheza e incomodidade? Por acaso, a economia portuguesa está ao nível da União Europeia? A indústria? A agricultura? A Justiça? O sistema de saúde? Ora, se todos os sectores do País têm índices abaixo da média da União Europeia, porque carga de água a Educação haveria de ter índices iguais ou melhores?
Naturalmente, os níveis de desenvolvimento são sempre condicionados pelo contexto e pela herança do passado. Os pais dos nossos alunos têm habilitações médias iguais aos do resto da União Europeia? Portugal continua com 9% de analfabetismo, flagelo que nos países do Norte da Europa foi erradicado há 100 anos! As condições de vida dos alunos portugueses são iguais às dos alunos da União Europeia? A verdade é que muitos alunos portugueses continuam a vir para a escola mal alimentados, mal vestidos e a viver em casas abarracadas, sem qualquer dignidade e conforto. A assistência na saúde dos alunos portugueses é igual à da média da União Europeia? Ora, Portugal não tem sequer uma rede de saúde mental a nível nacional. As crianças e jovens portugueses com problemas comportamentais e de saúde mental, e muitos são, ou não fossem também os mais maltratados da Europa, esperam meses por uma consulta que, geralmente, nem sequer tem continuidade. Ou, pura e simplesmente, nem sequer têm assistência.
Quem conhece a realidade educativa em Portugal sabe que estas são as reais causas do insucesso escolar. É raríssimo um aluno de classe média, com uma família equilibrada e pais que lhe dêem a devida atenção, ter maus resultados escolares. Se dúvidas houvesse de que o problema do ensino não passa pela qualidade do corpo docente, esta simples constatação desmontaria tal tese.
Mário Lopes (In http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=3b1be272-e05b-4e57-ae03-7719058cb703&edition=89)
Outubro 17, 2009 at 6:53 pm
A opinião de Mário Silva é polémica. É verdade que os professores que leccionam disciplinas em que há exames nacionais estão sujeitos a pressóes de vária ordem; mas o trabalho de todos os professores, em todas as disciplinas e em todos os níveis, é importantíssimo; desde o infantário…
Feita esta ressalva, só queria chamar a atenção para oexcesso de trabalho a que oa professores estamos sujeitos, quando comparado com, por exemplo,os professores do ensino superior. Não é raro um professor do secundário ter de leccionar duas ou três disciplinas cujos conteúdos científicos, do ponto de vista qualitativo e quantitativo, as tornam tão ou mais difíceis que muitas disciplinas da universidade ou de politécnicos. Acresce a isso todas as outras tarefas: reuniões inúteis, dar aulas de substituição (estas num esquema que é um roubo e uma vigarice)burocracia que aumentam se se tiver uma direcção de turma: trabalho de secretaria (tirar faltas, escrever e enviar cartas aos encarregados de educação, recebê-los, etc. No ensino superior, muitos professores nem sequer se dão ao trabalho de receber os alunos, quanto mais os encarregados de educação…) trabalho de assistente social, de psicólogo e um extenuante etc.
Outubro 17, 2009 at 6:55 pm
A situação dos dinheiros públicos subsidiarem muitas escolas privadas devia ser PUBLICAMENTE denunciada.
Em vez de investirem no ensino público de qualidade fazem com que os privados se destaquem e, ainda por cima, se enxovalha todo o ensino público.
Outubro 17, 2009 at 7:03 pm
As pessoas estão a ser ludibriadas. Os órgãos de comunicação social não informam, não esclarecem as pessoas. Enganam.
Terão que inevitavelmente surgir outras formas de informar e esclarecer o grande público pois a abrangência de blogues e outros meios tem limitações.
Existirão jornalistas dispostos a associarem-se e a criarem um jornal de distribuição diária ou semanal? Por exemplo.
Outubro 17, 2009 at 7:04 pm
Para que servem os rankings de escolas?
Que benefícios se retiraram das análises feitas nos anos anteriores aos rankings de escolas?
As conclusões não são sempre as mesmas?
O que já se fez, em consequência da análise exaustiva dos rankings, feitas nos últimos anos?
Será que tudo não passa de uma necessidade masoquista dos portugueses andarem sempre a falar do mesmo?
Será que apenas temos necessidade de saber quais as melhores e as piores escolas do país? Não será essa necessidade idêntica à de saber, todos os anos, se é o Benfica, Sporting ou Porto o campeão nacional, quando moralmente é sempre o Sporting que ganha?
Sou absolutamente contra os rankings de escolas pois, da sua análise nada resulta, uma vez que estão influenciados por demasiadas variáveis que são impossíveis de controlar.
Se nos dessem a escolher entre um Mercedes e um Fiat Uno, qual escolheríamos?
Depende não é?
Mas todos salivamos pelo Mercedes!
Pois!!!!!!
Outubro 17, 2009 at 7:12 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2009/10/17/politica-de-interesse-ou-o-perfeito-retrato-dos-nosso-pais-politico/
Outubro 17, 2009 at 7:13 pm
Por falar em Mercedes…
Outubro 17, 2009 at 7:14 pm
A educação na América..
Outubro 17, 2009 at 7:15 pm
Bem vou ver a 2ª parte do Benfica Monsanto..estamos a massacrar….
Outubro 17, 2009 at 7:15 pm
A propósito de escolas privadas e dos supostos “milagres” que os privados podem fazer, há um exemplo que já foi dado em anos anteriores:
O Colégio S. João de Brito, um dos que está sempre no topo dos rankings, e o da Imaculada Conceição, que fica em Cernache, arredores de Coimbra, têm a mesma gestão: pertencem aos Jesuítas.
A principal diferença entre ambos é que para o primeiro vão os meninos que podem pagar; o segundo tem contrato de associação com o ME e recebe os alunos todos (bem, quase todos…) da respectiva área geográfica. Claro que ocupam lugares muito diferentes nos rankings… Porque será?
Outubro 17, 2009 at 7:17 pm
Não esquecer da “geração dos 500E”.
Hoje em dia, os jovens ou emigram ou … 500 Euros.
Outubro 17, 2009 at 7:18 pm
Porque não fazem rankings sobre isto…?
Outubro 17, 2009 at 7:21 pm
#23
Porque as variáveis são completamente incontroláveis!
Outubro 17, 2009 at 7:24 pm
#10
Algumas transferências de verbas do ME para o Ensino Particular
http://min-edu.pt/np3content/?newsId=2173&fileName=despacho_normativo_29_2008.pdf
http://dre.pt/pdf2sdip/2009/01/021000000/0458504598.pdf
http://dre.pt/pdf2sdip/2009/06/109000000/2277722800.pdf
Ana Costa
Outubro 17, 2009 at 7:48 pm
Eu gostaria por curiosidade o seguinte ranking:
Como sabem no ranking do jornal o “Público” aparece uma Escola que ficou em 1º lugar com somente 14 alunos internos que fizeram exames nacionais.
Eu gostaria que se comparassem a média da escola com menos provas realizadas -14 este ano – com a média das 14 melhores classificações em exame nacional de todas as escolas.
Verificariam que teriam grandes surpresas. Sei que uma escola pública do Porto tem 22 alunos com média superior a 18 em exame nacional.
PORQUE RAZÃO OS JORNAIS NÃO PUBLICAM UM RANKING COM A MÉDIA DOS 14 MELHORES ALUNOS DE CADA ESCOLA POR EXEMPLO.
IRIAM TER GRANDES SURPRESAS!
MAS OS JORNAIS NÃO ESTÃO NADA INTERESSADOS…
Outubro 17, 2009 at 7:55 pm
A questão de Mário Silva (3) é, digamos, absurda, como ele próprio diz implicitamente no texto.
O seu raciocício é: uma vez que os órgãos de comunicação social estão erradamente a distinguir a qualidade das escolas, vamos aproveitar a estupidez desse jornalismo e vamos criar carreiras de acordo com essa estupidez.
O que me parece importante é esclarecer os políticos e os jornalistas ignorantes que alimentam essa mentira. E não pegar na mentira e alimentá-la!
Outubro 17, 2009 at 7:57 pm
http://bulimunda.wordpress.com/2009/10/17/a-escola-dos-rankings/
Outubro 17, 2009 at 8:01 pm
O ranking elaborado pelo Público mais uma vez têm em conta apenas o resultado da 1.ª fase de exames. Ora, em algumas disciplinas, tais como Biologia e Geologia e Física e Química A, dado que os exames decorrem com apenas dois dias e meio de intervalo, vários alunos optam por fazer um deles na 1.ª fase e o outro na 2.ª fase daí que em várias escolas não se consiga tirar qualquer tipo de conclusão apenas com os resultados da 1.ª fase.
Resumindo, tanto tempo para elaborar um ranking e depois comete-se um erro tão básico como este…
Outubro 17, 2009 at 8:10 pm
Portugal irá sair da crise e ter 16 por cento de pobreza em 2030 segundo um jornal americano….
Outubro 17, 2009 at 8:12 pm
Há muitas formas de ler os rankings e leituras simplistas e apressadas são a forma pior de analisar isso.
Devemos relativizar a importância do ranking das escolas.
Outubro 17, 2009 at 8:12 pm
#30
Afinal o que é a crise?
Outubro 17, 2009 at 8:15 pm
#31
Afinal qual é a sua leitura?
Outubro 17, 2009 at 8:16 pm
“A good student will thrive and succeed in a good or a bad school; school rankings are just for the parents whose average kids (or lazy students for that matter) who are trying to justify their sons’ failure or just looking for a school to help them just to get slightly better. You can’t teach talent or intelligence and the parents should know that or to be aware of the Nature’s shortcomings”
Outubro 17, 2009 at 8:20 pm
# 31
A minha leitura é que não quero saber de rankings!!!
Porque procurar mdir a qualidade de uma escola somente pela nota que o Francisquinho teve numa prova é um disparate.
A qualidade de uma escola é condicionada por imensas variáveis!
Ranking é apenas uma lista ordenada de resultados, nada mais.
Outubro 17, 2009 at 8:22 pm
#34
No more words are needed…
That´s it, Alt!
Outubro 17, 2009 at 8:24 pm
#35
Maria Campos, dê cá mais cinco!
Estamos totalmente de acordo.
Outubro 17, 2009 at 8:45 pm
Brincalhão, já chegaste? Já jantaste?
e o cabeça de burro já está a entrar?
Outubro 17, 2009 at 8:47 pm
Pedro Castro, toda a razão:
interessante seria saber quais os melhores alunos do país.
Olha que nem imagino por onde andariam…provavelmente espalhados por todo o lado.
Outubro 17, 2009 at 8:48 pm
prefiro estes rankings…e não é que o do país das barracas é o número 1!
Outubro 17, 2009 at 9:01 pm
2 MILHÕES DE POBRES EM PORTUGAL!!!!
Eis o consolado de Sócrates:
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/economia/pt/desarrollo/1046490.htm
Outubro 17, 2009 at 9:09 pm
#38-Também quero! Acho que anda por aí uma colega que traz uma aguardente de Vale Pradinhos…Não ia mal para assentar.
Outubro 17, 2009 at 9:09 pm
#38
Reb, the wine is ready and so do i!
Outubro 17, 2009 at 9:17 pm
Jon Snow, jornalista e apresentador
“Acho que é muito difícil pensar num grupo de pessoas que seja mais importante que os professores. Eles são a diferença entre nada e a civilização”
Outubro 17, 2009 at 9:20 pm
# 41
Isso é muito pouco para o sokas. O tipo está a trabalhar afincadamente para 80% de pobres em Portugal para breve.
Outubro 17, 2009 at 9:21 pm
#25-Há lá valores perfeitamente escandalosos…
Outubro 17, 2009 at 9:21 pm
não deixa de ser interessante:
http://jn.sapo.pt/Dossies/dossie.aspx?content_id=1388708&dossier=Ranking
Outubro 17, 2009 at 9:23 pm
# 25
OK.
Outubro 17, 2009 at 9:24 pm
#45- Está em marcha a favelização de Portugal. Deve ter sido a tal tese da MLR que nunca apareceu publicada. Não “sobre”, mas “como”.
Outubro 17, 2009 at 9:30 pm
Tittytainment
«Lisboa foi o distrito onde mais aumentou o número de pessoas e famílias a receber o Rendimento Social de Inserção (RSI) no último ano. O aumento assinalado é de 37%, num Portugal que já contabiliza dois milhões de pessoas com o RSI.
No final de Junho do ano passado, havia 194.204 pessoas e 68.855 agregados familiares a beneficiarem do RSI no distrito de Lisboa. Um ano depois, o número de beneficiários aumentou, em ambos os casos, mais de 37%. Ou seja, em Junho deste ano recebiam o RSI 266.580 pessoas e 94.981 famílias, isto é, mais 72.376 pessoas e 22.387 agregados do que em igual período de 2007.»
in Jornal de Notícias
Esta notícia, por mais chocante que possa ser, não nos deve surpreender mas sim ser utilizada para mostrar a realidade do mundo em que vivemos e do futuro que os Senhores do mundo nos destinaram. Está mais que assumido por essa gente que este mundo vai caminhar para a era dos 4/5, ou seja que só uma em cada cinco pessoas terá emprego no futuro. Não estou a brincar, o nível de desemprego subirá até aos 80%. Isso implica obrigatoriamente que se saiba que fazer com toda essa multidão de desempregados e pobres. A solução mais moderada passa pelo “tittytainment”, expressão inventada pelo velho Zbigniew Brzezinski e que é uma combinação de “tetas” e “entretenimento”. A ideia é que uma correcta mistura de divertimento estupidificante e de alimentação suficiente permitirá manter controlada a população. Se virmos bem, divertimento estupidificante é o que já não falta por aí e este RSI é um bom começo para garantir alimentação suficiente. Outra arma que esperam usar é o voluntariado, com o qual nos esperam dar a ilusão de que existe um sentido nas nossas vidas e garantir que nos integramos na sociedade. Aí, quem anda muito activo é o Sr. Silva que não se cansa de fazer discursos a promovê-lo e a elogiar as suas virtudes.
Para verem a gravidade da situação e de como esta ideia se está a enraizar na nossa sociedade, no seu “Despacho do Director-Geral do Palheiro:” do blog “ O Jumento” sobre esta notícia, escreveu «Substitua-se o rendimento mínimo por remuneração de trabalho comunitário para os que podem trabalhar.» Isto, meus amigos é exactamente o que preconizam esses senhores do mundo, que trabalhemos por uma côdea de pão.
Já agora e como eu disse que esta é a solução moderada, aqui fica a mais drástica, aquela que já foi discutida no famoso Clube de Bilderberg e que passa pela aniquilação desses incomodativos e dispendiosos 80% da humanidade.
PS: Aproveito para recomendar a leitura do Livro, “A Armadilha da Globalização, O assalto à democracia e ao bem-estar social” de Hans-Peter Martin e Harald Schumann, publicado pela “Terramar” em 1996. No horror da sua leitura verão reproduzido o mundo actual e o negro futuro que perspectiva.
http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/2008/08/tittytainment.html
Outubro 17, 2009 at 9:35 pm
Nos primeiros 20 lugares só estão escolas privadas. E nos 20 últimos, só estão escolas públicas?
Pelo ranking de hoje do Público, também verifiquei que a melhor média de exame é de uma escola pública (15,81 do público contra 15,03 da, melhor do privado)e as duas médias mais baixas também pertencem a uma escola privada (7,13 e 7,45 do privado contra 7,33 e 7,46 do publico). Em 115, há 18 escolas privadas com média negativa nos exames, cerca de 20%. Para quem se dá ao luxo de escolher alunos e reger-se pelas próprias regras, é obra! Gostava de ver os resultados se não pudessemm rejeitar ou expulsar alunos inconvenientes e ter stôras como a Lurdinhas a bombardear-lhes o juízo todos os dias…
E já agora, não recebem também dinheiro dos contribuintes, através do ME?
Outubro 17, 2009 at 9:37 pm
Segundo dados oficiosos (# 41) – que são sempre por déficite – em Portugal existem 20 a 25% de pobres.
Ora, para os 80% “tabelados”, as “reformas socretinas” terão de continuar a decorrer a “bom ritmo” (…)
Outubro 17, 2009 at 9:37 pm
A lógica de quem demoniza os rankings na base das diferenças sociais entre alunos, é semelhante ao propósito de terminar com as retenções e permitir que todo e qualquer estudante passe de ano, como forma de não ser penalizado por condições que não controla.
A demagogia está na base de ambos as argumentações e conduz ao mesmo: a ocultação das reais dificuldades das escolas e dos estudantes, sob o manto diáfano da igualdade.
O resultado é semelhante: a culpa pelos maus resultados é sempre externa e a desresponsabilização de todos os envolvidos, incluindo os mentores da política educativa, é automática.
Daí se ter inventado essa ideia extraordinária de que os rankings só interessam às privadas.
Como pode alguém, como seja a Ministra da Educação Pública! que tanto se empenhou pessoalmente e investiu nas escolas públicas, não estar de acordo com essa absurda mistificação?!!!!
Outubro 17, 2009 at 9:39 pm
as duas médias mais baixas também pertencem a ESCOLAS privadaS (7,13 e 7,45 do privado contra 7,33 e 7,46 do publico)…sorry…
…é do branco…
Outubro 17, 2009 at 9:41 pm
já que é para rankar, ranka-se à força toda…
Outubro 17, 2009 at 9:43 pm
#55, pipa.
Isso é efeito do “cabeça de burro”?
Outubro 17, 2009 at 9:45 pm
Estou de passagem e por isso não li nenhum comentário (estou cheia de febre, mas não é gripe A
).
Não creio que a “selecção dos alunos” seja assim tão difícil, uma vez que são os próprios pais que seleccionam as escolas que, segundo os mesmos, são mais ou menos facilitistas.
A prova daquilo que eu estou a dizer está na zona onde eu moro: Serpa e Beja. Os encarregados de educação que não estão para se dar ao trabalho de puxar os seus filhos para o estudo, mas que desejam “brutas notas” para os pimpolhos (sem que estes façam esforço algum) despejam-nos na escola X. Os outros pais que se mostram muito mais responsáveis e que desejam preparar a sua prole para o futuro que aí vem, matriculam-nos na escola Y. E tudo isto é feito sem dramas nem bichas. Muito gostaria eu que a escola mais exigente da zona estivesse entupida de pedidos!!! Seria sinal de que ventos de mudança estariam próximos!
Este ano lectivo, existe uma professora da primária, que se está a tornar famosa por ser “hiper exigente” e “à moda antiga” (tem 29 anos, a nossa colega!). Apenas UMA mãe está radiante com ela. Os restantes pais estão danados por verem os seus pimpolhos trabaharem tanto. Em vez de baterem palmas por terem um docente digno de uma escola privada, estão furiosos por verem os seus filhos trabalhar!!!
Por isso, não vale apenas sermos alarmistas e acharmos que, no futuro, uns serão preteridos pelos outros bla bla bla bla. Não estou propriamente a ver o filho do cigano desejar ser matriculado na Aurélia de Sousa e não estou a ver a filha do sr. advogado ir para uma escola pública, se o papá pode pagar uma privada.
Se os pais puderem escolher, pouca coisa mudará, isso garanto-vos.
Outubro 17, 2009 at 9:47 pm
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1393336
Outubro 17, 2009 at 9:48 pm
Outubro 17, 2009 at 9:48 pm
Sandra, uma escola secundária de Beja mereceu lugar de destaque hoje no ranking do Público.
É a tua?
Outubro 17, 2009 at 9:53 pm
#60
Não vi o ranking do público, só o do Expresso. Deves estar provavelmente a falar da Escola Secundária Diogo Gouveia, que é a melhor escola desta zona. Compara-a agora com a D. Manuel I e vê o lugar em que esta está. A partir daqui, já percebeste que tipo de pais vai para a escola X e que tipo de pais escolhe a escola Y.
A minha escola é a Secundária de Serpa. Estava no número 405, no ano passado, e agora está no 386.
Outubro 17, 2009 at 9:56 pm
O problema começa no preciso momento em que uma escola ganha uma determinada “fama”. Se ganhar fama de ser exigente, de puxar os alunos, de não inflaccionar as notas, de ter um ensino “conservador”, esta escola atrairá um determinado tipo de EE.
Porém, se ganhar a fama de “oferecer” notas aos alunos, de ter critérios de avaliação que valorizam mais as competências do que os conteúdos, se apanhar a fama de ser baldas, esta escola nunca mais se livrará dos pais baldas.
Outubro 17, 2009 at 9:56 pm
#60 os destaques custam vários euritos (pagos pelas escolas)
Outubro 17, 2009 at 9:59 pm
#61, era essa mesmo.
Sandra, os pais de alunos menos aplicados tb escolhem escolas menos exigentes por causa das médias.
Outubro 17, 2009 at 10:01 pm
#57
Sandra Costa coloca o dedo na ferida.
Os rankings em nada alteram os hábitos e a estrutura económica e mental dos portugueses.
Só não dão muito jeito a quem defende um modelo unidimensional e inescrutinável de escola.
Outubro 17, 2009 at 10:01 pm
As duas escolas de Beja (Diogo Gouveia e D. Manuel I) são o exemplo perfeito daquilo que eu acabei de mencionar no comentário 62: estamos a falar DA MESMA CIDADE e, no entanto, os resultados não podem ser mais díspares.
A Diogo Gouveia optou pelo ensino mais tradicionalista e ganhou a fama de ser exigente e super-profissional. Como consequência, os melhores pais de Beja matriculam-nos naquele espaço. A D. Manuel I escolheu a via do “ensino moderno” e apanhou a triste fama de ser “baldas” e “facilitista”. Como consequência, os piores pais despejam-nos neste estabelecimento. Não estou aqui (DE MODO NENHUM!) a pôr em causa o trabalho dos meus colegas, estou aqui apenas a mostrar até que ponto as “famas” podem valorizar ou destruir a reputação de um estabelecimento escolar. O resto é uma bola de neve: a má moeda afasta a boa moeda, bla bla bla.
Outubro 17, 2009 at 10:04 pm
#59:
O conjunto de Mandelbrot.Uma boa imagem para ilustrar a espiral de irracionalidade.
Entao o palno tecnologico representa mais trabalho para os professores?E dizem isto muito satisfeitinhos!
Desculpem la, entao nao presta!
Ja viram algum aviao de passageiros moderno que da mais trabalho aos pilotos?
Ou um novo processo de cirurgia que de mais trabalho aos medicos?
Outubro 17, 2009 at 10:05 pm
Quando pensamos demasiado, aborrecemo-nos de viver» Máximo Gorky
Outubro 17, 2009 at 10:05 pm
«Quem não quer pensar, é fanático; quem não pode pensar, idiota; quem não ousa pensar, um cobarde» Francis Bacon
Outubro 17, 2009 at 10:06 pm
#66, e eu que pensava que discrepâncias dessas só havia em Lisboa, Porto e Coimbra…
Outubro 17, 2009 at 10:06 pm
#56
Nã…coice de mula…que isto aqui pia fininho…
Outubro 17, 2009 at 10:09 pm
#70
Outra coisa, reb:
A escola D. Manuel I está crivada de processos disciplinares e problemas de indisciplina. Quanto à Diogo Gouveia, quem lá entra parece que está num colégio privado. De vez em quando lá aparece uma situação chata, mas o clima geral é de trabalho, rigor e atenção (com algum burburinho de fundo, é claro).
Outubro 17, 2009 at 10:14 pm
#72, Sandra, digo o mesmo da escola em que estou este ano.
Até me surpreende passar pelos corredores e não ouvir barulho das aulas.
Juro-te, nunca tinha vivido nada assim.
Até parece que as escolas são locais de trabalho.
Outubro 17, 2009 at 11:01 pm
O menino do luso-francês não está a ficar obeso?
Outubro 17, 2009 at 11:18 pm
#74:
Acompanhado à escola pelo pai-avô…
Outubro 18, 2009 at 12:26 am
A diferença reside na DISCIPLINA, AUTORIDADE, TRABALHO e RESPONSABILIDADE!
Estas qualidades têm vindo a ser suprimidas da Escola Pública há pelo menos duas décadas. O ritmo de aceleração da mediocridade tornou-se exponencial com o último governo que, a preceito e “sub-repticiamente”, o escondeu da opinião pública que, por via de um marketing possante e pago pelos nossos impostos, foi majestosamente arrastada e compelida a assacar as responsabilidades a toda uma classe profissional (para gáudio dos pobres de espírito e dos tristes de inteligência).
Já dizia Camões que “ fraco rei faz fraca a forte gente”!
Outubro 18, 2009 at 12:34 am
A “fama” das escolas é algo complicado.
No concelho onde trabalho há duas escolas com 2º e 3º ciclo. O tipo de população discente é orinundo de meios socio económicos e culturais bastante diferenciados. É verdade.
Numa das escolas (a “xique”) foi imposto pela DRE, 2 turmas de CEF. Os alunos para a constituição dessas duas turmas vieram quasi todos da outra escola (a “dos tugas”)
Naturalmente que NADA disto tem a ver com a qualidade do Ensino, nem com o professorado.
Aliás, a escola dos “xiques” conheço-a muito bem – tradicionalmente tudo é bem “abafado”, intra muros, e mais não posso dizer.
A escolha dos pais pela escola está muito bem definida nesta região. Geralmente, até escolhem as turmas dos filhos, tal a pressão social de fora da escola exercida pelos papás que sabem como se devem “mexer” para levar a deles por diante (…)
Outubro 18, 2009 at 12:43 am
Como gosto muito dos “tugas”, geralmente sou muito incómoda para colegas nossos que vivem literalmente vidrados nas crias da malta “xique” do burgo. Muitas destas crias, tal como os papás, são demasiado “obesas” para o meu gosto – mal educadas e mal formadas. Aliás, são justamente os alunos de que não gosto. Sempre que tive turmas e me “calhou” algo desse género o meu trabalho exerce-se sobretudo nas áreas da relação e da formação. Não abdico. Sou A professora deles. Ponto final.
Outubro 18, 2009 at 1:33 am
Acho muita piada ao presidente da associação de escolas privadas, a evidenciar a superioridade das privadas. As escolas de que é dono (as Didáxis e a Didálvi, sim são estes os nomes) estão sempre na 2.ª parte da tabela e nos respectivos concelhos atrás das escolas públicas.
Outubro 18, 2009 at 1:35 am
Reparam nas declarações do Pai do Luso-Francês?
“aqui os miúdos estão ocupados o dia inteiro” (Escola a Tempo Inteiro vem daqui)
“Os professores nunca faltam”
(as aulas de substituirão)
Outubro 18, 2009 at 1:39 am
#1
Apoiado. Daí as privadas terem maior facilidade em manter médias de exame de 13/14 valores ano após ano.
Outubro 18, 2009 at 1:41 am
Ninguém menciona, mas o São João de Brito (no lugar 60 e picos) e o Valsassina (80 e picos) no ranking do 9.º ano são ultrapassados por várias públicas.
Outubro 18, 2009 at 1:56 am
# 82
Não me fales do São João de Brito.
Aquilo é TUDO seleccionadíssimo e são carradas de horas por dia, dentro do colégio, a “marrar”. A treinarem para os exames.
Não concordo.
Os jovens devem ter outro tipo de interesses e experiências.
Há uns anos estive na direcção de uma escola pública que fazia “concorrência” ao Colégio Moderno. Nessa altura (depois, não sei) as transferências de alunos do colégio para a pública foram em magote.
Primeiro, como me diziam as pessoas, tinha muito melhor Ensino e melhores professores. 2º tinha melhores serviços e actividades de acompanhamento dos alunos durante todo o dia e num horário mais alrgado. 3º o preço incomparavelmente inferior ao colégio.
Outubro 18, 2009 at 1:59 am
#83
Qual?
A do Bairro de São Miguel?
Outubro 18, 2009 at 2:18 am
Adorei ler sobre o Dona e o Colégio S. José.
Qualquer madrezita que teve lá os bambinos sabe mui bem o que se passa nas 2.
Do Dona nem vou voltar a falar. Já desde há uma semana que leio e releio Rankings e comentários e já me chega.
O Brincalhão, a Reb, a Sandra, o A. Duarte e o/a Alt, e outros disseram tudinho.
Agora é a minha vez e quanto ao C. S. José:
Já há 20 anos tinha elevadíssima qualidade e pagava-se forte e feio. Havia um/a menino/a da zona da Conchada (paupérrimos) para “enganar” o “pissoal”. Já nessa época tinham Inglês, música ( a sério, etc etc
Quanto a métodos: muita disciplina, muita ordem, muitos TPC (incluivé nas férias-toudinhas), uns sopapos e puxões de orelhas,… e sempre as mesmas prof que aperfeiçoavam todos os métodos, se bem me entendem. Não esquecer que os Srs prof do “private” estão lá não por concurso (isto para não dizer o resto) e não andaram aos “saltaricos” como nós.Os pais não eram chamados a torto e direito. As freiras lá resolviam o assunto e mais castigo menos castigo…E que mais? Claro que a crinçada tinha de trabalhar ou então a coisa piava fino. Faço-me entender?Já me esquecia: as freirinhas queriam lá saber de métodos modernos. A ex 4ª classe e o 6ºano feitos lá eram garantia de sucesso. Porquê? As criancinhas trabalhavam, trabalhavam… e os papais? Quase todos Doctors e teachers. E muito fica por dizer…
Outubro 18, 2009 at 2:29 am
Quanto aos Rankings? Nem quero tentar entender. Porquê? O ano passado numa das minhas idas ao Norte passei no “lugarzinho” que estava em último nos malditos rankings. A TV tinha ido lá para “tentar perceber” o porquê? Fiquei doida. é muito descaramento ir aos confins do interior …é gozar com a miséria alheia. Claro que a meia dúzia de crianças ali isolada nunca se pode comparar com os “piquenos” do Rainha ou do S. José. Não se via vivalma no larguito da terreola. Até vi 1 velhotes e um miúdo sentados num muro.
Sabem que mais? Não há pachorra.
Outubro 18, 2009 at 2:30 am
digo,
Só vi 1 velhote e 1 miúdo..
Outubro 18, 2009 at 12:46 pm
Os rankings são um instrumento ao serviço de um objectivo não declarado, mas fortemente perseguido, do ministério da educação nos últimos governos: privatizar o ensino. É inútil tentar diluir a responsabilidade, aproveitando a perplexidade e a revolta dos professores do ensino público: isso só ajuda os responsáveis concretos da mercantilização do ensino. Seria mais honesto, da parte dos que se admiram com a irritação dos professores do ensino público, defender explicitamente a superioridade do ensino privado. A necessidade de excluir do ensino quem não tem recusos, a obrigação do estado esmagar as escolas públicas e canalizar os recursos financeiros para as escolas privadas através do cheque-ensino, as práticas de selecção já instaladas no sector privado. Posso discordar de tais medidas, mas prefiro combater um adversário sem máscaras.
Os sectores produtivos da economia, como a indústria extractiva ou transformadora, as pescas, a agricultura, etc, onde a iniciativa privada se vangloriava de superioridade, estão a ser abandonados. O único factor económico que é abundante agora é o capital, mas caiu em más mãos os poderes públicos não encontram maneira do o transformar em ganhos sociais.
Outubro 18, 2009 at 2:37 pm
Embora a existẽncia dos rankings das escolas se justifique apenas pelo propósito de ganhar a opinião pública para a privatização do ensino, eles acabam por constituir igualmente um instrumento de avaliação de qualquer ministro. É preciso ter em atenção que a acção do ministério se exerce primordialmente sobre o ensino público, passando o ensino privado bastante bem ao lado. Assim, se considerarmos o ensino público como o principal campo de responsabilidade do ministério, de cada vez que as escolas públicas descem comparativamente aos privados, não precisamos hesitar em dizer que o desempenho do ministério da educação foi medíocre. Foi aliás essa a razão principal porque os dados do ranking mais recente não foram divulgados antes das eleições. Mas a mancha do desastre nem por isso deixará de acompanhar o último mandato. Azar de MLR, que irá ser despachada como se fosse a única responsável.
Outubro 18, 2009 at 3:02 pm
Bye, Lurdes, Bye
Do you know who’s the guy that is pulling you down? After all you have done to accomplish in perfection the plan drawn by him and his friends? I’m truly sorry for your unconfortable position. I can hear the flush. Everybody can hear already the monumental flush. As Maria Campos and the disappeared Trabalhador da Silva are telling all the time:
Try to be happy.