Setembro 2009


O problema é que nem sempre o gato e o rato estão onde pensamos. E há uns gatarrões muito anafados por aí. E nem sempre precisam de correr muito para apanhar as suas presas.

Louçã quer tornar o PS refém do Bloco

O Bloco de Esquerda (BE) acredita que o PS vai ganhar as eleições legislativas – Francisco Louçã despreza a “campanha deserta” e a “incapacidade política” do PSD – e, por isso, a nova retórica dos bloquistas está concentrada em dois objectivos: aproximarem-se da ala esquerda do PS e deitar por terra as ambições da maioria absoluta.

A tentativa de seduzir os eleitores socialistas é tão forte que hoje, ao longo do dia, Louçã resgatou a “esquerda possível” e a “asfixia social” do discurso de Manuel Alegre em Coimbra. E juntou ainda ao lote de socialistas históricos que tem vindo a invocar (Alberto Martins, Alegre, António Arnaut) o nome de João Cravinho, que, recorde-se, apoiou a proposta bloquista de acabar com o sigilo bancário.

Em todas as iniciativas realizadas no distrito de Santarém (uma visita a uma feira, um almoço com apoiantes e um comício ao final da tarde) Louçã falou no PS e nos dirigentes que “não representam” o partido, como é o caso de Mário Soares.

Bobby McFerrin, Don’t Worry Be Happy

Eu vou despreocupar-me…

;)

A decisão já estava tomada há alguns dias e são várias as pessoas que dela tomaram conhecimento.

A partir de final deste mês, logo que Outubro comece, o Umbigo vai passar a ser alimentado a baixa intensidade e eu vou tentar dedicar-me mais a outros passatempos e outras obrigações, a outras escritas e, principalmente, à vida real, à luta diária que é o ofício de dar aulas e viver uma vida pessoal não cortada por horas agarrado ao computador. Em vez da dúzia de posts diários que quase todos os dias tem, passará para metade, na melhor das hipóteses.

Digo-o desde já, a uma semana das eleições para que depois não digam que é uma consequência dos resultados por esta ou aquela razão, porque isto ou aquilo, e tal e coiso, o gajo está é a fazer-se a não sei o quê.

Tenho um horário de trabalho por cumprir e vida por viver para além das lutas. Há quem delas faça ofício ou tenha condições privilegiadas para a ela se dedicar.

Eu não. Tenho três disciplinas e uma ACND para leccionar e três turmas de PCA para trabalhar, duas delas com provas de aferição no final deste ano lectivo.

Ao fim de, pelo menos, três anos de muita escrita e tempo gasto, é altura de retornar às origens e afastar-me do caminho de estrelas e fanáticos.

O Umbigo continuará, apesar disso, a acolher e divulgar todas as situações e materiais que  enviados - desde logo sobre injustiças resultantes da avaliação – e a promover acções relacionadas com a frente jurídica da contestação à legislação em vigor, caso ela não seja alterada rapidamente por uma nova Assembleia da República. E mesmo eu continuarei a escrever um ou dois textos por dia.

Esta minha decisão deixar-me-á umas boas horas livres para ler e desenvolver outros projectos de escrita em que estou em falta, assim como aliviará quem se sente ameaçado ou menorizado por um Umbigo a funcionar como até agora.

Não estou triste, não estou desanimado (afinal quem é do Sporting está habituado a esperar e a que lhe malhem…), só acho que há momentos em que devemos pensar mais em nós e em tudo aquilo que nos dá prazer e não apenas numa forma estranha de dever.

E talvez assim até o Umbigo ganhe mais espaço para respirar e eu para remodelá-lo ao nível gráfico e funcional.

Mail que anda a circular por pessoas minhas amigas, por parte de alguém que não consegue distinguir a discussão política do fanatismo:

O PAULINHO

NEM A “CARIDADE CRISTÔ RESPEITA…

OS POBRES QUE SE LIXEM!

O REINO DOS CÉUS, JÁ ERA…

Já me chega toda a artilharia que sofro dos do outro lado, não estou para aturar isto do lado de cá. Uns fazem-no em on de modo disfarçado, outros fazem campanha em off pelas costas.

O que este colega precisava é que eu divulgasse os mails que trocámos e todo o lixo com que invade – com letras garrafais – a caixa de correio de quem lhe passa a jeito.

E já que ele me anda a assacar intenções tachistas por todo o lado, seria giro ver o partido dele a viabilizar um governo socrático, com a benção dos papas Alegre e Soares.

Desculpem-me, eu até aturo estas coisas com razoável paciência, mas a esta altura do campeonato já não estou para comer e calar.

O FALSO ARREPENDIDO

Desculpem a insistência, mas é inevitável escrever sobre Sócrates, enquanto os portugueses o não obrigarem a voltar a “ser engenheiro” (Que volte à régua e ao transferidor. Que desenhe casas a sério , seja em Lisboa ou na Covilhã.)

Desculpem, mas aquele ar de falso arrependido que enverga deve ser denunciado até à exaustão. Desculpem lá, mas até domingo, 27, não me posso calar. Porque estou cheio dele. Cheio até aos cabelos!

Ele bem pode vir com aquele ar de “ex-virgem-arrependida” que, agora, é tarde demais. ( Rompeu o “ímen” da credibilidade, santa paciência, que não rompesse).

Ainda se tivesse “pecado” uma única vez… Vá que não vá… Podia ter o benefício da dúvida. ( A coisa passava como um infeliz e ingénuo percalço  …).

O certo é que o homem andou quatro anos a “prostituir-se” politicamente à direita, vergado ao “charme” do “socialismo neo-liberal”  (e autocrático).

E é esse comportamento imoral e dissoluto de “Madalena arrependida” -, que muitos, suponho, irão castigar, sem piedade, no último domingo do mês..

O homem teve todo o tempo do mundo para fazer marcha-atrás na “reforma estapafúrdia e delirante” que tentou fazer no Ensino. Mas não o fez. Preferiu vestir-se de “herói” e “ampará-la” com todo o zelo.

Achou, porventura, que milhares de pessoas unidas contra uma reforma “idiota” defendida apenas por “três”, não passava de  uma “ brisa vinda de leste” ( soprada pelo PCP), que depressa esvaneceria. Julgou que a quantidade numérica de professores insatisfeitos era inversamente proporcional à razão de um hipotético “interesse geral”. E foi esticando a corda a ver se partia do lado daqueles.

Vesgo e obstinado, persistiu na cegueira e no erro. Até que…

Até que a corda lhe rebentou à beira dos punhos… E eis que sente “na pele” o efeito perverso da teimosia.

“Arrependido” (!), caiu de joelhos perante os “esconjurados” de outrora. Pedindo perdão pelos  erros.

Mas será que alguém lhe vai perdoar?

A minha índole cristã até (lhe) perdoaria. Mas o catecismo ensinou-me que o perdão é  um poder só de Deus ou dos sacerdotes. (E como não sou Deus, nem sacerdote…).

“Dos arrependidos está o Inferno cheio” – lá diz o ditado. Sócrates está “publicamente” arrependido. ( Embora, em privado, possa não estar…)

Mas  não desejo que Sócrates se vá “queimar no Inferno”.

Prefiro vê-lo  “queimar-se” ( ou “ser queimado”…) no lume brando da oposição.

Assim avancem ainda mais e de forma mal regulada os projectos de municipalização do sistema de ensino e aquilo a que por cá chamam autonomia.

Fear of rising class sizes as schools face funding deficit

Thousands of schools in England are already experiencing a funding squeeze, with nearly one in 10 reporting they will not be able to balance their books by the end of the year, figures passed to the Guardian show.

About 2,000 primary and secondary schools are facing a deficit, with many forced to make redundancies and increase class sizes to cut costs – even before the widely predicted public spending cuts hit the education budget.

The Liberal Democrats, who obtained the figures under the Freedom of Information Act, said the findings are the “tip of the iceberg” and that school standards will decline to levels not seen since the 1980s if education budgets are not protected in the looming cuts.

The problem is being blamed on the current funding system, which is accused of not properly rewarding schools for teaching pupils in the poorest areas of the country. The local authorities worst affected include Haringey, north London, Knowsley in Merseyside, and Nottingham, which have some of the most entrenched educational problems in England.

Two thirds of local authorities in England – 101 in total – responded to requests under the Freedom of Information Act, revealing wide disparities in the proportion of schools projecting a deficit this year. In some of the poorest areas, more than one in three schools are struggling financially. Overall, 1,373 schools are projecting a deficit for this year. Repeated across the country, this would leave at least 2,000 schools in deficit.

Situação que me foi exposta num par de mails e que aqui deixo com autorização de uma mãe que prefere, por enquanto e acertadamente, manter o anonimato.

1. No passado dia 15 de Junho o meu filho, de 16 anos, sofreu um AVC e esteve internado, primeiro nos Cuidados Intensivos e posteriormente na unidade de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital de S. João;

2. Pelo facto, o aluno ficou impedido de realizar os exames nacionais de Físico- Química A e de Geometria Descritiva A na primeira e na segunda fases;

3.O neurocirurgião que acompanhou e deu alta ao aluno, no atestado médico, referiu expressamente que o aluno só poderia retomar as actividades escolares depois de passados 60 dias da alta, que ocorreu no dia 29 de Junho;

4. Foi enviado um requerimento ao Júri Nacional de Exames, solicitando que ao aluno pudesse ser dada a possibilidade de realizar os dois exames numa época especial;

5. O Júri Nacional de Exames indeferiu o pedido, referindo que a época especial de exames decorre no início de Agosto, não contemplando, por isso, os 60 dias necessários à convalescença do aluno;

6.O meu filho tem sido sempre um bom aluno: tinha média de 17, no 10º e 11º anos e tinha média de 16 a Físico Química e de 18 a Geometria Descritiva, as duas disciplinas bienais e de exame do 11º ano;

7. Pelo facto de não ter comparecido a exame, o aluno fica reprovado às duas disciplinas, mesmo tendo obtido as classificações internas de 16 e 18, e a validade destas duas notas não pode ser transportada para o próximo ano lectivo;

8. Dada a injustiça da situação, foi feita uma exposição à DREN, solicitando a validação das duas classificações internas de frequência obtidas no ano lectivo de 2008/09, nas disciplinas de Geometria Descritiva A e Física e Química A, no ano lectivo de 2009/10;

9. Foi enviado um requerimento à DREN, que analisou a situação e remeteu a decisão para o Senhor Secretário de Estado;

10. Este, de acordo com a comunicação que recebi , via DREN, na passada sexta-feira, 18 de Setembro, indefere o pedido, dizendo que : «…não foi autorizada a manutenção das classificações internas obtidas, em 2008/2009, pelo aluno supracitado nas disciplinas de Geometria Descritiva A e Física e Química A, para não pôr em causa o princípio de equidade em relação a outros alunos que, por diversos motivos, ficaram impedidos de realizar as provas de exame;

11. Com todo o respeito pelo Senhor Secretário de Estado, impedir a validação de duas classificações de um aluno, de um ano para o outro, um procedimento meramente administrativo, quando o aluno em questão sofreu um AVC, é precisamente pôr em causa o princípio de equidade, dado que o correcto seria permitir que um aluno , com motivos válidos e devidamente comprovados, e que foi impedido de realizar as provas de exame, por razões completamente alheias à sua vontade e à sua pessoa, pudesse realizar as provas de exame no ano seguinte, sem lhe serem “tiradas” as classificações que obteve com o seu trabalho, ao longo de dois anos de escolaridade.

12-.«Equidade» significa o quê?

Em nome de que princípio,  são retiradas ao meu filho as classificações de 18 e 16 e substituídas pela de zero?

Colocar em pé de igualdade um aluno que sofreu um AVC e outro que, por desleixo, preguiça ou indiferença, preferiu faltar ao exame, penalizando-os da mesma forma, parece-me absolutamente injusto, desumano e inaceitável. Neste momento, o meu filho, que tinha 16 e 18 às duas disciplinas, tem zero.

O que peço, não é apenas para o meu filho. O que peço é que para qualquer aluno que justifique devidamente e comprovadamente a sua não comparência a um exame, e já que não tem a possibilidade de realizar uma prova numa época especial, se faça justiça. Destruir o futuro de um jovem, assim, em nome não sei de que princípio administrativo, é, entendo, intolerável.

Recusando-me a aceitar a decisão de Senhor Secretário de Estado, lutarei com todos os meios ao meu alcance para alterar a decisão tomada.

Temas-tabu

Só há uma pergunta que fica sem resposta durante a entrevista. Ouve-a, sem acreditar que a estão a fazer, e durante uns segundos hesita. Depois de responder à questão seguinte, regressa à anterior e dá uma quase-resposta, que até serviria… Mas a pergunta era sobre a sua vida emocional e considera que não é de interesse nacional revelar os seus projectos pessoais e pede que se a retire. É aceite o pedido, porque não é realmente relevante, fala-se antes do PSD, de Ferreira Leite ou de Louçã, das eleições e do TGV e, pelo meio, tenta-se saber como foi o primeiro encontro com o Presidente da República após o regresso de férias. Esse, sim, é um tema-tabu e de interesse nacional que, por muito que custe neste período polémico nas relações entre S. Bento e Belém, será remetido ao silêncio total. Quanto às sondagens, também não são do agrado, mas como as percentagens estão a melhorar para o PS lá surge alguma abertura.

Professores disseram em Lisboa um último “Adeus, Milu”

Última manifestação de docentes desta legislatura juntou perto de mil na capital. Houve apelos ao voto, “menos em Sócrates”.

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Longa entrevista de José Sócrates ao Diário de Notícias em que se reforça o equívoco enorme de que se está a votar num primeiro-ministro e não em deputados. Ao que parece há quem não entenda que o PM pode não ser o líder do partido mais votado. Claro que tudo isto faz da cartilha fácil de manipular o eleitorado, claro que isto é um truque com barbas, mas também é verdade que ainda passa e que os jornalistas se acomodam a estas respostas, sem chamar a atenção para o facto de sermos uma democracia parlamentar.

Novo Governo, novos ministros. Quer dizer que Teixeira dos Santos e Vieira da Silva podem sair num futuro Governo PS?

É uma questão constitucional, porque se há um novo Governo haverá um novo primeiro-ministro e, se for eu, serei um primeiro-ministro que não o deste XVIII Governo Constitucional e a quem o Presidente da República precisa de dar posse.

E o que disse de mudar os ministros?

Haverá novos ministros e a escolha será nessa altura! Foi o que eu quis dizer!

Esclareça melhor essa questão.

Isso seria antecipar o juízo dos portugueses. Vamos esperar que digam quem querem no Governo e depois quem for escolhido decidirá os seus ministros.

Os professores podem ter a certeza de que Maria de Lurdes Rodrigues não vai continuar?

Haverá novos ministros e um novo Governo, portanto, novas escolhas e até no caso do primeiro-ministro.

Uma escolha que será sua.

No caso de ser eleito primeiro-ministro. Mas não quero responder a essa pergunta, porque seria uma arrogância estar já a apresentar as minhas escolhas. É preciso ganhar primeiro as eleições!

O que significa a sua palavra “novo primeiro-ministro”? É só por ser de novo, ou será um novo José Sócrates?

O que significa é que haverá um novo Governo.

Se é uma questão constitucional, então deduz-se que José Sócrates sabe que existem uma série de círculos eleitorais e que por eles se elegem deputados que vão formar um Parlamento, com base  no qual se forma um Governo, depois de convite pelo Presidente da República.

Em nenhum momento há eleições para o Governo.

Poderia demonstrar de forma concreta mas, como já disse atrás, isto é matéria básica de História do 6º ano que ensino a miúdos com 11-12 anos, quando se aborda o início do regime liberal em Portugal.

Pena que o primeiro-ministro e os seus entrevistadores façam por parecer que completaram a escolaridade básica e formação política por fax.

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Foto da Rosa Henriques.

Pearl Jam, Yellow Ledbetter

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Fotos do enviado especial.

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Foto do João Francisco

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Fotos do João Francisco.

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Fotos da Teresa Marques, na 5 de Outubro

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Fotos do enviado especial umbiguista.

A Sinistra História da Educação Cor de Rosa

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