Diversas sugestões de leitura, desde a descrição – deitando por terra o mito de que em Portugal a regulação da docência é mais rígida do que algures – do conflito entre o mayor de Nova Iorque e parte dos professores da cidade à análise dos problemas do sistema universitário americano (como financiar os estudos, como impedir que o abandono continue a aumentar…), passando pela abordagem das consequências negativas do bad parenting na britânica ilha.
Porque estes temas não suscitam polémica e discussão apenas entre nós… Aliás, o problema é nem sempre estarmos atentos á evolução daqueles que vão adiante de nós para evitar os mesmos erros.
O secretário-geral do PCP admitiu, esta quinta-feira, que se o PS o contactasse após as eleições legislativas para formar uma coligação, a sua primeira resposta não seria não. No entanto, Jerónimo de Sousa frisou que a decisão dependerá sempre da política que o PS quererá implementar.
Isto está imensamente divertido, porque é a vez do pessoal da CDU que andou a criticar os eventuais namoros PS/BE se ver agora ao barulho.
Tal como escrevi num comentário, sou conservador nestas matérias, mas nunca é tarde para um ménage a trois.
DESTINATÁRIOS: Professores e Educadores de todos os Grupos de Recrutamento
MODALIDADE: Círculo de Estudos
CRÉDITOS: 2 U.C.
FORMADORES: Investigadores do Grupo de Ética e Deontologia da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa (Joana Marques; Rosa Afonso e Luís Mourinha), coordenados pela Professora Doutora Maria Teresa Estrela.
INÍCIO DA ACÇÃO: 30 de Setembro
FIM DA ACÇÃO: 16 de Dezembro
DIAS DA FORMAÇÃO/ DURAÇÃO: Quartas-feiras das 18,30 às 22h (3,30h cada Sessão)
ABSTRACT: Circulo de Estudos sobre as representações ético-deontológicas de Professores e Educadores, a partir de uma Investigação realizada a nível nacional.
Inscrições: Através da escola, ou Fax (212059205) até ao dia 29 de Setembro
Tanto computador à espera de ser ligado. Tanto quadro eléctrico por reforçar. Tanta extensão por comprar. Tantas obras para fazer, que a melhor altura é mesmo quando há aulas…
Num momento em que se extremam medos, se acenam fantasmas a cada esquina e se recorre aos mais médios-baixos truques que conhecemos em matéria de campanha eleitoral, gostava de deixar aqui bem claros os três objectivos que eu considero fundamentais para me sentir confortado com os resultados eleitorais de dia 27 de Setembro e o que se seguir.
Objectivo primeiro:retirar a maioria absoluta a este PS, por tudo aquilo que demonstrou não saber fazer com o mandato mais longo da nossa história democrática nessa situação. Encenou reformas mais do que as executou (talvez com a excepção mediana da Segurança Social), antagonizou mais do que mobilizou grupos socio-profissionais inteiros para esses simulacros de reforma e privilegiou a exaltação da imagem do líder do que a substância da governação. promoveu a mistificação estatística e comunicacional à transparência na relação com o eleitorado. Mais disto seria pavoroso e – mesmo pelos padrões de medíocre governação do nosso país – uma malfeitoria que os portugueses infligiriam a si mesmos.
Objectivo segundo:impedir que se forme uma qualquer outra maioria monopartidária. A história dos nossos últimos 25 anos não é ditosa em matéria deste tipo de solução, muito atreita a desmandos e ao crescimento de muito fungo e podridão na sombra dos grandes líderes maioritários. O que aconteceu agora com o PS já aconteceu antes com o PSD, mas então com um segundo mandato que pouco ou nada acrescentou de positivo ao primeiro. As maiorias absolutas monopartidárias, com essa desculpa, esquecem-se que, apesar de tudo, não correspondem à maioria da população e nem falo dos abstencionistas. Ao contrário dos arautos das maiorias absolutas com 35-40% dos votos, eu acho que elas só deveriam existir com 50%+1 dos votos e mesmo assim com reservas imensas.
Objectivo terceiro, já pós-eleitoral: prefiro claramente um governo de coligação, seja à esquerda, seja à direita, do que um governo minoritário viabilizado com manigâncias parlamentares limianas, como no guterrismo. Depois terei oportunidade de clarificar melhor as minhas preferências, mas desde já gostaria de deixar explícito que a existência de um governo minoritário leva, por regra, a uma estratégia de vitimização com os olhos num acto eleitoral antecipado. É verdade que as coligações entre nós nunca chegaram ao final do mandato, mas nem isso me comove muito. Até 1985 isso aconteceu por combustão interna dos governos, mas mais recentemente já tudo se ficou a dever ao sacrifício de interesses nacionais a ambições pessoais (daí eu ter a menor das estimas por Durão Barroso e achar que Santana errou ao não querer ir a eleições, ficando desde logo fragilizado). Portanto, para o pós-eleições, seja bi ou tri-partidária, prefiro uma coligação clara no governo, de um lado ou do outro e nunca ao centro, que é por aí que andamos há 30 anos, quase sem excepção. Porque prefiro ter qualquer dos partidos do centrão debaixo de olhar atento de watchdogs - sem desprimor – que, mesmo que o poder seduza sem quase qualquer excepção, sempre funcionam como um travão interno para o abuso.
Boaventura Sousa Santos – ao que parece um dos coordenadores do estudo sobre as consequências da aplicação do novo Código Penal cuja divulgação está retida para depois das eleições – escreve hoje na Visão algo que não percebo como não aplica a José Sócrates e a Teixeira dos Santos:
Neste domínio [superação da crise económica], a direita tem uma desvantagem importante. Manuela Ferreira Leite carrega consigo, sem querer, o espectro do salazarismo. Para os portugueses, o discurso da austeridade, do equilíbrio financeiro, e do sacrifício, significa, nos subterrâneos da memória, estagnação, atraso, mediocridade histórica.
É nestas alturas que confirmo que o povo de esquerda tem vultos a roçar o caricato, que por razões políticas não se incomodam de distorcer os factos.
Mas , afinal, quem é que impôs a verdadeira ditadura do défice dos 3% entre 2005 e 2008? Eu até sei que agora não interessa antagonizar, mas precisa de ser à custa deste tipo de argumentos falaciosos?
O prazer que me dá publicar este texto, depois das minhas trocas de mimos com o autor, só eu sei.
A minha recordação de Manuela Ferreira Leite
Em 1993, se a memória não me trai, integrei uma delegação de um sindicato que foi recebida por Manuela Ferreira Leite, então Ministra da Educação do XII Governo Constitucional. Era a primeira vez que me encontrava com um membro do governo e, preocupado com questões protocolares, tratei de perguntar ao presidente do sindicato como é que se devia tratar um ministro. Ele sorriu perante a pergunta e com toda a experiência acumulada ao longo de muitos anos respondeu: “Nada mais simples meu caro. Quando nos dirigimos a um ministro dizemos ‘Sr. Ministro’ para frente, ‘Sr. Ministro’, para trás.” Depois fez uma pausa e acrescentou: “Quando estamos muito zangados usámos a expressão Vossa Excelência”.
No dia aprazado subimos ao último andar do Ministério da Educação e fomos conduzidos a uma sala com uma enorme mesa. Fomos informados de que a senhora ministra em breve iria ter connosco. Ficámos de pé a aguardar. Passado algum tempo Manuela Ferreira Leite entrou na sala. Vinha sozinha, sem assessores, e vestia um simples casaco de malha. Sorriu, cumprimentou todos os presentes e convidou-nos a sentar. Da sua figura e posteriormente do seu discurso emanava uma sensação de força. Ela era, pelo menos aos meus olhos e naquele instante, a imagem do poder político em todo o seu esplendor.
O que estava previamente combinado é que o presidente do sindicato faria uma breve introdução genérica às preocupações que nos levaram a solicitar uma audiência e depois passaria a palavra aos outros membros da delegação que abordariam assuntos mais específicos. A ministra da educação ouviu atentamente o presidente do sindicato e este, a certo momento, disse algo do género: “Temos a percepção de que existem algumas áreas em que o Ministério da Educação não funciona muito bem.” Manuela Ferreira Leite interrompeu-o e retorquiu: “O Ministério da Educação não funciona mal. O ministério não funciona de todo.” E continuou contando as inúmeras resistências que estava a enfrentar para solucionar os problemas com que se tinha deparado, partilhando connosco exemplos de muitas batalhas que tentava desesperadamente vencer. Na minha ingenuidade e inexperiência em termos sindicais comecei a ver a ministra como uma espécie de heroína a lutar contra a máquina burocrática da 5 de Outubro.
O presidente do sindicato passou então a palavra a um dos membros da delegação que expôs um problema concreto relacionado com a Inspecção-Geral da Educação. Pouco tempo antes Manuela Ferreira Leite tinha nomeado para Director Geral uma pessoa, da sua confiança política, oriunda do Ministério das Finanças. Temia-se que aos Inspectores da Educação fossem atribuídas funções de inspecção financeira subalternizando funções relacionadas com a área educativa. A ministra ouviu com atenção as preocupações do sindicato e, posteriormente, começou por afirmar que não tinha intenção de mexer nas competências dos inspectores mas somente de alargar o seu leque de intervenção. Os receios agravaram-se perante esta declaração.
Manuela Ferreira Leite prosseguiu afirmando que por vezes as primeiras impressões são determinantes na condução política. Quando chegou ao ministério, disse, teve que tomar uma das suas primeiras decisões relacionadas com um caso disciplinar. Um determinado aluno numa escola, que não identificou, dirigiu palavras obscenas a uma sua colega de turma, comportamento que deu origem a um processo disciplinar e à correspondente sanção. Dessa sanção houve recurso para instâncias superiores e de recurso em recurso, que envolveu dezenas horas de trabalho por parte de diversos inspectores na hierarquia do ministério, o enorme dossier aterrou na sua secretária para que tomasse uma decisão final sobre o incidente.
Depois de discorrer um pouco sobre este caso parou, olhou-nos a todos, e exclamou: “Se fosse com uma das minhas filhas eu saberia o que fazer. Esperava o aluno à porta da escola e espetava-lhe um par de bofetadas que era o que ele merecia desde o início!”
Fiquei pregado à cadeira e não consegui articular uma palavra. O seu ideário político em matéria educativa tinha sido exposto com uma transparência absolutamente esclarecedora.
O problema é que, ao contrário do que afirma MLR, o Magalhães só surge em uma passagem do programa de governo do PS (p. 10) e mesmo aí é no passado. E o programa e-escolinha nem vê-lo.
Maria de Lurdes Rodrigues garante que no caso do PS ser reeleito o programa tecnológico para a educação vai prosseguir. Vários pais de alunos a começaram as aulas no 1º ano estão preocupados porque não podem para já candidatar-se ao computador Magalhães. A ministra da Educação garante que este ponto e os restantes do programa tecnológico vão manter-se se o PS voltar a formar Governo.
Crónica inédita em qualquer publicação que Rui Sardinha me enviou e o autor teve a simpatia de permitir a divulgação:
NÃO HÁ TALENTOS GRÁTIS: UMA CRÓNICA SOCIAL
Há que procurar o talento em nós e o talento nos outros que estão e que não estão connosco. Há que aproveitar os talentos. Há que criar líderes fortes.
Esta é a questão de base. Como cuidar do futuro das nossas Instituições e do nosso País sem cuidar do sistema que gera mais‐valias?
Não temos cuidado, por isso temos sobrevivido. Nem nós sabemos como!
João César das Neves, numa análise sócio económica propôs a criação para Portugal de uma nova categoria de Países. Havia até agora no mundo, países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Isto porque, de acordo com o autor, a Fundação Richard Zwentzerg, efectuou um estudo sobre a estratégia económica de longo prazo usando como referência a evolução global da segunda metade do século XX. Para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso!
Estou completamente abismado com a selecção do duplo ministro (Finanças/Economia) para o esmiuçar dos gatos. Bom… pode ser uma surpresa como o Jerónimo de Sousa. Por vezes os mais sisudos são os mais malandrecos…
O Sindicato dos Professores da Região Centro denunciou ontem casos de docentes com incapacidades ou necessidades especiais excluídos da colocação por destacamento, apelando para a sensibilidade do Ministério da Educação.
Os problemas na colocação de docentes com deficiência ou doença invalidante ou pessoas a seu cargo nestas condições “agravaram-se este ano”, com as novas regras, que “deixaram à frente destes docentes outros 12 mil, colocados nos quadros de zona pedagógica”, sustenta o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC).
São cerca de 250 os docentes com necessidades específicas que viram recusado o pedido de destacamento, mas outros foram excluídos, “a maioria por motivos comezinhos, que não têm a ver com falsas declarações, como a falta de vinheta do médico”, disse Vítor Godinho, dirigente do SPRC, em conferência de imprensa, em Coimbra.
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje que o programa Magalhães não está suspenso nem atrasado e tem todas as condições para prosseguir, independentemente do resultado das eleições de domingo.
“Mais de 400 000 crianças já beneficiaram deste programa e ele prossegue na sala de aula”, disse a ministra aos jornalistas, acrescentando que estão a ser desenvolvidos livros digitais e vários conteúdos, a par de formação, para reforçar o programa nas escolas.
“O que se passa é em relação às crianças que entraram este ano na escola e ainda não puderam beneficiar do programa. Esperamos que possam vir a beneficiar”, declarou Maria de Lurdes Rodrigues, defendo que é preciso criar condições para as inscrições e a informação às famílias.
“Tudo está a ser preparado para que possa continuar”, garantiu.
A governante considerou que o próximo executivo terá “todas as condições para dar continuidade ao programa”.
A sério, conheço portuenses e mesmo portistas com um fabuloso sentido de humor. Não é o que se passa aqui onde tomam a nuvem por um esquentador Juno.
Meus amigos, hei!!!!, a sério, leiam de novo o post em causa e descubram lá onde eu apouco a qualidade profissional do Júlio Magalhães. Apenas anotei, com humor desértico (árido, portanto! seco mesmo!!), a justificação por ele dada para ter opinião e mudá-la em 3,27 tempos.
… há diversos disparates nas declarações que a madrinha do primeiro-ministro fez hoje em Bragança. Afirma Edite Estrela que:
Como ministra da Educação, “tratou mal os alunos e tratou mal os professores”. “Nesse tempo, sim, é que não era dada liberdade aos professores para se manifestarem publicamente, para dizerem o que é que pensavam, para darem as suas opiniões. Ela proibiu os professores de falar com a comunicação social. Aí, sim, é que havia asfixia democrática”, afirmou Edite Estrela, aludindo ao despacho conhecido por “lei da rolha”, assinado pelo ministro adjunto Couto dos Santos quando Ferreira Leite tutelava a pasta da Educação no ultimo Governo de Cavaco Silva.
Não me lembro de ter sido proibido de falar naquela altura, mas recordo-me de factos históricos como o facto de Manuela Ferreira Leite ter sido ministra da Educação no XII Governo Constitucional em 1993-95 quando era ministro-adjunto Luís Marques Mendes.
Couto dos Santos foi ministro-adjunto de 1987 a 1992, sendo em seguida ministro da Educação – após o mui efémero Diamantino Durão – até à crise das propinas da segunda metade de 1993 que culminou nas manifestações de rabo ao léu na 5 de Outubro.
É nessa altura que Coutos dos Santos abandona o Governo e é substituído por Manuela Ferreira Leite. Os dois nunca coincidiram no exercício das pastas que a excelsa eurodeputada refere.
Compreendo que Edite Estrela se confunda um pouco com estes detalhes. É mais grave que a imprensa os amplifique sem fazer um básico fact-checking.
Agora não me acusem de ser laranjinha… apenas estou a defender a História da ignorância política (vou deixar de parte que tenha sido manipulação voluntártia dos factos).
Trazem às vezes as revistas um curioso passatempo, que pega em partes do corpo de algumas beldades, supostamente as melhores, e as reúne num corpo dito ideal. Eu não vou perder tempo com isso. (Mas sempre direi que os lábios carnudos da A. Jolie teriam lugar garantido.).
Mas vem isto a propósito de outro jogo que, esse sim, me apetece jogar. O jogo do político ideal.
Devo dizer que sinto bem mais dificuldade em encontrar as partes que constituirão o todo, neste domínio.
Mas se não for possível encontrar o político ideal , talvez possa encontrar, pelo menos, um arremedo do mesmo. O melhor dos que existem, pronto.
Então era assim:
Pegava em Paulo Portas e aproveitava-lhe a ideia de exigir maior controle aos beneficiários do rendimento mínimo;
Ia ao Louçã extrair a vontade do combate aos corruptos e corruptores;
De Ferreira Leite aproveitava … A ideia que tem para a Educação… (?!) … Mas eu não sei qual é a ideia que ela tem para a Educação… Ou até se tem uma única ideia… Não. Não estou assim a ver nada …
A Sócrates ia buscar a sua tenacidade invulgar. Mas só a que pudesse encontrar do pescoço para baixo. E, mesmo assim, com uma excepção.
E … Euh! … Alguém me ajuda a finalizar o retrato do político ideal?
Já há umas semanas tinham aflorado a questão. Agora é apenas mais um golpe vergonhoso nesta campanha eleitoral, de pressão sobre as famílias. Se a oposição ficar em silêncio dirão que é porque o perigo existe, se confirmar a continuação do projecto, é porque é um sucesso.
A máquina está a trabalhar em pleno, usando o sector da Educação como arma de arremesso em tempo eleitoral.
Um ano depois do Governo entregar nas escolas os primeiros Magalhães a TSF apurou que o programa está suspenso. Fonte do plano tecnológico da Educação adiantou mesmo não dispor de qualquer informação sobre a continuidade do projecto.
Claro que a cómoda fonte anónima tem uma enorme credibilidade neste aspecto e é interessante como é usada como prova de algo não fundamentado em mais nada. Grande jornalismo. De novo.
Ainda alguém se lembra de terem chamado chantagistas aos professores?