Setembro 2009


Por vezes tudo depende do olhar, se o concentramos no que nos agrada e tentamos ser felizes ccom isso, se o alargamos e vemos tudo e, nesse caso, resta saber se só conseguimos conviver com o ideal se o conseguimos construir com tudo o que faz parte – quantas vezes infelizmente – da vida.

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Foto de esteiro do Tejo, sem e com um cheirinho do entulho que nele andam a despejar. Alargar mais o olhar até dói…

Devo, Gates of Steel

Ouvi hoje no carro e gostei de rememorar

O-Deserto-da-Educacao-020-2009

(c) Luís Cruz Guerreiro e Paulo Guinote

Quer-me parecer que hoje o programa dos gatos vai ter uma entrevista divertida e com réplica acutilante. Pena não votar em Lisboa. Assim não dá…

Para memória futura… se possível a breve prazo:

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Os resultados completos estão aqui. Até ao momento h+a 2572 votos e incluo todas as formações partidárias com mais de 1% dos votos.

PSD – 877 votos – 34%

Bloco – 793 votos – 31%

CDU – 228 votos – 9%

CDS – 176 – 7%

PS – 130 votos – 5%

PNR – 73 votos – 3%

PPM – 2%

Isto significa que o público do blogue está dividido de forma quase equivalente entre PSD/CDS (41%) e CDU/BE (40%). Só espero que convivam bem e que na noite de dia 27 sejam atingidos pelo menos dois dos objectivos que aqui expressei: fim desta maioria absoluta e impossibilidade de qualquer maioria absoluta monopartidária.

Dizem que o voto é secreto. Tem dias. Percebe-se porquê, mas também não. Mas é interessante como refúgio para quem não se quer revelar. Ou como uma forma disfarçada de qualquer coisa indefinível. É o meu caso, como adiante se verá.

Dizem que o voto deve ser útil. Depende do conceito de utilidade. Depende que a quem convém essa utilidade. Depende de para quem é útil essa utilidade.

Acho que poucos, muito poucos, dos frequentadores deste blogue sabem em que partido ou força partidária votei em 2005 após longo período de abstencionismo para consumo legislativo, autárquico e europeu.

Não sou um cidadão exemplar, nem me apetece sê-lo. Durante muito tempo quis exercer o meu direito a não participar no circo.

Em 2005 tocaram-me as sinetas e lá fui eu. Votei em consciência e votei pela primeira no quadradinho a seguir àquele símbolo. Foi uma estreia a esse nível. Votei útil à minha maneira, votei quase secretamente, pois acabei por contar a pouca gente. Votei contra o que sabia vir aí. Alguns não acreditaram. Mas também não acreditariam se eu dissesse que tinha em outro partido qualquer. De qualquer maneira, acho que tão poucas vezes votara, sem ser em presidenciais e mesmo assim com mediano absentismo, que dificilmente me lembrava em quem tinha votado da última vez. De lá para cá votei sempre, tomei-lhe o gosto e, enquanto vivo o meu pai, o estado de saúde me aconselhava a acompanhá-lo e já que lá ia, que diabos, votava.

Nas europeias, já não tive, infelizmente, esse pretexto e votei porque quis votar. E também pela mesma infeliz razão,  votei pela primeira vez no meu domicílio da última década e não na terra que considero natal.

E no domingo lá vou eu outra vez. Com a mesma vontade. Com o mesmo processo de dúvidas e exclusão de partes de 2005. Vou quase certamente votar novamente a seguir ao mesmo símbolo de 2005.

Não interessa qual, porque o voto é secreto.

Nem quero saber se é mesmo útil ou não.

E digo isto porque o meu voto se tornou opaco até para pessoas minhas amigas, que me conhecem há muito e bem e que parecem tomar a minha atitude de generalizada crítica e anunciado pragmatismo, como ausência de convicções profundas, algumas delas profundamente irracionais.

Ao contrário do que se pensará, o meu voto não é, nem um pouco, racional, pois acaba por ser condicionado por aspectos emocionais e fortemente irracionais.

Desta vez demorei um pouco a convencer-me que acabaria por ser o instinto a prevalecer, algo que pensava ser transparente nestes momentos, até para mim. Já devia saber isso.

Estranhei que o meu voto se tornasse tão opaco que passei a merecer mimos dos dois lados da barricada que se têm degladiado nos últimos dias com tons desaconselhados e desaconselháveis. Pior quando as dúvidas se entranharam mesmo em quem menos esperava.

Ontem contei ao meu mais antigo amigo no activo em quem deveria ir votar. De início nem acreditou no que ouvia, depois olhou-me com desânimo. Pior ainda quando lhe contei outras coisas que por aí revolteiam. Não entrou em choque porque está mais do habituado a que eu faça o previsível imprevisto.

Confusos?

Achando que isto não interessa nem ao burrinho do presépio?

Espero que sim.

Porque a verdade é que este é talvez um dos textos mais umbiguistas que alguma vez escrevi. Um dia a comentadora Fernanda dizia que eu tinha escrito o texto Esquerda/Direita, Volver para mim mesmo.

Errado. Este é que é para mim mesmo. Afinal não dizem que sou o dono do blogue?

Porque tenho um problema por resolver. Que não é político.

E isto está tudo ligado.

MANIFESTO CONTRA A RACIONALIDADE

Eleições – A Minha Perspectiva

Neste momento, e ainda que eu saiba que elegemos deputados e não um PM, só há efectivamente duas pessoas em Portugal em condições de o serem: a MFL e o JS. Não votar num é, automaticamente, mais um voto no outro. As escolhas são feitas em função das nossas convicções e das nossas prioridades. A minha convicção é a de que Portugal não pode continuar este antro de porcaria, esta cloaca de indigências. Assim, a minha prioridade é tirar o poder a Sócrates e aos seus acólitos. O que vier depois, resolve-se depois. Como dizia uma colega minha da escola que tinha decidido fazer voto útil: é uma questão de vida ou de morte.

Também tenho a percepção de que, qualquer que seja o resultado de domingo, há um ciclo que se fecha: o da maioria absoluta, seja a que existe, seja uma outra. E é assim que se deve aprender a viver em democracia, obrigando-nos e sermos obrigados a ouvir os outros. Como eu gostava que na política imperasse o bom senso e as propostas fossem aprovadas ou rejeitadas pelo seu mérito e não pela cor política. Mas infelizmente não é o que acontece.

Eu vou votar PSD e não partilho dos medos do papão da direita. Nunca fomos tão agredidos na nossa dignidade pessoal e profissional como nestes últimos 4 anos, nem pouco mais ou menos… Não esquecendo o passado, não o uso em benefício do apelo ao voto numa cor política, porque a fazê-lo então fá-lo-ia com TODOS. Porque se não concordei com algumas medidas de um governo anterior, também não concordo com o regime norte coreano que outros defenderam/defendem, por exemplo. E a utilização do passado como descupabilização tem sido uma das técnicas de JS: a culpa nunca é dele, foi sempre dos outros, eles é que fizeram mal. As crianças também utilizam esse tipo de argumentação, mas depois crescem…

Eu não tenho nenhum medo da direita no poder, é muito mais controlável e controlada que a esquerda já que esta tende a ser mais “desconfiada” e interventiva aquando na oposição. Nem tenho receio nenhum de uma coligação com o CDS, as políticas de educação que defendem são das que mais se aproximam ao que penso e defendo. Nunca a direita fez em Portugal o que esta gente que se assume de esquerda fez, Por exemplo, o governo PSL que nem aqueceu o lugar. E não fez nem um décimo das m*** que este JS fez!

Penso que chegou a hora de deixarmos de votar num partido com a mesma fé com que defendemos a cor do nosso clube, ainda que ele jogue mal e tenha feito péssimas opções. O voto tem te ser esclarecido, racional e de acordo com o que vivemos e queremos.

Quantos de nós/vós leram as propostas para a educação? Por exemplo, quanto de vós querem uma agência externa para nos avaliar, sem saber sequer como vão ser os critérios para definir os mais capazes? Ainda ontem ouvi esta proposta. Não vos cheira a mais do mesmo?

Ainda temos 2 dias para nos informarmos, interrogarmos, pensarmos, decidirmos.

Para terminar, não defino os meus amigos em função das suas cores, quaisquer que elas sejam. Mas também nunca gostei que mo fizessem. Prezo muito a independência, a liberdade e não convivo bem com fundamentalismos. No domingo irei estar com pessoas que, independentemente da cor política, se respeitam e têm uma visão comum do que não querem: mais 4 anos de uma maioria JS.

Que domingo seja para todos o início de um novo ciclo, que ninguém se demita de participar nele de forma convicta, atenta e empenhada, são os meus votos.

Ana Mendes da Silva

OS MAUS POLÍTICOS

Os maus políticos reconhecem-se, sobretudo, nas pessoas excessivamente activas e práticas. São pessoas que agem primeiro e pensam depois (se tiverem tempo e disposição). E para agirem, sem incómodos ou sem chatices “tolas”, costumam desligar o botão da sensibilidade, ficando assim desligados dos problemas dos outros.

Este sector maligno da sociedade deve achar que ser sensível ou ter compaixão pelos outros é um estorvo ao seu livre arbítrio e, sobretudo, ao seu bem estar.

Toda a sua acção política se realiza através da projecção deles sobre aqueles que eles acham inferiores ( E que é a maioria). Quando lhes apraz, atravessam-se à sua frente e ferem ou esmagam, consoante o modo como querem agir.

Para eles o mundo não passa de matéria inerte. Tanto lhes faz estarem perante uma pessoa como perante uma pedra. Pois, ou se afastam dela, ou lhe passam por cima.

Importa por isso que a sociedade esteja atenta a esta estirpe viral que não pára de se multiplicar. E que encontre o antídoto certo, a curto prazo.

Muitos deles penetraram há muito nas instâncias do Estado e do poder. Urge, pois, erradicá-los de lá. (E tratar as vítimas, que têm vindo a crescer de dia adia).

Mas, mais do que tratar as vítimas, é necessário prevenir a proliferação da doença.

O voto é, a meu ver, o melhor antídoto  para atacar este mal. E é universal e gratuito.

Usemo-lo, pois, com inteligência, porque entregar o poder aos insensíveis (maus políticos) é como entregar a carteira ao ladrão.

Cunha Ribeiro

PS dispara na recta final e deixa PSD a oito pontos de distância

 
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U2, Stay (Faraway, So Close)

Eu sei que há um sector anti-U2 aqui pelo blogue, mas eu gosto (e do vídeo original também).

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Há aqui uma mensagem clara. O que eu volto a dizer é que eu aposto que tudo isto não passa por escutas tecnológicas…

Ouvi com estas orelhinhas que até estão mais libertas desde que me cortaram meio metro de melena: uma notícia ser colocada na imprensa a partir da Presidência da República é um facto inédito em Portugal.

Onde é que António Costa esteve durante as presidências soaristas?

Anda mesmo tudo afectado pelo calor deste estio tardio…

Na Quadratura do Círculo, e na sequência de uma relativamente justa crítica ao desempenho do DN (mas por vezes com termos e paralelismos meios disparatados) ao revelar fontes do Público, JPP diz pelo meio que o Presidente da República deveria vetar uma solução de governo, mesmo que maioritário, entre o PS e o BE porque isso seria defraudar o eleitorado.

Será que isso se aplica também a uma aliança do PSD com o CDS?

Anda tudo doido?

Maria de Lurdes Rodrigues bem pode insistir em não desaparecer que…

Isabel Alçada é o último trunfo do PS

A escritora Isabel Alçada é a oradora surpresa do comício de encerramento da campanha do PS, esta sexta-feira, na antiga FIL em Lisboa.
Com os professores revoltados contra o Governo de Sócrates, será a derradeira tentativa do secretário-geral em tentar agradar a esta classe. Não é a primeira vez que o PS recorre a Isabel Alçada, já antes tinha participado na apresentação do programa eleitoral do PS.

José Sócrates já disse que não contará com a actual ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no futuro governo, daí que a presença de Alçada alimente a expectativa sobre o seu papel num próximo executivo de maioria socialista.

Publicado no Diário do Minho:

Precisamos de mudança

Toda a função pública e outros sectores da sociedade sofreram fortes abanões ao longo destes quatro anos de governo socialista. Foi um autêntico flagelo com tantas medidas, algumas delas, demolidoras de expectativas que se desvaneceram num período tão curto.
Quando entrámos no sistema, assinámos contratos, aceitámos as condições que vigoravam naquele momento, interiorizámos os nossos deveres e os nossos direitos, optámos por uma carreira, esperando, um dia, vir a usufruir, como outros nossos colegas que descontaram e trabalharam como nós, daquilo que sempre contámos desde que assumimos a nossa vida profissional e, repentinamente, tudo se apagou das nossas mentes. Foi uma desilusão! Já há muito tempo que não se via tantas classes profissionais na rua a protestar e, na maior parte dos casos, pouco valeu. As maiorias absolutas são dadas pelos eleitores e, em democracia, o diálogo deve sempre prevalecer, tomando medidas com moderação e nunca contra qualquer classe.
Viremo-nos, mais uma vez, para a minha classe docente que está completamente arrasada por tudo o que se passou ao longo desta legislatura com uma imposição de leis e comentários que feriram muito a nossa sensibilidade. Não éramos merecedores de tudo o que se tem passado! Cento e vinte mil professores na rua não é motivo para reflectir?
Uma classe, praticamente inteira, a lutar contra certas medidas do governo não seria motivo para atenderem às suas reivindicações? Agora é tarde. A falta de comunicação já se arrasta há muito tempo e não é neste final de legislatura que vamos ceder às “palavrinhas meigas”. Os professores e tantos outros eleitores saberão, no dia 27 de Setembro, fazer justiça e votar em quem sempre nos defendeu.
Toda a oposição, a partir de um certo momento, acolheu a luta dos professores, pois teve o bom senso de verificar a enorme intranquilidade e tristeza que a grande maioria da classe docente sente com o crescimento da burocracia; com uma carreira dividida impondo quotas, impedindo muitos professores excelentes de progredirem na carreira; escola a tempo inteiro e aulas de substituição no horário não lectivo que tanta falta
faz para o trabalho individual do professor (preparação de aulas, elaboração e correcção de testes,
visitas de estudo, actividades na escola, reuniões…), em suma, há um desgaste enorme com actividades fora da sala de aula, muitas delas do foro mais administrativo.
Colegas, temos, no dia 27 de Setembro, a única oportunidade de contribuirmos para as mudanças destas políticas educativas. Ao lermos os programas eleitorais dos partidos da oposição, verificamos que todos prometem rever o estatuto, a divisão da carreira, os horários de trabalho, a aposentação, a imagem do professor que foi profundamente abalada com este governo, o estatuto do aluno, o facilitismo, a gestão escolar…
Vamos fazer aquilo que não conseguimos ao longo desta legislatura. Tivemos um governo que não quis ceder às nossas principais reivindicações, mesmo com greves que tiveram adesões muito perto dos 100 por cento e com manifestações que levaram os professores quase todos às ruas de Lisboa e às capitais de distrito, não falando em tantas outras acções de protesto. Expressemos tudo aquilo que abala o nosso íntimo, descarregando as nossas mágoas e a nossa revolta para que voltem às nossas escolas o sossego e a motivação que sempre tivemos.
Vamos votar, expressando o nosso descontentamento e sendo gratos para com os dirigentes políticos que lutaram ao nosso lado com a força e a coragem que, a meu ver, sempre apreciámos.

Salvador de Sousa
Professor da Escola Monsenhor Elísio de Araújo
(Pico de Regalados, Vila Verde)

Quem sabe, a eventual ponte para uma aliança pós-eleitoral?

Todas as 5ªs feira daqui até Dezembro. Ao crepúsculo. Por isso, só mesmo o post pré-programado para esmiuçar daqui até muito mais logo.

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