Setembro 2009


o fim da arrogância

Isto é capaz de ficar engraçado. Não me parece que exista necessidade de grandes desânimos, visto aqui do meu lado.

A Segunda Morte De Camões

camoes1

Fim dos desmandos sem controle. Primeira vitória alcançada. O PS perde pelo menos uma dezena de deputados e uns 8%. Vai precisar de apoio parlamentar de um qualquer dos outros partidos menores.

Consolidação do Bloco, mas com o maior salto ao nível do número de deputados.

Boa performance do CDS, graças ao seu líder.

PSD e CDU desiludem. O conservadorismo não compensou.

Resultados em 2005:

PS - 2573869 - 45,05%  - 120 mandatos
PPD/PSD - 1639802 - 28,70% - 72
PCP-PEV – 432009 -  7,56% - 14
CDS-PP – 415043 -  7,26% - 12
B.E. - 364430 - 6,38% – 8
PCTP/MRPP - 47740 – 0,84%
PND -  40008 - 0,70%

Porque me parece que os dois primeiros objectivos que defendi na 6ª feira foram alcançados. PS com maioria relativa e dependente de algo.

Para o caso de ter problemas técnicos, deixo já aqui este post programado, para aparecer à hora do fecho das urnas no Continente.

Se tudo correr bem, andarei pelo blogue Minuto a Minuto do Parlamento Global/SICN a comentar, se possível em estereofónico com o Umbigo e em trifónico quase a jantar com gente amiga, não me interessa de que partido.

Desde que a largueza da banda o permita…

Aqui, por enquanto apenas com os resultados da afluência ao meio-dia: 21,29%

Não, não são os candidatos dos pequenos partidos à espera dos resultados…

270920092261270920092258

(c) Ana M.  Silva


ZZ Top, Tush e La Grange

Manhã resplandecente, com mais gente a votar do que nas europeias, o que não é de espantar.

Já de espantar é ter dado com uma sondagem à boca da urna para a RTP, na minha rural freguesia.

Gente com siso, desolharam-me e não me pediram o contributo para sondar o povo, ainda me dava uma coisinha má e distorcia os resultados.

Como em tantas outras sondagens, não percebi o critério para a escolha dos sondados. Acho que deveria ser de cinco em cinco, ou pela cor da camisa. Fui de verde, não me escolheram.

Chuiffff….

Michael Moore, Capitalism: A Love Story

Truculento, nem sempre muito subtil na abordagem, mas com uma bela entrevista ao Larry King na CNN, explicando que não se vive em democracia quando a economia o não permite.

As opções para a formação do novo governo

Quando logo à noite forem apurados os votos e estabelecido um resultado eleitoral, o país ficará a saber quem ganha e quem perde estas legislativas, mas também o quadro parlamentar que terá de ser lido e interpretado pelo Presidente da República para dar início ao processo de formação de Governo.

Esse processo reserva muito pouca margem para improvisos e para a autonomia de decisão por parte de Cavaco Silva, já que a sua acção está determinada no “livrinho” que contém as regras que estruturam o sistema democrático português, a Constituição. Aí, o artigo 187.º indica que “o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”.

Pior inimigo das sondagens é abstenção muito elevada

Há outras explicações menos benignas.

The The, This is the Day (é o tosco clip de hé 25 anos, que já usei a versão acústica uma vez)


AC/DC, Back in Black e Thunderstruck

Deve ser a segunda ou terceira vez que as posto, mas ainda bem. Se querem uma divertida preciosidade acústica, espreitem aqui.

Foi a expressão usada por Emília Nunes, em representação da Direcção Geral de Saúde no noticiário da TVI, para justificar o não encerramento de escolas onde já surgiram focos de H1N1 (Amadora, Maia em S. Miguel onde já há 44 casos em 602 alunos).

A lógica é que fechando as escolas, as crianças irão para casa obrigando os pais a faltar aos empregos. E isso causará poderá causar disrupção social.

Ouvi e fiquei sem perceber se subitamente tinha mudado para os gatos ou para os contemporâneos.

Já têm alguns dias e como, no entretanto, não dei pela peça sair, ficam por aqui neste dia de prosas curtas, com parte da introdução explicativa que inclui para justificar a impossibilidade de dizer mais:

Todos os dados sobre insucesso, assiduidade, abandono, são fornecidos ao ME para registo na base de dados MISI@ e tratamento por este organismo.

Portanto, é impossível qualquer entidade independente ter números alternativos, que não sejam ao chamado “olhómetro”, bem falível conforme os contextos em que cada um se insere.

E o ME gere de forma política esses dados, não sabendo nós exactamente como é que é calculado o abandono escolar, pois não é possível verificar dados.

1- Quantas crianças/adolescentes desistem da escola por ano?

Esses números só o ME poderá disponibilizar, em especial os que correspondem ao abandono real dos alunos que apresentam uma baixíssima assiduidade mas que, graças aos mecanismos burocrático-legislativos, permanecem oficialmente dentro do sistema de ensino, mesmo mal frequentando quaisquer aulas. O número de abandonos reais excede em muito os dados oficiais divulgados pelo ME.

2- Qual a média de idades das crianças que desistem?

Dentro da escolaridade básica – que é o que aqui interessa – os abandonos verificar-se-ão principalmente a partir dos 11-12 anos, nos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico. Muitas vezes é um abandono temporário ou intermitente, voltando a matricular-se no ano seguinte. Ao contrário do que se afirma muitas vezes, não é o insucesso que leva ao abandono. O que se observa é que as situações de “abandono encoberto” conduzem naturalmente ao insucesso e depois quando é impossível ocultar mais esse abandono, surgem casos de alunos com 3 e 4 repetências na escolaridade básica, que mais não são do que casos de abandono que, por razões de ordem política e burocrática, não se registam como tal.

3- Quantas crianças há que não têm a escolaridade mínima obrigatória?

É um número impossível de calcular.

4- As suas principais razões da desistência?

Normalmente passam pelo modo de vida das suas famílias. Há os casos mais óbvios de pobreza extrema em que as crianças entram de forma precoce e marginal no mercado de trabalho precário, ou de desagregação familiar em que a ausência de um controle parental faz com que essas crianças e jovens possam ausentar-se da escola sem que ninguém as responsabilize e sem que a escola tenha meios para as “ir buscar” e trazê-las, mesmo quando se accionam os mecanismos disponíveis (contactos com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, por exemplo)

Outro caso é o dos chamados “itinerantes”, ou seja, de famílias com um modo de vida não totalmente sedentário, sem uma residência fixa verdadeiramente permanente, que se deslocam sazonalmente ou em intervalos curtos, de um local para outro, impedindo as crianças de completarem com sucesso os anos lectivos.

Por fim há o caso de emigrantes, que levam os seus filhos para fora do país, sem que seja possível saber se eles irão frequentar efectivamente alguma escola.

5- Ainda são as famílias mais pobres ou de bairros sociais que menos colocam os filhos na escola?

Sim, se considerarmos como “bairros” sociais não apenas aqueles que oficialmente se designam assim, mas mais todas as zonas habitacionais degradadas em termos socio-económicos. Pode acontecer, por exemplo, em zonas rurais, em que não existem propriamente “bairros sociais”.

6- Há casos de crianças que não frequentam a escola de todo, isto é, que nunca foram à escola?

É possível que sim, mas também acredito que esses sejam casos verdadeiramente residuais.

Roddy Frame, Oblivious

They’re calling all the shots, they’ll call and say they phoned,
They’ll call us lonely when were really just alone.
And like a funny film, its kinda cute
They’ve bought the bullets and theres no-one left to shoot.

… tentando lavar os olhos e encher o estômago, que o resto fica com as contas por ajustar.

P260909_12.30P260909_13.02

E olhem que a partir da praia fluvial do Rosário é difícil não ver o estaleiro de desmantelagem de navios de Alhos Vedros e as carcaças industriais da margem sul, em especial do que resta da velha CUF/Quimigal.

Lá está, tudo depende da forma como olhamos e do que procuramos.

Também eu, usos e abusos à parte, de quando em vez me gosto de sentir bem. Ou quase.

bem da reflexão…

diasurdo2009

(c) Francisco Goulão

« Página anteriorPágina Seguinte »

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 297 other followers