Já nos engalanamos por tudo e nada. Repare-se neste título do Diário Económico:

Educação em Portugal recebe elogios da Comissão Europeia

A reacção natural é pensar que estamos a ser elogiados porque os alunos estão a aprender mais e ter melhores resultados, porque estamos a inovar positivamente nas práticas pedagógicas, porque foi feita uma excelente reforma curricular, até podemos mesmo imaginar que se está a elogiar a escola a tempo mais que inteiro ou – por hipótese macabra – os modelos de carreira e avaliação dos docentes.

Não. Afinal é porque por cá se faz um número de exames próximo da média europeia.

Portugal recebeu ontem uma pouco habitual nota positiva no que respeita a indicadores que avaliam o sector da Educação: está precisamente na média europeia em relação ao número de exames nacionais a que são sujeitos os alunos no ensino obrigatório. Com uma média de três exames nacionais, Portugal fica melhor que Espanha (apenas um), mas ainda longe dos onze testes a que os alunos dinamarqueses são sujeitos.

Atenção! Não é a qualidade dos exames que está em causa. É porque são três no ensino obrigatório. Iupi, pois!

Os nossos alunos fazem exames em três momentos do ensino obrigatório.

O que não é igualmente explicado é que em dois casos - 4º e 6º anos – as provas de aferição não têm qualquer efeito na avaliação dos alunos e dificilmente podem ser considerados exames.

Ficam apenas, como exames propriamente ditos, os do 9º ano. Em duas disciplinas.

Não me façam rir, que acabei de jantar…