Agosto 2009


Golden Silvers, True Romance

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“Portugal não tem dimensão para se roubar tanto”

… é a imaginação e o gosto com que se faz!

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Não adianta perder tempo a tentar elaborar a Tese de Titularamento, ou encomendá-la a algum boy do PS, pois:


1- Só o PS é que teima na divisão da carreira; todos os outros partidos com assento parlamentar já assumiram que querem acabar com essa divisão;

2- Se, como se espera, houver mudança de Governo, acabará a divisão da carreira;

3- Se o PS ganhar com maioria relativa, cai com eleições antecipadas ao fim de alguns meses;

4- Se o PS ganhar com maioria absoluta, não adianta os professores fazerem a tal prova, porque têm de fugir do país;

5- Em qualquer caso, uma Tese de Titularamento demoraria meses a elaborar e teria de ser defendida perante um júri, portanto essa tarefa nunca estaria pronta antes das eleições de 27 de Setembro;

6- Professor competente é aquele que aproveita o início do ano lectivo para preparar as actividades escolares e não para arranjar Teses de Titularamento;

7- Se uns não precisaram de apresentar Tese de Titularamento para chegarem a professores titulares, então os outros também não.

Adriano Pinto

Obviamente, eu não concorro. Mas, aguardo outras tomadas de posição sobre uma espécie de acesso a um concurso que nunca virá a acontecer

Sobre esta prova apresentada como pública para acesso à carreira de professor titular há diversos aspectos a destacar ou a sublinhar, por já terem sido sobejamente apontados.

  • Em primeiro lugar, o modo aparentemente meio atabalhoado como este processo se está a desenvolver, desde a forma como se procuraram recrutar os elementos para os júris das referidas provas e se andaram a tentar determinar as vagas por agrupamento/escola, até à data estranha – a meio de Agosto – em que é anunciada a abertura das candidaturas. Mesmo numa perspectiva draconiana das férias dos docentes, a segunda quinzena de Agosto só poderá ser concebível como forma de gratuita provocação.
  • Em seguida, a falsa designação da prova como pública, visto que tudo será feito online e com a prova apenas acessível aos elementos do júri da prova. Este processo não pode ser considerado público, antes reforçando uma sensação de opacidade e secretismo da avaliação e classificação das provas. Uma prova pública nunca poderia ser feita desta forma; aliás, este processo é a negação de uma prova efectivamente pública e faz-nos duvidar, desde logo, das intenções subjacentes a esta metodologia, pois nem se sabe qual será feita a discussão da prova.
  • Em terceiro lugar temos a rigidez das instruções para a elaboração da prova. Uma coisa é definir directrizes para a sua elaboração, outra determinar o número de páginas, a dimensão das margens e até a dimensão das letras (mas esqueceram-se de indicar o tipo de letra, sendo que algumas são mais pequinininas mesmo em tipo 12). A sensação é a da total limitação da autonomia dos candidatos e, paralelamente, facilitar o trabalho dos júris, cuja constituição é outro dos problemas.
  • A constituição dos júris das provas públicas será um assunto extremamente sensível, visto que o recrutamento, mediante os Centros de Formação e pedidos aos órgãos de gestão, foi feito sem critérios claros e que permitam confiança na competência e capacidade dos recrutados para analisar e avaliar uma prova deste tipo. Não é novidade nenhuma – nem motivo de ofensa, pois limita-se a uma constatação factual – referir que muitos dos professores titulares no topo de carreira disponíveis para estas funções tiveram trajectos académicos que em muitos, mas mesmo muitos casos, os tornam algo vulneráveis para este tipo de responsabilidade, pois há gente bem mais nova e abaixo na carreira com qualificações bastante superiores e, porque não, trabalho desenvolvido bem mais válido nos últimos anos e conhecimentos mais actualizados.
  • Por fim, não devemos esquecer que se é necessário ter avaliação atribuída para concorrer, como fazer com todos aqueles docentes cujo processo de avaliação ainda está em decurso, pois em algumas escolas nem as famosas fichinhas de auto-avaliação foram entregues?

Tudo isto significa que a forma como esta prova pública vai ser lançada e se vai desenvolver, abrirá outra frente de conflitos entre os docentes e o ME e em muitas escolas aprofundará ainda mais as feridas abertas nos dois últimos anos.

As consequências são óbvias: novo factor de desestabilização do trabalho quotidiano dos professores e de fricção entre colegas, nada vantajoso para a melhoria do clima de escola.

Mas quanto a isso esta equipa ministerial já não tem preocupações. Cada um dos seus elementos já deve ter o seu destino definido e dificilmente passará por apanhar as canas de mais este fogo de artifício.

Professores lançam na Net folheto contra deputados do PS

“Não votes neles! Cuidado!” É com este apelo forte que o Movimento Mobilização e Unidade dos Professores pretende levar a classe a não votar em Rosalina Martins e Jorge Fão. Tudo por terem votado “nas medidas aplicadas pelo Sócrates”

O Movimento Mobilização e Unidade dos Professores já está em campanha contra o PS. Depois da inscrição de um expressivo “Eu não voto (neste) PS” em canetas, o MUP pôs agora a circular na Net um panfleto em que apela à classe para não votar em dois candidatos socialistas à Assembleia da República por Viana do Castelo, professores que já fazem parte da bancada do PS. José Junqueiro, candidato do PS por Viseu, pode ser o próximo alvo da campanha.

“Estes são dois professores deputados que votaram todas a medidas nefastas aplicadas pelo Sócrates na Educação e que tiveram, entre outras, as seguintes consequências: divisão em categorias da classe docente – professor/professor titular; estagnação na carreira; aumento da idade e tempo de serviço para a aposentação.” A informação faz parte do folheto colocado no blog do MUP e os visados são Rosalina Martins e Jorge Fão, de quem o movimento diz que é preciso ter “cuidado” na hora do voto.

Segundo Ilidio Trindade, porta-voz do MUP, este é apenas mais um passo na campanha política que o movimento está mover contra o PS. “O de Viana foi apenas o primeiro, mas temos já sugestões para outros distritos onde temos candidatos professores, como por exemplo o de Viseu, com José Junqueiro”, adiantou ao DN Ilidio Trindade, que informou ainda que o os folhetos não devem ganhar vida fora da internet. “Em principio, por não termos sócios pagantes e ser trabalho voluntário, vamo-nos cingir aos blogs e à rede de mails, interessa-nos continuar a chegar à classe docente.”

Já Ricardo Silva, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, compreende a personalização da campanha, mas “vai apostar na adesão dos partidos ao compromisso educação”, que contempla propostas de reforma nos principais temas do sector. Posição idêntica, aliás, à de Octávio Gonçalves, do Promova.

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Goofy/Pateta, Teachers are People

PS gasta €5,54 milhões nas legislativas

Na previsão de gastos na campanha eleitoral para as legislativas de 27 de Setembro, o PS é o partido mais gastador, com uma estimativa de €5,54 milhões. Depois surgem o PSD (€3,34 milhões), CDU (€1,95 milhões), BE (€994 mil) e CDS-PP (€850 mil).

O calendário das eleições legislativas e autárquicas permitem este concerto de interesses eleitoralistas de todas as cores:

Sócrates: Governo e autarquias investem mais de 1500 milhões de euros no parque escolar

Desculpem o formato meio desajeitado das imagens, mas estou com equipamentos de recurso para tratar estas coisas.

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PROVA PÚBLICA DE ACESSO À CATEGORIA DE PROFESSOR TITULAR – AS MANOBRAS E PROVOCAÇÕES DO ME CONTINUAM! A NOSSA RESPOSTA É UM ROTUNDO NÃO!

Há pequenos fenómenos que, lançados da forma certa, no timing correcto, causam sempre perturbação e desorientam as hostes.

Poderia ser o caso do anúncio da abertura do processo de candidatura à prova para acesso à carreira de titular por parte do Ministério da Educação.

Na sua origem percebe-se que foi esse o objectivo dos mandantes. Apresentar uma espécie de trunfo para aliciar os aliciáveis e, pelo caminho – ao exigir a existência de uma avaliação para poder concorrer – penalizar os mais rebeldes, castigá-los por não terem cumprido as ordens.

No entanto, neste período de descontrole comunicacional do Governo, do ME e do PS (haverá verdadeira distinção entre as três entidades em iniciativas como a das inaugurações das obras de remodelação das Escolas Secundárias?), as coisas não são bem assim.

A forma não foi a certa.

O timing é em grande parte errado.

E os cordelinhos estão à vista de todos.

Os mecanismos manipulatórios cada vez ficam pior disfarçados para todos os que se interessam por analisar estes fenómenos.

Desde logo convém esclarecer que a abertura destas candidaturas não corresponde à abertura de novas vagas para a carreira de titular. Corresponde apenas a uma espécie de sondagem de quem está disponível para concorrer. Quem se inscrever a agora, quanto muito, acede a uma prova que permitirá, em caso de aprovação, depois ir a concurso para titular.

É apenas uma fase inicial, uma primeira barreira, no percurso. A aprovação não significa o acesso a titular.

E sobre isto já se vem falando há um mês ou dois e isso quebrou o efeito de surpresa e o mal-estar na classe docente não diminuiu por causa disso, muito pelo contrário, pois mexe exactamente com os aspectos mais contestados pela larga maioria.

O ME falhou na análise desta situação.

A forma como deu a conhecer que algo existiria – comunicando às escolas a necessidade de membros para os júris das provas – foi canhestra, pois não causou surpresa, mas apenas um rumor de insatisfação que será cada vez maior, à medida que as pessoas se aperceberem que tudo foi feito nas costas dos sindicatos e a meio do período de férias.

E aqui entra a questão do timing.

Todos sabemos que nada disto estará pronto em vida deste Governo. Apenas querem recolher números para usar como arma de arremesso em Setembro.

Do tipo: ahhhh, vocês contestam a carreira, mas estão a candidatar-se.

E apresentar isso à opinião pública como uma domesticação dos professores.

Só que o tempo é curto, é fácil desmontar o truque e o ricochete pode ser fortíssimo.

Aliás, aliado ao conhecimento dos resultados finais da avaliação do desempenho, com todas as suas incongruências, discrepâncias e injustiças, a nível de escola e de escola para escola, o lançamento desta prova prévia pode ser apenas mais um rastilho para incendiar o arranque do ano lectivo.

Algo que o ME ou não previu ou pensa poder usar, em caso de extrema radicalização da luta dos professores, em seu favor na campanha eleitoral para fazer regressar ao PS parte de um eleitorado central flutuante não totalmente convencido pelo PSD actual.

(continua…)

Avaliação: Cavaco não teve «alternativa»

A dirigente do FNE, Lucinda Manuela, espera que o modelo de avaliação seja «alterado»
O Presidente da República, Cavaco Silva, «não teve alternativa» à aprovação do regime simplificado de avaliação dos professores, embora o modelo «não seja exequível». A afirmação foi feita pela dirigente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), Lucinda Manuel, à agência Lusa.

«O Presidente não teria outra alternativa senão promulgar o diploma, que não tem qualquer questão legal subjacente», afirmou Lucinda Manuela.

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Remodelação das escolas secundárias também combate a crise, defende Sócrates

Jona Lewie, Stop The Cavalry

Afinal o regime transitório das incongruências vai para o terceiro ano e, na prática, tornou-se o regime de facto de avaliação do desempenho docente.

Cavaco Silva promulga manutenção do regime simplificado da avaliação de professores

O que também significa que nesta matéria não há que esperar qualquer apoio de Belém na luta contra as ilegalidades recorrentes a partir da 5 de Outubro.

Esta é uma das piores decisões de Cavaco Silva nos últimos tempos, sendo sempre os professores o elo esquecido no conflito com o Governo, mesmo quando estão cheios de razão.

Lamentável.

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