Agosto 2009


Governo antecipa verbas para formação profissional

Empréstimo de 260 milhões de euros permite colmatar desfasamento temporal do QREN

O Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social vai contrair um empréstimo de 260 milhões de euros, antecipando assim as verbas a receber do QREN, para acelerar o pagamento das acções de formação profissional.

A decisão da antecipação de fundos europeus para pagamentos de acções de formação profissional foi aprovada em Junho e ontem publicada em Diário da República. O diploma autoriza o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito “a antecipar fundos previsto no Orçamento da União Europeia ao Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social “, até 260 milhões de euros.

Acusações de facilitismo são “insulto aos professores”, diz Sócrates

Por onde andam uns testes PISA quando precisamos deles para tira-teimas?

Manha

0489a(c) Antero Valério

The Blow Monkeys, It Doesn’t Have To Be That Way

Ahhh… a inconsequência pop dos 80… as saudades…

Eis José Sócrates no seu melhor enquanto animal comunicacional e empático:

socratesSócrates elogia resultados e rejeita facilitismo

O Primeiro-ministro recusa que a diminuição das reprovações no ensino básico e secundário se deva a um aumento do facilitismo e considera que a Educação está no bom caminho.

“Este resultado quer dizer que o país tem agora uma boa notícia ao nível da qualificação desta nova geração, para poder enfrentar, no futuro, os desafios e os problemas com mais segurança e confiança”, afirmou José Sócrates.

O Primeiro ministro e a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, foram hoje à escola secundária D. Dinis, em Lisboa, apresentar o relatório sobre os resultados escolares dos últimos quatro anos.

Ai temos o inefável presidente da Confap a validar, do alto da sabedoria de quem colocou a descendência fora do ensino público, a versão oficial do Governo sobre os ganhos em matéria de sucesso.

Há passagens especialmente divertidas e sintomáticas de um certo modo de estar e pensar visivelmente cosmopolita e pós-moderno.

Vejamos:

Segundo o presidente da CONFAP, a cultura dos estabelecimentos de ensino tem assentado em mais trabalho e no desenvolvimento de três eixos que a confederação defende: autonomia das escolas e capacidade de proporem estratégias de combate ao abandono, possibilidade de constituírem bolsas de professores para trabalharem mais as dificuldades dos alunos e melhoria da formação de docentes, nomeadamente em áreas específicas e habitualmente com piores resultados, como a Matemática.

«São vectores fundamentais a aprofundar no futuro. O país tem necessidade de não dispensar dinheiro com retenções de alunos», declarou.

O responsável da CONFAP defende ainda a necessidade de rever o currículo do 3.º Ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos) por ter muitas disciplinas, alegando que algumas «não têm interesse nenhum» e acabam por dispersar os alunos.

Comparativamente a outros países, Albino Almeida indicou que no Canadá e na Dinamarca «o sistema educativo não permite insucesso, define à partida conhecimentos e competências que os alunos têm de ter».

«O insucesso deve-se muitas vezes ao dispersar por muitas disciplinas e não ao trabalho das escolas», disse.

Para Albino Almeida, «as vozes que falam de facilitismo estão desfasadas» e o sistema de ensino «deve ter várias vias».

«Há alunos com três e quatro negativas em algumas áreas e quando vão para outros cursos têm bons resultados», adiantou.

Gosto da crítica à organização curricular do 3º ciclo, acho especialmente deliciosa a parte em que considera que alunos com 3 ou 4 negativas a determinadas disciplinas (por exemplo, Português, Matemática, Ciências, História, diria eu…) podem ser uns ases em outras (que tal Consultoria Virtual, Engenharia da Retórica Bacoca, Seguidismo Galopante e Invertebralidade Congénita?).

Também aprecio a preocupação orçamental com o custo das retenções e o conhecimento que me parece aprofundado do sistema de ensino de países como a Dinamarca e o Canadá.

Claro que tudo isto poderia ser dito por um assessor de comunicação do ME, mas dá sempre outro estilo ser um representante dos pais sem educandos no ensino público.

Na apresentação feita pelo ME dos dados sobre as matrículas nos 9º e 10º anos e conslusões do 9º ano existem diversos aspectos que me espantam nop contexto da manobra propagandística desenvolvida hoje.

Vejamos os quadros em causa (pp 2-4 da apresentação original).

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Coloquemos então algumas dúvidas que acho pertinentes:

  • Porque será que na análise do insucesso o início da série de dados corresponde a 1996/97 e estes dados remetem apenas para 2000/01? Algum critério especial para a escolha?
  • Porque será que se opta por misturar o ensino público e privado, ficando sem se perceber se o aumento do número de alunos se deve a uma melhor captação por parte do ensino público se fiica a dever-se ao aumento da parcela do ensino privado?
  • Porque será que o mesmo acontece com a determinação dos níveis de (in)sucesso?
  • Porque será que estes dados não surgem contextualizados – eu sei que dava muito trabalho e estragava a leitura - com os dados demográficos das respectivas coortes de alunos, desde a taxa de natalidade ao número de alunos que iniciaram o ensino básico 9 anos antes?

Não quero com isto negar a realidade dos números agora apresentados com pompa e circunstãncia. Apenas me parece que há critérios oscilantes na forma como são tratados e apresentados. Algo que não é raro nos dossiês fornecidos apenas a alguns órgãos de informação e não sujeitos previamente a contraditório.

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Não há que ter nenhuma dúvida a esse respeito. Desde 2006 que o sucesso no Ensino Secundário tem vindo a ser galopante. Não há forma de dar a volta à coisa. Se é verdade que a quebra no insucesso tem o seu início em 2001/02 e 2002/03, não há que negar que desde 2006/07 os ganhos são substanciais.

O fenómeno corresponde ao triunfo dos cursos EFA neste nível de escolaridade, uma espécie de currículos alternativos para chegar ao 12º ano.

Não vou entrar na discussão do eventual facilitismo existente nestes cursos. O termo presta-se a equívocos desnecessários. Uma coisa é inegável, mesmo se paradoxal: é mais fácil e rápido um aluno abaixo da média concluir um curso EFA com sucesso,  do que um aluno mediano fazer o Ensino Secundário regular.

O resto é conversa fiada sobre o aumento da qualificação da população portuguesa.

Há estudos que demonstrem que a este aumento da certificação e diplomação aos molhos corresponda uma maior qualidade das aprendizagens ou, já agora, cacapacidade de inserção no mercado de trabalho?

Já fizeram um inquérito a sério sobre a opinião dos empresários e empregadores acerca do que acham de quem lhes aparece com estes diplomas (tal como das Novas Oportunidades)?

José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues bem podem avançar com a sua propaganda, afirmando que tudo se trata de trabalho, imenso trabalho e políticas acertadas.

De acordo com a versão oficial, o insucesso escolar caiu a pique nos últimos 12 anos (a escolha do início da série não foi inocente, mesmo se crucifica de novo o governo de Guterres pelo caminho) devido às seguintes razões:

Os percursos alternativos, os cursos de educação e formação, os planos de recuperação e acompanhamento e outros apoios educativos, especialmente dirigidos a alunos com percursos escolares marcados pela repetência, foram algumas das medidas lançadas que visam proporcionar às escolas meios efectivos de combate ao abandono e ao insucesso escolares.

As medidas de combate ao abandono e ao insucesso escolares permitiram, nos últimos quatro anos,  aumentar o número de estudantes e melhorar os resultados, invertendo uma tendência estável de perda de alunos matriculados e de diminuição do número de alunos a concluir a escolaridade obrigatória, que se registava desde 1995.

Trabalhando com base nos números do ME, da forma como ele os gosta de apresentar de modo linear, podemos ser levados à ilusão da versão oficial ser a correcta e única possível.

Mas para quem conheça rudimentos muito primários de estatística, um pequeno trabalho adicional pode ser feito para perceber a que ritmo se deu a redução do insucesso e quais foram os anos críticos para tal redução. Detectando esses momentos, podemos ir em busca das medidas específicas aplicadas nesse ano e correlacionáveis com essa evolução.

O que eu fiz de forma muito simples – neste caso para o Ensino Básico – foi analisar a evolução do insucesso sobre o ano anterior, sendo o valor de cada ano lectivo a evolução sobre o valor 100.

Os valores encontrados são os seguintes:

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O que encontramos aqui? Na maior parte dos anos a evolução do insucesso pautou-se por ganhos de 5 a 10 pontos sobre o ano anterior, excepto no final do período guterrista em que aumentou.

O início do período Barroso/Portas (2002/03 e 2003/04) não é muito diferente, nesse plano, do início do período Sócrates (2005/06 e 1006/07).

Observando bem até é em 2003/04 que se dá uma quebra maior no insucesso (quase 8 pontos em relação ao ano anterior).

Em que momento se dá uma queda abrupta? Em 2007/08, o ano de todos os milagres no nosso sistema educativo, aquele em que até a média dos exames de Matemnática ia ultrapassando os cumes do Himalaia.

E o que podemos encontrar nesse ano lectivo de tão maravilhoso, para além da enorme manifestação de 8 de Março?

Se puxarem um pouco pela cabeça encontrarão uma lei extraordinária de potencial, a Lei 3/2008 de 18 de Janeiro de aplicação imediata a meio do ano lectivo e com efeitos retroactivos, reactivos e pró-activos.

A lei em causa foi o novo Estatuto do Aluno, aquele diploma maravilhoso que tornou parte do abandono estatisticamente indetectável e quase eliminou administrativamente os chumbos por faltas. Para não falar da rebaldaria disciplinar que ia institucionalizando em termos de assiduidade e indisciplina. Nada para que se não tivesse avisado logo.

Claro que a aprovação do Estatuto do Aluno não foi a única razão para a multiplicação dos diplomazinhos e das aprovações, mas lá que é uma coincidência interessante é.

Aliás, como sempre quando os avanços são enorme, repare-se como no presente ano lectivo, a curva já está em inversão (fiz em cor-de-rosa só para chatear).

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A minha proposta para o próximo mandato seria – obviamente – a aprovação de mais um Estatuto do Aluno se possível banindo de vez o conceito de falta e punindo com perdas salariais os Directores de Turma que instaurassem processos disciplinares ou permitissem retenções nos seus Conselhos de Turma.

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Governo salienta redução para metade do abandono e insucesso escolar

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje que os resultados escolares do ano lectivo 2008/2009 revelam uma “redução para metade do abandono e insucesso escolar” nos últimos anos.

“O mais importante é a redução para metade do abandono e insucesso escolar. Os dados deste ano apontam para uma redução consolidada”, afirmou à Lusa Maria de Lurdes Rodrigues.

“Atingimos valores muito significativos, que têm como consequência o aumento do número de alunos naqueles anos em que o insucesso e o abandono eram mais sentidos, naqueles anos de escolaridade em que se vinha a perder alunos há mais de uma década”, sublinhou.

Só falta mesmo é analisar, com alguma atenção, os números disponibilizados. Eu já vou comprar o jornal e ver se confere com as estatísticas que foram sendo produzidas ao longo dos anos e se há cosmética, porquê e se a evolução foi contínua ou se há saltos localizáveis no tempo.

Profundamente perturbador, em especial se estas criaturas tiverem acesso às bases de dados com informações pessoais de todos os cidadãos.

Espiões a caminho da administração pública

O Serviço de Informações da República (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) assinaram protocolos para infiltrar agentes não identificados em alguns serviços públicos, avança a edição de hoje do Correio da Manhã.

Os serviços secretos portugueses estão a assinar protocolos com serviços públicos com vista a infiltrar nesses serviços agentes não identificados ou com a identidade codificada.

O objectivo da celebração destes protocolos será promover, através desses agentes, o combate ao crime financeiro e à criminalidade organizada dentro de organismos do Estado.

Segundo o jornal Correio da Manhã, que avança a notícia na sua edição de hoje, os protocolos deverão colocar, para já, agentes do SIS e do SIED no Ministério da Administração Interna, dos Negócios Estrangeiros e das Finanças.

Quer dizer: colocam imensos problemas ao levantamento do sigilo bancários, mas isto já pode ser.

Bombeiros apresentam exigências aos partidos

Liga dos Bombeiros quer conhecer as propostas das forças que vão a votos para o sector. Ontem, o distrito da Guarda foi o mais afectado pelos fogos, depois de um sábado em que se registou o recorde de fogos neste Verão.

E eu acho correcto e até mais transparente do que fazer tudo sem ninguém saber…

M1

Ensinaram-lhe a fazer pestanas e sorrisos e dá nisto…

Virgem Suta, Tomo Conta Desta Tua Casa

Debate na TVI 24 na semana passada, para que o Pedro Castro me chamou a atenção quase na hora, mas a que só agora acedi ao link. Com José Manuel Fernandes, Paulo Querido e não só. Mas foram eles dois que se entretiveram (já na segunda metade do programa) mais a falar aqui do Umbigo e do meu alinhamento político. O Paulo Querido exagerou na minha postura anti-PS (logo eu que passo por soft na abordagem a esta questão junto dos mais inflamados), enquanto o José Manuel Fernandes percebeu bem melhor que não é fácil localizar-me no espectro político.

Giro.

Umbi

Ou a bússola nacional está com defeito (realmente a distância entre o PS e o PSD faz pensar nisso…) ou eu ando a acinzentar ou então a verdade é que eu estou mesmo longe deles todos.

Nos testes internacionais deste tipo fico sempre ali a dois terços do quadrante da esquerda-libertária que cá só existe no papel e pouco. Desta vez estou quase no meio.

Se calhar o problema é que eu estou mesmo longe deles todos e só tenho daquelas convicções muito fortes no plano ambiental, daí a minha relativa maior proximidade em relação ao MPT. Quanto ao MMS, é interessante mas não sei que ideias é que eles têm…

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Aeroporto de Ponta Delgada. Oito da matina de sábado passado. Check-in feito para o regresso num avião da SATA-Internacional. Vou ao boteco que serve cafés e jornais e carrego-me com a imprensa insular do dia.

Eis que olho para a primeira página de um deles e…

Acores

Quem já me ouviu falar de aviões, sabe que já estive num  que, a caminho de São Miguel, teve assim como que um treco e foi obrigado a voltar a Lisboa connosco a ver a águinha do Atlântico, após duas perdas de altitude em plena hora do jantar a bordo.

E durante uns anos entre sempre num destes passarolhos com o coração a escorregar-me das mãos.

Só para verem como ando meio anestesiado… nem sequer desatei aos gritos pela gare abaixo…

Para alargar a escolaridade obrigatória para 12 anos não é necessário rever a Lei de Bases?

Assim sendo, e até porque todos os partidos concordaram com a medida, porque será que até ao momento nenhum dos que já apresentou programa propõe a revisão da LBSE na área relativa à Educação?

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