Agosto 2009
Arquivo mensal
Agosto 26, 2009
Posted by Paulo Guinote under
Debates [63] Comments
Miguel Abrantes do Simplex dedica-me um post – fazendo uma pausa estranha no intuito básico do blogue que é brincar ao pingue-pongue com o Jamais - tentando demonstrar que eu não sei bem o quê, que não descobri a pólvora, enquanto aprimora a argumentação do Governo para explicar os critérios usados para calcular a evolução do insucesso e faz uma digressão de mediano valor sobre a utilidade dos cursos profissionais.
É um bom contributo para o debate das opiniões.
Sobre os factos, nada a dizer, pois em nenhum momento desmente qualquer dos meus cálculos.
Resta-lhe insinuar que eu gostaria de ver jovens nas ruas, sem qualificações. Esquece-se que quem anda no terreno, a mantê-los na escola são professores como eu. Ele não sei bem o que faz, para além de ter opiniões coincidentes com o Governo, o que se compreende pelas funções que consta ter na AP.
Agosto 26, 2009


Confesso que só depois de postar é que li os títulos…
Agosto 26, 2009
É tão elementar que até me deixou boquiaberto. Ao ir trabalhando os dados da propaganda oficial do ME, comecei a aperceber-me de algo no mínimo curioso. Apesar do alarde em torno do aumento dos alunos a concluir o 9º ano e a inscreverem-se no 10º, os níveis de sucesso no 9º ano praticamente não evoluíram desde o início da década e o grande ganho é em relação ao início deste mandato, quando se atingiram os níveis mais baixos de sucesso desde 2000.
O cálculo é simples. Basta usar os dados divulgados e fazer o cálculo do sucesso, a partir das tabelas das matrículas e conclusões do 9º ano (páginas 2 e 3 desta apresentação).


Se conseguirmos ultrapassar a barragem de nevoeiro em torno da quantidade, percebe-se que o sucesso é exactamente o mesmo do que em 2003/04 e apenas mais 2% do que em 2000/01. Ganhou-se 10%, é certo, mas em relação ao primeiro ano lectivo que decorreu já sob a actual gerência ministerial.
Pelos vistos o início dos mandatos do PS em matéria de Educação tendem a ser algo calamitosos. Depois, é verdade, torna-se mais fácil recuperar…
E esta, einh?!
Agosto 26, 2009
Posted by Paulo Guinote under
Blogosfera,
Sugestões [4] Comments
Agosto 26, 2009
Agosto 26, 2009
Se há coisa que me esmorece um pouco é a falta de trabalho e enquadramento crítico que a comunicação social dispensa aos dados estatísticos oficiais da propaganda governamental. Eu sei que são entregues no momento (domingo bem tarde para a edição de 2ª feira) ou então são negados ou adiada a sua entrega até ter passado o maior bruá da manobra mediática.
De qualquer modo, nota-se uma certa falta de um inside knowledge das coisas que permita desmontar em tempo útil algumas das manipulações mais evidentes.
Desde 2ª feira andei mais ocupado com os dados globais e com a tentativa de desmontagem do insucesso no Ensino Básico. Hoje vou centrar-me mais no Ensino Secundário onde se anuncia a descida para metade do insucesso desde 1996/97.
Já ontem julgo ter demonstrado que isto é falacioso, porque foi escolhido para início da série de dados um momento de alta no insucesso pois dois anos – em 1994/95 – o insucesso era quase 15 pontos mais baixos.
Mas tudo bem, vamos assumir até que se tomarmos como referência o ano de maior insucesso (2000/01), o dito cujo desceu de 40% para 18% em cerca de uma década.
Antes de mais há que desmontar este período em dois ciclos: antes deste Governo e com este Governo.
Se o fizermos constatamos o seguinte: de 200/01 a 2004/05 o insucesso baixa de 40% para 30%. De 2005/06 para 2008/09 de 31,7% para 18%. É quase uma duplicação do ritmo, com uma aceleração notória a partir de 2006/07.

Há pois que tentar compreender algo sobre esse ano-charneira de 2006/07 e depois ir em busca do que permitiu manter essa milagrosa retracção no insucesso.
Eu penso ter encontrado dois contributos indesmentíveis para o sucesso das políticas, mais do que para o das aprendizagens.
Comecemos pela estrutura do sucesso no Ensino Secundário em 2006/07:

Se repararmos com atenção, o nível de sucesso nos cursos profissionais e CEF/EFA é bem superior (10 a 20%) ao do Ensino Secundário regular ou geral. Ou seja, as vias que são frequentadas maioritariamente por alunos que têm dificuldades em acompanhar o currículo comum e que, em regra, apresentavam à entrada nestes cursos um historial de maior insucesso com várias repetências, de súbito tornam-se comparativamente melhores alunos do que os seus antigos colegas.
Podemos acreditar que é por causa da vocação para os cursos de jardinagem, restauração, informática e afins. Podemos até reconhecer – sem ironia – que o trabalho com eles é feito com outras metodologias que podem obter melhores resultados (como docente de PCA, sei que é difícil mas proveitoso trabalhar com turmas menores e com currículos adaptados), mas não nos vamos iludir: estes alunos que apresentam níveis de sucesso tão superiores aos que frequentam o currículo normal, dificilmente se terão tornado melhores alunos do que os das turmas regulares. Só que apresentam níveis de sucesso elevados decorrentes da própria forma como as escolas e os professores são obrigados a gerir a avaliação.
Acho ser desnecessário evocar casos concretos de ameaças de inspecção ou visitas de responsáveis regionais do ME quando se verificam níveis de insucesso indesejáveis em algumas destas turmas. Por vezes logo no 1º período. É a verdade, pode não ser a mais conveniente de admitir, mas sabemos que é assim.
Por isso mesmo, a anunciada enorme aposta nestes cursos tem tanto de interessada na qualificação profissional da população como na certeza que quantos mais alunos nestes cursos, mais certo é o sucesso.
Mas nem todos os alunos com problemas de aproveitamento podem, ou estão dispostos a, ser encaminhados para estes cursos, logo haveria que intervir na redução do insucesso também no Ensino Secundário normal.
E isso é feito no início do ano lectivo de 2007/08 com a criação do engenhoso regime de permeabilidade, ou de reorientação do percurso formativo dos alunos, que desde logo se percebeu ser mais um atalho para produzir sucesso.
Na prática, o que o despacho normativo 36/2007 permitiu foi que os alunos pudessem saltitar de disciplina em disciplina, tipo buffet quente e frio, à experiência, podendo desistir e trocar de disciplina quando as coisas corressem mal. Parece uma caricatura mas não é. E ao longo do ano que se seguiu foram feitas ainda quatro adaptações a este regime de permeabilidade.
Claro que nestas condições é quase impossível o sucesso não aumentar. Se os alunos passam a poder reorientar formativamente o seu percurso – leia-se, mudar de disciplinas em busca das que lhes permitem melhores resultados – só por milagre o sucesso não aumentaria de forma significativa.
Tudo bem. O ME apresentou números que parecem dramáticos de quebra do insucesso no Secundário. Houve um editorialista no JN que se interrogava sobre como isto tinha sido possível, se todos os ministros anteriores foram inábeis e incompetentes.
Não propriamente.
Tal como o editorialista em causa (e outros…) e muitos dos jornalistas que trataram este assunto não foram inábeis ou incompetentes para ir em busca de explicações, em vez de apenas ecoarem os números fornecidos.
Apenas não estão a par dos meandros e cordelinhos da produção estatística de sucesso por via legislativa.
Se articularmos a manipulação do ano de partida da série cronológica, a opção pelos cursos profissionais e CEF/EFA com as suas regras muito particulares e as consequências do regime de permeabilidade dificilmente será defensável que – no plano concreto das aprendizagens – este sucesso de 18% tenha um significado dramaticamente diverso do de 21.9% em meados dos anos 90.
Nota das 15.40 - Após a escrita apressada inicial, fiz uma primeira revisão do post, para eliminação dois dislates mais gritantes.
Agosto 26, 2009
Posted by Paulo Guinote under
A Vidinha,
Imagens [40] Comments
Agosto 25, 2009
Posted by Paulo Guinote under
Música do Umbigo [21] Comments
Agosto 25, 2009
Novamente de forma muito simplista, limitei-me a comparar os efeitos de manter a série estatística no ano escolhido (1996/97) pelo Governo e ME para apresentar ao povoléu sobre a evolução do insucesso nos Ensinos Básico e Secundário e de puxar a série para o primeiro ano disponível nas publicações oficiais do GIASE (1993/94), que já apresentei mais abaixo.
Usando agora exclusivamente os dados para o sector público encontramos os seguintes resultados numa apresentação gráfica que até nos faz chorar de tão apressada e amadorística:
As diferenças são significativas e no caso do Ensino Secundário é mesmo brutal porque significa que em vez da redução do insucesso para menos de metade, o que aconteceu foi um ganho inferior um quinto. No caso do Ensino Básico a diferença é menos substancial, mas mesmo assim atinge quase 10%.
Em termos gráficos podemos obter as seguintes representações, para consumo imediato:


Se no caso do Ensino Básico a quebra passa de 8,8% para 6,8%, no caso do Ensino Secundário passa de 18,6% para 3,9%. É quase uma diferença de 5 para 1.
E assim se torna possível desmontar parte dos números apresentados para iludir eleitor a um mês das eleições sobre o insucesso escolar, escondendo que se seleccionou um ano especial para proceder ao ponto de partida da comparação.
Lá está: os números são reais, mas só até ao ponto em que os soubermos recortar a preceito dos interesses mistificadores do calendário eleitoral.
Amanhã há mais.
Stay tuned.
Agosto 25, 2009


estes quadros apresentam-me um problema adicional: a série que o ME divulgou para a imprensa atribui ao ano de 1996/97 uma taxa de insucesso de 15,5%. E refere ser para o ensino público. Ora consultando estes quadros temos que a taxa global de insucesso foi de 15,2% e para o sector público de 15,7%.
Afinal no que é que ficamos?
Agosto 25, 2009
Posted by Paulo Guinote under
Doutor em Spin [33] Comments
Eu sabia que isto era apenas uma questão de paciência e análise dos dados. Já descobri porque o Governo usou o ano de 1996/97 para iniciar a sua série de dados sobre o insucesso.
Isto é apenas seguir o feeling e conhecer as criaturas em presença.
Lá fui eu em cata dos dados no livro do GIASE – atenção é publicação oficial – com os dados sobre o insucesso nos Ensinos Básico e Secundário desde 1994/95 até 2003/04.
Nada de espantar.
-
O insucesso global no Ensino Básico em 1994/95 era de 13,1%, subindo depois no início do guterrismo para 13,8% e 15,2% nos dois anos lectivos seguintes.
-
No Ensino Secundário o insucesso global era de 21,3% em 1994/95, disparando para 33,1% em 1995/96 e para 35,7% em 1996/97.
O que a máquina governamental fez foi escolher o ano do maior descalabro – já bem dentro da governação PS – e torná-lo o início da sua série maravilhosa e milagrosa.
Recuando mais dois anos seria possível perceber duas coisas fundamentais:
- A paixão guterrista pela Educação foi um fracasso.
- Os ganhos em matéria de combate ao insucesso são bem menores do que o anunciado se estendermos a série cronológica, com ganhos residuais no Secundário (pouco mais de 3%) e muito menores do que o anunciado para o Ensino Básico (apenas acima dos 5% e não uma queda para metade).
Isto é manipulação estatística pura.
Não há que recear usar as palavras adequadas.
Qual o problema no nosso país? O raio dos dados estão escondidos ou, no meu caso, alguém os arumou numa estante, o que é sempre o maior dos problemas.
Agosto 25, 2009
O Presidente da República acaba de promulgar o diploma que alarga a escolaridade obrigatória para 12 anos.
Porreiro, pá.
O chato é que lá vou eu ler a Lei de Bases do Sistema Educativo e dou de caras com isto:
Secção II
Educação escolar
Subsecção I
Ensino básico
Artigo 6º
Universalidade
1 – O ensino básico é universal, obrigatório e gratuito e tem a duração de nove anos.
Pois, o ensino secundário não aparece com estas características (universalidade, obrigatoriedade, gratuitidade) e etc. Será que se pode alargar a escolaridade obrigatória e deixar a Lei de Bases de lado?
Acho estranho num PR tão dado às minudências constitucionais quando se trata dos seus puderes e de alhos como as uniões de facto, mas depois sacuda a água do capote quando se trata de bugalhos como este.
Claro que seria altamente impopular vetar esta medida tão demagogicamente eleitoralista e populista.
Mas o PR não é o garante da fiscalização dos actos do Governo e da Assembleia da República quem, em primeiro lugar, deve velar pela constitucionalidade dos actos legislativos que brinda com as suas promulgações?
Já foi o mesmo com o decreto da gestão escolar e com o simplex 3. Quer-me parecer que Cavaco Silva nutre pela Educação uma espécie de afecto difícil de definir. Tudo deve ser muito legal e coiso e tal, desde que não seja matéria educativa. Nesse caso parece assinar de cruz.
Mas neste caso – e apesar do consenso parlamentar – a discrepância é mais do que óbvia.
Coerências.
Agosto 25, 2009
Posted by Paulo Guinote under
A Vidinha [12] Comments
Já tentei, mas foi inglório.
Onde é que me param os dois volumes de estatísticas do GIASE que eu preciso para fazer aqui uns gráficos, para ver se é só fumo ou se há fogo???
Comprei-os em 2005, agora só mesmo com análise da estratigrafia do meu escritório…
É que os dados online do GEPE só dão os alunos matriculados por idade e não por ano de escolaridade!
Alguém acredita nisto? Não ter disponíveis os alunos matriculados por ano de escolaridade mas apenas por idades?
É certo que eu posso ser partir do princípio que os alunos com 5 e 6 anos se matricularam no 1º ano de escolaridade, até porque este é um ano que não admite retenções excepto quando o jacaré tosse osgas. É certo que no ano seguinte há que retirar desse cálculo mos alunos antes matriculados com 5 anos do total, pois já terão passado para o 2º ano. Transformando tudo em índices é mais fácil para comparar com as conclusões do ensino básico oito anos mais tarde, por isso ainda é o que eu acabo por fazer…
É um método meramente aproximativo e preliminar, mas para esta passarada não é preciso arma grossa.
Mais logo, mais logo… embora assim à primeira vista não deva ser possível descobrir a pólvora…

Adenda: Achei já os livros em causa. A lacuna online mantém-se na versão em papel. Fabuloso!
Agosto 25, 2009

Público, 25 de Agosto de 2009 (com o devido agradecimento ao *edro Castro)
Agosto 25, 2009
O texto em forma de editorial do JN de hoje é um interessante exercício de ironia mínima, com a margem possível de innuendo, em torno dos resultados da Educação.
Eu responderia da seguinte forma: sim, os anteriores ministros foram inábeis, mas não necessariamente incompetentes. Provavelmente até tinham ideias sobre Educação, mas talvez não tenham sido capazes de perceber – ou sido ajudados nisso – como se gere um mandato em termos de pressão legislativa sobre os professores e gestão estatística dos indicadores.
O retrato ontem apresentado pelo Governo sobre os chumbos (taxas de retenção, como agora se diz) verificados no Ensino Básico e Secundário no último ano lectivo é uma maravilha. Como são também uma maravilha os dados relativos às matrículas no nono ano de escolaridade e o número de alunos que concluíram com proveito este grau.
(…)
Aceitando tudo isso de espírito aberto, sobra apenas uma pequena questão. Por que carga de água se alcançaram só agora números tão entusiasmantes nestes níveis de ensino? Todos os anteriores ministros – e são já bastantes… – foram inábeis, incompetentes e incapazes de perceber qual o caminho a seguir para reduzir os chumbos e estancar a hemorragia do abandono escolar? Juro que as perguntas só têm um mísera dose de ironia. Porque, de facto, a coisa é intrigante.
Agosto 25, 2009
Um caso interessante de ligeira correcção no tiro de metralha que sempre dirigiu aos professores. Camilo Lourenço passou a engrossar aquele grupo cada vez maior e mais acotovelado dos que ficam no terreno intermédio de dizer que o conteúdo das reformas do Governo na área da Educação era bom, os métodos é que não.
No fundo diz que os fins não justificaram os meios.
É melhor que nada.
No caso desta crónica, é certeiro. Não, já nenhum de nós se comoveria nem que o engenheiro fosse de rojo a Fátima colocar uma vela por cada docente efectivamente insultado por ele durante todo o mandato, em especial naquela parte em que disse várias vezes que nenhum professor foi avaliado ao longo dos últimos 30 anos.
(…)
Vamos aos insultos. Sócrates já devia ter percebido que quando se compram guerras com certas corporações só há um de dois resultados: ou se ganha ou se perde. Não se empata. Ora, depois de tanto “sangue mau” entre as partes, em que o ministério tinha razão no conteúdo (objecto das reformas) mas não na forma (métodos), é duvidoso que os professores caiam neste namoro, desavergonhado, de última hora. É como se o noivo que largou a noiva para cortejar a vizinha decidisse regressar, meses depois, arrependido. Ninguém acredita pois não?
Para que conste – e sem segunda intenções e mesmo relembrando a feminização do corpo docente – não gosto de passar por noiva. Descontando a transgenderização forçada, a parte feminina não é aquela que acaba quase sempre…
Agosto 25, 2009
Ontem pediram-me do jornal I um conselho/ideia para o programa do PSD na área da Educação. O excerto é aquele que se segue e cuja imagem fico a dever ao Pedro Castro.
Qual não foi o meu espanto quando hoje de manhã abro o jornal e vejo os outros contribuintes para a mesma peça. Mira Amaral para a Economia, Eduardo Catroga para o Emprego, Figueiredo Lopes para a Segurança, entre outros nomes próximos do PSD.
Tudo bem.
Estou com problemas de identidade.
Primeiro fui acusado de cripto-comunista, disfarçadamente alinhado com a Fenprof, a C GTP e o PC. Depois foi a fase de ser bloquista radical e agitador. Fugazmente alegrista e qualquer dia de novo.
Tenho de levar um dado dia 27 de Setembro para saber em quem votar, tamanhos são neste momento os meus problemas de identidade política…

Agosto 25, 2009
Já nem questiono como é que os cálculos são feitos, porque me parece que se baseiam em contas de dividir de merceeiro, sem desprimor para o comércio de bairro
. Apenas contesto a lógica tuberculina de rejeitar os chumbos por serem caros. Nesse sentido, equipar as escolas também é caro. Construí-las, mantê-las.
Não será caro para o País - que eu acho mais importante que o Estado, mas é porque sou conservador nos dias ímpares – ter uma parte da população teoricamente qualificada, mas incapaz de fazer mais do que usar o telemóvel, a psp e o ipod?
E tratar os doentes também sai caro. Vamos deixar de os tratar e de lhes dar medicamentos? Pensando bem… se calhar…
As reprovações e desistências no ensino básico e secundário caíram para metade em 2009. Ainda assim, só no 9º ano, foram 18.750 os que não concluíram.
Os chumbos e desistências dos alunos do 9º ano de escolaridade representaram um custo directo para o Estado português de 56,25 milhões de euros, no ano passado. O valor corresponde a 18.750 alunos que se matricularam no último ano do ensino básico em 2008-2009, mas que não o concluíram. O Diário Económico fez as contas a partir da referência dada pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, há um ano: cada aluno custa cerca de três mil euros ao Estado. Se um aluno não passar, “significa que, para terminar esse ano escolar, já vai custar o dobro dos outros”, concluía a ministra.
No ano lectivo passado, matricularam-se no 9º ano, no ensino público e privado, 139.972 jovens, incluindo os jovens que frequentam o programa Novas Oportunidades. Destes, ficaram retidos 13,2%. Mas no total do ensino básico público, chumbaram 7,7% dos alunos. Os números são do Ministério da Educação, que revelou ontem que a taxa de retenção tem vindo a descer desde 2002 – era de 14%. O número de alunos matriculados no 9.º ano cresceu 36% durante a última legislatura. Os chumbos caíram ainda mais no ensino secundário público. Em 2005, no início da legislatura, chumbaram 33% dos alunos. Em 2008, a taxa desceu para 18%.
Agosto 25, 2009
O Arlindovsky teve a simpatia de me enviar o recorte seguinte do JN de hoje, em que sou citado com rigor, com base num post do blogue.
Agradeço a simpatia, visto assim nem ter sido necessário gastarmos tempo com telefonemas ou mails. Realmente a partir do momento em que um texto é público é uma fonte como outra qualquer. Só tenho pena de não terem usado de forma mais extensiva a demonstração estatística daquela minha afirmação em forma de soundbyte.

Sobre o testemunho dos restantes professores citados, aproveitaria apenas para chamar a atenção à colega Armandina Soares para o facto de não ter sido necessária a chegada deste Governo para se desenvolverem estratégias eficazes de combate ao insucesso.
Como se o insucesso fosse sempre necessário como pretexto para o insucesso. Ou vice-versa. Ou já nem sei bem onde começa e acaba o círculo de causa-efeito.
Elogiando apenas parcialmente em causa própria (sou professor do quadro do meu agrupamento apenas desde 2005/06, embora tendo por lá passado antes), gostaria de referir casos de escolas/agrupamentos TEIP, paredes-meias com bairros problemáticos e visitados pelo próprio PR, que antes disso conseguiram elevar os seus níveis de sucesso ao ponto de se tornarem líderes em termos de performance no seu concelho. De tal modo que até acabaram por perder esse estatuto preferencial, enquanto em outros casos parece que a elevação dos resultados é tarefa hercúlea e de décadas, permitindo manter privilégios e ganhar outros novos, como o recrutamento selectivo dos docentes.
Porque me interrogo sempre acerca de casos de sucesso que, apesar de tanto sucesso, parecem precisar sempre de se apoiar nas prebendas disponibilizadas para as escolas de insucesso.
Sei do extremo mérito do trabalho da(o)s colegas de Vialonga e da própria colega Armandina Soares, mas também sei em que condições por vezes é feito, seja em termos de chicote, seja em termos de cenoura.
Quanto ao colega de Guimarães, a sua argumentação é bem mais razoável.
Agosto 25, 2009
José Manuel Fernandes queixa-se hoje, e com razão, da forma como o ME e o Governo trabalham e fazem divulgar as estatísticas oficiais e não apenas da Educação.
A manobra mediática de ontem foi sintomática a este respeito.
Aparentemente, o JN e o DN tiveram direito em primeira mão aos dados, antes da sua apresentação pública. Os artigos produzidos ontem reproduziram as estatísticas oficiais, sem possibilidade e/ou capacidade de desmontagem de alguns dos indicadores, de estabelecimento de séries temporais próprias ou a desagregação de alguns indicadores.
Ao que parece também, o Público solicitou dados adicionais para serem trabalhados, o que foi recusado.
O que é estranho, pelo menos até ao ano lectivo de 2007/08, pois tudo está mais do que armazenado, guardado e trabalhável a partir dos dados que as escolas e agrupamentos estão constantemente a descarregar para o Gabinete Coordenador do Sistema de Informação do ME, mais especificamente para a base MISI@.
- Por exemplo, porque não fornecer os dados sobre a evolução das coortes de alunos ao longo dos anos e divulgar apenas as matrículas e resultados finais do 9º ano?
- Porque não apresentar o número de alunos matriculados no 1º ano e calcular quantos chegaram ao 9º sem repetências e com um percurso escolar limpo? Ou, em alternativa, nas conclusões do 9º ano, desdobrar os dados por anos de entrada no ensino básico?
Este tipo de dados – e não apenas as taxas finais de sucesso no 9º ano - é que permite analisar como evolui o desempenho dos alunos ao longo do seu percurso escolar. O que o Governo nos dá é como que uma fotografia do estado do tempo num dado minuto, não a sua evolução ao longo do dia.
Já vi as imensas tabelas sobre tudo e mais alguma coisa que são enviadas para o ME e não há aspecto quantificável da vida das escolas que não esteja disponível, nas suas unidades minimais. Que depois os dados sejam seleccionados e trabalhados a gosto pelos Gabinetes de Comunicação é outra coisa e não significa que não existam todas as variáveis que permitiram criar os indicadores globais apresentados para consumo público.
É quase ridículo lembrarmo-nos do alarido feito pelo PS e por Jorge Sampaio quando, de forma desastrada, o governo Santana/Portas aflorou a hipótese de criar uma central de comunicação. Se algo há a considerar é que esses eram amadores perante a forma oleada e mecânica como agora funciona o actual Governo nesta matéria, herdeiro directo das técnicas de gestão da relação com a comunicação social dos trabalhistas de Blair nos anos 90 e durante o auge de Alastair Campbell.
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