Agosto 2009


Sol28Ago09

Sol, 28 de Agosto de 2009

Pelo menos são das coisas mais citadas aqui do blogue desde há muito.

Contam-me que por alguns recantos da tuítosfera - já me inscrevi, tuítei duas vezes e ainda não espreitei o mundo – andam com algum esforço a procurar colar-me ao PSD para desacreditar as minhas posições e até os dados que eu tenho tratado.

A razão mais directa parece ser o facto de algumas das minhas análises terem sido colhidas com receptividade em alguns sectores desse partido.

Ou seja, se um dia formos arrumar politicamente as rosas, elas serão todas do PS, só porque o PS as escolheu para símbolo.

Uma espécie de lógica às avessas, já nem de tubérculo, mais de lentilha seca.

De qualquer modo, e porque desgosto de estragar mitologias pessoais, gostaria de aqui deixar alguns momentos simbólicos do meu trajecto ascensional em direcção ao âmago da laranja. Desculpem se não uso uma ordem cronológica pura mas, para usar uma expressão genial de Mário Crespo no Sol de hoje, não costumo gratinar o currículo.

  • Participação num comunicado conjunto apelando a uma manifestação unitária dos professores em Novembro de 2008 com dois militantes do Bloco de Esquerda, que como sabemos é uma secção esquerdista dentro do PSD.
  • Colaboração na revista OPS, dirigida por Manuel Alegre, destacado dirigente laranja.
  • Participação em diversos debates organizados por diferentes promotores, nenhum deles estando ligado ao PSD.
  • Inclusão de textos ou contributos meus em publicações  ligadas à estrutura partidária laranja como o jornal do SPGL (Fenprof), o Diário de Notícias ou a Visão, entre outros
  • Reunião na Assembleia da República com os grupos parlamentares do PCP e Bloco de Esquerda.
  • Criticas recorrentes à acção do Presidente da República, figura claramente próxima do PS, em matéria de decisões relativas à Educação.

Tudo isto prova a minha aproximação ao PSD.

Vamos lá ser um pouco sérios (o que é difícil nestas circunstâncias com determinados voluntários pagos para o ser): eu estou interessado antes de mais – e vamos deixar de ser demagógicos com o «bem da Nação» porque esse todos têm desrespeitado – antes de mais, em defender aquilo que considero pessoalmente serem as melhores políticas para a Educação em Portugal e em seguida naquelas que melhores condições permitam para o trabalho dos docentes.

Se isso me for garantido por este ou aquele partido, vivo bem com isso. Não sou desideologizado, mas os actuais partidos são-no em elevado grau. Todos, excepto raríssimas excepções são pragmáticos antes de mais e desrespeitam de forma consistente o que deveria ser o seu legado ideológico matricial.

Perante isso, associar-me a este ou aquele partido é um esforço patusco, por parte de gente patusca, que anda a apanhar bonés e esferográficas em tempo de campanha eleitoral. Se me pudessem ter rastreado ligação a qualquer sindicato, partido, movimento ou obra, já o teriam feito tão boa é a sua base de dados.

Aliás, seria muito simples. Bastaria alguns destes aparelhistas sazonais – se tivessem um mínimo interesse na verdade – inquirirem figuras bem mais graúdas na sua agremiação, que me conheceram em outros tempos quando os convites poderiam ter seduzido e não seduziram, que teriam resposta rigorosa. Se fosse isso que os interessasse.

Quanto ao futuro? Prognósticos só depois de saber o nome do árbitro.

Se fosse homem de Fé, daquelas que promete a salvação das almas desde que consigamos safar-nos na terra com boas indemnizações e mais-valias, ou muitas virgens celestiais em caso de martírio, eu diria que o futuro a um qualquer Deus Grande pertence.

Sendo homem de fé mais pequena, humana, digo que o futuro é construído por cada um de nós, a cada dia que passa, de acordo com as nossas convicções (ou falta delas).

Corto

A crónica contém remoques vários, recorrentes em JPP, mas aborda algo muito importante para perceber o ritmo e ânimo dos simples, quiçá dos jamais.

A realpolitik de Sócrates

(…)

Soube-se esta semana que havia gente paga pelo PS em blogues “espontâneos“, e que foram ingénuos ao ponto de admitirem que o faziam profissionalmente, “até porque não iam votar PS…”. A questão é que o autor da frase aparece como “autor” na lista dos membros do blogue, donde que legitimamente se pensava que isso se devia à sua militância. Eu não sei se o outro blogue do lado de lá do espelho também teve a colaboração de um “art-director” profissional, o que sei é que não está certamente disfarçado de seu autor. E sei-o porque entre os que o assinam nenhum dos nomes é pseudónimo.

Pergunto-me pois por que razão os blogues mais entusiastas de apoio ao governo, os blogues que fazem não só a propaganda do governo como disseminam informação e desinformação sobre seja quem for que ataque o governo (PSD, dissidentes do PS, BE, PCP, por esta ordem), estão cheios de gente com pseudónimos? Estamos a falar de blogues de política muito especializada, que fazem o acompanhamento em tempo quase real de tudo o que se diz e faz e não de meia dúzia de solitários nocturnos à pesca de companhia  ou de trolls anarquistas ou de adolescentes imbecis que gostam de insultar tudo, a torto e a direito, ou de reformados enraivecidos com os políticos e que escrevem nostalgias salazaristas com maiúsculas. Estamos a falar de blogues que possuem acesso a revistas de imprensa e a ficheiros, capazes de ir desenterrar recortes em papel muito anteriores às edições electrónicas dos jornais ( e eu sei bem o trabalho de muitos anos que é preciso para ter um arquivo assim), e que varrem toda a internet política, ou seja dezenas de blogues, também quase em tempo real. Ou seja, estamos a falar de profissionais.

Porque só profissionais é que não podem revelar a sua condição, para não se perceber ao que andam e quem são. Porque só isso pode justificar tanto pseudónimo e nome falso. Na verdade, seria mais normal que os pseudónimos abundassem em quem não está do lado do poder, porque aí o pseudónimo teria como função proteger alguém cujas opiniões, se se conhecesse o seu autor, colocariam em risco a profissão e a carreira, mesmo a integridade física. Em certos municípios percebe-se bem. Mas aqui é ao contrário, é quem nada deve temer que assina disfarçado. Os tricky dickies dos gabinetes do governo, do grupo parlamentar do PS e de câmaras socialistas, podem explicar isso muito bem. Mas cuidem-se que isto é Portugal, e, a seu tempo, tudo se sabe.

Estes não devem dar suficientes garantias de adesivagem imediata.

Ministra da Educação recusa receber Confederação de Pais e Encarregados de Educação

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, recusa receber a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) “apesar dos repetidos pedidos”.

A Direcção da CNIPE foi eleita em Abril deste ano e a confederação, desde que foi legalmente criada há mais de um ano, já enviou seis pedidos para ser recebida no Ministério, todos sem resposta. Em comunicado, a CNIPE assume-se como “uma alternativa credível dentro do movimento associativo de pais à CONFAP”, que acusa de ser “demasiado próxima do Ministério da Educação, de quem recebe avultados apoios financeiros”.

Para a confederação liderada por Maria José Viseu, esta atitude do Ministério obriga a uma denúncia pública da “diferença de tratamento adoptada pelo Ministério da Educação em relação às duas confederações de pais, uma atitude que traduz a dualidade de princípios democráticos pelos quais se rege o Ministério da Educação”.

O outro tinha uns sacos de documentos numa adega, este tinha-os como literatura anexa à casa de banho. Será tão cómico quanto parece?

Documentos descobertos em porta oculta na casa de Dias Loureiro

Numa busca à casa de Dias Loureiro os investigadores do caso BPN foram surpreendidos com a descoberta de uma porta com acesso apenas através de uma casa-de-banho, atrás da qual estavam guardados documentos relevantes para o processo, avança a edição do SOL desta sexta-feira.
O ex-conselheiro de Estado diz ao SOL que se tratava apenas de uma ‘parte esconsa do escritório’ e desvaloriza a importância da documentação apreendida.

Os documentos sobre os negócios do BPN em Porto Rico e Marrocos, que serão relevantes para comprovar os crimes pelos quais Dias Loureiro foi constituído arguido pelo Ministério Público, foram encontrados numa pequena divisão ‘escondida’ da sua residência, com acesso apenas através de uma casa-de-banho.

Já disponíveis.

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Simple Minds, Promised You a Miracle

A pensar em certos programas eleitorais…

Gripe A: escolas vão ter salas de isolamento

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse hoje, em Ponte de Lima, que o plano de contingência para fazer face a um eventual surto de gripe A nas escolas inclui a criação de salas de isolamento.

Em declarações aos jornalistas, a governante disse que o plano tem vindo a ser preparado em parceria com o Ministério da Saúde, adiantando que vai ser apresentado dentro de dias.

“As salas de isolamento são necessárias e essenciais”, afirmou, garantindo, no entanto, que não há motivos para alarme e que os pais podem ficar “descansados”.

Deixa-me lá ver se percebo: as salas de isolamento são para lá fechar os alunos suspeitos de ter gripe A? É isso?

E fecha-se lá só um aluno ou todos os suspeitos?

E quem vai lá ter com eles? E para ir à casita de banho, como é?

E quem é que depois desinfecta, e como, a sala depois de usada pelo(s) isolado(s)?

Não estou a ser destrutivo, só estou a tentar perceber como se operacionaliza

Já agora, é so uma sala por escola ou várias? A sério que há espaço e condições…

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Contra-campanha Staples: não colabore na promoção de Batoteiros!…

Por ter excedido a largueza de banda concedida pelo Photobucket para imagens que lá alojei e porque só dia 4 de Setembro seria possível voltar a ter a barra lateral com o aspecto habitual, estou em processo de transferência de dezenas de imagens para o Picasaweb.

Enquanto isso, e porque o processo é moroso, a postagem está um pouco descuidada e o aspecto da dita cuja barra vai parecer menos familiar.

A vantagem é que talvez seja desta que limpo os links defuntos e adiciono novos.

Mas confesso que fazer isto é chato como tudo. Acho que preciso de arranjar um tarefeiro para estas coisas…

handyman

Educação: 37 mil professores entraram na segunda fase de colocação

O secretário de Estado da Educação anunciou hoje que na segunda fase de colocação de docentes entraram “cerca de 37 mil professores”, dos quais 31.321 já estão colocados, enquanto 5500 o serão até ao início do ano lectivo.

PSD quer suspender avaliação de professores e rever estatutos do aluno e carreira docente

Os dossiers polémicos da Educação dos últimos anos serão suspensos ou revistos se o PSD vier a ser governo. O programa eleitoral do partido defende a existência de um modelo de avaliação de professores que faça a “sua diferenciação segundo critérios de mérito”.

“Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro que, tendo em conta os estudos já efectuados por organizações internacionais, garanta que os avaliadores sejam reconhecidos pelas suas capacidades científicas e pedagógicas, com classificações diferenciadas tendo por critério o mérito, e dispensando burocracias e formalismos inúteis no processo de avaliação”, afirma o documento.

Outro regime que será sujeito a alteração se o PSD vier a ser governo é o Estatuto da Carreira Docente, que será revisto “sobretudo no respeitante ao regime de progressão na carreira, corrigindo as injustiças do modelo vigente e abolindo a divisão, nos termos actuais, na carreira docente”.

O Estatuto do Aluno também não vai manter-se. A mudança, diz o PSD, será no sentido de valorizar “a assiduidade, disciplina e civismo, revogando as normas que possibilitam faltas quase permanentemente justificadas e sobrecarregam os professores com a obrigação de repetirem sucessivamente testes a alunos faltosos”.

Resta saber alguns detalhes mais concretos. De fora, o diploma da gestão escolar… :(

E eu que pensaria ser MFL quem tinha mais problemas em dar a cara e aguentar os debates… Vai daí é o animal mediático que se recusa a ir a todas.

A política é uma caixinha de surpresas…

Campanha das legislativas sem debates nas televisões

Os debates entre os líderes partidários não deverão realizar-se por recusa do PS em aceitar o modelo proposto pelas televisões que consistia num frente-a-frente entre todos os candidatos. O PS só aceita dois “duelos” entre Sócrates e Ferreira Leite e um debate algardo a todos os partidos com representação parlamentar. Já o PSD aceitou hoje formalmente a proposta conjunta das três televisões.

Discordando daqueles que acham que eu não devo responder aos homens de mão do Simplex - que subitamente me devem ter achado do PSD, algo que penso ser facilmente desmentível se recorrerem aos seus serviços de informações – recupero aqui uma expressão do Paulo Querido sobre a necessidade de alimentar os nossos adversários, ou seja feed the trolls.

Ora bem. Em dois posts e em comentários dispersos, várias acusações me foram feitas e poucos argumentos contraditórios foram levantados contra os dados por aqui tratados por mim.

Vou abordar os principais aqui expostos e depois passar à análise das acusações que me foram dirigidas em particular ou à generalidade dos professores.

Anoto ainda que em relação à análise do Ensino Básico nada do que escrevi foi contestado no plano dos factos ou das opiniões.

  • A primeira crítica é que a utilização do ano de 1996/97 para início da série tratada pelo ME se deve ao facto de no ano anterior terem sido introduzidos os exames no Secundário e, por isso, não ser possível fazer comparações com anos anteriores. Alega-se ainda que não foi usado 1995/96 por terem existido bonificações nos resultados dos exames. Deste modo eu estou a manipular dados ao fazer recuar a série até 1993/94. Ora bem: se este argumento é válido, então o ME deveria ter interrompido as comparações em todos os anos em que foram introduzidas alterações significativas no rime de frequência e avaliação dos alunos, nomeadamente o regime de permeabilidade - que permite aos alunos trocar de disciplinas depois de iniciado o ano lectivo, desistindo daquelas em que têm piores resultados -  iniciado em 2007/08, quando a queda do insucesso se acentua. A verdade é que, tomando como bom o argumento dos simples, se torna impossível fazer qualquer tipo de análise diacrónica dos dados do (in)sucesso educativo em Portugal, tantas e tão frequentes são as alterações das regras nesta área.
  • A segunda crítica é que eu menorizo os CEF (EFA, já agora) por serem vias frequentadas por alunos com dificuldades mas que apresentam um elevado sucesso. Indirectamente é insinuando que eu gostaria de ver estes alunos, desqualificados e a vaguearem pelas ruas deste país. A parte final é anedótica, pelo que passo adiante. Quanto à primeira parte eu até poderia concordar com o que é dito, se porventura esses cursos fossem a excepção à regra e não – como agora se pretende – quase a regra. Se é verdade que estes cursos se destinam a qualificar jovens com percursos problemáticos, a generalização proposta por este Governo significará que os alunos portugueses só conseguem concluir o Secundário por vias alternativas? Já agora, será que Miguel Abrantes ao escrever que «para alguns, parece que seria preferível que milhares de alunos tivessem simplesmente continuado na rua, sem qualificações» quer dizer que no Portugal Socrático de Sucesso, jovens com a escolaridade obrigatória concluída só têm como destino vaguear nas ruas? OK, eu não iria tão longe na crítica ao desempenho desta governação.

Depois, em comentários deixados aqui no Umbigo são feitos dois reparos:

  • Que eu usei as páginas erradas das estatísticas do GIASE (247-248) que se aplicariam ao continente e não a Portugal ao algo assim. Não percebi bem. Eu usei os dados globais nacionais. O ME usou outros, relativos só a uma parte do país? Será isso honesto, para reverter a crítica da comentadora.
  • Outro comentador chamou-me à atenção que 86,6% de sucesso num ano com cerca de 140.000 alunos é diferente de 86,6% com cerca de 110.000. Pois é. Pode significar uma de duas coisas (entre muitas possíveis): ou que a natalidade foi diferente 15 anos antes ou então que ele insinua que quantos mais alunos existem mais insucesso haverá, o que é estranho pois significaria que a inteligência ou capacidade dos alunos diminui com a quantidade. Neste caso na China 86,6% de insucesso seria impossível. Sei que estou a ser sarcástico, mas o argumento presta-se a tal.

Caminhos

Economia, solidariedade, educação e justiça em destaque

(…)
Na Educação, a aposta de um executivo “laranja” passará por temas como o combate ao facilitismo, a recuperação do prestígio dos professores, bem como alterações ao estatuto do aluno, da carreira docente e dos sistema de avaliação dos professores, além do alívio da carga burocrática a que estes estão sujeitos.

Quanto a propostas concretas no domínio da Educação, disse recentemente Ferreira Leite, estas “hão-de ser feitas com os agentes educativos”.

Não é o contraditório que me incomoda. Ou as críticas. É a pesporrência e a incivilidade dos prosélitos do Grande Líder.

Argumentação nula. Mas já me espantava não terem virado o tiro para estes lados.

E querem ser eles a governar-nos…

Livra!

Smashing Pumpkins, Try, try, try

Eu trato da coisa do Photobucket logo que tenha paciência e o cartão de crédito à mão. Entretanto estou com as imagens na barra lateral em stand-by.

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